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RECOMENDAÇÕES PARA TERAPIA ANTI-RETROVIRAL EM ADULTOS INFECTADOS PELO HIV

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da infecção 
pelo HIV
Para a realização do diagnóstico da infecção pelo 
HIV, os laboratórios públicos, privados e convenia-
dos ao Sistema Único de Saúde (SUS), devem adotar 
obrigatoriamente os procedimentos seqüenciados do 
fluxograma da Figura 1, de acordo com a Portaria 59/
GM/MS, de 28 de janeiro de 2003. Essa Portaria está 
sendo atualizada, alterando a realização dos testes para 
a detecção de anticorpos anti-HIV como diagnóstico 
a partir dos 18 meses de idade.
Todas as amostras de soro ou plasma devem ser 
submetidas inicialmente a um imunoensaio, deno-
minado Elisa (Teste 1), na etapa denominada triagem 
sorológica (Etapa I).
 As amostras com resultados não-reagentes nesse pri-
meiro imunoensaio serão definidas como “amostra 
negativa para o HIV”. Nesse caso, o diagnóstico da 
infecção é concluído, não havendo a necessidade da 
realização de nenhum teste adicional.
 As amostras com resultados reagentes ou incon-
clusivos nesse primeiro imunoensaio deverão ser 
submetidas a uma etapa de confirmação sorológica, 
composta de um segundo imunoensaio (diferente 
do primeiro na sua constituição antigênica ou prin-
cípio metodológico) e testes confirmatórios, tais 
como a Imunofluorescência indireta, Imunoblot ou 
Western blot (Etapas II ou III).
Observações:
 Os laboratórios podem optar pela realização da 
Etapa II ou Etapa III, para confirmação sorológica 
das amostras.
 Em alguns casos como, por exemplo, em resultados 
discordantes entre dois métodos diferentes, além da 
Etapa II, é necessário realizar a Etapa III.
 Diante de um resultado positivo, após a etapa de 
confirmação sorológica, os laboratórios devem 
solicitar uma nova amostra do paciente, a fim de 
confirmar o seu estado sorológico.
 Diante de um resultado reagente ou inconclusivo 
no primeiro imunoensaio (Elisa) e negativo ou 
indeterminado no Western blot, deve-se observar 
a necessidade da realização de investigação da so-
roconversão ou pesquisa de anti-HIV-2.
Guia de Tratamento1�
Figura 1
Fluxograma para detecção de anticorpos anti-HIV em indivíduos com idade acima 
de dois anos (recomendado acima de 1� meses).
 Todos os conjuntos de diagnóstico utilizados para 
a realização do diagnóstico laboratorial da infecção 
pelo HIV devem ser capazes de detectar anti-HIV-1 
e anti-HIV-2, além de ter registro no Ministério da 
Saúde. 
1a
.E
TA
PA
2a
.E
TA
PA
3a
.E
TA
PA
Amostra
( Soro ou Plasma)
Teste 1
(-) (+)./.(IC)
TESTE 2 E IFI OU IB
TESTE 2 (-) e IFI (-) 
ou IB (-)
TESTE 2 (-) / IC 
e IFI (+) / I ou IB 
(+) / (I)
TESTE 2 (+) / (IC) 
e IFI (-) / I ou IB 
(-) / (I)
TESTE 2 (+) e IFI 
(+) / (I) ou IB (+)
AMOSTRA NEGATIVA PARA HIV
AMOSTRA NEGATIVA
PARA HIV -1/HIV
AMOSTRA POSITIVA
PARA HIV -1 / HIV
Coletar nova amostra
e repetir a ETAPA 1
WESTERN BLOT
(-)
AMOSTRA NEGATIVA PARA 
HIV -1
(I)
AMOSTRA INDETERMINADA 
PARA HIV -1
(+)
AMOSTRA POSITIVA PARA HIV 
-1
INVESTIGAR.SOROCONVERSÃO.E/OU.PESQUISAR.HIV.-2
COLETAR.NOVA.AMOSTRA.E.
REPETIR.A.ETAPA.1
LEGENDA:
Teste1.E.Teste.2 = Imunoensaio
IFI.= Imunofluorescência Indireta
IB = IMUNOBLOT
IC = INCONCLUSIVO
I = INDETERMINADO
(-) = NÃO REAGENTE
(+) = REAGENTE
Recomendações para Terapia Anti-retroviral em Adultos Infectados pelo HIV 1�
Diagnóstico da infecção pelo HIV por 
testes rápidos
Mais recentemente vêm sendo desenvolvidos 
testes rápidos para diagnóstico da infecção pelo HIV, 
com o objetivo de abreviar o tempo até a definição 
do diagnóstico. O desempenho de tais testes tem sido 
aprimorado nos últimos anos, aumentando sua sen-
sibilidade e especificidade(3). 
Os testes rápidos são de fácil execução, não reque-
rem equipamentos ou mão-de-obra especializada e 
podem ser executados em poucas etapas, em um tempo 
inferior a 20 minutos.
Em regiões de baixa prevalência da infecção pelo 
HIV (< 1% da população geral), o valor preditivo po-
sitivo de um único teste pode não ser suficientemente 
alto. Em geral, o aumento da prevalência da infecção 
na população, incrementa a probabilidade de que o 
indivíduo com resultado positivo esteja realmente 
infectado (4).
Uma vez que o valor preditivo(3) do teste de triagem 
3 Valor preditivo negativo – É a proporção de indivíduos com resultado 
negativo que não estão infectados.
Valor preditivo positivo – É a proporção de indivíduos com resultado positivo 
que estão infectados.
depende da prevalência da infecção pelo HIV na popu-
lação, bem como da sensibilidade e especificidade do 
teste, um único teste rápido não permite o diagnóstico 
da infecção pelo HIV no Brasil. 
Para definir sua utilidade no diagnóstico da infec-
ção pelo HIV no 
Brasil, o Ministério da Saúde, em cooperação com 
o Centers for Disease Control (CDC), promoveu uma 
avaliação do desempenho dos testes registrados no 
país, comparando sua sensibilidade e especificidade 
ao Elisa e Western blot.
Essa avaliação permitiu a elaboração de um al-
goritmo para o diagnóstico da infecção pelo HIV 
utilizando-se somente testes rápidos, a partir de dois 
diferentes tipos de teste, denominados Teste 1 (T1) 
e Teste 2 (T2), realizados em paralelo, para toda e 
qualquer amostra coletada. Se os dois testes iniciais 
apresentarem resultados positivos, a amostra será 
considerada positiva para o HIV. Da mesma forma, 
se os dois testes apresentarem resultados negativos, 
a amostra será considerada negativa para o HIV. Um 
terceiro teste, ou Teste 3 (T3), será utilizado somente 
quando os testes iniciais (T1 e T2) apresentarem resul-
tados discordantes, sendo que o T3 definirá o resultado 
da amostra (Figura 2).
Figura 2
Algoritmo de testes rápidos para detecção de anticorpos anti-HIV em indivíduos 
com idade acima de 1� meses
TESTE 1 + TESTE 2
NEGATIVO/NEGATIVO
NEGATIVO/POSITIVO POSITIVO/NEGATIVO
POSITIVO/POSITIVO
TESTE 3
AMOSTRA NEGATIVA 
PARA O HIV
AMOSTRA POSITIVA 
PARA O HIV
NEGATIVO POSITIVO
AMOSTRA NEGATIVA 
PARA O HIV
AMOSTRA POSITIIVA 
PARA O HIV
COLETAR NOVA AMOSTRA APÓS 30 (TRINTA) DIAS E REPETIR TODO O ALGORITMO
Guia de Tratamento20
Uma vez aplicado o algoritmo, não há necessidade 
de se realizar os testes confirmatórios para concluir o 
diagnóstico da infecção pelo HIV, uma vez que os testes 
rápidos distribuídos pelo Ministério da Saúde já foram 
comparados com o “algoritmo laboratorial”, tendo 
apresentado igual desempenho. Além disso, todos os 
aspectos abordados na Portaria nº 34/SVS/MS, de 28 
de julho de 2005, deverão ser observados.
Cabe enfatizar que existem fatores biológicos que 
podem limitar a acurácia dos testes. Para garantir a 
qualidade do resultado dos mesmos, é necessária a 
implementação de um Programa para Garantia da 
Qualidade(1). 
Referências bibliográficas
1 - Constantine N. HIV Antibody Assays. HIV InSite Knowledge 
Base Chapter.
2 - Fiebig EW, Wright DJ, Rawal BD, Garret PE, Schumacher RT, 
Peddada L, Heldebrant C, Smith R, Conrad A, Kleinman 
SH, Busch MP. Dynamics of HIV viremia and antibody 
seroconversion in plasma donors implications for diag-
nosis and staging of primary HIV infection. AIDS 2003, 
17;1871-1879.
3 - Branson, BM. Rapid tests for HIV Antibody. AIDS Rev 2000; 
2: 76-83.
4 - World Health Organization. Rapid HIV tests: guidelines for 
use in HIV testing and counseling services in resource-
constrained settings. Geneva, 2004.
5 - Ferreira Jr OC, Ferreira C, Riedel M, Widolin MRV, Barbosa-
Júnior A. For the HIV Rapid Test Study Group. Evaluation 
of rapid tests for anti-HIV detection in Brazil. AIDS 2005, 
19 (suppl 4):S70-S75.
6 - Diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV – Testes de 
triagem – Brasília: Ministério da Saúde, Programa Nacional 
de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, 1997. 
(Série TELELAB).
7 - ________Portaria N. 59, 28 de janeiro de 2003. Diário Oficial 
da União. Brasília, 30 de janeiro de 2003.
8 - ________Portaria n. 34, de 28 de julho de julho de 2005. 
Diário Oficial da União. Brasília, 29 de julho de 2005. 
Seção 1, p-77-78.
Recomendações para Terapia Anti-retroviral em Adultos Infectados pelo HIV 21
Anexo