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Teoria Geral dos Contratos - Caderno 2021.1

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TEORIA GERAL DOS CONTRATOS (Arts. 421 a 480 do Código Civil) --------
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
1. Breve evolução histórica
Estabelecer contratos é um ato cotidiano. Estabelecemos vínculos jurídicos através de diversos fatores.
O termo "contrato" vem do termo "contraire", que signi�ca "entrelaçar", estabelecer vínculos através dos quais
teremos uma conjuntura de direitos e obrigações.
No Direito Francês, nota-se que o Código Napoleônico (1804), no art. 1.100 e seguintes já apresentava a
con�guração dos contratos.
2. Conceito
O contrato refere-se a um negócio jurídico. Em nosso país, o jurista Orlando Gomes já apresentava o conceito
segundo o qual o contrato corresponde ao vínculo jurídico mediante o qual conseguimos estabelecer direitos,
resguardá-los, modi�cá-los, transferi-los e extingui-los.
3. Requisitos
Os contratos perpassam por requisitos, que são de natureza: objetiva, subjetiva e formal.
3.1. Subjetivos
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Os sujeitos precisam de capacidade, de legitimação (autorização no âmbito jurídico para a prática de
determinado ato). Ex.: Outorga uxória (imprescindibilidade de um cônjuge ter, diante do outro, o seu aval para a
venda de imóveis).
3.2. Objetivos
O objeto precisa ser lícito e possível, sob os aspectos físico e jurídico. Ainda, o objetivo precisa estar determinado
ou ser determinável.
Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade.
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor,
se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será
obrigado a prestar a melhor.
Ex.: Quanto às criptomoedas, trata-se de uma questão não regulamentada no Brasil. Questiona-se, portanto, se
esse objeto é possível, lícito.
Atualmente, observamos a prevalência de formulários padronizados em que os sujeitos não conseguem discutir
premissas contratuais. Com isso, os sujeitos têm suportado contratos de adesão, estandardizados, porque a
velocidade da estrutura mercadológica inviabiliza a discussão das premissas contratuais.
PRINCÍPIOS VETORES DOS CONTRATOS CÍVEIS
1. Autonomia da vontade
A autonomia da vontade, de acordo com Caio Mário da Silva Pereira, corresponde ao fato de que, no decorrer
dos negócios jurídicos, as partes devem externalizar seus intentos sem amarras, sem limitações arbitrárias. Ex.: No
caso da Coelba, inexiste outra empresa que possa fornecer esse serviço na Bahia. Portanto, questiona-se a
autonomia para o sujeito nessas condições.
Portanto, as empresas não podem agir de modo irracional, ilimitado, mas devem respeitar a situação da parte
contrária, que não tem como escolher outra opção, bem como enfrentar a estrutura contratual que foi elaborada
pelo detentor do poder, estando em uma situação de não poder opinar nas cláusulas contratuais.
2. Supremacia da ordem pública
A autonomia da vontade passa pelo crivo da supremacia da ordem pública, prevista no art. 17 da Lei
12.376/2010 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro):
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não
terão e�cácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons
costumes.
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Não se trata de uma interferência indevida ou ilícita na liberdade econômica.
Ressalte-se a existência da Lei 13.874 (Lei da Declaração dos Direitos de Liberdade Econômica). Aqui, não se
critica esta Lei, nem defender que o Poder Público faça uma intervenção indevida nos diversos negócios
jurídicos.
No entanto, essa Lei interfere no art. 50 (que versa sobre a desconsideração da personalidade jurídica), art. 113
(que estatui as regras sobre a interpretação dos negócios jurídicos) e art. 421 (objeto de nossa análise).
A objeto do legislador em questão era não sobrecarregar algumas agentes econômicas (sobretudo, MEs e EPPs)
com exigências arbitrárias para o desenvolvimento de suas atividades.
i) Para a desconsideração da personalidade jurídica, houve um regramento mais detalhado, para que não
houvesse uma decretação de desconsideração de forma infundada, desnecessária. É cediço que a utilização do
patrimônio dos sócios para responder por indenizações das pessoas jurídicas é excepcional. Assim, o legislador
buscou obter exigências maiores para o desvio de �nalidade e para a confusão patrimonial.
No entanto, essas regras não podem inviabilizar o instituto, sobretudo, ao se deparar com as categorias mais
fragilizadas, que são os consumidores e trabalhadores.
ii) O art. 113, por sua vez, passou a ter um detalhamento da interpretação dos contratos, baseando-se
não apenas na boa-fé, mas também na alocação dos riscos e na racionalidade econômica. Com isso, o equilíbrio
das empresas deve ser mantido, mas não podemos sobrepujar a proteção dos consumidores (prevista no art. 5º,
XXXII, CF como direito fundamental, e no art. 170, V), bem como a salvaguarda para os trabalhadores
(também protegidos pela Constituição).
iii) Quanto à função social dos contratos (art. 421), também houve alteração. No art. 421, observamos a
necessidade de haver a simetria e a paridade contratual. Todavia, esses aspectos não são aplicáveis à relação entre
empregados-empregadores e consumidores-fornecedores. Logo, a inserção do parágrafo único no art. 421
estabelece que deve haver uma excepcionalidade na revisão contratual e que a intervenção do Poder Público não
deve ser extraordinária para essas categorias vulnerabilizadas.
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato.
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção
mínima e a excepcionalidade da revisão contratual.
A função social do contrato estabelece que qualquer vínculo jurídico reverbera para a sociedade, apresentando
seus efeitos para o público externo. Ninguém vive isolado na sociedade.
Portanto, o universo contratual exige responsabilidade das partes, mas também presença do Poder Público,
quando necessária.
3. Consensualismo
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Os contratos dependem da comungação de vontades entre as partes, isto é, deve haver um consensualismo entre
as partes. Apesar disso, nota-se que, muitas vezes, uma das partes não tem como discordar das cláusulas
contratuais.
4. Relatividade
A relação entre A e B possui um efeito inter partes, mas esta apresenta respingos para o universo jurídico-social.
Ademais, é possível fazer estipulações em favor de terceiros. Ex.: Alugar um imóvel para o �lho.
5. Obrigatoriedade
A regra do "pacta sunt servanda": se o contrato é �rmado, ele precisa ser seguido.
No entanto, precisamos analisar esta regra da obrigatoriedade sob determinados contextos críticos. Ex.: Um
consumidor analfabeto que contrata um serviço de telefonia vai saber o que signi�ca uma �delidade contratual?
Compete àquele que elabora a estrutura contratual apresentar esclarecimentos sobre o que está posto.
FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO
1. Conceito
A função social do contrato estabelece que qualquer vínculo jurídico reverbera para a sociedade, apresentando
seus efeitos para o público externo. É conceituado pelos autores Cláudio Bueno Godoy e Humberto Theodoro
Jr.
2. Função social do contrato ≠ boa-fé objetiva
Ambas envolvem ética, probidade.
● A função social trata-se de um espargir de efeitos da relação jurídica para a sociedade, e não somente
inter partes.
● Já a boa-fé trata-se dpa estrutura contratual entre os próprios sujeitos envolvidos na contratação.
3. Conceito de boa-fé
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Desde Aristóteles,

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