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Funcionamento das contas

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de tesouraria assenta numa subdivisão do diário em três diários parciais:
� um diário de caixa, que regista as operações na origem das entradas e das saídas de
dinheiro da caixa;
� um diário de banco (pode haver vários se a mutualidade dispõe de várias contas ban-
cárias), que regista os movimentos ao nível da conta bancária;
� um diário das operações diversas que regista todas as operações que não implicam
uma saída ou uma entrada de dinheiro.
As operações são registadas dia a dia e cronologicamente nos diários parciais e depois
são transportados, imediatamente ou periodicamente, para o livro-razão. Este sistema é o
mais frequentemente encontrado nas actuais experiências mutualistas, mesmo que a sua
execução seja incompleta na maioria dos casos. Com efeito, encontra-se muitas vezes um
diário (também chamado livro) de caixa e um diário de banco, mas muito raramente um
diário das operações diversas e, praticamente nunca, um livro-razão. Contudo, o livro-
razão é necessário, a fim de preparar as contas anuais da mutualidade (conta de resulta-
dos e balanço).
Estes dois diários apresentam-se da mesma forma e preenchem as
mesmas funções consistindo em:
✔ registar dia a dia e cronologicamente todas as operações que se
traduzem por uma entrada ou saída de dinheiro da caixa ou de
uma conta bancária, seja em espécie, por cheque ou transferên-
cia;
✔ conservar todas as informações (datas, números de peças justifi-
cativas, natureza da operação), relativas a cada operação;
✔ facilitar os transportes das operações no livro-razão;
✔ tornar disponível, em qualquer momento, uma visão global da
tesouraria da mutualidade;
✔ realizar um controlo respeitante aos depósitos em caixa, aos
levantamentos da caixa e aos dados em caixa e no banco.
Apresentação
O diário de caixa e o de banco apresentam-se, cada um sob a
forma de um registo pré-impresso cujas páginas são pré-numeradas.
As páginas podem ser em duplicado, quando a mutualidade confia
a execução da sua contabilidade a uma estrutura externa (gabinete
contabilístico, união, etc.).
Cada página comporta um quadro subdividido em várias colunas:
✔ “Data”: data em que a operação é realizada;
O diário
de caixa
e o diário
de banco
Parte IV • A contabilidade de uma mutualidade de saúde 147
✔ “Número de peça justificativa”: número de ordem da operação
que servirá de referência para a classificação das peças justifi-
cativas;
✔ “Descrição”: indicação da natureza da operação realizada;
✔ “Entradas”: montante correspondente a uma entrada de dinheiro;
✔ “Saídas”: montante correspondente a uma saída de dinheiro;
✔ “Saldo”: periodicamente (fim de dia, de semana, de mês) é ins-
crito o novo saldo da caixa ou da conta bancária (entradas -saí-
das).
Regras de utilização
✔ Todas as operações que implicam uma entrada ou uma saída de
dinheiro devem ser registadas no diário de caixa ou no de
banco, imediatamente após a realização da operação.
✔ Os registos das operações efectuam-se linha após linha, por
ordem cronológica.
✔ Se os registos do mês necessitam de várias páginas, é necessá-
rio calcular os totais das colunas “Entradas” e Saídas” e inscrevê-
los na última linha da página com o correspondente saldo. De
seguida, deve-se transportá-los para a primeira linha da página
seguinte antes de prosseguir o registo de novas operações.
✔ Cada registo deve ser feito com as precisões úteis: datas,
número de peças justificativas, descrição da operação, etc.
✔ As “descrições” de operações da mesma natureza devem ser
sempre exactamente as mesmas.
✔ Periodicamente (por dia para o diário de caixa e pelo menos
por mês para o diário de banco) deve ser calculado o saldo.
Pode, eventualmente, ser calculado após cada operação.
✔ Em cada fim de mês, deve proceder-se a um fecho do diário.
O saldo do mês corresponde ao calculado com o último registo.
Este saldo deve ser verificado:
– totalizando todos os montantes da coluna “Entradas”;
– totalizando todos os montantes da coluna “Saídas”;
– operando a subtracção: Total das entradas – Total das saídas
= Saldo do mês.
✔ A abertura de um novo mês inicia-se pelo transporte do saldo do
precedente mês para a primeira linha de uma nova página (não
se transportam os totais das colunas entradas e saídas).
148 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
Exemplo
A mutualidade da saúde da associação dos pequenos comerciantes de Niogo implementou uma
mutualidade com contabilidade de tesouraria que melhor corresponde às suas actividades e ao seu
modo de funcionamento. Esta mutualidade apenas cobre os internamentos no hospital de Niogo. As
adesões começaram em Janeiro 2002; a mutualidade optou por um período de observação de um
mês, as primeiras comparticipações terão, pois, início em Fevereiro.
Uma CE mantém actualizados diversos registos (adesões, direitos de adesões e quotizações, presta-
ções). A mutualidade reúne todos os membros no primeiro domingo de cada mês, sendo nesse
momento que são pagos os direitos de adesão (1 000 UM/aderente) e as quotizações (100
UM/mês/beneficiário).
Durante o primeiro trimestre do ano 2002, registaram-se as seguintes operações:
– 09/01 Pagamento dos direitos de adesão dos primeiros aderentes: 75 000 UM depositados
na caixa. 
– 09/01 Pagamento das quotizações do mês de Janeiro 450 beneficiários 4 500 UM deposita-
dos na caixa.
– 12/01 Deslocação da tesoureira da mutualidade para depositar os fundos na caixa popular,
despesas de táxi : 500 UM.
– 12/01 Transferência da caixa para a conta corrente na caixa popular: 110 000UM.
– 12/01 Compra de equipamentos de escritório: 5 000 UM.
– 06/02 Pagamento dos direitos de adesão dos novos aderentes de Fevereiro: 30 000 UM
depositados na caixa.
– 06/02 Pagamento das quotizações de Fevereiro (630 beneficiários): 63 000 UM depositadas
na caixa.
– 09/02 Deslocação da tesoureira da mutualidade para depositar os fundos na caixa popular,
despesas de taxi: 500 UM.
– 09/02 Transferência da caixa para a conta corrente na caixa popular: 93 000 UM.
– 05/03 Pagamento das quotizações de Março (630 beneficiários): 63 000 UM depositadas na
caixa.
– 07/03 Deslocação da tesoureira da mutualidade para depositar os fundos na caixa popular,
despesas de taxi: 500 UM.
– 07/03 Transferência da caixa para a conta corrente na caixa popular:10 000 UM. 
– 10/03 Deslocação da tesoureira da mutualidade para reembolsar a factura de Fevereiro do
hospital, despesas de taxi: 200 UM.
– 10/03 Pagamento da factura de Fevereiro do hospital: 45 000 UM.
Os modelos seguintes de diários de caixa e de banco ilustram o registo contabilístico destas diferentes
operações.
Parte IV • A contabilidade de uma mutualidade de saúde 149
150 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
Diário de caixa
Diário de banco (caixa popular)
O diário das operações diversas apresenta-se do mesmo modo que
o diário do sistema contabilístico clássico. No quadro de uma con-
tabilidade de tesouraria, este diário apenas regista, dia a dia, as
operações que não implicam entrada ou saída de dinheiro. Ele pre-
cisa a data, a origem, a natureza da operação, as contas efectua-
das e a peça justificativa.
Como anteriormente se viu, a escrituração deste diário requer conhe-
cimentos em matéria de contabilidade em partes dobradas. Por isso,
a contabilidade de tesouraria apenas simplifica a gestão das mutua-
lidades se estas realizam um número restrito de operações diversas.
Estas últimas, podem ser, nomeadamente, operações efectuadas
aquando do fecho, depois da reabertura das contas. Estes registos
podem ser confiados, se necessário, a uma estrutura externa.
3.4 A divisão dos trabalhos de contabilidade entre a
mutualidade e uma estrutura externa
Qualquer que seja o sistema de contabilidade utilizado, coloca-se sempre o problema das
competências nesta matéria, nomeadamente, pelo facto de a inscrição das operações no
diário necessitar de dominar, em diversos graus, o princípio das partidas dobradas. Se a
contabilidade americana reduz esta exigência, ela não é aplicável, senão