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Atitudes frente à avaliação psicológica para condutores

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pela primeira vez solicitando sua CNH ou
procuram renová-la. Alguns dos seus itens foram: A avaliação psicológica só dificulta o processo de aquisição da
habilitação; A avaliação psicológica não contribui em nada no processo de habilitação; Os testes psicológicos não
avaliam nada. Seu índice de consistência interna (Alfa de Cronbach) foi 0,72. A maior pontuação é um indicativo de
um julgamento negativo da avaliação psicológica.
O segundo fator reuniu oito itens, entre os quais figuraram: Os testes psicológicos são o meio mais eficiente para
avaliar os candidatos a habilitação; O motorista que passou pela avaliação psicológica apresenta condições de
dirigir em via pública; A avaliação psicológica é importante porque detecta se a pessoa será imprudente no
trânsito. Seu conteúdo sugere identificá-lo como eficácia da avaliação, indicando a opinião das pessoas quanto a
serem os testes e as escalas de avaliação psicológica (não) eficazes e/ou válidos. Este fator apresentou um Alfa de
Cronbach (a) de 0,66. Sua maior pontuação indica um aspecto positivo da avaliação psicológica.
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O terceiro fator, que também reuniu itens dos dois anteriores, foi nomeado como descrédito do profissional.
Agrupou itens, por exemplo, como os que seguem: Os resultados da avaliação psicológica são válidos; A
responsabilidade do alto índice de acidentes no trânsito é da avaliação psicológica pouco criteriosa que faz o
DETRAN; Os psicólogos estão capacitados para avaliar as pessoas que tentam adquirir a habilitação. Embora seu
eigenvalue atenda ao que tem sido convencionalmente aceito (maior ou igual a 1,00), seu índice de consistência
interna é baixo (a = 0,28), não suportando este parâmetro psicométrico. Neste sentido, pode-se dizer que, ao
menos no presente estudo, este é um fator incipiente, devendo ser excluído das análises apresentadas a seguir.
Os dois primeiros fatores foram considerados para avaliar as atitudes dos participantes no estudo em relação à
avaliação psicológica para condutores. Através de Análises de Variância, com teste post hoc de Scheffé1, foram
comparadas as pontuações dos quatro grupos antes indicados. Os resultados são apresentados na Tabela 2.
Considerando as médias dos grupos no fator processo de avaliação, percebeu-se que existe um diferença
estatisticamente significativa [F(3/190) = 20,49, p < 0,001]. Realizado o teste de Scheffé, comprovou-se que esta
diferença se deveu exclusivamente ao grupo de usuários do DETRAN (IV) que apresentou uma média de atitudes
(M = 2,1, DP = 0,58) superior a dos demais grupos, lembrando: estudantes de Introdução à Psicologia (I, M = 1,6,
DP = 0,43), estudantes de Técnicas de Exame Psicológico (II, M = 1,7, DP = 0,41) e profissionais que trabalham
na avaliação psicológica (III, M = 1,4, DP = 0,32). Nenhuma diferença estatisticamente significativa foi observada
entre estes quatro grupos em relação ao fator eficácia da avaliação [F (3/189) = 1,21, p = 0,308].
Finalmente, complementando o resultado antes apresentado, foi considerada a pergunta sobre o quanto a pessoa
acreditava na eficácia do serviço de avaliação psicológica do DETRAN. Os grupos não diferiram entre si [F (3/190)
= 20,49; p< 0,001]. Porém, a média geral dos participantes (M = 5,5) foi superior ao ponto médio da escala de
resposta (M = 4,5), sugerindo uma atitude positiva dos respondentes frente a eficácia da avaliação [t = 5,01, p <
0,001].
Discussão
Foi dado um passo na tentativa de conhecer as atitudes daqueles implicados, direta ou indiretamente, na avaliação
psicológica para condutores. Diferentemente de estudos que se limitam a ouvir estudantes universitários, o
presente procurou conhecer também as atitudes dos profissionais e usuários deste serviço. Entretanto, não é
possível obviar algumas de suas limitações, entre elas as seguintes: (1) a pesquisa se restringiu à cidade de João
Pessoa, considerando um número reduzido de participantes por grupo, o que impede uma plena generalização dos
resultados; (2) na falta de referências sobre quais seriam as atitudes das pessoas em relação à avaliação
psicológica para condutores, adotou-se um procedimento empírico de perguntar diretamente a um grupo de
pessoas. Esta foi a base que guiou a elaboração da escala ora tratada; e (3) o terceiro fator, que trata sobre o
descrédito do profissional da avaliação psicológica, embora pareça importante para compreender as atitudes
das pessoas neste contexto, apresentou um índice de consistência interna baixo, não admitindo a possibilidade de
usá-lo para comparar os grupos em questão. Estes três aspectos juntos parecem ser argumentos suficientes para
replicar o presente estudo. Dever-se-ia ampliar a amostra em tamanho e características dos participantes; rever a
escala utilizada, elaborando novos itens, principalmente em relação ao fator antes descrito; e pensar em perguntas
abertas que permitam captar o sentido da atitude geral de cada pessoa. Isto daria suporte para entender a
natureza do seu posicionamento.
Em relação às atitudes contempladas pelos fatores processo de avaliação e eficácia da avaliação,
possivelmente os resultados estão traduzindo a situação atual de ambigüidade porque passa o profissional
dedicado à avaliação psicológica para condutores. As pessoas, no geral, até acreditam que a avaliação é eficaz,
porém, sobretudo aquelas que estão se submetendo ao processo de solicitação da CNH, pensam que esta seria
dispensável. Como antes foi comentado, o problema não parece ser da avaliação psicológica em si; provavelmente
as pessoas vêem que sua presença, talvez também a da avaliação médica, torna o processo mais oneroso e
dificultoso, devendo portanto ser extinta. Este porém pode não ser o raciocínio de alguns políticos, ou talvez o seja,
sendo que justificado sob a ótica da incompetência dos profissionais da Psicologia. Por este motivo, ter incluído a
obrigatoriedade do curso de capacitação pode representar somente uma meia vitória da Psicologia.
Apesar do que foi antes comentado, é preciso reconhecer que ao menos parte do desconforto do profissional a
quem compete a avaliação pode se dever a um certo sentimento de incapacidade nesta área específica de atuação.
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Nas áreas de Psicometria (avaliação e medida psicológica) e Psicologia do Trânsito, não existe formalmente no país
nenhum programa de Pós-Graduação stricto sensu recomendado pela CAPES (conceito 3 ou superior). Com uma
formação geralmente dirigida para a prática de aplicação e correção de testes e escalas, o psicólogo recém-
graduado ingressa no mercado de trabalho sem conhecer os critérios ou parâmetros psicométricos que precisam
ser levados em conta no momento de selecionar o seu instrumento de trabalho. Em relação a este aspecto, é
possível que o Fator III aqui identificado (descrédito do profissional) ajudasse a compreender as implicações
atitudinais desse suposto despreparo do profissional da avaliação psicológica. Antes, não obstante, seria necessário
rever sua definição e melhorar os itens que o compõem; seu índice de consistência interna ficou abaixo do que se
recomenda (Pasquali, 1999).
Conclusão
Não se pretendeu aqui apresentar um tratado sobre as atitudes ou a avaliação psicológica no âmbito do trânsito.
Todavia, espera-se que as informações prestadas possam motivar profissionais e pesquisadores dedicados a esta
área. Certamente vem se fazendo algo para melhorar a avaliação dos condutores (por exemplo, a elaboração de
provas psicológicas específicas, destinadas exclusivamente aos condutores). Porém, esta estratégia pode não ser a
mais eficaz se não são oferecidas oportunidades para treinar o profissional em aspectos técnicos da avaliação
psicológica.
Permitir que as pessoas conheçam o que

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