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Atitudes frente à avaliação psicológica para condutores

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Psicologia: Ciência e Profissão
Print version ISSN 1414-9893
Psicol. cienc. prof. vol.22 no.2 Brasília June 2002
https://doi.org/10.1590/S1414-98932002000200007
ARTIGOS
Atitudes frente à avaliação psicológica para
condutores: perspectivas de técnicos, estudantes
de psicologia e usuários
Valdiney Veloso Gouveia; Deusivania Vieira da Silva; Maria dos
Prazeres Vieira da Silva; Maria Waleska Camboim Lopes de Andrade;
Severino Barbosa da Silva Filho; Danyelle Monte Fernandes da Costa
Universidade Federal da Paraíba
Endereço para correspondência
RESUMO
Este estudo procurou conhecer as atitudes frente à avaliação psicológica para condutores, considerando três grupos
de indivíduos: técnicos, estudantes de Psicologia e pessoas que se submetem a esta avaliação para obtenção ou
renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Um total de 196 pessoas responderam uma Escala de
Atitudes frente a Avaliação para Condutores, composta de 20 itens. A maioria dos participantes era do sexo
feminino (68%), universitário (71%) e já possuía habilitação para conduzir (54%); sua média de idade foi de 28
anos. Observou-se que, embora os respondentes tenham opinado que a avaliação psicológica era eficaz, julgavam
que esta seria dispensável no processo de exame para a obtenção da CNH. As implicações deste estudo foram
discutidas, assim como foram sugeridas alternativas para promover esta área de avaliação em Psicologia do
Trânsito.
Palavras-chave: Avaliação psicológica, Condutor, Trânsito.
ABSTRACT
This study aimed to know the attitudes towards the psychological assessment for drivers, considering three groups
of subjects: technicians, Psychology students, and people who are taking the driving test in order to obtain the
CNH (driving license) or to extend it. A total of 196 subjects have completed an Attitude Toward Drivers
Assessment Scale, composed of 20 items. Most of them were female (68%), undergraduate students or who had
already concluded it (71%), and owned driving license (54%). Their mean age was 28 years old. It was verified
that, in spite of the fact that the subjects had a positive opinion about the efficacy of the psychological
assessments, they judged it not essential to the examination process of obtaining driving license. The implications
of this study were discussed, and also alternatives were suggested in order to promote the assessment area in
Traffic Psychology.
Keywords: Psychological assessment, Drivers, Traffic.
Atitudes frente à avaliação psicológica para condutores: perspectivas de... https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932...
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Nos últimos anos tem havido um crescente debate sobre a necessidade, ou não, da avaliação psicológica no
processo de aquisição da habilitação de condutor. As discussões envolvem questões intrínsecas à segurança no
trânsito, à validade dos testes psicológicos e à capacidade do profissional de Psicologia em avaliar o perfil do futuro
motorista. Os psicólogos estão realmente aptos para avaliar o candidato a condutor e predizer seus possíveis
comportamentos em situações reais de trânsito? Os testes aplicados atendem às exigências da medida, isto é,
apresentam parâmetros psicométricos aceitáveis de validade e precisão? Tal processo de avaliação é realmente
necessário para aquisição da carteira de habilitação? Estas são apenas algumas das indagações geralmente
levantadas neste contexto, e por si merecem uma especial atenção. Obviamente não se pretenderá aqui buscar as
respostas para tais questões, cujas raízes ultrapassam o escopo do presente trabalho. A proposta básica será
considerar um dos elementos que pode ajudar a entender a polêmica gerada na sociedade civil sobre a
necessidade da avaliação psicológica; trata-se de conhecer as atitudes daqueles diretamente envolvidos neste
processo, como são os profissionais, os estudantes de Psicologia e os usuários ou sujeitos desta avaliação (os que
pretendem obter a carteira pela primeira vez ou renová-la).
A Avaliação Psicológica
Pasquali (1999) comenta que o termo avaliação (assessment) possui uma história muito recente, porém seu uso,
formal ou informal, data da origem dos organismos vivos. Formal no sentido de que o ser humano utiliza códigos
de conduta através dos quais as pessoas e as sociedades julgavam e julgam o comportamento dos semelhantes –
vale aqui ressaltar que se deve aos psicólogos do fim do século XIX a origem da avaliação formal e sistemática.
Informal, na medida em que todo sujeito avalia seu meio ambiente e os outros indivíduos, fazendo representações
de forma a tomar decisões de como agir para garantir sua sobrevivência e manter um nível próprio de
desenvolvimento.
A tentativa de avaliar habilidades e traços psicológicos, seja através de técnicas projetivas e/ou objetivas (Formiga
& Mello, 2000), tem sido um dos alicerces da intervenção e direção do conhecimento do profissional de Psicologia
nas diversas áreas: clínica, escolar, organizacional, etc. Esta tem demonstrado seu valor ao longo da história. Por
exemplo, foi fundamentalmente importante durante a Primeira Guerra Mundial, quando os militares passaram a ser
recrutados e designados para determinadas funções segundo suas capacidades ou habilidades psicológicas (Prieto
& Gouveia, 1997). Não obstante, existiram momentos em que sua utilidade não pareceu tão evidente. No Brasil, a
avaliação psicológica teve bastante impacto nos anos 50 com a criação do Instituto de Seleção e Orientação
Profissional (ISOP), vinculado à Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, tendo sido, porém, deixada um pouco
de lado nos anos 70. Tal fato apresenta múltiplos elementos explicativos, cabendo levantar ao menos um: a crise
de identidade. Esta foi dirigida sobretudo à Psicologia Social (Rodrigues, 1979), que exigia, entre outras coisas,
soluções práticas em lugar das tipologias e classificações derivadas dos testes.
No início da década dos 90 parece ter se renovado o interesse pelos testes e outros instrumentos de avaliação
psicológica. Um resultado direto foi a criação e/ou consolidação de laboratórios de pesquisa dedicados ao tema,
como o LabPAM (Laboratório de Pesquisa em Avaliação e Medida), na Universidade de Brasília. Porém, a criação do
IBAPP (Instituto Brasileiro de Avaliação e Pesquisa em Psicologia) está destinada a ser o marco principal de
referência no cenário nacional.
Deixando de lado estes aspectos mais históricos e contextuais, é necessário captar a essência da medição em
Psicologia, no presente caso a que se realiza desde a perspectiva psicometrista clássica. A respeito, Pasquali
(1999) observa que os instrumentos psicológicos (testes, escalas, questionários) representam a expressão
cientificamente sofisticada de um procedimento sistemático de qualquer organismo, biológico ou social, a saber, o
de avaliar as situações para tomar decisões que garantam a sobrevivência do próprio organismo, bem como seu
auto-desenvolvimento (p.13). Este processo de conhecer é, não somente na Psicologia, o que tem diferenciado as
ciências mais avançadas de estágios pré-científicos. Atribui-se números às propriedades dos objetos (subsistemas,
construtos) e isto permite diferenciá-los entre si, possibilitando um diagnóstico mais preciso e o conhecimento dos
seus antecedentes e conseqüentes.
Embora a avaliação psicológica seja um tema principalmente acadêmico-científico, a sociedade civil certamente
tem uma opinião formada a respeito. Por exemplo, o Senador Ramez Tebet (PMDB-MS) afirmou que a avaliação
psicológica é aquela que faz um prognóstico dos comportamentos da pessoa, tanto no que se refere ao manejo do
veículo, como na situação geral do trânsito. Dessa forma, avaliam-se aspectos como inteligência geral, capacidade
para perceber, prever e decidir, habilidades

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