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Funcionamento das contas

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com o estabelecimento das contas anuais. Estas são
constituídas pelos documentos das seguintes sínteses:
� a conta de resultados;
� o balanço;
� o anexo.
A apresentação destes documentos está normalizada. Deve seguir as regras e as recomen-
dações do Plano Contabilístico Geral. Entre outras, é necessário respeitar uma certa classi-
ficação das contas no balanço e na conta de resultado.
Os documentos de síntese não podem ser estabelecidos senão após o fecho de todas as
contas, uma vez terminados os trabalhos contabilísticos e extra-contabilísticos. Como já foi
visto anteriormente, estes documentos podem ser elaborados por uma estrutura externa de
gestão, pois requerem competências aprofundadas em matéria de contabilidade. Con-
tudo, é importante que os responsáveis de uma mutualidade de saúde compreendam o
interesse e o papel desses documentos e sejam capazes de restituir o seu conteúdo aos
aderentes e a terceiros.
A conta de resultados determina o resultado por diferença entre os
encargos e os produtos do exercício. Esta conta permite, igual-
mente, compreender como foi obtido o resultado.
A conta de resultados apresenta os encargos e os produtos classifi-
cados em três grandes rubricas:
✔ exploração;
✔ financeiro;
✔ excepcional.
Esta classificação permite distinguir o que sobressai do funciona-
mento corrente da mutualidade (exploração) do que é financeiro ou
excepcional.
O modelo abaixo apresenta os principais títulos da conta de resulta-
dos, conforme o plano contabilístico adaptado a uma mutualidade
de saúde.
A conta
de resultados
Parte IV • A contabilidade de uma mutualidade de saúde 173
O balanço inventaria, no activo, todos os bens da mutualidade, e,
no passivo, a origem dos recursos que financiaram aqueles bens.
As contas do balanço são reagrupadas em quatro grandes catego-
rias:
✔ no activo: o activo imobilizado e o activo circulante;
✔ no passivo: os capitais próprios e as dívidas.
O resultado do exercício aparece igualmente no balanço. É o
mesmo que o calculado para a conta de resultados.
No balanço, o resultado corresponde à diferença entre o activo e o
passivo, isto é, entre o montante dos bens e o dos recursos de que a
mutualidade dispõe para os adquirir. Quando o activo é superior ao
passivo, isso significa que a mutualidade conseguiu adquirir, com
um certo volume de recursos, um conjunto de bens com um valor
total superior. Portanto, ela enriqueceu-se e o resultado é um exce-
dente. No caso contrário, a mutualidade empobrece-se e o resul-
tado é um défice.
O modelo de balanço abaixo apresentado é “clássico”. O activo
comporta três colunas:
✔ “Bruto”. O montante bruto representa o valor inicial de um bem
(valor de compra);
✔ “Amortizações e provisões”. Esta coluna totaliza as dotações
às amortizações, após a compra de um bem, e as dotações às
provisões sobre elementos do activo (nomeadamente sobre os
créditos);
✔ “Líquido”. Esta coluna é igual à diferença entre as duas prece-
dentes.
O balanço
174 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
Conta de resultados (apresentação sob a forma de conta)
O anexo completa o balanço e a conta de resultados, trazendo as
necessárias explicações para uma melhor compreensão destes dois
documentos. Suscita, assim, as seguintes informações:
✔ dados, em números, que completam e detalham certos títulos do
balanço e da conta de resultados;
✔ dados, não em números, que precisam os métodos de avalia-
ção, os cálculos e a origem dos dados em números.
O anexo fornece informações úteis para completar a restituição do
balanço e da conta de resultados aos aderentes da mutualidade e
aos terceiros.
Facilita igualmente os controlos interno e externo.
Os diferentes elementos do anexo respeitam, nomeadamente, a:
✔ investimentos: aquisições e cedências;
✔ modalidades de cálculo das amortizações;
✔ créditos: quotizações em atraso;
✔ empréstimos: prazos de vencimento, reembolsos efectuados, etc;
✔ acontecimentos significativos do ano;
✔ observações sobre certas contas.
O anexo
Parte IV • A contabilidade de uma mutualidade de saúde 175
Balanço (antes da repartição)
5.3 A abertura de um novo exercício
O balanço de fecho de um exercício é, igualmente, chamado balanço
antes de repartição, pois apresenta o resultado do exercício antes da
sua utilização ser determinada. Aquando de uma AG, e em função
das recomendações do CA (ou da CE), os aderentes deverão determi-
nar a afectação do resultado, com dois casos figurativos possíveis:
✔ se o resultado é um excedente será utilizado para completar as
reservas e/ou para realizar obras sociais a favor dos aderentes.
Pode, igualmente, ser objecto, total ou parcialmente, de um
transporte pela segunda vez;
✔ se o resultado é um défice: este será transportado pela segunda
vez, esperando que o exercício seguinte seja excedentário.
Após estas decisões, a mutualidade produzirá um novo balanço,
chamado balanço após repartição, no qual a linha “Resultado do
exercício” terá desaparecido, sendo este último distribuído pelas
outras contas. Este balanço após repartição corresponde ao
balanço de abertura do exercício seguinte.
O facto da mutualidade ter fim não lucrativo não quer dizer que não
deva realizar excedentes. Pelo contrário, estes últimos são necessá-
rios para assegurar a viabilidade da mutualidade e melhorar os ser-
viços oferecidos aos aderentes. Mas uma mutualidade não tem mais
por vocação acumular esses excedentes, o que significa:
✔ por um lado, que esses excedentes devem ser de um montante
razoável pois provêm, em normal funcionamento da mutuali-
dade, de uma margem sobre as quotizações. Em outros termos,
quotizações elevadas permitem obter importantes excedentes, o
que pode parecer positivo, mas, ao mesmo tempo, limitam o
acesso à mutualidade das famílias cuja capacidade contributiva
é restrita;
✔ por outro lado, que a mutualidade deve evitar entesourar. Deve
consagrar os seus excedentes, nomeadamente:
– ao reforço da sua segurança financeira;
– à realização de acções em favor dos beneficiários.
A utilização dos excedentes deve ser prevista nos Estatutos e no
Regulamento Interno da mutualidade. Ela pode ser regulamentada
pela lei. A repartição dos excedentes é efectuada em AG, após o
relatório financeiro apresentado pelos Gestores da mutualidade e
na base das suas propostas. 
Segundo os princípios da mutualidade, os excedentes não podem
ser redistribuídos aos aderentes. Em compensação, são destinados: 
✔ à constituição de reservas (estas são apresentadas mais adiante);
✔ à realização de novas acções em favor de todos os aderentes :
as acções sociais.
A afectação
do resultado
176 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
Também apelidadas de obras sociais, as acções sociais são realiza-
das pela mutualidade em favor dos beneficiários, até mesmo em favor
de toda a colectividade. Visam responder a outras necessidades dife-
rentes das cobertas pelo seguro saúde. Os exemplos são múltiplos: 
✔ caixa de assistência: fundo disponíveis para a atribuição de
empréstimos, até mesmo doações às famílias carenciadas; 
✔ prendas para os recém-nascidos: produtos de primeira necessi-
dade dados às mães e ao seu bébé após o parto: sabão, enxo-
val, etc.;
✔ criação de novos serviços: campanhas de prevenção, educação
sanitária, serviço de enfermagem, etc.; 
✔ construção ou contribuição para a construção de infraestruturas
comunitárias (poços, escolas, etc.); 
✔ acções de solidariedade em favor dos indigentes; 
✔ acções em favor dos deficientes, pessoas idosas, etc. 
Exemplo
Uma mutualidade acaba de encerrar o seu quarto exercício anual. Ela cobre 65% do público-alvo.
O seu balanço antes de repartição e a sua conta de resultados indicam, nomeadamente, que: 
� o montante das prestações saúde eleva-se a 1 689 000 UM;
� o montante das reservas é de 753 000 UM;
� o resultado do exercício eleva-se a 258 000 UM. 
O funcionamento da mutualidade é estável, as relações com os prestadores de cuidados são excelen-
tes e a mutualidade não encontra qualquer dificuldade