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Terapia Racional-Emotivo-Comportamental (TREC)

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Terapia Racional-Emotivo-Comportamental (TREC)

UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO
CURSO DE PSICOLOGIA
KAREN ELIAS DELAGOSTINI (830177)
TERAPIA RACIONAL-EMOTIVO-COMPORTAMENTAL
RIBEIRÃO PRETO
2021
KAREN ELIAS DELAGOSTINI (830177)
TERAPIA RACIONAL-EMOTIVO-COMPORTAMENTAL
Atividade final apresentada como parte das
exigências da disciplina de Teorias da Personalidade
IV do curso de Psicologia da Universidade de
Ribeirão Preto - UNAERP.
Docente: Profa. Dra. Teresinha Pavanello Costa
RIBEIRÃO PRETO
2021
A Terapia Racional-Emotivo-Comportamental (TREC) é uma teoria tanto da
personalidade, quanto um método de psicoterapia, criado por Albert Ellis em 1995. É
recomendada para aqueles que desejam uma mudança rápida, duradoura, efetiva e breve, não
havendo contra-indicações. No que tange à personalidade, Ellis acredita que todos os seres
humanos são hedonistas responsáveis, isto é, são movidos à busca pela felicidade e à
satisfazer seus próprios interesses e por se manterem vivos. Devido à capacidade de adiar seus
desejos imediatos pela aderência aos interesses coletivos, conseguem conquistar objetivos a
longo prazo. A personalidade é caracterizada ainda por duas tendências biológicas, como a
capacidade de criar, desenvolver e pensar sobre pensamentos irracionais e a capacidade de
modificá-los. (RANGÉ, 2008).
No que tange à psicoterapia TREC, Rangé (2008) descreve seu funcionamento. É um
método de tratamento cujo principal objetivo é a reestruturação cognitiva, em que o terapeuta
debate e refuta as crenças irracionais dos clientes. Funciona pelo modelo A-B-C. Antes de
discorrer sobre o funcionamento da psicoterapia, é válido pontuar sobre as perturbações
psicológicas. Essas são marcadas por afirmações absolutistas do sujeito acerca dos
acontecimentos percebidos. Elas aparecem como formas de ‘’tenho de’’, ‘’devo fazer isso’’,
‘’preciso agir de tal maneira’’, ‘’tenho obrigação de pensar assim’’, entre outros. A partir
disso, surgem as conclusões irracionais, definidas por terrivelização - quando um
acontecimento é avaliado como o pior, mais que 100% de ruim -, não-aguentite - quando o
cliente acredita que não pode ser feliz caso aconteça o que ele não deseja - e danação - quando
um sujeito avalia o que ele e outros ‘’deveriam’’ ou ‘’não deveriam’’ fazer. Assim, as
perturbações psicológicas, na TREC, sempre decorrem dos ‘’devos’’. Outrossim, como
ramificações das conclusões irracionais, as crenças irracionais são estabelecidas e são nelas
que o psicoterapeuta atua. Matta, Bizarro e Reppold (2009) definem as crenças irracionais
como pensamentos e suposições que os sujeitos têm sobre si mesmos, sobre os outros e sobre
sua percepção do mundo. Dificultam o estabelecimento e a concretização de metas e são
ilógicas, já que não se sustentam empiricamente. Elas são aprendidas desde a infância através
do meio social em que o indivíduo está inserido, mas as autoras ressaltam que o próprio ser
humano é capaz de criar suas crenças de forma inata. É possível, ainda, ter contato com uma
crença irracional alheia, reconstruí-la e mantê-la durante a adolescência e a vida adulta.
Portanto, (...) ‘’além dos limites de uma simples preferência, é uma exigência dogmática,
inflexível, que colabora fortemente para o desenvolvimento de perturbações emocionais.’’
(MATTA; BIZARRO; REPPOLD, 2009, p. 72).
Haja vista a definição do principal instrumento de trabalho dentro da TREC - as
crenças irracionais -, a psicoterapia é estruturada seguindo o modelo A-B-C-D. O A é
caracterizado pelos Acontecimentos Ativadores (o que aconteceu em determinada situação e o
como o cliente percebeu isso), B é definido por Beliefs, ou seja, pelas crenças em si (como o
cliente avaliou aquela determinada ocorrência) e o C descreve as consequências no
comportamento e no emocional decorrentes daquele evento. Estabelece-se, então, o terreno
diagnóstico A-B-C. Em D, tem-se o Debater, momento em que o psicoterapeuta inicia sua
intervenção. Nesse ínterim, o paciente é questionado sobre quão verdadeiras são as crenças
irracionais e quais as evidências que apontam isso. São utilizados perguntas, combate lógico e
teste de realidade. Esses questionamentos poderão ter natureza imaginária, cognitiva e/ou
comportamental. A psicoterapia ocorre, geralmente, em dois estágios: primeiro, pelo exame
das crenças irracionais e segundo, pelo desafio do modo de pensar a fim do desenvolver de
pensamentos funcionais. Outras técnicas poderão ser usadas, como o uso de miniaulas, uso de
analogias e parábolas, uso do humor e ironia e imaginação do problema em outras situações.
Assim, tem-se que a TREC é uma forma de psicoterapia diretiva e ativa baseada em um
modelo educacional de atuação. Nesse caso, o psicólogo ensina o sujeito em sofrimento a
identificar, compreender e modificar suas crenças irracionais em pensamentos e
comportamentos mais funcionais. (RANGÉ, 2008).
Rangé (2008) pontua que é a partir da mudança terapêutica que a saúde psicológica é
estabelecida. Desse modo, o sujeito consegue compreender que é ele mesmo quem cria as
perturbações psicológicas, sendo totalmente capaz de identificar e discriminar
comportamentos e pensamentos irracionais, reconhecer que consegue modificá-los e se
manter em um processo de desenvolvimento de ações funcionais. Desenvolve-se assim, um
modo de vida mais flexível e tolerante, a capacidade de se auto-responsabilizar e de
autoaceitação, consegue ter expectativas realistas, pensamento científico e comprometimento
com isso.
Afim de trazer um exemplo prático de uso da TREC, Siqueira (2020) desenvolveu
uma pesquisa com quatro voluntários reclusos de uma casa de detenção. A pesquisa tinha
como principal objetivo trabalhar com as crenças irracionais dos participantes, que reclusos
perderam totalmente a conexão que tinham com o mundo exterior e que agora, saindo do
sistema carcerário, terão de se readaptar. De início, o autor relata certa resistência dos
participantes, no entanto, as sessões foram desenvolvidas priorizando uma forma de atuação
aberta e empática. Foi priorizada a extinção das crenças e comportamentos irracionais,
enquanto que os pensamentos funcionais foram reforçados. Assim, utilizando-se dessa
atuação, Siqueira (2009) conclui que foi possível estabelecer padrões de pensamentos e de
comportamentos mais adaptativos e funcionais junto a esses participantes. Durante a pesquisa
bibliográfica para a elaboração deste trabalho, foram vistos trabalhos práticos que utilizaram a
TREC em pessoas com medo da pandemia de COVID-19 e junto a universitários.
Palavras-chave: crenças irracionais, cognição, psicoterapia diretiva, reestruturação
cognitiva, pensamento científico, albert ellis.
REFERÊNCIAS
MATTA, A. da.; BIZARRO, L.; REPPOLD, C. T. Crenças irracionais, ajustamento
psicológico e satisfação de vida em estudantes universitários, Psico-USF, Porto Alegre, v. 14,
n. 1, p. 71-81, jan./ abr. 2009. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/pusf/a/kdyttM8xYZBVNjMzbK8DCvj/?lang=pt&format=pdf. Acesso
em: 10 ago. 2021.
SIQUEIRA, T. D. A. A eficácia da abordagem da Terapia do Comportamento Racional
Emotivo com prisioneiros egressos da casa de detenção ‘’Professor Flamínio Fávero’’, Bius,
Amazonas, v. 22, n. 16, p. 1-23, 2020. Disponível em:
https://www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/BIUS/article/view/8276. Acesso em: 10 ago.
2021.
RANGÉ, B. Terapia racional-emotivo-comportamental. In: RANGÉ, B. (Org.). Psicoterapias
Cognitivo-Comportamentais: Um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2008. p.
34-48.