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Dignidade da pessoa humana nas penas

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FACULDADE MARANHESE SÃO JOSÉ DOS COCAIS
 Klessandra Lima de Freitas
 DAS PENAS DOS CASTIGOS
Direito penal do inimigo, Abolicionismo penal, a Importância do princípio da dignidade da pessoa humana na aplicação do direito penal
 Timon
 2021
1. INTRODUÇÃO
Desde o princípio, a sociedade sempre teve a noção de punição, relatos bíblicos temos a figura de Deus como aquele que iria punir Adão e Eva por sua desobediência e assim nossa sociedade vai se formando com essa noção de ordem e penalidade para aquele que age contra essa ordem. Atualmente há diversos conflitos ideológicos sobre o sistema penal, objetivamente, da própria pena, onde se questiona a efetividade, os números, as saídas para enfrentar problemas reais que estamos submetidos.
É necessário abrir a mente para entender os problemas que estão muito mais profundos do que se pode imaginar, à princípio. Será feito uma análise de cada ponto relevante, será levantando dados para ser formulado uma opinião conforme os dados aqui expostos. 
2. DESENVOLVIMENTO
A Constituição da República Federativa do Brasil é a base suprema de todo o jurídico do país, isso certamente não é uma novidade, mas com certeza deve ser o ponto de partida desse raciocínio. Começo destacando o art 1º da CF como base.
 
 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa
V - o pluralismo político
Com base nesse artigo podemos estabelecer com convicção que a dignidade da pessoa humana tem como fundamento a dignidade da pessoa humana, ou seja, a Constituição tem como base a dignidade. E a pergunta que surge, instantaneamente, é: O fundamento da Constituição está efetivamente sendo aplicado na nossa sociedade atual? 
Certamente, não. A partir disso podemos seguir interligando o sistema penal, ou melhor, as prisões no Brasil. 
Porém, antes de chegarmos no Brasil precisamos voltar no tempo. Caso Elizabeth Bathory, mais conhecida como “A condessa Sangrenta”. Bem esse caso aconteceu por volta de 1600, onde uma mulher muito poderosa matara diversas de suas criadas, relatos afirmam em torno de 650 garotas mortas e torturadas ao longo de anos, inclusive, filhas de nobres. A história é realmente bem longa e não é relevante agora. A sua relevância está em torno de como seu julgamento ocorreu... Não houve julgamento. 
Segundo o livro, Lady Killers, não houve julgamento devido um acordo entre os parentes da condensa, o que já é um fato questionável. Mas o que é mais interessante é que todo caso foi baseado em testemunhas – não oculares – e acontecimentos, como manchas de sangue no castelo da condessa. Na verdade, a única testemunha ocular era o próprio investigador do Rei que alegou ver a agente torturando sua vítima. Hoje em dia, certamente, o caso precisaria de mais do que isso para ser considerado efetivamente forte. Mas isso não ocorreu, na verdade a condessa foi condenada a prisão em seu castelo pelo resto da vida e seus cúmplices foram condenados à morte. É importante comentar que seus cúmplices confessaram mediante à tortura que era “um procedimento comum em julgamentos inquisitoriais” segundo o livro. 
Isso é um claro exemplo do que é o direito penal do inimigo. Obviamente os pais das garotas que eram levadas de suas casas para “trabalhar” para condessa olharam para ela como uma inimiga, certamente o rei a viu como inimiga descartando qualquer direito de defesa, dignidade ou qualquer que fosse as garantias que hoje temos. Ou seja, temos a figura do Estado aplicando sanções que radicais que talvez tenha saciado o desejo de vingança para com as famílias.
Há diversos casos, até mesmo sistemas que adotaram esses procedimentos onde a vingança seria o resultado dos crimes, como por exemplo a famosa Lei de Talião. 
Segundo o que foi relatado, seria possível esse tipo de regime em um país onde seu fundamento é a dignidade? 
Hoje em nosso país se tem os mais amplos direitos, como o direito de recorrer, de um julgamento justo e vários outros que é fulcral para um processo legal. Infelizmente, como nada é perfeito ainda há muitas falhas que estão longe de realmente longe da ideia central.
Nessa perspectiva, temos o abolicionismo penal, que tem como argumento chave a dignidade tão citada. Uma das principais críticas do abolicionismo penal é justamente a diminuição dos crimes que, de fato, não ocorre. Com isso, se questiona a efetividade das prisões. Um dos pontos chaves para os defensores dessa ideologia é o artigo 59º do Código Penal.
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: [...]
Podemos perceber, segundo o artigo, que o juiz irá analisar o caso concreto e estabelecerá a sanção, a fim de prevenir futuros crimes, o que não acontece, uma vez que as pessoas vivem com medo, a sociedade, muitas vezes, acha que precisam andar armadas para se defender dos perigos que só aumentam. 
Outro ponto importante é a condição dos presidiários, onde as condições de higiene são precárias, superlotação entre outros problemas que são um alerta para o Estado quando o assunto é um ambiente saudável e condições dignas de viver, que são desde do básico.
Esse entre outros fatores que são muito profundos para ser discutidos, precisam ser levados em consideração, uma vez que quando o indivíduo é “solto” ele não está preparado para ressocialização, o que gera ainda mais crimes, ainda mais a violência.
3. CONCLUSÃO
Com todas as questões citadas, é questionável a finalidade das prisões, das penas em si. Seria um castigo que o Estado impõe ou uma maneira de prevenir crimes colocando o agente dentro de uma cela sem nenhuma condição de vida básica. A situação é muito mais profunda, a solução não é aumentar as penas ou endurecer mais ainda lei de forma que aumente ainda mais o número de presidiários. Todo Estado deveria buscar a diminuição de crimes e violência e não construir penitenciárias ao invés de escolas. Uma utopia? Pode ser, mas o cidadão está cansado de viver com medo, o máximo que poderia ser feito é traçar caminhos para ao menos diminuir os delitos. Sim, o “delinquente” precisa pagar por seus crimes, se não, não haveria ordem, nem ao que temer. Porém, nem todos possuem direito à dignidade, à educação. Um ex- presidiário deve ter direito a um emprego, a uma ressocialização, na tentativa de diminuir os crimes, e assim, dar condições ao Estado para manter os presídios com uma quantidade de presos razoável, para de fato viverem adequadamente e preparados para voltar às ruas. O problema não é fácil de se resolver, mas é preciso tentativas de fazer a coisa certa, é preciso um processo.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Constituição. DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS. Brasília, DF: Poder Constituinte: JusPODIVM, 1988.
BRASIL. Código Penal. Lei, de 07 de dezembro de 1940. Livro. Da Aplicação da Pena, 27 de maio de 2021.
GRECO, Rógerio. O DIREITO PENAL DO INIMIGO. JusBrasil. 2012. Disponível em: https://rogeriogreco.jusbrasil.com.br/artigos/121819866/direito-penal-do-inimigo. Acesso em: 26 mai. 2021
ELIZABETH Báthory: A condessa sangrenta. In: TELFER, Tori. Lady Killers: Assassinas em série. Dark Side, v. 1, 2017. 375 p. cap. 1, p. 21-41.