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do Tom e os filhos de Vinícius não gostam de mim. Se eles pensam que estou nadando em dinheiro por usar a marca Garota de 
Ipanema na minha lojinha em São Paulo, estão enganados. Ela foi aberta há oito meses e mal consigo pagar o aluguel do shopping e as três funcionárias. Montei a 
loja com R$ 100 mil emprestados, mas vou levar uns dois anos para ter lucro. Em 36 anos como a Garota de Ipanema, nunca tentei ganhar dinheiro com isso. 
Helô Pinheiro registrou a marca Garota de Ipanema Comércio de Roupas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), em 1988. Dez anos depois, ela 
conseguiu aprovação da marca. Mesmo assim, a viúva de Tom e os filhos de Vinícius entraram na 1a. Vara Cível do Fórum de Pinheiros, em São Paulo, com uma ação 
de protesto exigindo que ela deixe de usar a marca. Eles a consideram uma propriedade das famílias dos compositores. Querem que o juiz Pedro Luiz Baccarat da 
Silva estabeleça uma multa diária para Helô, caso ela não Ɵre imediatamente as fotos de Tom e Vinícius que a Garota de Ipanema expôs em sua loja. 
- Eles querem que eu e minha família passemos fome? A loja Garota de Ipanema foi a forma que encontrei para garanƟr a sobrevivência da minha família. Dos 
quatro filhos que tenho, dois ainda moram comigo. Um deles, o Fernandinho, de 22 anos, é deficiente, não fala direito, não lê, não escreve e depende de mim. 
Quando ele nasceu, sofreu falta de oxigenação no cérebro. Minha filha, Ticiane, de 23 anos, só agora está fazendo uns trabalhos no programa “Zorra Total”, na 
Globo. Meu marido Fernando, que é engenheiro metalúrgico e com quem estou casada há 35 anos, está desempregado há cinco anos. Ninguém dá emprego para 
um homem de 60 anos – desabafa Helô Pinheiro, em seu apartamento de classe média, na Zona Oeste de São Paulo, decorado com inúmeras fotos dela ao lado de 
Tom e Vinícius, além de recortes de jornais e revistas emoldurados  com frase dos compositores sobre as razões que os levaram a se inspirar em Helô para compor o 
mais famoso de todos os sucessos da bossa nova. 
_ Uma das filhas de Tom disse que não queria ver fotos do pai decorando uma loja de roupas cafonas. Ora, ela nem conhece minha loja. Não viu as roupas que 
eu vendo! Fiquei revoltada e acho que isso já é o suficiente para que eu a processe por danos morais. Mas não quero confusão. Só quero vender minhas roupas e 
sustentar meus filhos. Os filhos de Vinícius já ganham milhões com o direito autoral das músicas do pai. Podiam me deixar em paz aqui com minha loja. Afinal, eu 
sou a Garota de Ipanema. Não há dinheiro que Ɵre esse ơtulo de mim. Helô Pinheiro entrou na JusƟça com uma ação para mostrar que tem o direito de usar a marca 
Garota de Ipanema. Não há como divorciar Helô da Garota de Ipanema. 
  
  
Caso necessário, considere, em sua fundamentação, as seguintes fontes: 
Na hora de uƟlizar referências (como, por exemplo, uma imagem que pode servir de base para a criação de outra) é necessário que a pessoa tenha cautela 
para não fazer uso de uma obra que não seja de sua própria autoria e assim evitar problemas. 
E, para que haja uma orientação prévia do que não é permiƟdo fazer e amparo em casos de uso indevido de imagem e apropriação indevida de conteúdo, 
existe a  Lei de Direitos Autorais. (Advogado do Escritório RR Advogados Associados) 
  
Art. 46, I da Lei de Direitos autorais: Não consƟtui ofensa aos direitos autorais a reprodução: 
c) de retratos, ou de outra forma de representação da imagem, feitos sob encomenda, quando realizada pelo proprietário do objeto encomendado, não 
havendo a oposição da pessoa neles representada ou de seus herdeiros. 
Plano de Aula: Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA
Estácio de Sá Página 2 / 2

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