Funcionamento das contas
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Funcionamento das contas


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provenientes dos diferentes domínios de
gestão da mutualidade. O \u201cpainel de bordo\u201d constitui um instrumento de pilo-
tagem, muito precioso para os gestores.
Capítulo 3 A avaliação da viabilidade financeira e económica de uma mutualidade de
saúde
Este terceiro capítulo trata, em primeiro lugar, da avaliação da viabilidade
financeira da mutualidade de saúde. São, assim, abordadas sucessivamente
as avaliações da solvabilidade, do financiamento da actividade seguro e do
\u201cbom funcionamento financeiro\u201d da mutualidade. O capítulo estuda, depois,
a viabilidade económica da mutualidade de saúde.
Capítulo 4 A avaliação e os ajustamentos do funcionamento de uma mutualidade de
saúde
Este último capítulo descreve as diferentes formas possíveis de avaliação
numa perspectiva de desenvolvimento da mutualidade de saúde. A utiliza-
ção das avaliações para uma pilotagem eficaz a curto, médio e longo
prazo é, de seguida, ilustrada na base de exemplos concretos.
O controlo interno
O controlo interno tem por objectivo verificar que:
\ufffd as decisões da AG são bem executadas;
\ufffd as tarefas definidas e repartidas entre os responsáveis e os gestores, pelos Estatutos e o
Regulamento Interno, são, efectivamente, cumpridas;
\ufffd os procedimentos de gestão são correctamente acompanhados e as operações finan-
ceiras e o registo contabilístico são efectuados em conformidade com as \u201cregras do
ofício\u201d.
O controlo visa, igualmente, analisar as eventuais falhas e trazer os necessários correctivos
para melhorar a organização e o funcionamento mutualidade.
Parte VII \u2022 O controlo, o acompanhamento e a avaliação 219
17 Para uma revisão mais detalhada dos mecanismos de acompanhamento e de avaliação, o leitor poderá reportar-se ao
Guia de acompanhamento e de avaliação dos sistemas de microseguros de saúde, BIT/STEP,CIDR, Genève, 2001.
O controlo é uma actividade, por vezes, mal entendida pelos Administradores de uma
organização, pois é, muitas vezes, assimilado a uma operação de \u201cpolícia\u201d que não traz
senão \u201caborrecimentos\u201d. Trata-se, pelo contrário, de um factor favorável ao trabalho dos
Administradores, pois o controlo favorece uma maior transparência, evita mal entendidos e
reforça por este facto a confiança necessária a um bom desenrolar das actividades.
O controlo é realizado internamente por dois órgãos da mutualidade: a CS e a AG. Notar-
se-à que outros órgãos, igualmente, efectuam controlos. Trata-se, contudo, de controlos de
uma diferente natureza. Por exemplo, a CE deve efectuar controlos \u201ctécnicos\u201d, como o do
direito às prestações ou do respeito das tarifas acordadas com os prestadores.
1.1 O controlo pela Comissão de Supervisão
As funções da CS foram apresentadas na parte 2. O controlo realizado por este órgão
assenta na boa utilização dos documentos de gestão das adesões, das quotizações e das
prestações, da boa escrituração da contabilidade, da boa marcha dos mecanismos de
acompanhamento e do respeito pelos compromissos da mutualidade para com aderentes e
terceiros (em particular, prestadores).
\ufffd A boa utilização dos documentos de gestão das adesões, da quotização e das presta-
ções. As operações de controlo foram apresentadas nos capítulos consagrados a este
domínio de gestão (parte 3). Trata-se, principalmente, de verificar que as informações
estejam bem registadas e sejam exactas.
\ufffd A boa escrituração da contabilidade. Globalmente a CS deve controlar que:
\u2714 a contabilidade esteja actualizada (sem atrasos no registo das operações );
\u2714 para cada operação exista uma peça justificativa;
\u2714 cada despesa seja objecto de uma ordem de pagamento;
\u2714 os saldos reais da caixa e da ou das contas bancárias estejam em conformidade
com os mencionados nos documentos contabilísticos;
\u2714 os documentos contabilísticos (diários, livro-razão, etc.) estejam bem escriturados.
Algumas destas operações, como o controlo da caixa e a verificação bancária, foram
apresentadas na parte 4.
\ufffd A boa marcha dos mecanismos de acompanhamento. Trata-se de verificar que os qua-
dros de acompanhamento das adesões, das quotizações e das prestações, assim como
o \u201cpainel de bordo\u201d (ver parte 7, capítulo 2), estejam actualizados.
\ufffd O respeito pelos compromissos da mutualidade para com os aderentes, dos prestadores
e dos outros parceiros. A mutualidade deve respeitar um conjunto de obrigações, assu-
midas através dos Estatutos, dos convénios com os prestadores de cuidados e, eventual-
mente, dos acordos com outros parceiros. A CS deve, por exemplo, verificar que:
\u2714 não tenham sido excluídos aderentes ou que não tenham sido recusadas adesões
abusivamente;
\u2714 as facturas dos prestadores estejam pagas nos prazos fixados pelos contratos;
\u2714 os eventuais empréstimos bancários sejam reembolsados, segundo as condições
estabelecidas.
220 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
As tarefas da CS são, portanto, numerosas e variadas. A utilização de uma lista de con-
trolo (check-list) pode facilitar a realização dessas tarefas e tornar o trabalho da Comissão
mais metódico. Esta lista deve recensear os controlos mais importantes, respeitando os prin-
cipais documentos e as operações correntes.
É, igualmente, importante sublinhar que os membros da CS não podem realizar o traba-
lho de controlo se não beneficiarem de uma formação similar à dos membros da CE e
do CA.
Parte VII \u2022 O controlo, o acompanhamento e a avaliação 221
18 No conjunto dos quadros, os dados reportam-se ao mês considerado no quadro de acompanhamento.
Explicação dos eventuais desvios constatados entre os totais das fichas de adesão e os saldos do
registo da adesão.
2. Controlo do registo das quotizações
Explicação dos eventuais desvios constatados entre os totais dos diferentes documentos.
Exemplo
Uma mutualidade de saúde confia uma parte da sua contabilidade a uma estrutura de apoio. A CE
tem um diário de caixa e um diário de banco, assim como, um borrão para as operações diversas
(contabilidade de tesouraria).
Regista as adesões, as quotizações e as prestações nos registos. Um manual de procedimentos, assim
como, um acordo com a estrutura de apoio regem estas diferentes operações.
A CS realiza um controlo mensal na base de uma lista de operações previamente preparada. Este con-
trolo dá lugar ao preenchimento da seguinte ficha.
Controlo do mês de:\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026
Data do controlo: \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026
1. Controlo do registo das adesões
222 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
3. Controlo do registo das prestações
Explicação dos eventuais desvios constatados entre os totais dos diferentes documentos.
4. Controlo da caixa
Folha de caixa em anexo.
5. Controlo da conta bancária
Quadro de verificação bancária em anexo.
6. Controlo do pagamento das facturas dos prestadores
Explicação das eventuais ultrapassagens de prazo e/ou dos desvios entre os montantes facturados e
os montantes pagos.
7. Controlo do envio da contabilidade do mês anterior à estrutura de apoio
Explicação no caso da ultrapassagem do prazo do envio e/ou a falta de um ou vários documentos no
envio.
Além desta ficha mensal, a CS estabelece um breve relatório anual que sintetiza o conjunto de proble-
mas encontrados no ano e os melhoramentos a introduzir.
1. a escrituração dos documentos;
2. a aplicação dos procedimentos;
3. o acompanhamento dos compromissos;
4. outros.
1.2 O controlo pela Assembleia Geral
A gestão corrente da mutualidade é realizada pelo CA e a CE. Os membros destes órgãos
devem prestar contas aos aderentes que, reunidos em AG, têm a seu cargo tomar as gran-
des decisões e definir as orientações da mutualidade.
O CA e a CE devem, portanto, apresentar um relato das actividades realizadas e da situação
financeira da mutualidade. Este relato é estabelecido com base num relatório de actividades,
respeitando o ano findo. Este relatório é elaborado sob responsabilidade do CA. Serve de
base, com o relatório da CS, ao controlo das actividades da mutualidade, pela AG.
O relatório de actividades deve ser compreensível para todos e per-
mitir a todos