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FISIOLOGIA II 04 - ECG Básico

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causando um bloqueio no sistema de condu‚o 
do impulso entre o „trio e o ventrƒculo, alargando o complexo QRS.
Se o complexo QRS estiver alargado, isso representa algum bloqueio no ramo direto ou esquerdo do Feixe de 
His, ou a pr…rpia ausˆncia desse ramo. Isso faz com que o impulso, para ser propagado a todo o ventrƒculo, seja 
passado de c€lula em c€lula, a ponto de que o ventrƒculo se contraia de forma errada e ineficiente, alargando o 
complexo QRS devido a demora de propaga‚o do impulso a toda a massa muscular. 5% da popula‚o nasce com o 
ramo direito do Feixe de His bloqueado.
A repolariza‚o auricular n‚o costuma ser registrada, pois € encoberta pela despolariza‚o ventricular
(registrada pelo complexo QRS), evento el€trico concomitante e mais potente.
SEGMENTO ST
O segmento ST € a linha isoel€trica que representa o intervalo entre o fim do complexo QRS (Ponto J) e o inƒcio 
da onda T. Corresponde ao perƒodo entre fim da contra‚o ventricular e o inƒcio da repolariza‚o ventricular, sendo 
representada por uma linha isoel€trica.
O desnivelamento do segmento ST € aceit„vel em at€ 1 mm; mais do que isso, podemos suspeitar das 
seguintes altera†es, que devem ser diferenciadas por meio da clƒnica do paciente ou por marcadores bioquƒmicos.
Arlindo Ugulino Netto – FISIOLOGIA – MEDICINA P2 – 2008.1
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 Altera†es prim„rias da repolariza‚o ventricular: s‚o as altera†es causadas por doenas coronarianas. Um 
infradesnivelamento nessa linha (mais que 1mm) € sinal de isquemia subendoc€rdica; um supradesnivelamento nessa 
linha € sinal de infarto agudo do mioc„rdio (isquemia subepic€rdica).
 Altera†es secund„rias da repolariza‚o ventricular: caracterizada por uma sobrecarga ventricular. A sobrecarga do 
ventrƒculo direito ou um bloqueio de ramo pode provocar um infradesnivelamento do segmento ST; j„ o supradesnivelamento 
€ sugestivo de sobrecarga ventricular esquerda.
ONDA T
Onda arredondada que representa o final da repolariza‚o ventricular, correspondendo, portanto, ao fim do 
segmento ST. O seu parŠmetro mais importante € a morfologia.
 Dura‚o: a medida est„ inclusa no intervalo QT.
 Morfologia: € arredondada e assim€trica, em que a primeira por‚o € mais lenta.
o Sim€trica, pontiaguda e positiva  hiperpotassemia, isquemia subendocardica.
o Sim€trica, pontiaguda e negativa  isquemia subepic„rdica.
 Amplitude: menor do que a amplitude do QRS.
 Polaridade: positiva na maioria das deriva†es: DIII, aVR, V1 e em crianas: V1, V2 e V3.
INTERVALO QT
Inƒcio da contra‚o ventricular at€ o fim da repolariza‚o ventricular. Corresponde ao inƒcio do complexo QRS 
at€ o fim da onda T. O aumento em dura‚o da onda QT significa aumento da repolariza‚o, o que predisp†e ‰ arritmia.
 Dura‚o: entre o inƒcio do QRS e o fim da onda T normal: 0,30 – 0,46 seg. A dura‚o do intervalo QT pode ser 
calculada pela f…rmula de Bazett (QT corrigido): QTcorrigido = QTmedido / √R-R. 
QT > 0,46  Sƒndrome do QT longo, morte sŒbita, SMSI.
O prolongamento do intervalo QT (Sƒndrome do QT Longo Congˆnita) € um fator de risco para morte sŒbita independentemente 
da idade do paciente, de hist…ria de infarto do mioc„rdio, da freq‹ˆncia cardƒaca e de hist…ria de uso de drogas; os pacientes com 
intervalo QTc de > 0,44s tˆm 2 a 3 vezes maior risco de morte sŒbita que aqueles com intervalo QTc < 0,44s. A taxa de 
mortalidade em pacientes com SQTL n‚o tratados varia de 1 a 2% por ano. A incidˆncia de morte sŒbita varia de famƒlia para 
famƒlia como uma fun‚o do gen…tipo.
DERIVA‚…ES ELETROCARDIOGR„FICAS
Na superfƒcie do corpo existem diferenas de 
potencial consequentes aos fen‡menos el€tricos gerados 
durante a excita‚o cardƒaca. Estas diferenas podem 
ser medidas e registradas. Para isto s‚o utilizados 
galvan‡metros de tipo particular que constituem as 
unidades fundamentais dos eletrocardi…grafos.
Os pontos do corpo a serem explorados s‚o 
ligados ao aparelho de registro por meio de fios 
condutores (eletrodos). Dessa forma, obtˆm-se as 
chamadas deriva„es que podem ser definidas de 
acordo com a posi‚o dos eletrodos. 
A id€ia b„sica € observar o cora‚o em 
diferentes Šngulos, ou seja, cada deriva‚o, representada 
por um par de eletrodos (um positivo e um negativo), 
registra uma vista diferente da mesma atividade cardƒaca. 
As deriva†es podem ser definidas de acordo com a 
posi‚o dos eletrodos (chamados eletrodos exploradores) 
no plano frontal (formando as deriva†es perif€ricas –
bipolares ou unipolares) e no plano horizontal (formando 
as deriva†es precordiais, unipolares).
OBS3: Teoria do Dipolo. O ECG € o registro gr„fico da proje‚o dos vetores de ativa‚o 
el€trica do cora‚o, em linhas de deriva‚o. Dipolo € o fen‡meno el€trico resultante de 
dois pontos justapostos e de cargas contr„rias. Chama-se de dipolo ao conjunto formado 
por duas cargas de mesmo m…dulo, por€m de sinais contr„rios, separadas por uma 
distŠncia d. O dipolo como grandeza vetorial apresenta: m…dulo (produto de uma das 
cargas pela distŠncia entre elas), dire‚o (eixo do dipolo, linha unindo os dois p…los) e 
sentido (do p…lo negativo para o p…lo positivo).
O eletrodo positivo do ECG que “olha” para a ponta da seta vetorial (resultante da 
despolariza‚o cardƒaca) registra uma onda positiva. O eletrodo positivo que “olha” para a 
cauda da seta registra uma onda negativa.
OBS4: O sentido de despolariza‚o do cora‚o se d„ de cima para baixo e da esquerda para a direita.
Arlindo Ugulino Netto – FISIOLOGIA – MEDICINA P2 – 2008.1
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Logo, todo ECG € composto por 12 deriva†es que permitem uma vis‚o tridimensional do potencial de a‚o 
cardƒaco, de forma que as ondas sejam as mesmas para todas elas. 
Para conseguir estudar o cora‚o de forma tridimensional, devemos dividir as deriva†es em dois planos:
 Derivações no Plano Frontal (Derivações de Membros ou Periféricas). Medem a diferena de potencial entre 
os membros (bipolares) ou entre certas partes do corpo e o cora‚o (unipolares). Coloca-se um eletrodo em 
cada brao (direito/esquerdo) e um na perna esquerda, formando um triŠngulo (conhecido como triângulo de 
Einthoven). Na perda direita, coloca-se o fio terra, para estabilizar o traado. Deslocam-se as trˆs linhas de 
referˆncia, cruzando com precis‚o o t…rax (cora‚o) e obt€m-se uma intersec‚o, formando as deriva†es 
bipolares DI, DII e DIII. Em seguida, acrescentam-se outras trˆs linhas de referˆncia nesta intersec‚o, com 
Šngulos de 30 entre si e obtˆm-se as deriva†es unipolares dos membros: aVR (direita), aVL (esquerda) e aVF 
(p€). Neste caso, usa-se “eletrodos de presilhas”.
 Derivações no plano horizontal (Derivações precordiais). Tˆm-se, com elas, uma vis‚o como em um corte 
transversal do cora‚o. S‚o as deriva†es V1, V2, V3, V4, V5 e V6. Neste caso, usa-se “eletrodos de suc‚o”.
Medem a diferena de potencial entre o t…rax e o centro el€trico do cora‚o (n…dulo AV), e v‚o desde V1 (4 
espao intercostal, na linha paraesternal direita) a V6 (5 espao intercostal, na linha axilar m€dia esquerda). Em 
todas essas deriva†es, considera-se positivo o eletrodo explorador colocado nas seis posi†es diferentes sobre 
o t…rax, sendo o p…lo negativo situado no dorso do indivƒduo, por meio da proje‚o das deriva†es a partir do 
n…dulo AV.
DERIVAÇÕES BIPOLARES DO PLANO FRONTAL 
 DI: brao direito (-) e brao esquerdo (+).
 DII: brao direito (-) e perna esquerda (+).
 DIII: brao esquerdo (-) e perna esquerda (+). 
DERIVAÇÕES UNIPOLARES DO PLANO FRONTAL 
 aVR: eletrodo no brao direito. 
 aVL: eletrodo no brao esquerdo.
 aVF: eletrodo na perna esquerda.
DERIVAÇÕES DO PLANO HORIZONTAL
 V1: 4 Espao intercostal direito, justaesternal. Avalia o cora‚o direito.
 V2: 4 Espao intercostal esquerdo, justaesternal. Avalia o cora‚o 
direito.
 V3: Entre V2 e V4. Avalia uma regi‚o intermedi„ria.
 V4: 5 Espao

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