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PROCESSO CIVIL I - PROVAS

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A Prova 
CONCEITO
O autor, quando propõe a ação, e o réu, quando oferece sua resposta, hão de invocar fatos com que procurem justificar a pretensão de um e a resistência do outro. 
Enquanto o processo de execução é voltado para a satisfação do direito do credor e atua sobre bens, o processo de conhecimento tem como objeto as provas dos fatos alegados pelos litigantes, de cuja apreciação o juiz deverá definir a solução jurídica para o litígio. 
Para que a sentença declare o direito é preciso que o juiz se certifique da verdade do fato alegado, o que se dá por meio das provas. 
Há dois sentidos em que se pode conceituar a prova no processo:
1. Objetivo: como o instrumento ou o meio hábil, para demonstrar a existência de um fato (os documentos, as testemunhas, a perícia etc.). É elemento material dirigido ao juiz da causa para esclarecer o que foi alegado por escrito pelas partes. 
2. Subjetivo: é a certeza (estado psíquico) originada quanto ao fato, em virtude da produção do instrumento probatório. Aparece a prova, assim, como convicção formada no espírito do julgador em torno do fato demonstrado. É a indução lógica, é um meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando. 
De fato, quando o litigante não convence o juiz da veracidade dos fatos alegados, prova não houve, em sentido jurídico; houve apenas apresentação de elementos com que se pretendia provar, sem, entretanto, atingir a verdadeira meta da prova – o convencimento do juiz. 
Chama-se instrução do processo a fase em que as partes devem produzir as provas de suas alegações. 
Porém, há provas que já são produzidas antecipadamente na fase postulatória: são os documentos (arts. 321 e 434).
DIREITO FUNDAMENTAL À PROVA
Ainda que a Constituição não lhe faça referência expressa, o direito à prova ocupa, reconhecidamente, posição de extrema relevância no sistema processual, pois, “sem ele, as garantias da ação e da defesa careceriam de conteúdo substancial; afinal impedir que a parte tivesse direito à prova significaria privá-la dos meios legítimos de acesso à ordem jurídica justa, a serviço da qual o processo deve estar constitucionalmente predisposto
CARACTERÍSTICAS DA PROVA
Toda prova há de ter um objeto, uma finalidade, um destinatário, e deverá ser obtida mediante meios e métodos determinados.
1. Objeto da prova: são os fatos litigiosos. 
Art. 369: “para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz”. 
O direito ordinariamente não se prova, pois iura novit curia. Porém, quando a parte alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário, poderá o juiz exigir-lhe a respectiva prova (art. 376)
Com relação aos fatos, a prova pode ser:
DIRETA: demonstra a existência do próprio fato narrado nos autos.
INDIRETA: evidencia um outro fato, do qual, por raciocínio lógico, se chega a uma conclusão a respeito dos fatos dos autos. É o que se denomina também prova indiciária ou por presunção. 
Só os fatos relevantes para a solução da lide devem ser provados, não os impertinentes e inconsequentes. Assim, compete ao juiz fixar, na decisão de saneamento, os fatos a serem provados (art. 357, II).
Há certos fatos que, embora arrolados pelas partes e relevantes para o processo, não reclamam prova para serem tidos como demonstrados – art. 374.
(a) notórios (inciso I);
(b) afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária (inciso II);
(c) admitidos, no processo, como incontroversos (inciso III);
(d) em cujo favor milita presunção legal de existência ou veracidade (inciso IV).
São notórios os acontecimentos ou situações de conhecimento geral inconteste, como as datas históricas, os fatos heroicos, as situações geográficas, os atos de gestão política etc. 
Também são inteiramente desnecessárias e inúteis as provas de fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Assim, por ex, o filho nascido nos 300 dias subsequentes à dissolução da sociedade conjugal não precisa provar que sua concepção se deu na constância do casamento; ); e o devedor que tem em seu poder o título de crédito não precisa provar o respectivo pagamento. 
Objetos da prova são as questões de fato relevantes e precisas a serem enfrentadas no julgamento da causa:
I – Questões relevantes: são aqueles cujo reconhecimento seja capaz de influir nos julgamentos a proferir no processo. Mais precisamente, são os acontecimentos ou condutas que, havendo sido alegados na demanda inicial ou na defesa do réu, tenham em tese a desejada eficácia constitutiva, impeditiva, modificativa ou extintiva pretendida por aquele que os alegou. 
II – Questões precisas: É indispensável que a parte alegue fatos concretos que se possam subsumir na hipótese legal do vício de consentimento. 
2. Finalidades e Destinatário da prova:
Ao juiz, para garantia das próprias partes, só é lícito julgar segundo o alegado e provado nos autos. O que não se encontra no processo, para o julgador não existe. 
Assim, se a parte não cuida de usar das faculdades processuais e a verdade real não transparece no processo, não cabe ao juiz a culpa de não ter feito a justiça pura. 
Em consequência, deve-se reconhecer que o direito processual se contenta com a verdade processual, ou seja, aquela que aparenta ser, segundo os elementos do processo, a realidade.
O processo moderno procura solucionar os litígios à luz da verdade real e é, a prova dos autos, que o juiz busca localizar essa verdade. Como, todavia, o processo não pode deixar de prestar a tutela jurisdicional, isto é, não pode deixar de dar solução jurídica à lide, muitas vezes essa solução, na prática, não corresponde exatamente à verdade real. 
A prova, portanto, na lição de Taruffo, “é o instrumento por meio do qual o juiz pode verificar a verdade dos fatos sobre os quais versa a decisão”. 
3. Prova e Verdade
A prova é, pois, necessária para que o juiz possa chegar à formulação de uma decisão afinada com a verdade, e, portanto, justa, diante das alegações conflituosas dos litigantes. 
É claro que a verdade absoluta jamais será alcançada pelo homem, tampouco estará ao alcance do juiz no processo, em vista das limitações do conhecimento humano. Isto, porém, não deve resultar numa indiferença do processo pela veracidade dos fatos com que as partes sustentam suas alegações perante o juiz. 
A prova visa estabelecer se determinados fatos ocorreram ou não e, com isso, no processo a prova legitimaria a decisão judicial. 
4. Valoração da prova
A prova se destina a produzir a certeza ou convicção do julgador a respeito dos fatos litigiosos. Porém, ao manipular os meios de prova para formar seu convencimento, o juiz não pode agir arbitrariamente; deve, ao contrário, observar um método ou sistema.
Três são os sistemas conhecidos na história do direito processual:
(a) o critério legal;
(b) o da livre convicção;
(c) o da persuasão racional.
O critério legal está totalmente superado. Nele, o juiz é quase um autômato, apenas afere as provas seguindo uma hierarquia legal e o resultado surge automaticamente. Representa a supremacia do formalismo sobre o ideal da verdadeira justiça. Era o sistema do direito romano primitivo e do direito medieval.
O sistema da livre convicção é o oposto do critério da prova legal. O que deve prevalecer é a íntima convicção do juiz, que é soberano para investigar a verdade e apreciar as provas. Não há nenhuma regra que condicione essa pesquisa, tanto quanto aos meios de prova como ao método de avaliação. Vai ao extremo de permitir o convencimento extra-autos e contrário à prova das partes.
O sistema de persuasão racional é fruto da mais atualizada compreensão da atividade jurisdicional. O julgamento deve ser fruto de uma operação lógica armada com base nos elementos de convicção existentes no processo. 
A convicção fica, pois, condicionada:
(a) aos fatos nos quais se funda a relação jurídica controvertida;
(b) às provas desses fatos, colhidas no processo;
(c) às regras legais e máximas de experiência;
(d) e o julgamento deverá sempre ser motivado.5. Sistema Legal de Valorização da Prova
Dizia o Código de 1973 que o juiz deveria “apreciar livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos”, competindo-lhe, porém, “indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento” (art. 131). Esse critério legal recebia da doutrina a denominação de sistema da persuasão racional” ou de “livre convencimento motivado”.
Reconhecia-se, por meio dele, a inexistência de hierarquia entre as provas, que por isso poderiam ser “livremente avaliadas”, segundo a força de convencimento gerada sobre o juiz. 
Esse entendimento, ao ver de certo ramo da filosofia do direito, implicava compromisso com a discricionariedade judicial ou com a formação de decisões conforme a consciência do julgador. 
Adotando o novo Código o princípio democrático da participação efetiva das partes na preparação e formação do provimento que haverá de ser editado pelo juiz para se chegar à justa composição do litígio, entendeu o legislador de suprimir a menção ao “livre convencimento do juiz” na apreciação da prova.
Com isso, estabeleceu-se o dever de apreciar não a prova que livremente escolher, mas todo o conjunto probatório existente nos autos.
Segundo tal entendimento, o juiz, no regime do CPC de 1973, não estaria sujeito a responder a todos os argumentos da parte, nem a analisar exaustivamente todas as provas, desde que sua fundamentação pudesse explicar as razões do decisório. 
Portanto, com o novo código, só é legítima a valorização da prova quando feita pelo juiz de forma racional e analítica, “respeitando critérios de completude, coerência, congruência e correção lógica”. 
6. Sistema do código
Adotou o Código, o sistema da persuasão racional, ou “livre convencimento motivado”, pois:
(a) o convencimento não é livre e, portanto, não pode ser arbitrário, pois fica condicionado às alegações das partes e às provas dos autos;
(b) a observância de certos critérios legais sobre provas e sua validade não pode ser desprezada pelo juiz (arts. 375 e 406) nem as regras sobre presunções legais;
(c) o juiz fica adstrito às regras de experiência quando faltam normas legais sobre as provas, isto é, os dados científicos e culturais do alcance do magistrado são úteis e não podem ser desprezados na decisão da lide;
 (d) as sentenças devem ser sempre fundamentadas e tratar sobre todos os pontos levantados pelas partes, o que impede julgamentos arbitrários ou divorciados da prova dos autos. 
A propósito do disposto no art. 375, há de se ter em conta que as máximas de experiência não se confundem com o conhecimento pessoal do juiz sobre algum fato concreto. Esse testemunho particular o juiz não pode utilizar na sentença, porque obtido sem passar pelo crivo do contraditório e porque quebra a imparcialidade resguardada pelo princípio dispositivo.
As máximas de experiência podem formar-se a partir da experiência comum (empírica) como da experiência técnica (científica). Entretato, em qualquer caso, deverão cair no domínio público, isto é, no conhecimento geral do homem médio da coletividade. 
PODER DE INSTRUÇÃO DO JUIZ
Art. 370
Além do interesse da parte, em jogo na lide, há o interesse estatal, em que a lide seja composta de forma justa e segundo as regras do direito.
Poderes de iniciativa para pesquisar a verdade real e bem instruir a causa. Entretanto, esse poder não é ilimitado, pois, segundo as regras que tratam dos ônus processuais e presunções legais, na maioria das vezes a vontade ou a conduta da parte influi decisivamente sobre a prova e afasta a iniciativa do juiz nessa matéria. 
Ex: quando o réu deixa de contestar ação e esta não versa sobre direitos indisponíveis, ou quando, na contestação, deixa de impugnar precisamente os fatos ou algum fato narrado na inicial. Ocorre então a presunção de veracidade.
No processo justo, autor, réu e juiz não são mais tratados como sujeitos singulares e autônomos. Integram um trinômio, que atua interativamente e de maneira harmoniosa em busca de alcançar a verdadeira pacificação social.
O juiz, porém, deve cuidar para não comprometer sua imparcialidade na condução do processo. A necessidade da prova, ordenada de ofício, deve surgir do contexto do processo e não de atividade extra-autos, sugerida por diligências e conhecimentos pessoais ou particulares auridos pelo magistrado fora do controle do contraditório. O juiz pode ordenar a produção de provas não requeridas pela parte, mas não pode tornar-se um investigador ou um inquisidor. 
ONUS DA PROVA
A doutrina comumente divide o estudo do instituto do ônus da prova em duas partes; a primeira chamada de ônus subjetivo da prova e a segunda chamada de ônus objetivo. 
No tocante ao ônus subjetivo da prova, analisa-se o instituto sob a perspectiva de quem é o responsável pela produção de determinada prova (“quem deve provar o que”).
No ônus objetivo da prova, o instituto é visto como uma regra de julgamento a ser aplicada pelo juiz no momento de proferir a sentença no caso de a prova se mostrar inexistente ou insuficiente. Sendo obrigado a julgar e não estando convencido das alegações de fato, aplica a regra do ônus da prova.
O ônus da prova, em seu aspecto objetivo, é uma regra de julgamento, aplicando-se somente no momento final da demanda, quando o juiz estiver pronto para proferir sentença.
Regras de distribuição do ônus da prova:
Art. 373 
Cabe ao autor o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito, ou seja, deve provar a matéria fática que traz em sua petição inicial e que serve como origem da relação jurídica deduzida em juízo.
Em relação ao réu, se desejar, poderá tentar demonstrar a inverdade das alegações de fato feitas pelo autor por meio de produção probatória, mas, caso não o faça, não será colocado em situação de desvantagem, a não ser que o autor comprove a veracidade de tais fatos. 
Caso o réu alegue por meio de defesa de mérito indireta um fato novo, impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, terá o ônus de comprová-lo. 
· Fato impeditivo: aquele de conteúdo negativo, demonstrativo da ausência de algum dos requisitos genéricos de validade do ato jurídico como, por exemplo, a alegação de que o contratante era absolutamente incapaz quando celebrou o contrato. 
· Fato modificativo é aquele que altera apenas parcialmente o fato constitutivo, podendo ser tal alteração subjetiva, ou seja, referente aos sujeitos da relação jurídica, ou objetiva, ou seja, referente ao conteúdo da relação jurídica. 
· Fato extintivo é o que faz cessar a relação jurídica original, como a compensação numa ação de cobrança.
A simples negação do fato alegado pelo autor não acarreta ao réu o ônus da prova.
O ônus da prova carreado ao réu pelo art. 373, II, do Novo CPC só passa a ser exigido no caso concreto na hipótese de o autor ter se desincumbido de seu ônus probatório, porque o juiz só passa a ter interesse na existência ou não de um fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, após se convencer da existência do fato constitutivo desse direito do autor.
Se nenhuma das partes se desincumbir de seus ônus no caso concreto e o juiz tiver que decidir com fundamento na regra do ônus da prova, o pedido do autor será julgado improcedente.
Consagra-se legislativamente a ideia de que deve ter o ônus da prova a parte que apresentar maior facilidade em produzir a prova e se livrar do encargo. Como essa maior facilidade dependerá do caso concreto, cabe ao juiz fazer a análise e determinar qual o ônus de cada parte no processo. 
Diante da omissão do juiz, caberá ao autor o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito e ao réu, os fatos impeditivos, modificativos e extintivos. 
Apesar de o art. 373, § 1.º, do Novo CPC prever a possibilidade de o juiz atribuir o ônus da prova “de modo diverso”, naturalmente a regra trata da inversão do ônus da prova, até porque, sendo este distribuído entre autor e réu, o modo diverso só pode significar a inversão da regra legal.
Inversão do ônus da prova
Três espécies:
CONVENCIONAL: decorre de um acordo de vontades entre aspartes, que poderá ocorrer antes ou durante o processo, nos termos do § 4º do art. 373. 
· Duas limitações – par. 3º
(i) recair sobre direito indisponível da parte;
(ii) tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.
(inversão do ônus probatório diante da alegação de fato negativo indeterminado).
Marina alega que não estava em determinado bar, num determinado dia e horário, sendo fácil produzir prova nesse sentido; basta provar que estava em outro lugar naquele dia e horário. A alegação, entretanto, de que nunca esteve naquele bar é impossível de ser provada, ainda que a parte contrária possa provar que a alegação é falsa, bastando comprovar que ao menos uma vez Marina esteve no bar. É prova diabólica que Marina não conseguirá produzir o fato negativo indeterminado, não se admitindo a inversão convencional nesse caso.
LEGAL: prevista expressamente em lei, não exigindo o preenchimento de requisitos legais no caso concreto.
Ex: CDC – ônus do fornecedor.
Arts. 12, § 3º - art. 14, § 3.º - art. 38 do CDC
JUDICIAL: previsão do § 1º do art. 373 do Novo CPC, a inversão judicial, que ocorre por meio de prolação de uma decisão judicial que será fruto da análise do preenchimento dos requisitos legais passou a ser regra geral do Direito, de forma que em toda relação jurídica de direito material levada a juízo será possível essa inversão em aplicação da teoria. 
Momento de inversão do ônus da prova
Na inversão convencional e legal não surge problema quanto ao momento de inversão do ônus da prova. 
Convencional - invertido o ônus a partir do acordo entre as partes. 
Legal - ocorre desde o início da demanda
Judicial - a inversão dependerá de uma decisão judicial fundada no preenchimento dos requisitos legais, e o momento da prolação dessa decisão não é tema pacífico na doutrina. 
O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que, sendo o ônus da prova uma regra de instrução, sua inversão deve preceder a fase probatória, sendo realizada de preferência no saneamento do processo ou, quando excepcionalmente realizada após esse momento procedimental, deverá ser reaberta a instrução para a parte que recebe o ônus da prova caso pretenda produzir provas. 
Parece ser mais vantajoso que no momento de saneamento do processo o juiz já sinalize a forma de aplicação da regra do ônus da prova. 
Inversão da prova e inversão do adiantamento de custas processuais
A inversão do ônus da prova traz outra interessante questão: a inversão do adiantamento do pagamento das despesas necessárias para a produção probatória, em especial a pericial. 
Divergências entre doutrinas e jurisprudências. 
Há nesse sentido interessantes julgamentos do Superior Tribunal de Justiça no sentido de não ser lícito obrigar a parte contra quem o ônus da prova foi invertido a custear os honorários do perito, porque lhe assiste a faculdade de não produzir a prova pericial e arcar com as consequências processuais da omissão. 
VALORAÇÃO DA PROVA
· Discussão sistema prova tarifada (juiz “matemático”) e sistema de livre convencimento ou persuasão íntima (convencimento íntimo do juiz, podendo até mesmo julgar contra a prova produzida). 
· O extremos de nenhuma liberdade e de liberdade plena ao juiz na valoração da prova criam sistemas de valoração viciados. 
Atualmente o sistema de valoração adotado pelo sistema processual brasileiro é o da persuasão racional, também conhecido pelo princípio do livre convencimento motivado. 
· o juiz é livre para formar seu convencimento, dando às provas produzidas o peso que entender cabível em cada processo, não havendo uma hierarquia entre os meios de prova. 
· Não significa que possa decidir fora dos fatos alegados no processo;
· Não há hierarquia entre os meios de prova. 
Exceção da ausência de hierarquia entre os meios de prova:
· as hipóteses de presunção legal absoluta e as excepcionais vedações pontuais a determinados meios de prova
· os arts. 215 e 225 do CC, com a indicação da prova plena no caso de escritura pública e das reproduções mecânicas. 
PROVA EMPRESTADA
Em determinados casos, em respeito ao princípio da economia processual, é possível aplicar no processo prova já produzida em outro processo, em fenômeno conhecido por “prova emprestada”.
Há corrente doutrinária que afirma ser imprescindível que a prova tenha sido produzida entre as mesmas partes, sob pena de infração ao princípio do contraditório A lição deve ser admitida com reservas.
O contraditório é justamente a conjugação da informação + possibilidade de reação + poder de influência, e caso a parte abra mão dessa reação nada haverá de irregular ou viciado.
Outra situação-limite interessante é aquela na qual a prova produzida em outro processo simplesmente não pode mais ser produzida, como no caso do falecimento de uma testemunha ou do perecimento do bem que serviria de objeto da perícia. 
· Juiz – choque de princípios: qualidade da prestação jurisdicional (com a utilização da prova em seu convencimento) e o contraditório (com a impossibilidade da parte que não participou da produção da prova de realmente reagir contra a sua formação).
· aplicação da regra da proporcionalidade.
Art. 372 
É importante lembrar que a prova emprestada, respeite-se ou não o contraditório, receberá do juiz julgador a carga valorativa que entender adequada à situação concreta. 
· Questão polêmica: previsão de que a prova deva ser produzida em processo para poder ser emprestada. 
· O aproveitamento das provas colhidas em sede de inquérito civil para fundamentar decisão da ação coletiva é entendimento tranquilo no Superior Tribunal de Justiça, ainda que com várias limitações. 
PROVA ILÍCITA
Para tradicional corrente doutrinária, prova ilegal é toda prova produzida com ofensa à norma legal, podendo ser dividida em:
(a) prova ilegítima, quando violar norma de direito processual, verificável no momento da produção da prova no processo;
(b) prova ilícita, quando violar norma de direito substancial, verificável no momento da colheita da prova.
· provas ilegítimas se referem à admissibilidade dos meios de prova; diz respeito ao modo pelo qual a prova foi obtida, o meio de prova é jurídico, mas a forma de produção é viciada.
· provas ilícitas são capazes de gerar a ampla responsabilidade pela lesão do direito material violado. Próprio meio de prova é injurídico e imoral, como gravações clandestinas. 
Mais importante do que a distinção entre ilícita e ilegítima, é determinar a gravidade da violação. 
Proibição constitucional às provas ilícitas
O art. 5.º, LVI, da CF prevê que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”.
Apesar da expressa vedação constitucional à utilização de prova ilícita pelo juiz na formação de seu convencimento, é possível a identificação de três correntes a respeito do tema:
· Restritiva: é bastante rígida no trato da prova ilícita, não admitindo em nenhuma hipótese sua utilização no processo civil. Fundando-se no art. 5.º, LVI, da CF e no art. 369 do CPC.
· Restritiva: amparada no irrestrito direito de o juiz conhecer a verdade a respeito dos fatos. A parte que produz uma prova ilícita deve responder pela ilicitude de seu ato, mas tal circunstância não pode sacrificar a boa qualidade da prestação jurisdicional. Atualmente não há adeptos no Brasil. 
· Intermediária: defende que, dependendo das circunstâncias, em aplicação do princípio da proporcionalidade, é possível a utilização da prova ilícita, o que não impedirá a geração de efeitos civis, penais e administrativos em razão da ilicitude do ato. 
CONDIÇÕES:
(a) gravidade do caso;
(b) espécie da relação jurídica controvertida;
(c) dificuldade de demonstrar a veracidade de forma lícita;
(d) prevalência do direito protegido com a utilização da prova ilícita comparado com o direito violado;
(e) imprescindibilidade da prova na formação do convencimento judicial.
Nos termos do Enunciado 301 do Fórum Permanente de Processualistas Civis (FPPC), “aplicam-se ao processo civil, por analogia, as exceções previstas nos §§ 1.º e 2.º do art. 157 do Código de ProcessoPenal, afastando a ilicitude da prova”. Dessa forma, seriam admissíveis as provas derivadas das ilícitas quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras
PROVAS ATÍPICAS 
Vigora no direito brasileiro a regra de que não existe em lei rol restritivo dos meios de prova – art. 369 CPC. 
Exemplos:
a) prova emprestada;
(b) constatações realizadas pelo oficial de justiça;
(c) inquirição de testemunhas técnicas (expert witness);
(d) declaração escrita de terceiro.
Entende-se que não se deve admitir a prova atípica quando ofensiva ao contraditório, as provas típicas consideradas nulas ou inadmissíveis por não respeitarem as regras que disciplinam sua formação ou expressamente excluídas por normas de direito material ou processual. 
Ação Probatória Autônoma
INTRODUÇÃO
A ação cautelar de produção antecipada de provas, a exemplo de todas as demais cautelares nominadas, não está prevista no CPC.
Entretanto, a produção antecipada de provas está garantida pelos arts. 381 a 383, sendo possível a qualquer interessado o ingresso de uma ação com o objetivo exclusivo de produção de qualquer meio de prova. 
Produção antecipada perdeu o caráter cautelar, sendo uma ação probatória autônoma. 
CABIMENTO
Art. 381
· Fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação. (I)
· prova a ser produzida for suscetível de viabilizar tentativa de conciliação ou de outro meio adequado de solução do conflito (II)
· possibilidade de prévio conhecimento de fatos que possam justificar ou evitar o ajuizamento de ação (III)
(necessidade de produção da prova como forma de preparar a pretensão principal – III)
· arrolamento de bens com finalidade exclusivamente probatória, por meio do qual se busca a prova sobre os bens que compõe uma universalidade, sendo medida extremamente útil como preparatória de uma ação em que se discuta a partilha dessa universalidade, como, por exemplo, nas ações de inventário e partilha (§1º)
COMPETÊNCIA
O § 2.º do art. 381 prevê um foro concorrente de competência para a ação: foro do domicílio do réu ou local em que a prova deva ser produzida. Foros concorrentes – à escolha do autor. 
O § 3.º do art. 381 – entendimento de que a produção antecipada de provas não prevenir a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta
No art. 381, § 4.º - o juízo estadual tem competência para produção antecipada de prova requerida em face da União, da entidade autárquica ou de empresa pública federal se, na localidade, não houver vara federal. 
PROCEDIMENTO
Art. 382, caput - cabe ao autor do pedido, na petição inicial, a apresentação das razões que justificam a necessidade de antecipação da prova e a menção com precisão dos fatos sobre os quais a prova há de recair, com o que torna seu pedido determinado. 
· nem sempre o autor poderá indicar os fatos com a precisão exigida pelo dispositivo, até porque a ação autônoma probatória tem entre suas serventias os esclarecimentos fáticos indispensáveis à realização de uma transação. 
· Doutrina: nesses casos bastará a indicação da situação fática que se busca esclarecer com a produção probatória.
§ 1.º do art. 382 - o juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso.
· A previsão de que “os interessados” serão citados, e não intimados, deixa claro que esses interessados serão integrados coercitivamente à relação jurídica processual (como réus). 
· No entanto, se for adotada a premissa conforme sugerido, haverá um problema no dispositivo legal, considerando que os chamados interessados poderão ser citados de ofício pelo juiz. Significa que o juiz poderá incluir réus no processo independentemente da vontade do autor.
· Parece que esse poder do juiz será no máximo de intimação de terceiro que, mesmo sem ser réu no processo, ao ser informado da produção antecipada da prova, estará sujeita a ela.
· Ou intimar o autor para emendar a petição inicial e incluir o terceiro como réu sob pena de indeferimento da petição inicial e extinção do processo sob o fundamento de que sem a presença daquele sujeito a prova a ser produzida não terá eficácia vinculante ou a terá de forma muito restrita. 
Pedido sem caráter contencioso - art. 382, §1.º - dispensa a citação dos interessados, partindo da premissa de que eles não existem. 
Como o dispositivo legal prevê que não cabe defesa, entende-se que outras espécies de resposta do réu que não são propriamente defesa – contestação – estão liberadas. A alegação de incompetência, por exemplo, pode ser realizada normalmente. E também a reconvenção, podendo o réu pedir produção de prova sobre o fato indicado pelo autor na petição inicial.
Segundo o dispositivo legal, a única decisão recorrível é a que indefere a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. A expressão “originário” leva a crer que outros sujeitos, além do autor, podem fazer pedido para a produção da prova, numa espécie de reconvenção probatória.
Ata Notarial
INTRODUÇÃO
· Comum para a comprovação de atos praticados pela internet. 
· Também em assembleias de sociedades empresariais e associações civis é comum que todas as discussões, que serão apenas resumidas na ata, constem de ata notarial, bem como para a comprovação de abusos cometidos por pais e para demonstrar atos de alienação parenta. 
· Outra serventia indiscutível é corroborar pedido de tutela provisória inaudita altera parte quando o autor não tiver em seu poder prova documental.
· Prova híbrida. Tem uma forma documental, que será uma ata lavrada pelo tabelião, mas seu conteúdo é de prova testemunhal, já que o teor da ata será justamente as impressões do tabelião a respeito dos fatos que presenciou.
· Sua força probatória decorre da fé pública do tabelião, pela qual o juiz poderá presumir o fato lá descrito como verdadeiro.
· Presunção relativa. Sendo produzida em contrário ao atestado na ata notarial, sua força probatória será afastada. Neste caso, é cabível resp. civil, inclusive do cartorário. 
CABIMENTO
Art. 384
A ata notarial se presta a provar a existência e o modo de existir de algum fato. 
Cabível sempre que for possível a uma pessoa humana, no caso o tabelião, atestar a existência ou modo de ser, independentemente da natureza ou espécie de natureza jurídica de direito material derivada de tais fatos.
Outra hipótese em que vislumbro grande valia para a ata notarial é a circunstância de o autor precisar de uma tutela de urgência liminarmente mas não ter prova documental que corrobore suas alegações.
PROCEDIMENTO
Trata-se de espécie de prova pré-constituída, ou seja, criada fora do juízo, o que pode facilmente ser comprovado pela sua forma documental.
Depoimento Pessoal
CONCEITO
· Prova oral. 
· Testemunho das partes em juízo sempre que requerido expressamente pela parte contrária ou pelo juiz. 
· Não se confunde com a prova testemunhal. 
· Somente poderão prestar depoimento pessoal os sujeitos que figurem na relação jurídica processual como partes na demanda. Autor, réu, assim como os terceiros intervenientes que assumem a posição de parte na demanda.
· O assistente simples, por não ser parte na demanda, mas mera parte no processo, não presta depoimento pessoal, sendo ouvido como testemunha. 
SUJEITOS ENVOLVIDOS NO DEPOIMENTO PESSOAL
Art. 385
O autor tem legitimidade para pedir o depoimento do réu e vice-versa.
Mas também os terceiros intervenientes podem requerer o depoimento pessoal dos sujeitos processuais que se encontrem em posição processual contrária àquela que assumem no processo.
O Ministério Público tem atuação no processo civil como parte ou como fiscal da ordem jurídica. Nas situações em que funciona como parte, não surgem maiores questionamentos, seguindo-se a regra geral que permite o requerimento para o depoimento pessoal da parte contrária. Quando atua como fiscal da lei, não é possível falar em parte contrária,mas ainda assim o Ministério Público pode requerer o depoimento pessoal de ambas as partes, ainda que omissa a lei nesse sentido.
Sujeito responsável elo depoimentos pessoal: sempre pressoa física. 
· No depoimento pessoal vigora o princípio da pessoalidade e indelegabilidade. 
Abre-se a possibilidade da representação por meio de preposto com poderes especiais para confessar e com conhecimento da matéria fática do processo. 
CONSEQUÊNCIAS DO DEPOIMENTO PESSOAL
Sempre que for requerido o depoimento pessoal da parte, deverá ela ser intimada pessoalmente do ato processual. 
Além da intimação pessoal, deverá constar do mandado que se presumirãoconfessados os fatos contra ela alegados no caso de não comparecimento ou de recusa injustificável em depor, devendo a intimação ser realizada com antecedência - art. 385, § 1.º
Efeito derivado da ausência: confissão tácita.
O silêncio da parte, negando-se a responder as perguntas, ou o fazendo evasivamente, gera a mesma consequência de sua ausência na audiência, dando o juiz os fatos alegados pela parte contrária como confessados. Com exceção dos casos enumerados pelo art. 388:
· casos de fatos criminosos ou torpes que lhe forem imputados;
· fatos a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo;
· fatos a que o depoente não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível;
· fatos que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no inciso anterior.
Não tendo a parte conhecimento do fato alegado pela parte contrária, não haverá, em tese, confissão, já que nesse caso o silêncio não é fruto de má-fé, mas sim de desconhecimento sobre a matéria fática.
Essa regra, entretanto, só deve ser aplicada para os casos em que o desconhecimento seja justificável, o que deve ser apurado no caso concreto.
A confissão expressa também poderá ocorrer em audiência, bastando que a parte, em seu depoimento pessoal, responda afirmativamente a perguntas que tenham como objeto fatos contrários a seu interesse.
PROCEDIMENTO
Como todo meio de prova, o depoimento pessoal se desenvolve em quatro fases procedimentais: propositura; admissibilidade, produção e valoração. 
O momento adequado para a propositura é a petição inicial para o autor e a contestação para o réu. 
A admissibilidade da prova será matéria do saneamento do processo que, segundo o disposto no art. 357, § 3º, do NCPC, em regra se dará por meio de decisão saneadora escrita, ocorrendo excepcionalmente em audiência se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito. 
A produção da prova divide-se em duas fases: preparação e realização.
· A preparação da prova antecede a audiência de instrução, constituindo-se na intimação da parte para que compareça em juízo sob pena de confesso. 
· A realização se dá na audiência de instrução e julgamento, seguindo basicamente a forma prescrita para a oitiva das testemunhas, com a diferença de que no depoimento pessoal o patrono da parte que depõe não pode lhe fazer perguntas. 
Primeiro perguntas do Juiz > parte contrária > MP
Quando ambas as partes forem intimadas para depor pessoalmente e comparecerem à audiência, o autor será ouvido antes, devendo o réu se ausentar da sala de audiência para não ter conhecimento desse depoimento quando for depor. 
Admite-se excepcionalmente que o depoimento pessoal seja prestado em outro momento processual (residir em outra comarca, enfermidades, etc.).
Quanto à valoração, como todo meio de prova, o depoimento pessoal será valorado no momento em que o juiz proferir sua sentença. 
Confissão 
CONCEITO
Art. 389
Há confissão quando a parte admite a verdade de um fato contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. Envolve:
· reconhecimento de um fato alegado pela parte contrária; 
· voluntariedade da parte que reconhece o fato; 
· prejuízo ao confitente decorrente de seu ato.
Pode ser vista como um resultado de outros meios de prova como o depoimento pessoal e prova documental. 
Três requisitos para confissão ser considerada eficaz: 
· o confitente deve ter capacidade plena, não podendo confessar os incapazes, ou seus representantes legais. A confissão feita por um representante somente é eficaz nos limites em que este pode vincular o representado.
· inexigibilidade de forma especial para a validade do ato jurídico como, por exemplo, ocorre no casamento ou falecimento, que exigem para sua demonstração as respectivas certidões;
· disponibilidade do direito relacionado ao fato confessado, não se admitindo a confissão de fatos que fundamentam direitos indisponíveis. 
ESPÉCIES DE CONFISSÃO
Judicial ou Extrajudicial. 
Judicial:
Pode ser espontânea ou provocada, realizada pela própria parte ou por representante com poderes específicos para confessar.
A confissão provocada resulta do depoimento pessoal, podendo ser:
· Real: quando a parte efetivamente responde as perguntas que lhe são dirigidas confessando determinados fatos
· Ficta: quando a parte deixa de comparecer à audiência de instrução ou se nega injustificadamente a responder objetivamente as perguntas que lhe são feitas.
A confissão espontânea é realizada fora do depoimento pessoal, podendo ser tanto oral, hipótese em que o juiz documentará a confissão nos autos mediante a elaboração de termo (art. 390, § 2º), como escrita. 
Extrajudicial: 
É realizada fora do processo, de forma escrita ou oral, mas nesse caso só terá eficácia se a lei não exigir a forma escrita (art. 394).
Qualquer que seja a espécie de confissão, nenhuma delas é prova plena, podendo se valer de outros meios de prova para afastar a carga de convencimento da confissão. 
INDIVISIBILIDADE DA CONFISSÃO
Art. 395
Não pode a parte, se quiser invocar a confissão como prova, aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for desfavorável. 
Confissão simples: confitente se limita a tratar de fatos contrários ao seu interesse.
Confissão complexa: além de fatos contrários ao seu interesse, também haverá a alegação de fatos novos favoráveis ao confitente. 
Exceção ao princípio da indivisibilidade da declaração de fatos (e não da confissão), sempre que o confitente, além dos fatos desfavoráveis a seu interesse, aduzir fatos novos, suscetíveis de constituírem fundamento de defesa de direito material e de reconvenção. 
INVALIDAÇÃO DA CONFISSÃO
Art. 393
A confissão é anulável, seja na previsão de que os vícios que habilitam a anulação são somente o erro de fato e a coação.
A anulação não pode ser realizada incidentalmente no processo no qual foi utilizada a confissão, sendo, portanto, exigível a propositura de uma ação anulatória. 
Da exibição de documento ou coisa
CONCEITO
Trata-se de meio de prova utilizado para a parte provar alegação de fato por meio de coisa ou documento que não esteja em seu poder. 
· Partes: autor, réu, terceiros intervenientes, inclusive assistente, e o MP. P. 1287
Exibir significa colocar a coisa ou documento em contato visual com o juiz, que, uma vez ciente do teor da coisa ou do documento, determinará a sua devolução à parte possuidora. 
Sempre que a parte alega um fato que só pode ser demonstrado por documento ou coisa que não esteja em seu poder, será possível o conhecimento de seu teor pelo juiz de duas formas: a requisição e a exibição de coisa ou documento. 
Art. 438 – requisição – juiz requisita às repartições públicas:
(i) as certidões necessárias à prova das alegações das partes;
(ii) os procedimentos administrativos nas causas em que forem interessados a União, Estado, Município ou as respectivas entidades da administração indireta. 
§2º - extrair docs. no prazo máx. de 1 mês. 
A exibição de coisa ou documento também pode se desenvolver por meio de uma ação probatória autônoma antecedente, quando presente no caso concreto um dos requisitos previstos no art. 381. 
Terceiros: O juiz de ofício pode determinar a terceiros a exibição de documento ou coisa. 
Dever do terceiro de colaborar com a atividade judicial na busca da verdade (arts. 378 e 380, I).
Partes do processo: o poder do juiz se fundamentanos chamados “poderes instrutórios”, consagrado no art. 370, caput.
ASPECTOS PROCEDIMENTAIS COMUNS
Comuns entre o pedido à terceiros e partes. 
O pedido formulado pela parte deve conter três requisitos para ser deferido – Art. 397:
· Individualização: completa do documento ou coisa. Assim, permite ao réu do incidente saber de que coisa ou documento está tratando o autor e, no caso de busca e apreensão, para indicar o objeto de tal medida ao oficial de justiça.
STJ: individuação exigida pela lei é aquela suficiente para não deixar dúvida a respeito do que se pretende ver exibido.
· Finalidade: indicação dos fatos que se relacionam com o documento ou a coisa, se presta ao juiz analisar a pertinência da exibição à luz do objeto da demanda. 
Na exibição contra a parte contrária, a não exibição acarreta a presunção de veracidade dos fatos que.
· Narrativa das circunstâncias: em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a coisa existe e se acha em poder da parte contrária ou de terceiro. Devendo o juiz atuar com a devida razoabilidade na análise do preenchimento desse requisito. 
A escusa pela parte ou pelo terceiro em exibir pode se fundamentar em – art. 404: 
I) se concernente a negócios da própria vida da família;
(II) se a sua apresentação puder violar dever de honra;
(III) se a publicidade do documento redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; ou lhes representar perigo de ação penal;
(IV) se a exibição acarretar a divulgação de fatos, a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar segredo;
(V) se subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a recusa da exibição;
(VI) houver disposição legal que justifique a recusa da exibição.
PROCEDIMENTO CONTRA A PARTE CONTRÁRIA
Atender os requisitos do Art. 397. 
Corretamente a doutrina permite, inclusive, que o pedido seja feito oralmente em audiência. 
O requerido será intimado para que no prazo de cinco dias ofereça resposta.
O requerido pode apresentar a coisa ou, no prazo de cinco dias, apresentar defesa afirmando que não possui o doc. ou coisa (par. Único 398).
Se afirmar que não possui, o juiz permitirá que o requerente prove, por qualquer meio, que a declaração não corresponde à verdade (ônus da prova do requerente). 
Ainda assim, poderá o juiz no caso concreto, em aplicação da teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova, consagrada no art. 373, § 1º, determinar de quem é o ônus probatório, adotando como critério a maior facilidade na produção da prova. 
Pode a parte também alegar que não tem obrigação legal de exibir. Nesse caso, o ônus é da parte que faz a alegação, mas também aqui é possível a inversão do ônus probatório nos termos do art. 373, § 1º.
Art. 400 - o juiz admitirá como verdadeiros os fatos que, por meio da exibição, a parte pretendia provar:
I) se o requerido não exibir o documento ou coisa no prazo de 5 dias e tampouco oferecer qualquer espécie de resposta;
(II) quando a sua recusa for havida por ilegítima.
O Superior Tribunal de Justiça entende tratar-se de presunção relativa de veracidade, podendo ser afastada com a apresentação de documento que aponte em sentido contrário ou com base em qualquer outro elemento de prova constante dos autos. 
PROCEDIMENTO CONTRA TERCEIRO
A parte interessada na exibição deverá ingressar com uma petição inicial, que será autuada em apenso aos autos principais, porque nesse caso será necessária a instauração de uma ação incidental. 
O terceiro em relação ao processo principal se torna réu na ação incidental de exibição, sendo citado para responder ao pedido no prazo de 15 dias.
Se negar a obrigação de exibir (art. 404), afirmando que não está em poder da coisa ou documento ou expondo qualquer outro meio de defesa, será designada audiência especial. 
Na audiência especial, será colhido depoimento das partes, além de prova testemunhal, sendo permitido outros meios de prova. 
CPC é omisso quanto à espécie de decisão que julga o pedido. O recurso é apelação.
Se o terceiro, sem justo motivo, se recusar a exibir a coisa ou o documento, o juiz lhe ordenará o depósito em cartório ou noutro lugar designado no prazo de 5 dias, impondo ao requerente que o embolse das despesas que tiver. 
Art. 403, par. único. – transcorrido o prazo sem o cumprimento da obrigação – Medidas coercitivas: medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias, BA, além do terceiro ser responsabilizado pela prática de desobediência. 
Tratando-se de tutela mandamental é aplicável o art. 77, § 2º, com a aplicação de multa de até 20% do valor da causa em razão da prática de ato atentatório à dignidade da jurisdição. 
Prova Documental
CONCEITO
Qualquer coisa capaz de representar um fato, não havendo nenhuma necessidade de a coisa ser materializada em papel e/ou conter informações escritas. 
Documento não se confunde com instrumento, sendo o segundo espécie do primeiro. O instrumento é produzido com o objetivo de servir de prova, como ocorre na celebração de um contrato ou de uma escritura.
DOCUEMENTO PÚBLICO E SUA FORÇA PROBANTE
Art. 405 - em razão da fé pública que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua formação e quanto aos fatos que tenham ocorrido na presença do oficial público. Essa presunção é relativa, podendo ser afastada por meio de outras provas produzidas no processo.
A presunção tinge os fatos ocorridos na presença do oficial público, e não os fatos trazidos ao seu conhecimento pelas partes.
Art. 407 - documento elaborado por oficial público incompetente ou em desrespeito às formalidades legais, desde que seja subscrito pelas partes, tem a mesma eficácia probatória do documento particular. 
DOCUMENTO PARTICULAR E SUA FORÇA PROBANTE O documento é particular sempre que for elaborado sem a intervenção de um oficial público, podendo ser:
(a) escrito e assinado pelas partes;
(b) escrito por terceiro e assinado pelo declarante;
(c) escrito pela parte e não assinado;
(d) nem escrito nem assinado pela parte.
Art. 408 - as declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumem-se (relativa) verdadeiras em relação ao signatário. 
Art. 411 – documento autêntico:
· Reconhecimento da firma do signatário pelo tabelião. (considera-se autêntico, não verdadeiro). 
· Quando a autoria estiver identificada por qualquer outro meio legal de certificação que não o reconhecimento de firma. Ex.: certificação eletrônica. 
· Se não houver impugnação da parte contra quem foi produzido o documento esse será considerado autêntico. 
* o juiz poderá determinar a realização de prova de ofício caso entenda necessário para formar seu convencimento a respeito da autenticidade da prova.
Art. 410 – autoria do documento:
(a) aquele que o fez e o assinou;
(b) aquele que por conta de quem ele foi feito, estando assinado;
(c) aquele que, mandado compô-lo, não o firmou, porque, conforme a experiência comum, não se costuma assinar, como livros empresariais e assentos domésticos.
Art. 422 – fotografias como prova documental. 
Art. 424 - a cópia do documento particular tem o mesmo valor probante que o original. Haverá conferência apenas se impugnada. 
Havendo em ponto substancial, entrelinha, borrão ou cancelamento, o juiz apreciará livremente a fé que mereça o documento.
A fé cessa quando declarada judicialmente sua falsidade, quando for contestada a assinatura e enquanto não se lhe comprovar a veracidade ou quando assinado em branco, for abusivamente preenchido. 
Documento eletrônico: o documento eletrônico deve ser subscrito com o uso de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira. 
ARGUIÇÃO DE FALSIDADE DOCUMENTAL
Art. 430 - Uma vez arguida, a falsidade documental será resolvida como questão incidental, salvo se a parte requerer que o juiz a decida como questão principal, nos termos do inciso II do art. 19. 
Tratando-se de questãoprejudicial fática, a falsidade documental será enfrentada de qualquer forma pelo juiz quando arguida por qualquer das partes, dependendo apenas do pedido expresso para que seja decidida como questão principal e passando a incidir sobre ela a autoridade da coisa julgada. 
O dispositivo não menciona a possibilidade de a falsidade documental ser reconhecida de ofício, sem a arguição das partes. Não resta dúvida, entretanto, de tal possibilidade, até porque tal iniciativa tem fundamento nos “poderes” instrutórios do juiz. . O que o juiz não pode fazer de ofício é dar início à ação declaratória incidental em respeito ao princípio da demanda.
Quando suspeitar da falsidade documental mesmo diante da omissão das partes, em respeito à exigência de contraditório real prevista no art. 10 do Novo CPC, o juiz terá que intimar as partes para que se manifestem sobre a eventual falsidade do documento. 
A decisão pode gerar coisa julgada quando tiver como objeto uma falsidade ideológica – voltada ao conteúdo do documento, dizendo respeito aos vícios do consentimento ou sociais do ato jurídico –, ou seja, representativa da falsidade do que foi declarado no documento – ou uma falsidade material – vício do documento em si, referente à sua formação, com deteriorações que alterem seu conteúdo, a compreensão desse conteúdo ou que contenha afirmações que não foram feitas pelas partes ou não foram presenciadas pelo oficial público.
Procedimento da arguição de falsidade:
Art. 430 - suscitada na contestação, na réplica ou no prazo de 15 dias, contado a partir da intimação da juntada aos autos do documento. Não atinge o poder do juiz de e, a qualquer tempo, intimar as partes a respeito de eventual falsidade documental e posteriormente decidir sobre a matéria.
Na realidade os prazos previstos pelo dispositivo legal não dizem respeito à alegação de falsidade documental, mas sim à propositura da ação declaratória incidental. A mera alegação pode ser feita a qualquer tempo, porque se o juiz pode reconhecer a falsidade de ofício, não pode haver para a parte preclusão temporal para a alegação da matéria. 
Alegação elaborada por meio de ação declaratória incidental: deve estar fundamentada e já devem ser indicadas nesse momento as provas que a parte pretende produzir. 
Arguida a falsidade a parte contrária será intimada e terá prazo de 15 dias para se manifestar. 
Art. 432 – após os 15 dias, erá realizada prova pericial, que só será dispensada se a parte que apresentou o documento em juízo concordar em retirá-lo (espécie de “arrependimento eficaz”, não gerando, portanto, os efeitos pretendidos pela parte que a produziu).
O ônus da prova é de quem alega a falsidade (art. 429, I), mesmo tratando-se de falsidade de assinatura, aplicando-se o art. 429, II, somente quando existente presunção de veracidade da assinatura porque presenciada por tabelião (411, I). É possível a redistribuição do ônus da prova, nos termos do art. 373. 
PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL
Art. 434 – produzida pelo autor na instrução da petição inicial e pelo réu na instrução da contestação. (Fotos e vídeos – exposição na aud.)
Natureza preclusiva. Entretanto, Art. 435 prevê exceções ao momento de apresentação da prova documental: 
· para provar fatos supervenientes;
· para contrapor prova documental produzida nos autos;
· documentos formados após a petição inicial ou a contestação; e que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los anteriormente. 
Uma vez produzida a prova documental, a parte contrária será sempre intimada para se manifestar no prazo de 15 dias, cabendo ao réu falar sobre os documentos juntados com a petição inicial em sua contestação e ao autor falar sobre os documentos juntados com a contestação em sua réplica. 
Nos termos do § 2º do art. 437, o juiz poderá, a requerimento da parte, dilatar o prazo para manifestação levando em conta a quantidade e a complexidade da documentação
Prova Testemunhal
CONCEITO
Prova testemunhal é meio de prova consubstanciado na declaração em juízo de um terceiro que de alguma forma tenha presenciado os fatos discutidos na demanda. 
Testemunha presencial: presenciou o fato.
Testemunha de referência: não presenciou o fato, mas tomou conhecimento dele por informações de alguém que supostamente o fez, valendo o testemunho nesse caso como mero indício.
Testemunha referida: tem conhecimento por meio do depoimento de outra testemunha. 
CABIMENTO
Art. 443: limitações ao cabimento
· Fatos já provados por documentos ou confissão da parte. Cabendo ao juiz a valoração das provas, se entender que o fato já está devidamente provado por documentos ou confissão, indeferirá a prova testemunhal, que será nessa hipótese inútil;
· Fatos que só podem ser provados por documentos – como aqueles que exigem instrumento público (casamento, óbito etc.) – e que demandem prova pericial, porque nesse caso é exigido um conhecimento técnico específico que não pode ser suprimido por testemunha.
Art. 444: admissível a prova testemunhal quando houver começo de prova por escrito, emanado da parte contra a qual se pretende produzir a prova.
Art. 445: admite a prova testemunhal quando o credor não pode ou não podia, moral ou materialmente, obter a prova escrita da obrigação, em casos como o de parentesco, de depósito necessário ou de hospedagem em hotel ou em razão das práticas comerciais do local onde contraída a obrigação.
SUJEITOS QUE PODEM TESTEMUNHAR
Em regra, qualquer sujeito.
Art. 447: hipóteses de:
· Impedimento;
· Suspeição;
· Incapacidade;
São incapazes de testemunhar:
· O interdito por enfermidade ou deficiência intelectual;
· O acometido de enfermidade ou debilidade mental que o impossibilite de ter o discernimento necessário e/ou a devida percepção sobre os fatos;
· O menor de 16 anos;
· O cego e surdo, quando a ciência dos fatos depender dos sentidos que lhes faltam.
Incapazes podem ser ouvidos como informantes - art. 228, parágrafo único, do CC. 
São impedidos de testemunhar: 
· O cônjuge, ascendente e descendente em qualquer grau, ou colateral até o terceiro grau de qualquer das partes, por consanguinidade ou afinidade;
· As partes na causa e o sujeito que intervém em nome de uma parte, como o tutor na causa do menor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes. 
Sendo o juiz da causa arrolado como testemunha, poderá se declarar impedido de continuar a conduzir o processo sempre que tiver conhecimento de fatos que possam influir na decisão, hipótese em que o processo será remetido ao substituto legal e o juiz será ouvido como testemunha. 
Justamente para se livrar do juiz no papel de julgador, a parte poderá arrolá-lo como testemunha mesmo que o juiz não tenha qualquer conhecimento sobre os fatos. Nesse caso deve ser preservado o princípio do juízo natural, devendo ser o pedido indeferido e mantido o juiz na condução do processo.
São suspeitos para testemunhar:
· O inimigo ou amigo íntimo da parte, e não do juiz ou do advogado;
· O que tiver interesse no litígio, entendendo-se que o interesse deve ser jurídico. 
Sendo estritamente necessário, o que significa dizer que a prova não tem outra forma de ser produzida, o art. 447, § 4.º permite ao juiz a oitiva de testemunhas menores, impedidas ou suspeitas, hipótese na qual estarão dispensados de prestar compromisso e seus depoimentos serão apreciados com o valor que possam merecer.
DIREITOS E DEVERES DAS TESTEMUNHAS
· Comparecer ao juízo para prestar depoimento. 
Tendo sido pedida a dispensa de sua intimação pela parte que a arrolou, sua ausência injustificada na audiência gera a preclusão da prova. 
Tendo sido devidamente intimada > condução coercitiva. 
· Depor, respondendo às perguntas que lhe sejam dirigidas. 
Salvo quando os fatos acarretarem grave dano à própria testemunha, seu cônjuge ou companheiro e aos seus parentes consanguíneos ou afins, em linha reta, ou na colateral em terceiro grau (art. 448, I).
Também não hádever de depor a respeito de fatos a cujo respeito, por estado (p. ex., líder religioso) ou profissão (p. ex., advogado e médico), deva guardar sigilo.
· Dizer a verdade.
Os informantes também têm o dever de dizer a verdade, mas a sua mentira não constitui crime de falso testemunho. 
Direitos: valores para transporte pagos, dispensa do trabalho, ser tratadas com urbanidade e respeito, ser ouvida no foro de sua residência (STJ). 
PRODUÇÃO DA PROVA TESTEMUNHAL
Art. 449: em regra, produzidas em audiência. 
Exceção: 
· As que prestam depoimento antecipadamente (453);
· As que são inquiridas por carta (453); 
· Autoridades (454);
· Testemunha que, que, por enfermidade ou por outro motivo relevante, estiver impossibilitada de comparecer (454). 
Fase preparatória: arrolar as testemunhas, com seus requisitos formais - Art. 450. 
Art. 357, §6º - cada parte pode oferecer no máximo 10 testemunhas, e, quando oferecidas mais de três para provar o mesmo fato, poderá o juiz dispensar o testemunho.
Art. 357, §7º: juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados. 
Art. 357, §4º: O rol de testemunhas deve ser apresentado em prazo não superior a 15 dias do saneamento e organização do processo. 
Apresentado o rol, que deve ser realizado de uma vez só em razão da preclusão consumativa, a parte só poderá substituir uma testemunha quando:
· Falecer;
· Não estiver em condições de depor em razão de enfermidade;
· Tendo mudado de residência ou de local de trabalho, não foi localizada pelo oficial de justiça ou correio. 
Art. 455 – forma de intimação da testemunha.
Art. 457, §1º: se a testemunha negar os fatos imputados a ela, a parte que a contraditou deverá provar a contradita por meio de documentos ou testemunhas, no máximo de três. Sendo necessária a produção da prova testemunhal, a audiência de instrução muito provavelmente será adiada. O juiz tem três possíveis decisões: 
· A que indefere e colhe o depoimento da testemunha;
· A que defere e não ouve a testemunha;
· A que acolhe, desqualifica a qualidade de testemunha do terceiro e colhe o seu depoimento como mero informante do juízo, nos termos do art. 457, § 2.º. 
Art. 461, II - havendo divergência nos depoimentos de duas ou mais testemunhas sobre um mesmo fato, o juiz de ofício poderá determinar a acareação dessas testemunhas.
Também cabe a acareação quando a divergência se estabelece entre depoimento de testemunha e depoimento pessoal da parte. Os acareados serão reperguntados para que expliquem os pontos de divergência, reduzindo-se a termo o ato de acareação, que poderá pode ser realizado por videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real.
Prova Pericial 
CONCEITO E ESPÉCIES
A prova pericial é meio de prova que tem como objetivo esclarecer fatos que exijam um conhecimento técnico específico para a sua exata compreensão.
Art. 464 - perícia consiste em exame, vistoria ou avaliação. 
· Exame é a perícia que tem como objeto bens móveis, pessoas, coisas e semoventes, como uma obra de arte, documentos, livros, exame de DNA etc. 
· Vistoria é a perícia que tem por objeto bens imóveis. 
· Avaliação é a perícia que tem por objeto a aferição de valor de determinado bem, direito ou obrigação.
CABIMENTO
Art. 464, §1º: – não será produzida quando:
· A prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; 
· O meio se mostrar desnecessário em vista de outras provas produzidas;
· Verificação impraticável do fato, hipótese na qual a produção de prova pericial mostra-se inútil.
· Sempre que as partes, na inicial e na contestação, apresentarem pareceres técnicos ou documentos que o juiz considere elucidativos a respeito das questões de fato (art. 472).
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, o indeferimento da prova pericial não constitui por si só cerceamento de defesa, já que o juiz pode dispensar aquelas provas que se mostrarem desnecessárias ou protelatórias.
PROCEDIMENTO
1. Indicação do Perito
Possibilidade e de as partes escolherem o perito – Art. 471 - desde que estas sejam plenamente capazes e a causa possa ser resolvida por autocomposição. 
As partes podem escolher o perito, que será imposto ao juiz independentemente de sua vontade, mas o prazo continuará a ser fixado pelo juiz, nos termos do § 2.º
Tratando-se de perícia complexa (art. 475), a indicação de todos os peritos que atuam na demanda deve ser realizada pelo juiz. Caso esse perito perceba que não tem capacidade técnica, deve informar o Juiz para que indique outro. 
Nos termos do art. 148, II, do Novo CPC, as causas de impedimento e suspeição previstas para o juiz são aplicáveis aos demais auxiliares da justiça, inclusive o perito. Por outro lado, o art. 468 do Novo CPC consagra a possibilidade de o perito ser substituído quando faltar-lhe conhecimento técnico ou científico ou quando atrasar sem motivo legítimo a entrega do laudo pericial.
2. Escusa do Perito
O perito tem um dever de prestar o serviço técnico, sendo naturalmente remunerado por isso (art. 378). Existe, entretanto, uma possibilidade de o perito se livrar de seu dever, deixando de trabalhar no processo – Art. 467:
· Motivo legítimo. 
· A escusa deve ser apresentada dentro de 15 dias da intimação ou do impedimento superveniente.
· O prazo de 15 dias é preclusivo, de forma que decorrido o prazo sem a manifestação do perito não mais poderá este requerer sua dispensa em razão do fenômeno da preclusão temporal. 
3. Prova pericial complexa
Art, 475 - nomeação de mais de um perito para a produção do trabalho pericial. 
Complexa é aquela que exige mais de uma área de conhecimento especializado. 
4. Substituição do Perito
Art. 468 – duas hipóteses:
· Perito que não tem o conhecimento técnico ou científico necessário, a ponto de impedir que o trabalho pericial seja realizado a contento.
· O descumprimento do prazo para a entrega do laudo pericial sem motivo legítimo, devendo-se a todo custo evitar essa hipótese de substituição considerando-se todo o tempo, energia e dinheiro já gastos.
5. Atos Preparatórios
Art. 465 - prevê que o juiz nomeará o perito e fixará de imediato o prazo para entrega do laudo. 
Em 15 dias da intimação da decisão, as partes devem arguir o impedimento ou suspeição do perito. 
STJ - vem sistematicamente flexibilizando esse prazo, admitindo que as partes indiquem quesitos e/ou assistentes técnicos após o decurso do prazo legal, desde que ainda não iniciada a perícia. 
Art. 469 – possibilidade das partes apresentarem quesitos suplementares. 
Art. 470, I - caberá ao juiz indeferir quesitos impertinentes e formular os que entender necessários para o esclarecimento dos fato. 
Quando a prova pericial tiver que ser realizada em outro foro, caberá a expedição de carta precatória e em outro país, de carta rogatória. 
6. Intimação prévia das partes
Em respeito ao princípio do contraditório, o art. 474 prevê a intimação das partes – na pessoa de seus advogados – da data e local designados para o início dos trabalhos periciais, devendo também constar da intimação a hora em que os trabalhos se iniciaram.
7. Apresentação do Laudo
Art. 473 - elementos do laudo pericial.
PROVA PERICIAL E AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
A prova pericial em regra é produzida antes da audiência de instrução e julgamento, e até mesmo em processos nos quais não há tal audiência, em razão da desnecessidade de produção de prova oral. 
Art, 464 §2º - perícia simples, a ser realizada na audiência de instrução e julgamento quando o ponto controvertido for de menor complexidade.
Nessa perícia simples, o juiz inquire o perito e os assistentes técnicos em audiência a respeito das coisas que houverem informalmente examinado ou avaliado, podendo o especialista se valer de qualquer recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens com o fim de esclarecer os pontos controvertidos na causa. Trata-se da única forma de perícia admitida nos Juizados Especiais Estaduais. 
Art. 477, §1º e 3º - além de impugnar por escrito o laudo pericial,as partes podem requerer a intimação do perito e assistentes técnicos da parte contrária para em audiência prestar esclarecimentos. 
Caberá à parte interessada requerer a intimação do perito e/ou assistente técnico já formulando desde já suas perguntas, na forma de quesitos. A parte diligente deve indicar contradições e/ou inconsistências do laudo pericial, evitando assim que o juiz indefira o pedido entendendo que os esclarecimentos são impertinentes. A oitiva também não será realizada se o juiz entender que os esclarecimentos escritos já são suficientes para formar seu convencimento. 
PRAZO PARA REQUERER A PRESENÇA DO PERITO NA AUD.: 10 dias antes da aud. 
SEGUNDA PERÍCIA
Não parecendo ao juiz que os fatos que foram objeto da perícia estejam devidamente esclarecidos, é admissível a designação de uma nova perícia, sem que a primeira seja inteiramente desconsiderada, ou seja, o juiz poderá em sua fundamentação valer-se de ambas as perícias na formação de seu convencimento (art. 480, § 3º). 
O juiz poderá determinar a segunda perícia de ofício ou a requerimento das partes, sempre por meio de decisão interlocutória não recorrível por agravo de instrumento, mas em apelação ou contrarrazões, nos termos do art. 1.009, § 1º. 
PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL E A PROVA PERICIAL
Justamente em razão da relevância da prova pericial, cabe ao juiz na aplicação do art. 479 do CPC expressamente indicar na fundamentação os motivos pelos quais não adotou as conclusões periciais, com a indicação das outras provas que entendeu suficientes à formação de seu convencimento. 
Da Inspeção Judicial 
CONCEITO
A inspeção judicial consiste em prova produzida diretamente pelo juiz, quando inspeciona pessoas, coisas ou lugares, sem qualquer intermediário entre a fonte de prova e o juiz. 
Podem ser objeto de inspeção judicial bens móveis, imóveis e semoventes, além das partes e de terceiros, que se submetem ao exame realizado pelo juiz em decorrência de seu dever em colaborar com o Poder Judiciário para a obtenção da verdade. 
PROCEDIMENTO
Como todo meio de prova, também a inspeção judicial pode ser determinada de ofício ou a requerimento das partes, sempre se levando em conta a imprescindível necessidade de sua realização.
Art, 483 – partes têm o direito de assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo observações pertinentes. Apesar de não existir na lei uma regra que discipline a intimação das partes para participarem da inspeção judicial, é inegável que o respeito ao princípio do contraditório exige que tal intimação seja realizada.
Art, 482 – pode valer-se o Juiz do auxílio de perito quando um conhecimento técnico seja exigido. 
Art. 484 – auto circunstanciado com as informações úteis ao julgamento. No auto circunstanciado não devem constar conclusões a respeito dos fatos, limitando-se o juiz a um texto narrativo de tudo o que possa importar para a formação do convencimento judicial. 
Em regra, a inspeção judicial ocorre na sede do juízo e na audiência de instrução e julgamento.

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