Aula_09
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DisciplinaPsicologia Jurídica9.528 materiais85.379 seguidores
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Universidade Estácio de Sá
Professora Antonia de La Cruz
Apostila elaborada por Antonia de La Cruz \u2013 Curso de Direito
AULA 9
LIVRO: Temas de Psicologia Juridica
Brito, T. Os Primordios da Psicologia Juridica (Jacó-Vilela). RJ: Relume Dumará, 2002.
Início da relação entre a Psicologia e o Direito
Psicologia do Testemunho: avaliação da veracidade de relatos de acusados e de testemunhas, fundamentando-se em estudos experimentais sobre memória e percepção.
 A \u201cPsicologia do Testemunho\u201d historicamente a primeira grande articulação entre Psicologia e Direito.
Metodologia: uso de instrumentos de medida considerados objetivos, que possibilitavam comprovações matemáticas. Utilizavam-se, sobretudo, testes psicológicos.
Final do século XIX => a Psicologia privilegiava o método científico empregado pelas Ciências Naturais (Biologia possibilidade de explicação dos comportamentos humanos), dando ênfase a uma prática profissional voltada, quase que unicamente, à perícia, ao exame criminológico e aos laudos psicológicos baseados no psicodiagnóstico. (Altoé, 2001).
Psicologia Jurídica no Brasil: 1945 - Manual de Psicologia Jurídica, de Mira y Lopez: psicologia como ferramenta para avaliação e diagnóstico de criminosos e infratores.
 Contribuições da Psicologia:
\u2022 detectar a mentira;
\u2022 descobrir causas subjetivas para desvio de normas sociais;
\u2022 indicar técnicas para alteração do comportamento anormal;
\u2022 classificar as pessoas (conforme hereditariedade, caráter, constituição física e psíquica);
\u2022 avaliar condições de discernimento ou sanidade mental das partes;
\u2022 determinar a periculosidade dos indivíduos.
Perícia: avaliação de condições psicológicas com a finalidade de responder a quesitos formulados por operadores do Direito -> atividade avaliativa e de subsídio às decisões judiciais.
O trabalho do psicólogo => Pode auxiliar e nortear a atuação de advogados, promotores, juízes reconhecendo a necessidade de uma ação em conjunto com os demais profissionais na construção de um saber que auxilie a expressão da Justiça, permitindo ao juiz aplicar a Lei, dentro dos fins sociais, visando a uma relação democrática, justa e igualitária (Verani, 1994.) ou prejudicar e alongar o processo por vários anos, sem diminuir o conflito e a dor dos envolvidos, através da restrição de seu exercício profissional à elaboração de laudos ou pareceres psicológicos, por vezes conclusivos, fechados e, portanto, iatrogênicos (alteração patológica provocada no paciente por tratamento errôneo ou inadequado), como antes. 
Lei Jurídica X Lei Simbólica.
Psicanálise e Direito 
LIVRO: Direito de Família e Psicanálise. Rumo a uma Nova Epistemologia
GROENINGA, G. e PEREIRA, R.C. Direito de Família e Psicanálise \u2014 Rumo a uma nova epistemologia. RJ: Imago, 2003.
\u2022 SUJEITO DO DIREITO/ SUJEITO DO DESEJO E A LEI
 A primeira lei é uma lei de Direito de Família: a lei do pai e o fundamento da lei (Rodrigo da Cunha Pereira)
Kelsen (Teoria Geral das Normas) e Freud (Totem e Tabu)
A ideia de Lei
A partir do momento em que o homem passou a "viver-con" (conviver), ele começou a estabelecer leis para normalizar esse convívio.
Kelsen => norma é um comando de conduta, o dever-ser de conduta. A norma legislada formalmente pelo Estado é a emanação de um poder, autorizado por uma norma anterior que é a lei básica de um Estado: a Constituição. Esta por sua vez, é baseada em uma constituição anterior e assim sucessivamente até que se chegue à primeira assembleia, que talvez tenha originado a primeira constituição. Chegaremos aí a uma norma fundante do sistema jurídico, que é a norma fundamental.
Esta norma fictícia, a que se refere Kelsen, autorizadora de todo o sistema jurídico e na verdade de todas as leis jurídicas e morais, é a norma fundante, pressuposto de validade de todas as normas.
Freud em seu texto Totem e Tabu => nos remete também às primeiras leis do homem. Descreve o "tabu" como o código de leis não escrito mais antigo do mundo, anterior a qualquer espécie de religião. Nesse trabalho, Freud nos remete a um lugar de surgimento da lei, que é anterior ao culto das religiões e das prescrições das religiões mais primitivas. 
De onde vem essa norma? 
Essa norma não pode ser posta em questão e isso parece significar que é porque ela é fundada pelo inconsciente.
Essa lei inconsciente é dada pelo que Freud chamou de lei do incesto, ou depois Lévi-Strauss ou Lacan, como a Lei do Pai, que é exatamente a Lei (inconsciente) que possibilita a passagem da natureza para a cultura, (p. 24).
Essa obra veio demonstrar que o incesto é a base de todas as proibições. É então a primeira lei. A lei fundante e estruturante do sujeito, consequentemente da sociedade e obviamente do ordenamento jurídico. " [...] podemos dizer que é exatamente porque o homem é marcado pela Lei do Pai que se torna possível e necessário fazer as leis da sociedade onde ele vive, estabelecendo um ordenamento jurídico" (p. 27).
Lei do incesto => fundamento da cultura, da linguagem, das relações entre os homens.
Ao abordar a norma fundamental, e no regressus infínitum a norma fictícia, não estaria Kelsen falando da mesma norma fundamental, a lei do simbólico de Freud e Lévi-Strauss?
"Os conceitos interdisciplinares de direito e psicanálise, a partir de Freud e Kelsen, nos autorizam a dizer que a primeira lei, a lei fundante, fundamentadora e organizadora da cultura, uma lei de Direito de Família. [...] é a Lei do Pai, que é a base de sustentação e a partir da qual se torna possível o ordenamento jurídico sobre a família (p. 29).
Exemplo: A exogamia é a expressão do tabu do incesto => no nosso ordenamento, a tradução na lei do interdito básico encontra-se nos impedimentos para o casamento art. 1521 do Código Civil de 2002.
PROGRAMA DE RÁDIO ESCUTAR E PENSAR RÁDIO MEC-AM 800 MHZ Transgressão2ª feira: 22/Dezembro/2003 
Quando afirmamos que alguém transgrediu, estamos dizendo que alguma coisa foi violada: uma regra, uma lei, um pacto, um contrato ou mesmo um acordo não falado, nem escrito entre duas ou mais pessoas. Quer dizer, alguma combinação foi desrespeitada. Pode ser uma leve ultrapassagem de algum limite estabelecido, sem maior gravidade, ou um ato violento com conseqüências danosas. 
Se pensarmos na sociedade, por exemplo, há uma série de contratos sociais que exigem responsabilidade dos governantes, daqueles que detém algum tipo de poder. Aí, qualquer ato ilícito tem conseqüência sobre inúmeras pessoas. É o caso das atuais denúncias envolvendo juizes, que nos deixam inseguros, já que justamente quem deveria cuidar do cumprimento das leis é o primeiro a usar seu poder pra transgredir. Será que os roubos feitos por poderosos acabam justificando roubos feitos pelos menos favorecidos? Se os que têm muito roubam, por que quem não tem nada não pode se aproveitar? 
Na verdade, o que estão em jogo são valores e princípios que organizam a vida civilizada. O processo do animalzinho humano até chegar a ser um homem civilizado é longo e trabalhoso. Esse processo inclui cuidados, nutrição, ensinamentos, e uma coisa muito importante que a gente quase não nota: a transmissão de códigos que caracterizam o indivíduo, e que são como marcas que ficam registradas dentro da mente. Essas marcas são heranças, que passam de geração em geração, há muitos milhares de anos, e que estabelecem certos limites pra vida em grupo. 
No plano da sexualidade, por exemplo, os tabus do incesto, e das gerações: não pode haver relações sexuais entre pai e filhos ou entre mãe e filhos. Tios e avós devem respeitar os membros mais novos da família e não interagir sexualmente, o que seria um abuso. Enfim, algumas barreiras que vão se formando no nosso mundo psíquico, como nojo, horror e vergonha de certas práticas, nós vamos adquirindo desde a primeiríssima infância, na relação com aqueles que cuidam da gente, aqueles que exercem a função de pais. Esses códigos são como que depositados na cultura e transmitidos de geração em geração, através da linguagem verbal e também da não verbal,