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Material de Apoio- Análise Textual - Aula 1 -  A LINGUAGEM

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Daqui a pouco tempo, muito menos do que podemos imaginar, quem não dominar a informática não encontrará lugar no mercado de trabalho. Mesmo se estiver à procura de uma vaga como office-boy.
	Introdução
Neste primeiro parágrafo, lança-se a idéia de que, em pouco tempo, “quem não dominar a informática não encontrará lugar no mercado de trabalho”. Essa pode ser considerada a idéia central do texto.
	Desenvolvimento da idéia central através de argumentos que a com-provem (exemplos, comparações e outras informações). Apresentação das causas e conseqüências do assunto em discussão.
	Nos Estados Unidos, e de maneira crescente no Brasil, qualquer profissional autônomo que se preze faz pesquisa na Internet. Mais e mais, a casa vira escritório e o contato com o mundo exterior se dá pela rede de computadores. Hoje, muitas ofertas de emprego são feitas eletronicamente. O interessado em uma nova colocação entra na Internet e consulta as páginas eletrônicas das empresas que lhe interessam. Quem não tiver acesso a um computador já reduz suas chances de emprego pela metade.Não há futuro para o analfabeto digital. Até porque se redefine o analfabetismo: dominar os códigos das redes eletrônicas é tão importante como até agora tem sido saber ler e escrever.
	1º Argumento
Neste parágrafo, procura-se firmar a idéia central através de alguns exemplos:
a) nos Estados Unidos, os profissionais autônomos fazem pesquisa na Internet;
b) nos dias atuais, muitas ofertas de emprego são feitas eletronicamente.
2º Argumento
Neste parágrafo, a importância de saber ler e escrever e a de dominar os códigos eletrônicos são tratadas como equivalentes, procurando evidenciar, mais uma vez, que “não há futuro para o analfabeto digital”.
	
	O aluno que decora livros e tira 10 em todas as provas está com os dias contados. Ter informações não é tão relevante como processá-la, encará-la de vários ângulos, o que exige capacidade crítica e flexibilidade para se habituar a um ritmo de mudanças jamais visto. (...)
	3º Argumento
Neste parágrafo, acrescenta-se que “ter informação não é tão relevante como processá-la”.
Essa posição parte do exemplo da provável extinção do tipo de aluno que decora livros sem, no entanto, analisá-los criticamente.
	Conclusão
Reafirmação da idéia central ou apresentação de sugestões para o assunto em discussão.
	O bom profissional nos dias atuais define-se pela capacidade de encontrar e associar informações, de trabalhar em grupo e de se comunicar com desenvoltura. Terá futuro o estudante que souber lidar com imprevistos e se adaptar rapidamente às mudanças, fazer pesquisas e interpretar os dados.
	Conclusão
Neste último parágrafo, é traçado o perfil de como devem ser o profissional dos dias atuais e o estudante do futuro, mostrando, assim, a necessidade de se combater o “analfabetismo digital”.
Aula 9 – Material de Apoio – Profª Rossana – Análise Textual
RECURSOS DE ESTILOS
Alguns recursos de estilo
Quando são utilizados recursos de estilos, os elementos da linguagem são desviados do seu uso normal, criando uma linguagem nova. Este desvio intencional tem por finalidade sugerir determinada imagem.
Comparação e metáfora
A comparação é figura de largo uso na linguagem. Consiste em identificar dois objetos a partir de uma característica que lhes é comum.
Acompanhe um trecho da música Um índio, de Caetano Veloso:
Um índio descerá
de uma estrela colorida brilhante
De uma estrela que virá
numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na
América num instante
Depois de exterminada
a última nação indígena
E o espírito dos pássaros
das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais
avançadas das tecnologias
Virá
Impávida que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
É possível estabelecer, a partir do exemplo, uma estrutura de comparação que percorre as seguintes etapas:
termo comparado (o que compara): um índio
termos comparantes (objeto(s) com o(s) qual(quais) se compara(m):
Muhammad Ali, Peri, Bruce Lee
termos comparativos (como, tal como, tão como, semelhante a, que nem, feito): que nem, como
pontos de comparação (o resultado da comparação em qualidades ou defeitos): a impavidez, a paixão, a tranquilidade, a infalibilidade
A metáfora, figura de sustentação da linguagem literária, é uma comparação em que não se explicita nem o termo comparado, nem o termo comparativo, nem o ponto de comparação.
Há uma coisa ou uma ideia a ser definida ou expressa. Há uma outra coisa ou ideia em que o autor ou o falante percebeu haver alguma semelhança ou relação com a primeira. A semelhança resultante da intersecção das duas ideias é a metáfora.
Acompanhe um trecho da letra de Tigresa, de Caetano Veloso;
Uma tigresa de unhas negras
E Íris cor de mel
Uma mulher uma beleza
que me aconteceu
É possível estabelecer qual é o processo metafórico resultante do texto:
Mulher que tem as qualidades de tigresa: uma mulher sexy, bela, sensual
idéia a ser definida + = Ideia imaginária com que se MULHER = TIGRESA
Há, portanto, uma comparação implícita, em que não aparecem os termos comparativos (como, tal como, tão como, etc.)
Se o poeta tivesse dito: “Conheci uma mulher que era como uma tigresa de unhas negras”, haveria, gramaticalmente, uma comparação.
Não foi o que ocorreu. Ele pulou uma etapa e igualou a relação.
Metonímia ou sinédoque
Metonímia significa mudança de nome.
A relação de sentido e a associação de ideias provocam, às vezes, a substituição de um termo por outro.
Note, por exemplo, quando se diz: “Estou vendo o Spielberg de novo”, dando a entender: “Estou vendo o filme do Spielberg de novo”. Trata-se da substituição da obra pelo autor, figura bastante frequente.
Temos metonímia nas situações seguintes
Entre autor e obra:
Ler Machado de Assis, em vez de “Ler a obra de Machado de Assis”.
Entre continente e conteúdo:
Tomar um copo d’água, em vez de “Tomar a água que estava no copo”.
Entre causa e efeito:
Viver de trabalho, em vez de “Viver do produto do trabalho”.
Ganhar a vida, em vez de “Ganhar os meios de vida”.
Sua a camisa para viver, em vez de “Porque trabalha muito para viver, sua a camisa”.
Entre a parte e o todo:
Morar na cidade, em vez de “Morar numa parte da cidade”.
Não ter teto onde morar, em vez de “Não ter casa para morar”.
Substituição do objeto pela matéria:
Ele não vale um níquel, em vez de “Ele não vale uma moeda feita de níquel”.
Substituição do produto pelo lugar ou marca:
Fumar um havana, em vez de “Fumar um charuto fabricado em Havana”.
Tomar umas brahmas, em vez de “Tomar umas cervejas fabricadas pela Brahma”.
Aula 10 – Material de Apoio – Profª Rossana – Análise Textual
POLISSEMIA
É a propriedade de uma palavra apresentar vários sentidos.
Ex.:	Não consigo prender o fio de lã na agulha de tricô.
Enrosquei minha pipa no fio daquele poste.
Observe que, nas duas ocorrências da palavra fio, ela apresenta sentidos diferentes: “fibra”, no 1º enunciado e “cabo de metal” no 2º. Apesar disso, há um sentido comum entre elas: sequência, eixo, alinhamento.
Outro exemplo:
Imagine um anúncio que apresente a frase “Todo mundo pro xadrez” e a imagem de várias camisas com estampas de quadrados alternados.
A palavra “xadrez” apresenta polissemia, uma vez que, ao considerarmos a parte verbal (emprego de palavras) do anúncio, o sentido dessa palavra é “cadeia”. Já em relação à parte visual do anúncio, “xadrez” significa a estampa das camisas. A Polissemia, nesse caso, é empregada pelo anunciante como recurso para se comunicar com as pessoas e elas comprarem blusas com estampa de “xadrez” : “Todo mundo pro xadrez”.
Ambiguidade
A ambiguidade (ambi = dualidade), quando empregada de forma intencional , se torna um importante recurso de expressão. É o que acontece no exemplo sobre o anúncio das camisas de xadrez: utiliza-se a ambiguidade como recurso para se comunicar com o consumidor de forma mais direta, descontraída