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Atitudes frente à avaliação psicológica para condutores

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Esta deverá ser uma tarefa a exigir máxima atenção dos profissionais da Psicologia interessados no
comportamento no trânsito, que entretanto contam com a vantagem de dispor de: sujeitos cativos e um banco de
dados informatizado e permanente onde figuram a quantidade e os tipos de infração no trânsito. Por exemplo, sem
ir muito longe, seria possível relacionar os resultados dos exames psicológicos de cada condutor com o seu
desempenho em situação real no trânsito. Isto geraria um modelo explicativo o qual ajudaria a traçar um perfil do
bom condutor, e auxiliaria na seleção dos instrumentos psicológicos mais adequados neste contexto.
O que antes se comentou não deve ser encarado como se nada fosse feito neste âmbito da avaliação psicológica.
Segundo Alchieri (2000), já no começo dos anos 50 se esboçava uma tentativa de identificar as áreas psicológicas
que deveriam ser avaliadas para os condutores, a saber: a inteligência, a percepção e o carácter.
Consultando o Index Psi (2001) é possível identificar 36 publicações nacionais com a palavra trânsito. Destas, oito
podem ser descartadas por não apresentar relação com o tema objeto de interesse. Das restantes 28, a maioria
(17) data dos anos 80, com autoria predominantemente de Reinier J.A. Rozestraten (1982, 1983, 1984, 1985). Os
assuntos abordados foram bastante diversificados, tendo lugar desde ensaios teóricos, análises históricas a estudos
propriamente empíricos. Neste caso, foram estudados a infração ao semáforo vermelho, o estilo perceptivo, a
adequação e padronização de testes, etc. Porém, o montante de publicações parece reduzido, e os resultados de
pesquisa ainda não permitem traçar um perfil do bom condutor. Isto não impede, no entanto, que os
Departamentos de Trânsito se esforcem nesta direção, definindo o bom condutor nos seguintes termos (Machado,
2001): (1) são pessoas que pouco se acidentam ou quase não se envolvem com problemas de trânsito; e (2) em
sua vida agem de forma respeitosa, solidária e consciente, o que as levam a dirigir de forma educada, respeitando
as normas, cientes dos riscos e valorizando a vida de todos inclusive a sua.
Além destes critérios, Amaral (2001a) propõe que, para se formar um bom motorista, haja uma uniformidade nas
aulas práticas e teóricas, no treinamento e nos exames. Este autor considera que, por exemplo, dirigir em alta
velocidade exige respostas rápidas e precisas, demandando possivelmente outros critérios além dos anteriormente
citados. O tema é saber quais são estes critérios específicos. Mais uma vez, os psicólogos deveriam ter algo que
dizer a respeito, o que não se reflete na sociedade; suas práticas deveriam igualmente convencer a alguns
congressistas e dirigentes das instituições de trânsito.
Em resumo, percebe-se aqui que existem diferentes aspectos a considerar no momento de decidir sobre a
adequação e necessidade da avaliação psicológica. Seu presente e futuro dependem, em grande medida, da
capacidade dos psicólogos de realizar adequadamente sua atividade e mostrar a utilidade do seu serviço. Espera-se
que suas práticas se deixem sentir na população geral, isto é, nas atitudes que esta apresenta em relação à
avaliação psicológica. Este aspecto será sondado no presente estudo.
Método
Amostra
Compuseram o estudo 196 participantes, subdivididos em quatro grupos, a saber: profissionais avaliadores de
psicologia (N = 54), estudantes do curso de Psicologia, matriculados na disciplina Introdução à Psicologia (N = 34)
ou Técnicas de Exame Psicológico (N = 39) e usuários do serviço do DETRAN/PB, os quais estavam se submetendo
ao processo de aquisição ou renovação da habilitação (N = 69). No geral, a média de idade dos participantes foi de
28 anos; a maioria era de João Pessoa (81%), do sexo feminino (68%), com estudos universitários (71%),
possuindo habilitação (54%), tendo uma média de 10 anos de habilitado.
Em termos específicos, a maior divergência quanto às características demográficas dos grupos se deveu aos
profissionais de avaliação psicológica. Estes apresentaram uma maior média de idade (39,4 anos) e tempo médio
de habilitação (15,5 anos); contaram com maior número de CNH (Carteira Nacional de Habilitação; 90%) e eram
em menor quantidade residentes em João Pessoa (66%). Neste caso, os participantes provieram principalmente de
Pernambuco e do Rio Grande do Norte.
Instrumento
Os participantes responderam à Escala de Atitudes frente ao Serviço de Avaliação Psicológica, empreendida nos
Departamentos de Trânsito. Onze psicólogos, de diversas abordagens e orientações teóricas, se encarregaram de
elaborar individualmente dez itens sobre atitudes frente ao serviço de avaliação psicológica, seguindo o critério de
que estes fossem igualmente divididos em atitudes positivas e negativas. Para a seleção final dos itens foram
considerados ainda os seguintes critérios: (1) escolher apenas um entre aqueles itens de conteúdo semelhante; e
(2) procurar reter itens que abordassem os diferentes aspectos e agentes da avaliação psicológica (processo,
Atitudes frente à avaliação psicológica para condutores: perspectivas de... https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932...
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resultados, avaliadores e instituição). Após a discussão entre todos os peritos, ficou definida a versão final do
instrumento, composto por 20 itens, respondidos em escala de cinco pontos, tipo Likert, com os seguintes
extremos: 1 = Discordo Totalmente e 5 = Concordo Totalmente (uma cópia poderá ser obtida através de
solicitação aos autores).
Complementava o instrumento uma página com dados demográficos (idade, sexo, escolaridade, etc.) e uma
pergunta sobre a eficácia da avaliação psicológica. Perguntava-se precisamente em que medida a pessoa
acreditava na eficiência do serviço de avaliação psicológica que faz o DETRAN, devendo a resposta ser dada em
escala de dez pontos, com os seguintes extremos: 0 = Nada Eficiente e 9 = Totalmente Eficiente.
Procedimento
Onze pessoas ficaram responsáveis pela aplicação dos questionários, das quais cinco homens e seis mulheres.
Considerando a situação de cada grupo, procurou-se seguir sempre um procedimento padrão: os pesquisadores
solicitavam a colaboração voluntária dos participantes no sentido de que respondessem um questionário sobre o
que pensavam a respeito da avaliação psicológica realizada pelo DETRAN. Os profissionais de Psicologia
responderam coletivamente, na ocasião de um treinamento para peritos em avaliação psicológica de condutores.
Os usuários do serviço de avaliação deste órgão responderam individualmente, sendo acompanhados e
assessorados pelos aplicadores que haviam previamente recebido instruções. Finalmente, os alunos do curso de
Psicologia, com independência da disciplina, responderam coletivamente em sala de aula, estando os
pesquisadores presentes para esclarecer eventuais dúvidas.
Resultados
Como primeiro passo procurou-se conhecer a estrutura das atitudes frente à avaliação psicológica como um todo.
Assim, o conjunto de 20 itens que compôs a escala correspondente foi submetida a uma análise fatorial dos Eixos
Principais, com rotação varimax. Por não dispor de base teórica para definir tal estrutura, decidiu-se não
estabelecer o número de componentes a serem extraídos. O conjunto de itens se mostrou adequado para realizar
este tipo de análise [KMO = 0,73; Teste de Esfericidade de Bartlett, c² (190) = 737,08, p < 0,001]. Até seis
fatores foram inicialmente identificados com eigenvalue igual ou superior a 1,00, explicando 59,7% da variância
total. Posteriormente, depois da rotação, decidiu-se que três eram os fatores mais adequados e que deveriam ser
retidos, pois reuniam acima de cinco itens e apresentavam cargas fatoriais predominantemente em torno de 0,50.
Estes explicaram 30% da variância total. Os resultados desta análise são resumidos na Tabela 1 .
O primeiro fator, denominado de processo de avaliação, reuniu oito itens que acentuam a importância da
avaliação psicológica no processo de exame das pessoas que estão

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