314_METEOROLOGIA_E_CLIMATOLOGIA_VD2_Mar_2006
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METEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA
Mário Adelmo Varejão-Silva
Versão digital 2 \u2013 Recife, 2006
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a G. Hadley, em 1735, é restrito aos trópicos (Lorenz, 1967). Ele preocupou-se com esse tema
cerca de um século antes de Coriolis ter estabelecido a forma matemática da força defletora cau-
sada pelo movimento de rotação da Terra. Hadley acreditava na existência de duas grandes cé-
lulas de circulação meridional, uma em cada hemisfério (Fig. VII.19), como forma de explicar os
ventos observados à superfície na zona tropical, chamados alísios. Tentativas de aperfeiçoamento
dessa concepção inicial foram se sucedendo, destacando-se o esquema proposto pelo climatolo-
gista H. W. Dove , em 1837 e pelo oficial de marinha M. Maury, em 1885 (Fig. VII.19), que imagi-
naram a existência de duas células de circulação em cada hemisfério. Em 1856, o professor se-
cundário William Ferrel, sugeriu a existência de três células de circulação em cada hemisfério,
como forma de justificar os ventos observados também nas zonas de latitudes médias e circum-
polares, introduzindo, ainda, a ação da força de Coriolis. Vários esquemas (modelos conceituais)
de circulação se seguiram, inclusive novas versões apresentadas por Ferrel, além dos modelos de
V. Bjerknes em 1921, 1933 e 1937, de T. Bergeron em 1928 e de C. G. Rossby, em 1941, dentre
outros. Uma exaustiva análise de cada um deles é feita por Lorenz (1967).
O principal problema inerente aos modelos conceituais de circulação geral da atmosfera
não é o de apenas justificar a existência dos ventos dominantes, mas fazê-lo explicando como
acontece o transporte meridional de energia e de quantidade de movimento angular, necessários
à manutenção do equilíbrio energético do sistema superfície-atmosfera. O aspecto energético, no
entanto, ultrapassa o objetivo deste texto.
Fig. VII.19 - Esquemas de circulação geral de acordo com a concepção de G. Hadley, em
1735 (esquerda) e de M. Maury, em 1855 (direita), segundo Lorenz (1967).
11.1 - Células de circulação meridional.
Apenas por questões didáticas será comentado o modelo proposto por C. G. Rossby, em
que se admite que a pressão à superfície do globo se distribui zonalmente, havendo faixas alter-
nadas de baixa e de alta pressão, aproximadamente simétricas em relação ao equador térmico