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Sociedade e Contemporaneidade
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Por Prof(a). Ellen Plumer 
Neste capítulo serão estudadas as teorias clássicas sobre o objeto de estudo das Ciências Sociais, a partir das concep-
ções de Weber, Durkheim e Marx. 
São chamados teóricos clássicos das Ciên-
cias Sociais (Marx, Durkheim, Weber) porque 
discutiram e analisaram com profundidade estas 
questões; e, devido às suas contribuições, ser-
vem até hoje de inspiração para os sociólogos 
contemporâneos e outros cientistas sociais. 
As CIÊNCIAS SOCIAIS, por apresentarem 
diferentes abordagens, métodos, instrumentos, 
conceitos para estudar a mesma realidade social 
(sociedade capitalista); por haverem discordân-
cias entre os mesmos quanto à objetividade cien-
tífica aplicada no conhecimento da vida social; 
quanto à natureza da sociedade (sua origem e 
problemas); os fenômenos sociais (observáveis 
ou não) que devem ser estudados; têm três res-
postas clássicas para estas questões. 
Mas, antes de aprofundarmos você 
sabe o que é objeto de uma ciência? 
Toda ciência possui um objeto de estudo. 
Objeto de estudo, significa a área ou campo do 
saber e/ou de estudo a que as ciências se dedi-
cam. No caso das Ciências Sociais, sua área de 
estudo explica as razões que tornaram possível 
os homens (com seus diferentes sistemas polí-
ticos, econômicos, crenças, valores, formas de 
agir, pensar e sentir) viverem em sociedade. 
A concepção do objeto das ciências so-
ciais depende da resposta que se dá à questão 
sobre: o que torna possível a organização social 
das relações entre os homens em sociedade? 
Objeto de estudo: Ciências Sociais?
A resposta a pergunta: o que torna possível a 
organização social das relações entre os homens 
na sociedade, delimita o objeto de estudo e de 
explicação das Ciências Sociais. 
CONCEPÇÕES TEÓRICAS 
CLÁSSICAS DAS CIÊNCIAS 
SOCIAIS: WEBER, 
DURKHEIM E MARX
Você sabia que foi a partir 
dos clássicos das Ciências 
Sociais que foi possível 
conhecer a sociedade capitalista? 
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A teoria Funcionalista: 
Émile Durkheim
Sua Obra e história. 
Descendia de uma família de rabinos. Ele mesmo começou seus estudos para con-verter-se em rabino, mas, na adolescên-
cia, rechaçou sua herança e tornou-se agnóstico. 
Desde então, seu interesse pela religião era mais 
acadêmico do que religioso. Esforçou-se para ad-
quirir conhecimentos científicos para contribuir 
na direção moral da sociedade. 
Embora tenha se interessado pela sociologia 
científica, na sua época não existia um campo 
para esta disciplina. 
 Em 1893, publicou sua tese de doutorado A 
Divisão do Trabalho Social; em 1895, As regras 
do método sociológico, e; em 1902, passou a dar 
aulas na famosa Universidade francesa Sorbon-
ne. 
 Ele exerceu uma forte influência no desenvol-
vimento da sociedade. Na revista Lánnée Sociolo-
gique, fundada por ele, publicou vários escritos no 
campo da antropologia, história e da lingüística. 
Os pressupostos básicos 
da TEORIA FUNCIONALISTA 
Neste texto, desenvolveremos os pressupos-
tos básicos da Teoria Funcionalista, enfatizando 
o trabalho sociológico escrito por Durkheim. 
Sua obra marcou a etapa mais decisiva na 
consolidação acadêmica da sociologia; contri-
buindo para emancipá-la das demais ciências 
e definindo com precisão o objeto, o método e 
aplicação desta nova ciência. 
Durkheim determinou como objeto da socio-
logia o “fato social”, definindo o mesmo como: 
“Toda maneira de agir; pensar e sentir, 
fixada ou não susceptível de exercer so-
bre o indivíduo uma coerção exterior: ou 
então, que é geral no âmbito de uma dada 
sociedade, tendo, ao mesmo tempo, uma 
existência própria, independente de suas 
manifestações individuais. “(DURKHEIM, 
1984: 39). 
Afirmava que nem tudo o que acontece na 
sociedade é fato social, pois se assim fosse, a so-
ciologia não teria objeto próprio e o seu domínio 
viria a se confundir com o da história, antropolo-
gia e psicologia.
 Para um acontecimento social se formali-
zar como fato social, segundo Durkheim, seria 
necessário: 
Ser a. EXTERIOR AO INDIVÍDUO, 
(exterioridade) ou seja, quando os 
fatos sociais existem e atuam sobre os 
indivíduos independente de sua vonta-
de ou adesão consciente. (Costa, 1991, 
p.51). Isto significa que apesar dos ho-
mens elaborarem as maneiras de fazer 
vigentes na sociedade, estas nos são 
legadas pelas gerações anteriores, de 
modo que as encontramos já prontas 
(GALLIANO, 1986: 60). 
Émile Durkheim, nascido em 1858, na França. 
Durkheim faleceu em Paris no dia 15 de novembro 
de 1917. 
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Exercer uma b. COERÇÃO SOBRE OS 
INDIVÍDUOS, levando-os a confor-
marem-se com as regras já existentes. 
Nestas regras, o indivíduo não parti-
cipa de sua elaboração e, caso não as 
cumpra, receberá as sanções corres-
pondentes. O papel da coerção é fixar 
e instituir certas maneiras de agir e 
certos julgamentos que, independente 
de nossa vontade ou adesão conscien-
te, não somos capazes de modificá-las. 
(GALLIANO, 1986: 52). 
 Por último, c. SER GERAL, caracterís-
tica que determina que para ser um fato 
social é preciso repetir-se em todos os 
indivíduos ou pelo menos, na grande 
maioria. São gerais porque são coleti-
vos e têm como referência o conjunto 
da coletividade. 
Fato social possui
EXTERIORIDADE, 
COERÇÃO e 
GENERALIDADE.
Durkheim e a neutralidade 
da ciência
Durkheim, para analisar o social, usou o 
método positivista, onde a objetividade e a neu-
tralidade do cientista social são requisitos essen-
ciais. 
Para garantir esta objetividade, deve o cien-
tista social olhar o fato como se fosse um objeto, 
uma coisa. 
Esta postura neutra e apolítica do sociólo-
go, frente ao fato social; dá à análise do mesmo, 
a garantia de objetividade e qualidade necessá-
rias para resguardar o sucesso da avaliação de-
sejada. 
Segundo ele a consciência coletiva serve de 
regulador moral de uma sociedade. É evidente 
que a mesma representa a fonte de canalização 
das aspirações individuais. Portanto para pre-
servar a harmonia, a sociedade deve assegurar 
acima de tudo, a subordinação da consciência 
individual à consciência coletiva, que é o pon-
to alto de integração social. Por isso, a função 
primordial da punição é manter intacta a coesão 
social, mantendo toda a vitalidade da consciên-
cia comum. 
Durkheim, em seu livro A Divisão Social 
do Trabalho, analisou as relações entre os indi-
víduos e a coletividade, buscando as razões da 
solidariedade entre os mesmos em sociedade. 
Sua intenção, ao abordar A QUESTÃO DA SO-
LIDARIEDADE, era descobrir o que mantém 
unida a sociedade.
Para Durkheim, nas sociedades primitivas 
ou pré-capitalistas, os indivíduos ocupavam 
posições muitos gerais, realizavam uma ampla 
variedade de tarefas e mantinham um grande 
número de responsabilidades. As sociedades 
pré-capitalistas são caracterizadas pela SOLI-
DARIEDADE MECÂNICA, apresentando 
Durkheim assegura à consciência 
coletiva a responsabilidade pela 
organização social. 
O casamento é um fato social
Este esquema vai nos facilitar
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uma estrutura social indiferenciada, com pouca 
ou nenhumadivisão de trabalho. Uma socieda-
de caracterizada pela solidariedade mecânica 
mantém-se unidade em função da totalidade de 
seus membros terem aptidões e conhecimentos 
semelhantes, os mesmos sentimentos, valores, 
crenças, religião. A sociedade se mantém coesa 
por que os indivíduos ainda não se diferenciam 
(Ritzer, 1993:210; Aron, 1990: 297; Costa, 1987: 
55). 
As sociedades modernas são caracterizadas 
pela SOLIDARIEDADE ORGÂNICA, onde a 
união dos indivíduos ocorre em função das di-
ferentes tarefas e responsabilidades. Este tipo de 
sociedade apresenta especialização das funções. 
O consenso se realiza porque cada indivíduo, 
com sua função ou trabalho próprio, é igualmen-
te necessário para a sociedade. 
Conforme Ritzer (1993: 213), na sociedade 
moderna, uma família para sobreviver, necessi-
ta do trabalho do verdureiro, do padeiro, do me-
cânico, do professor, do agente policial. E estas 
A vida urbana nas cidades 
se mantém coesa em 
função da especialização 
do trabalho dos indivíduos 
e da necessidade que têm 
do trabalho um do outro. 
pessoas, por sua vez, necessitam do trabalho de 
outras pessoas. Portanto, para Durkheim, a socie-
dade se mantém coesa em função da especializa-
ção do trabalho dos indivíduos e da necessidade 
que tem do trabalho um do outro. 
Podemos afirmar também que, enquanto a 
solidariedade mecânica é a integração social ba-
seada nas semelhanças; a solidariedade orgânica 
é a integração realizada a partir da diferenciação 
entre indivíduos e grupos no interior da socie-
dade. 
Quando a divisão do trabalho é pouco de-
senvolvida e todos fazem de tudo, há uma ne-
cessidade menor de uns para com os outros, sa-
lientando-se aí, a importância e a necessidade da 
consciência coletiva. 
Segundo Durkheim, a consciência coletiva 
ajuda manter os indivíduos integrados, forman-
do a sociedade e vencendo assim, a tendência ao 
isolamento. 
Havendo o desenvolvimento da divisão do 
trabalho social, rompe-se a auto-suficiência dos 
grupos, dando lugar a uma relação de dependên-
cia mútua.
Enquanto a solidariedade mecânica é tanto 
mais forte quanto mais a consciência individual 
é recoberta pela consciência coletiva; a solidarie-
dade orgânica só se fortalece quando “cada um 
tem uma esfera de ação que lhe é própria” e pode, 
assim, afirmar sua individualidade. 
Importante é observar que a solidariedade 
orgânica de atinge seu auge nas sociedades mo-
dernas, tendo em vista quer estas favorecem as 
especializações dos indivíduos e grupos, inte-
grando-os numa cadeia de dependência mútua. 
Esta pode gerar uma relação de cooperação e so-
lidariedade entre os homens. 
A anomia
Os indivíduos se encontram em situação de 
anomia, quando carecem de um conceito claro 
sobre o que é uma conduta apropriada, aceitá-
vel; quando as regras, as normas, os valores de 
comportamento não estão claramente definidos. 
Ou seja, a anomia é a ausência de regras clara-
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mente definidas, que regulem o comportamento 
dos indivíduos em sociedade (MARTINS, 1991: 
48). O conceito de anomia se encontra na obra A 
divisão do trabalho social , mas também em O 
suicídio ( Durkheim, 2004:97;103-123). 
Durkheim considera a anomia como uma 
das principais causas do suicídio. O suicídio 
anômico se produz devido ao enfraquecimento 
da moral coletiva e da ausência de uma legis-
lação forte que regre as paixões causadas pela 
sociedade moderna. Sociedade esta tão cheia de 
carências e dificuldades e com uma moral nada 
rígida. 
Este tipo de suicídio aumenta quando as for-
ças reguladoras da sociedade deixam de atuar. 
Durkheim considera a anomia como uma 
das principais causas do suicídio. 
O suicídio anômico se produz devido ao en-
fraquecimento da moral coletiva e da ausência de 
uma legislação forte que regre as paixões causa-
das pela sociedade moderna.
Durkheim possuia uma visão otimista sobre 
o futuro da sociedade. Acreditava que o progres-
so desencadeado pelo capitalismo, levaria ao au-
mento generalizado da divisão do trabalho social 
e por conseqüência da solidariedade orgânica; a 
ponto de fazer com que a sociedade chegasse a 
um estágio sem conflitos. A sociedade é boa, di-
zia ele, sendo necessário apenas “curar as suas 
doenças”. 
Durkheim defendia a idéia que os pro-
blemas sociais não se resolveriam ja-
mais dentro de uma luta, e sim através 
da ciência.
 Compreendendo o funcionamento da so-
ciedade capitalista, observando cientificamente 
suas leis sociais, descobrindo as que são falhas 
e substituindo-as por outras mais eficientes, res-
peitando sempre a época e a situação vigente, 
seria possível estabelecer a HARMONIA SO-
CIAL. 
Durkheim acreditava que a causa dos pro-
blemas sociais, não se localizavam na economia; 
mas sim, no não cumprimento das leis, que ele 
chamava de crise moral. Quando a sociedade 
atingia um estágio de não cumprimento de suas 
leis, estava-se diante do que ele chamava de caso 
patológico. 
Nesta situação, deve a sociedade com ur-
gência, buscar auxilio na ciência (sociologia), 
detectando as causas que levaram a crise moral; 
a fim de evitar à anomia, que é “a ausência total 
de leis”, e buscar através da moral social a solu-
ção para resolver estes problemas, que tanto mal 
causava a sociedade. 
Durkheim colocava na “instituição Esta-
do”, um papel relevante, afirmava que o mesmo 
era considerado o cérebro e também o executor 
dessa nova moral, tanto que ele defendia a idéia 
de que o sociólogo deveria ter uma participação 
direta dentro do Estado, para facilitar e impulsio-
nar a realização das mudanças sociais necessá-
rias para atingir a solução dos problemas. 
Afirmava também que a sociedade moderna 
caracteriza-se pela redução da eficácia de deter-
minadas instituições integradoras, como a família 
e a religião, que tinham grande influência sobre 
a vida privada, e a profissão, que assume cada 
vez mais importância na vida social, tornando-
se a herdeira da família (QUINTANEIRO, 1991: 
19-20). 
Há remédios para problemas sociais?
Durkheim acreditava que estas “patologias” 
poderiam receber “remédios” através de reformas 
estruturais. A reforma estrutural que ele propôs 
para aliviar as patologias sociais foi o desenvol-
vimento das associações profissionais. Para so-
lucionar o problema de desintegração social, se-
ria necessário uma disciplina que só a sociedade 
poderia impor, através da organização de grupos 
profissionais que favoreçeriam a integração dos 
indivíduos na coletividade (Aron, 1990: 308). 
As corporações profissionais que Durkheim 
propunha, era superiores e diferente dos tipos de 
associações, como os sindicatos e associações de 
Durkheim considera a 
anomia como uma das 
principais causas do 
 suicídio.
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Revisão
Émile Durkheim – Teoria Funcionalista 
Objeto de Estudo: Fatos Sociais. 
Organização Social: somente é possível graças à consciência coletiva, que é a combinação 
das consciências individuais. 
Definição de Sociologia: - é a ciência que estuda as instituições, sua gênese e sua funcio-
nalidade; 
estudo do Fato Social, dos fenômenos regulares da sociedade, do que se repete, dos ele- ♦
mentos que garantam a coesão social – Sociologia do Consenso, da ordem social. 
Definição de Sociedade: um todo harmônico, composto de partes que tendem ao equilíbrio 
e a coesão, cada parte existe em função do todo. 
Objetividade do Cientista Social: 
Para dar objetividade aos “Fatos Sociais”, Durkheim estabelece como um dos princípios ♦
metodológicos básicos para a investigação sociológica, considerá-los como “coisas”; 
Os Fatos Sociais são coisas”, isto é, uma realidade objetiva e passível de ser observada;♦
Para Durkheim, uma explicação só seria científica, se o pesquisador mantivesse certa ♦
neutralidade e distância em relação aos Fatos Sociais, mantendo a objetividade de sua 
análise; 
Para obter objetividade na análise, o sociólogo deveria deixar suas pré-noções, isto é, ♦
seus valores e sentimentos pessoais, em relação aos acontecimentos a serem estudados. 
empresários, que, segundo ele, serviam apenas 
para diferenciar empregadores de empregados. 
 
Relações entre as classes sociais
Para Durkheim, não haviam conflitos de in-
teresses entre trabalhadores e proprietários. Nes-
ta questão, Durkheim tem uma postura comple-
tamente oposta à Marx, que defendia a existência 
de interesses antagônicos entre proprietários e 
trabalhadores, e também, a revolução. Foi consi-
derado um reformador, pois preocupava-se com 
melhorias para o funcionamento da sociedade; 
defendia a união dos trabalhadores e empresários 
por grupos, formando as associações profissio-
nais ou corporações. 
Defendia a criação destas corporações, com 
o objetivo de restaurar a moralidade coletiva que 
Para Durkheim a corporação 
é o único grupo social ca-
paz de favorecer a 
integração do indivíduo na 
coletividade. 
era uma constante nas sociedades complexas; e 
também, acreditava que dessa forma, seria possí-
vel corrigir certas patologias comuns na divisão 
social do trabalho. 
Durkheim nunca abandonou a convicção de 
que “a sociedade ocidental de seu tempo, atravessa-
va uma grande crise; e a causa desta crise centrava-
se na relação patológica da autoridade moral sobre 
a vida dos indivíduos” (DURKHEIM, 1984: 192).
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Teoria Materialista 
Científica: 
Karl Marx: Marx nasceu no dia 5 de maio de 1818, 
na Prússia. Seu pai era advogado, ambos (pai/ mãe) 
eram de classe média, descendiam de uma família de 
rabinos. Em 1841, doutorou-se em filosofia pela Uni-
versidade de Berlim. Em 1843, casou-se e mudou-se 
para Paris, onde estudou o socialismo francês e a eco-
nomia política inglesa. 
Sua obra e história 
Marx em Paris, num famoso café, co-nheceu Friedrich Engels (1820-1895), que seria seu amigo por toda a sua 
vida pessoal, acadêmica e intelectual. Engels, 
filho de um fabricante de tecidos, criticava as 
condições de vida da classe trabalhadora. Marx 
e Engels compartilhavam a mesma orientação te-
órica, o que lhes possibilitou produzirem juntos 
vários livros, artigos e a trabalharem unidos em 
organizações radicais. 
Embora defendessem a transformação radi-
cal da sociedade, que acabasse com a opressão, 
miséria, exploração das condições miseráveis em 
que viviam a classe trabalhadora, ambos Marx e 
Engels eram humanistas e sentiam-se profunda-
mente feridos pelo sofrimento destes.
Estes intelectuais também fazem parte do 
clássicos das Ciências Sociais. Esta concepção te-
órica elabora uma crítica radical ao sistema capita-
lista e a classe burguesa (capitalista/dominante). 
Karl Marx e 
Friederich 
Engels 
Friedrich Engels
A vida e obra de Karl Marx está ligada a de 
seu companheiro intelectual e amigo, Friedrich 
Engels, com quem escreveu “A Sagrada Famí-
lia”, “A ideologia Alemã” e o “Manifesto do 
Partido Comunista”, referências importantes 
na produção marxista. Após a morte de Marx, 
Engels tomou a si a tarefa de organizar, interpre-
tar e divulgar os manuscritos deixados por Marx, 
por ocasião de sua morte. 
A teoria Materialista-histórica-dialética 
foi escrita por Karl Marx (1818-1883) e Friedri-
ch Engels (1820-1903). É uma teoria, um método 
de análise da sociedade, que parte da realidade 
concreta (sociedade dividida em duas classes so-
ciais, antagônicas: trabalhadores X capitalistas) 
e, da perspectiva da classe trabalhadora (classe 
que vende sua força de trabalho para garantir 
a sobrevivência).
 Para Marx, a busca da verdade (razão de ser 
da ciência), é sempre verdade para uma ou ou-
Friedrich Engels
Nasceu em 28 de 
novembro de 1820 e 
morreu em 5 de agosto 
de 1895.
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tra classe social. O capitalismo na Europa, nesta 
época, apresentava crises e conflitos. A explora-
ção dos trabalhadores e a conseqüente miséria 
em que viviam, levou-os a organizarem-se e a 
utilizar a greve como instrumento de luta. 
Como já vimos anteriormente que para os 
FUNCIONALISTAS a grave crise econômica 
que ocorria na Europa era atribuída à crise mo-
ral pela qual a sociedade européia passava. Esta 
crise era entendida como um descompasso entre 
a velocidade das transformações geradas pela in-
dustrialização e as regras, normas, leis que de-
viam pautar o comportamento dos indivíduos. 
As regras, leis que deviam reger as relações so-
ciais estabelecidas entre os homens, não acompa-
nhavam as mudanças ocorridas no setor econô-
mico, gerando um situação de anomia (ausência 
de regras claras e definidas, que servissem para 
orientar o comportamento dos indivíduos em so-
ciedade). 
Agora vamos ver que para MARX E EN-
GELS a razão das crises sociais não são as mes-
mas dos funcionalistas...
Os pressupostos básicos
da teoria Marxista
O determinismo econômico de Marx e 
Engels
Para Marx/Engels a crise tinha origem eco-
nômica. Localizava-se na forma de organizar 
a produção, que irradiava para todas as outras 
esferas (sociais, políticas, culturais) da socieda-
de, um sistema injusto, alienante, onde os indi-
víduos que produziam as mercadorias, riquezas 
desta sociedade eram impedidos de se apropriar 
do que produziam (trabalhadores). E os indiví-
duos (classe capitalista), proprietários dos meios 
de produção que não produziam as mercadorias, 
destas se apropriavam. 
Segundo eles, para resolver a crise que a Eu-
ropa experimentava, seria necessário proceder 
modificações nas formas da propriedade privada 
e na distribuição da riqueza. 
A concepção teórica marxista contribuiu de 
forma grandiosa para o desenvolvimento da ciên-
cia; e mostrou um caminho possível, para a trans-
formação política, econômica e social do sistema 
capitalista, que seria comandada pela classe tra-
balhadora. 
Segundo Marx, para compreendermos como 
funciona e se organiza uma sociedade, é necessá-
rio partirmos da base que sustenta a mesma. Ora, 
uma sociedade, para existir, compõe-se de indi-
víduos que estabelecem relações e que produzem 
mercadorias necessárias à sua existência. 
Para os homens produzirem mercadorias, 
são necessários objetos de trabalho e instru-
mentos de trabalho. Marx define como objetos 
de trabalho as matérias primas (árvores, manga-
nês, cobre) que extraímos da natureza. Ao irmos 
à natureza, extrair as matérias primas, necessi-
tamos de determinados instrumentos de trabalho 
que são: as ferramentas (serra, pá, enxada) e má-
quinas (moto-serra, retro-escavadeira). 
Os objetos mais os instrumentos de tra-
balho são denominados de meios de produção. 
Mas instrumentos e objetos de trabalho não se 
colocam em movimento autonomamente. É ne-
cessário o trabalho humano, ou seja, a força de 
trabalho do homem. Estes três elementos, são as 
condições naturais e históricas, da atividade pro-
dutiva organizada pelos homens, em todos tipos 
de sociedade já existentes. Os objetos de traba-
lho mais os instrumentos de trabalho, somados 
a força de trabalho do homem, são chamadas de 
Forças Produtivas. 
Os indivíduos, ao organizarem-se para pro-
duzir as mercadorias necessárias à sua existên-
cia, estabelecem determinadas relações sociais. 
Para Marx neste tipo de sociedade (capitalista) os 
homens não são iguais. Na base da sociedade, os ho-
mens se apresentam para produzir mercadorias e aqui 
se evidenciam suas diferenças: uns são proprietários 
(classe capitalista) e outros não,tendo nada de seu 
(classe trabalhadora), vendem sua força de trabalho. 
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Estas relações sociais determinam a forma como 
os homens se apropriam e distribuem: as merca-
dorias, os meios de produção, e a própria força 
de trabalho do homem. 
Na sociedade capitalista, os meios de produ-
ção são propriedade dos capitalistas. Para estes, 
produzirem as mercadorias que irão vender no 
mercado, necessitam contratar a força de tra-
balho dos trabalhadores. Os trabalhadores não 
sendo proprietários, e necessitando de mercado-
rias para sua sobrevivência, vendem sua força de 
trabalho para o capitalista. Estas são resumida-
mente, as relações sociais, que os homens esta-
belecem na sociedade capitalista, para produzir 
mercadorias. Os indivíduos que produzem, não 
são proprietários, não se apropriam das mer-
cadorias que produzem, não possuem riquezas 
(casa própria, automóvel, educação, saúde). 
Neste tipo de sociedade (capitalista) os 
homens não são iguais. Na base da socieda-
de, os homens se apresentam para produzir 
mercadorias e aqui se evidenciam suas dife-
renças: uns são proprietários (classe capita-
lista) e outros não tendo nada de seu (classe 
trabalhadora), vendem sua força de trabalho. 
A infra-estrutura e a super-estrutura
Marx chama de infra-estrutura a base eco-
nômica que são os alicerces da sociedade, as re-
lações sociais que os homens estabelecem para 
produzir as mercadorias necessárias à sua exis-
tência. Essa relação desigual entre os homens na 
sociedade capitalista reflete-se na super-estrutu-
ra (base jurídica, política, filosófica).
 A super-estrutura são os modos de agir, 
pensar, sentir dos indivíduos na sociedade que 
são reflexo e determinados pela posição que ocu-
pam na base econômica (ser ou não proprietá-
rio ou trabalhador). Ou seja, as leis, a educação, 
acesso à saúde, os direitos do cidadão, os valores 
sociais vão refletir as relações sociais que os ho-
mens estabelecem para produzir as mercadorias 
necessárias a sua existência. Ora, no modo de 
produção capitalista, os indivíduos pertencem à 
duas classes sociais distintas: classe trabalhadora 
ou classe capitalista. 
Esta relação desigual na base econômica 
(infra-estrutura) irá se refletir nas leis, no acesso 
à saúde, à educação, à moradia, nos transportes, 
nos direitos e deveres do cidadão. Ou seja, 
Sabemos que não! Para Marx, as desigual-
 O tipo de escola, moradia, 
saúde, partidos políticos, dos tra-
balhadores são os mesmos dos ca-
pitalistas? 
 As leis que deveriam ser 
iguais para todos - princípio da 
democracia - são aplicadas igual-
mente ao infratores, tanto da clas-
se trabalhadora como da classe 
capitalista? 
Para MARX os objetos mais 
os instrumentos de trabalho 
são denominados de meios 
de produção. Os meios de 
produção são propriedade 
dos capitalistas.
dades sociais são as bases da formação das clas-
ses sociais no sistema capitalista. Este sistema 
gera a alienação, exploração e a opressão dos 
trabalhadores. 
A alienação
A alienação econômica
A alienação econômica para Marx significa 
que no sistema capitalista, o trabalhador encon-
tra-se alienado (separado) das mercadorias que 
ele próprio produz. A alienação está presente, 
também, na trajetória social que as mercadorias 
percorrem. Na produção, as relações se estabe-
lecem entre materiais e máquinas. O produto do 
trabalho (as mercadorias) é múltiplo, impessoal, 
seriado. A marca do humano, o jeito e o traço do 
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trabalhador que caracterizariam sua individuali-
dade, inexistem nas mercadorias que produz. A 
percepção da exclusão da marca humana, no pro-
cesso de produção, é uma questão central na obra 
de Marx e no seu estudo da economia burguesa. 
As máquinas que revolucionaram a produ-
ção de mercadorias (Revolução Industrial) esta-
beleceram a separação entre o trabalhador e o 
resultado de seu trabalho. O processo de pro-
dução de mercadorias, no sistema Capitalista, re-
tirou a dimensão humana do que é produzido. Na 
esfera da produção, o humano se ausenta, é onde 
o trabalhador encontra-se alienado (SEPARA-
DO). Pois são os trabalhadores que se adaptam 
às máquinas, as quais recebem indiferentemente 
qualquer trabalhador, que acompanha o ritmo das 
mesmas. O controle do produto final não está ao 
alcance de nenhum trabalhador; mas, na organi-
zação dos meios de produção e no capital, que 
pertencem à classe capitalista. 
Esta separação do trabalhador das mercado-
rias que produz, chama-se alienação econômica.
satisfazer as suas necessidades. Ao fazer isto, o 
homem adquire novos conhecimentos e se orga-
niza socialmente. Esta organização em grupos é 
necessária; pois sem ela, o homem não consegui-
ria realizar essa adaptação (transformar a nature-
za em objetos/mercadorias que necessitam para 
sobreviver). 
O trabalhador, ao produzir mercadorias, 
exterioriza sua subjetividade na matéria 
(objeto) que transforma. Este objeto (merca-
doria) transformado pela mão do trabalhador 
torna-se “humanizado”, porque contém a es-
sência genérica do ser humano (realização de 
um projeto). Quando um outro homem (capita-
lista) separa o trabalhador dos (objetos ) mer-
cadorias que ele produziu, este outro HOMEM 
(capitalista) alienou, separou o trabalhador 
daquilo que ele criou, ou seja, de si mesmo. 
A Alienação Política
A alienação política refere-se a fragmenta-
ção e a falsa representação política do trabalha-
dor, do cidadão, criada na sociedade. Para Marx, 
na sociedade capitalista, criou-se uma falsa idéia 
do princípio de representatividade. A burguesia 
criou uma falsa idéia, sobre o Estado, de ser 
um órgão político imparcial, capaz de represen-
tar toda a sociedade através do poder delegado 
pelos indivíduos. Para Marx, o Estado é o co-
mitê executivo da burguesia; serve para gerir os 
planos econômicos da mesma. A idéia de repre-
sentatividade é falsa porque, na realidade, não 
representa todos os cidadãos (trabalhadores e 
burguesia), e sim somente a classe capitalista. 
Essa falsa representatividade apresenta-se 
também na forma de dominação da classe bur-
guesa sobre a trabalhadora. Significa que a classe 
capitalista, através do poder econômico, conse-
gue exercer seu poder sobre os trabalhadores, 
pois estes precisam vender sua força de trabalho 
para comprar as mercadorias que necessitam 
para sobreviver. São obrigados a vender sua força 
de trabalho, pelo valor que a burguesia organi-
zadamente determina. Exemplo: salário mínimo 
é nacionalmente determinado, com pequenas va-
riações entre os Estados brasileiros. 
Por outro lado, se os trabalhadores resolve-
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Cena do filme TEMPOS MODERNOS de Charles 
Chaplin. Este filme faz uma análise e uma crítica à 
sociedade moderna, industrial, capitalista.
A Alienação Filosófica
A Alienação filosófica refere-se ao traba-
lhador ser separado da mercadoria que ele mes-
mo produz; portanto, passa a ser fragmentado e 
produz-se uma falsa generalidade sobre sua hu-
manidade e a sociedade: o Homem, o Cidadão, 
o trabalhador. De acordo com Marx, o homem, 
quando transforma a natureza em objetos (mer-
cadorias), procura adaptar estes objetos para 
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rem organizar-se politicamente, para fazer suas 
exigências através das greves, serão reprimidos 
pela força através dos aparelhos repressivos do 
Estado: a polícia e o exército. O Estado existe 
para defender os interesses de todos os cidadãos. 
Mas na sociedade capitalista, o Estado defendea propriedade privada e a integridade física/mo-
ral apenas da classe burguesa, escreveu Marx. A 
burguesia organiza-se, internacionalmente, para 
defender seus interesses. Mas os trabalhadores 
são proibidos de reunirem-se, até no pátio da 
fábrica, no horário de descanso. Dessa forma, a 
classe capitalista exerce sua dominação política 
sobre os trabalhadores. 
Marx observou que os ideais da Revolução 
Francesa, igualdade política e jurídica, direitos 
inalienáveis de todo cidadão, são incompatíveis 
na sociedade capitalista. Pois as relações estabe-
lecidas entre homens, por pertencerem às classes 
sociais distintas, são de exploração, antagonismo 
e complementaridade. 
A posse dos meios de produção, propriedade 
legal e privada da burguesia, leva os trabalhado-
res a venderem sua força de trabalho ao capitalis-
ta, para sobreviverem. Os capitalistas, de posse 
dos meios de produção, determinam o valor do 
trabalho e das mercadorias. Os trabalhadores se 
vêem obrigados a vender sua força de trabalho 
pelo preço que os capitalistas pagam. É, portan-
to, uma relação de exploração. 
A burguesia domina culturalmente, tam-
bém, a classe trabalhadora através dos meios de 
comunicação. Como detém o poder econômico, 
consegue influenciar o que e como serão divul-
gadas as informações. Selecionando programas, 
horários, através dos quais passam seus valores, 
crenças, gostos, planos econômicos para a classe 
trabalhadora. 
Relações entre as 
classes sociais
As relações entre as classes sociais são, 
também, antagônicas, porque seus interesses são 
opostos.
 Enquanto a burguesia deseja manter a posse 
privada dos meios de produção, aumentar a jor-
nada de trabalho e diminuir os salários, a classe 
trabalhadora busca diminuir a jornada de traba-
lho, participação nos lucros e melhores salários. 
Por último, existe uma relação de comple-
mentaridade entre as classes sociais, uma só 
existe em relação à outra. Os trabalhadores ven-
dem sua força de trabalho porque precisam so-
breviver, e a outra classe se apropriou dos meios 
de produção. A burguesia detém a posse dos 
meios produção, porque existe a classe trabalha-
dora destituída da posse dos mesmos; caso con-
trário, a burguesia não teria mão-de-obra para 
desenvolver seus negócios. 
Quais são os caminhos, meios que 
Marx apresenta para transformar 
a sociedade?
A Práxis Política
Segundo Marx, para a classe trabalhadora 
romper sua dominação/alienação e recuperar sua 
condição humana, precisa se organizar politica-
mente, elaborar uma crítica radical ao sistema 
econômico e filosófico, que os excluíram da par-
ticipação efetiva na sociedade.
 Esta crítica só se realiza na prática através 
de uma ação política consciente e transformado-
ra; Marx chama de práxis.
Isto quer dizer que não basta apenas criticar 
o sistema capitalista; é necessário apontar cami-
nhos e assumi-los concretamente através da par-
ticipação política consciente. 
Essa participação política consciente seria 
possível na medida em que a classe trabalhadora 
conhecesse a realidade. Segundo Marx, para a reali-
Dominação 
cultural
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dade ser apreendida em toda sua complexidade, seria 
necessário conhecê-la, através do método dialético. 
O método dialético
Marx parte da dialética hegeliana, que afir-
ma a contradição, o conflito como a essência da 
realidade, a qual se supera num processo inces-
sante de negação, conservação e síntese. 
Aplicada aos fenômenos historicamente pro-
duzidos, a dialética aponta as contradições cons-
titutivas da vida social que resultam na negação 
de uma determinada ordem. Marx inverte total-
mente o método hegeliano. 
Segundo Marx, reconhecer o movimento 
dialético não é suficiente. É necessário, subme-
ter o fenômeno social à crítica, para suas poten-
cialidades serem reveladas e atualizadas de outra 
Revisão
Teoria Marxista: Karl Marx e Friedrich Engels 
Objeto de Estudo: - Relações de Classe ou - Relações Sociais de Produção.
Organização Social: depende da dinâmica das relações de classe, que possuem interesses 
diferentes e conflitantes, é um sistema em equilíbrio necessariamente precário.
Definição de Sociologia: ciência que estuda as relações sociais e os fatores que contri-
buem para a transformação social – Sociologia do Conflito – da mudança social.
Definição de Sociedade: um todo que se ergue a partir do modo de se produzir a vida 
material, composto por classes que tendem ao conflito e que está em constante transfor-
mação.
Objetividade do Cientista Social:
Para Marx, a ciência não dependia da objetividade, mas de uma consciência crítica; •	
ao invés de sugerir soluções para uma sociedade em conflito, propunha um caminho 
prático de ação política e um objetivo a ser atingido: a transformação social;
Para Marx , a objetividade científica não está vinculada à análises elaboradas •	
acima das classes sociais; pois, a busca da verdade, é verdade sempre para uma 
classe social;
Nega que o sociólogo ou cientistas, possam ser politicamente neutros; os que se ale-•	
gam “neutros” são porta-vozes da ideologia burguesa ou estão fazendo seu jogo;
Aqueles que se dizem “neutros” estão defendendo o “Status Quo” vigente; ou seja, •	
a sociedade com seu poder constituído. 
forma mais evoluída. 
Para Marx a sociedade é resultado da ação 
humana, por isso, é possível transformá-la. 
A transformação da sociedade se daria atra-
vés da atividade revolucionária ou crítico-prática. 
Essa crítica da sociedade capitalista seria realiza-
da pelos trabalhadores (através da práxis); única 
classe capaz de promover a superação dessa for-
ma histórica de sociedade, ou seja, acabar com a 
exploração do homem pelo homem. Para ocorrer 
essa transformação é necessário partir dos in-
divíduos reais, de sua ação e de suas condições 
materiais de existência. A relação entre as con-
dições materiais de existência dos indivíduos e 
suas forma de pensar, agir e sentir, é o que Marx 
chamou de materialismo histórico. O pensamen-
to e a consciência são, em última instância, resul-
tado do modo como se organizam para produzir 
as mercadorias necessárias à sua sobrevivência. 
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Sua obra e história
Sua carreira acadêmica foi muito bem su-cedida. Formou-se em direito e econo-mia, nas universidades de Berlim e de 
Heidelberg, respectivamente. Profissionalmente, 
destacou-se como professor nas universidades 
de Berlim (1893), Heidelberg (1897), Munique 
(1919); e como professor visitante lecionou em 
Viena (1917). 
A partir deste texto, passaremos a conhecer 
a história de um homem que marcou seu espaço 
na galeria de pensadores clássicos.
Nascido em Erfurt, a 21 de abril de 1864, 
Max Weber apresenta-se como um dos sociólo-
gos e economistas políticos mais importantes da 
Alemanha, nos séculos dezenove e vinte. Weber 
era de uma família que possuía uma situação eco-
nômica bastante favorável na época. Tinha um 
carinho muito especial por sua mãe (calvinista 
devota), e não se relacionava muito bem com o 
seu pai (que se entregava aos prazeres munda-
nos). 
Weber, no auge de sua carreira, foi acome-
tido por uma doença de fundo nervoso, que 
obrigou-o a um afastamento pelo período de sete 
anos. Ao retornar conseguiu dar continuidade 
ao seu trabalho. Foi um estudioso extremamente 
preocupado em apresentar um trabalho com qua-
lidade ímpar, caracterizando-se pelo rigor cientí-
fico de suas análises e pela riqueza de detalhes. 
Weber, embora fosse um homem preocupado 
com o seu tempo e com a questão social, jamais 
ocupou cargos políticos. Ao lado de Sombart, 
dirigiu o Arquivo de Ciência Política e Social, 
revista de grande destaque. 
Apesar de tercomo pressupostos filosóficos 
o racionalismo e o idealismo, preocupava-se com 
o perigo da racionalização total que o mundo se 
dirigia. 
Buscava incessantemente chamar a atenção 
para o grande perigo da Burocracia e com isso 
buscava caminhos para que o homem se liber-
tasse.
Weber discordava das idéias de Marx sobre 
o determinismo econômico. Defendia a existên-
cia de outros fatores como a ética, a religião, as 
crenças, influenciando e determinando, de ma-
neira contundente, o desenvolvimento social, 
político e econômico da sociedade. Acreditava 
que os valores introjetados pela religião, cultura 
refletiam de maneira muito forte e real na prática 
dos indivíduos. 
Religião e capitalismo
Em sua obra A Ética Protestante e o Es-
pírito do Capitalismo, estudo científico que 
realizou sobre a influência da religião no com-
portamento do indivíduo, constatou que um dos 
fatores que contribuíram para o desenvolvimento 
do capitalismo na Alemanha, foi a religião. 
Seu estudo demonstra, claramente, que nos 
países com religião protestante o capitalismo é 
desenvolvido e nos países com religião católica 
há um desenvolvimento mais lento. Constatou 
também que a maioria dos empresários alemães 
bem sucedidos e a mão de obra qualificada eram 
de homens, cuja religião era protestante. 
Este desenvolvimento mais lento dos países 
A Teoria Compreensiva de Max 
Weber 
Max Weber. Sua 
obra e sua vida foi de 
tal importância, que 
ultrapassou seu tem-
po e ele tornou-se 
um clássico, chegan-
do suas idéias com 
muita consistência, 
até os dias atuais. 
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católicos Weber atribuía à atitude mais contem-
plativa dos católicos. Evidentemente que esta 
diferença não resulta apenas deste fator, mas o 
mesmo teve uma grande influência no desenvol-
vimento do capitalismo na Alemanha.
Os alemães protestantes viviam para o traba-
lho, eram disciplinados, não gastavam com frivo-
lidades; ao contrário, poupavam e (re)investiam 
seus salários , lucros na atividade produtiva, pois 
assim, gerava-se mais emprego, mais trabalho e 
outros protestantes podiam servir a Deus. Neste 
sentido, o comportamento econômico dos ale-
mães protestantes era determinado por sua ética 
religiosa. 
Weber elaborou sua obra no momento em 
que a Alemanha se desenvolvia rapidamente. 
Mas este crescimento era tardio, pois a industria-
lização da Alemanha ocorreu muito depois dos 
processos ocorridos na Inglaterra e na França. 
(Martins, 1994: 64). 
Segundo Martins (1994, p. 63) outro fato 
peculiar, referente ao desenvolvimento do capita-
lismo na Alemanha, é o fato da burguesia deter o 
poder econômico, mas não o poder político. Este 
era exercido pela nobreza, através do Estado; per-
mitindo a burocracia (funcionários prussianos) 
impor a toda a sociedade suas opções políticas, 
exercendo verdadeiro despotismo. Neste contex-
to, Weber afirmava que sua preocupação não 
era a “Ditadura do Proletariado” (referindo-
se a Marx) e sim, a “Ditadura do Funcioná-
rio” (burocracia).
O papel da sociologia 
Weber, ao desenvolver suas idéias, buscou 
compreender as formas de interação entre o indi-
víduo e meio social. A sociologia, segundo ele, 
deveria investigar o indivíduo e sua ação; ou seja, 
compreender o motivo da ação dos indivídu-
os. 
Compreender a ação humana, para Weber, é 
captar seu sentido subjetivo. Portanto, compre-
ensão não é um processo exclusivo do conheci-
mento científico.
Para Weber, as pessoas passam boa parte do 
seu cotidiano tentando, com maior ou menor su-
cesso, compreender as ações de outras pessoas, 
embora nem sempre percebam que fazem isso. 
Weber apresenta dois tipos de compreensão: 
a atual e a explicativa. 
A compreensão atual é a captação de senti-
do, que decorre diretamente do curso observável 
da ação. Por exemplo: quando chegamos em casa, 
ao meio-dia, e encontramos nossa mãe mexendo 
com panelas no fogão, como faz todos os dias, o 
sentido da ação nos é evidente: ela está fazendo 
o almoço. 
 Na compreensão de explicativa se dá quan-
do se chegamos em casa, como todos os dias e, 
em vez de estar na cozinha, ela está no quarto 
arrumando as malas, não nos detemos no sentido 
aparente da ação, mas apelamos para seus mo-
tivos subjacentes: pode ser que vai visitar uma 
irmã; pode ser que alguém esteja doente; vai pas-
sear ou que brigou com nosso pai e vai embora. 
Weber chama este tipo de compreensão de expli-
cativa. 
Nos dois casos, uma ação é considerada 
como compreendida quando seu sentido parece 
evidente para quem o investiga. Assim, compre-
ender é captar a evidência do sentido da ação, 
independente de qualquer investigação científica. 
Weber aponta que há graus de compreensão das 
evidências. O grau máximo de evidência de sen-
tido de uma ação, segundo ele, é aquela obtida 
pela razão. ( Weber, 1982). 
Weber, ao investigar 
a Ética Protestante, des-
cobriu que para os pro-
testantes a vocação e o 
dever com o trabalho 
era a forma de servir a 
Deus aqui na terra. 
Fonte 11: Wikipedia 
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O Objeto de estudo de 
Weber
Para Weber, o objeto de estudo da sociologia 
é ação social. Ou seja, conduta humana dotada 
de sentido.
 Segundo Weber, “cada sujeito age levado 
por um motivo que é orientado pela tradição, por 
interesses racionais ou pela emotividade”, neste 
sentido, “(...)as normas sociais só se tornam con-
cretas quando se manifestam em cada indivíduo 
sob a forma de motivação” (1982, p. 26-7). 
Segundo Weber, nossas ações se orientam 
pela conduta alheia, ou seja, cada indivíduo age 
levando em conta a resposta ou reação dos outros 
indivíduos. E diz que, nossas ações estão deli-
mitadas, mais ou menos, dentro de quatro cate-
gorias de ação social , por seu sentido subjetivo, 
implícito ou explícito na nossa conduta. 
Tipologia geral da ação 
social
Weber constrói conceitos sociológicos bási-
cos, a partir de uma tipologia geral da ação so-
cial, que são: 
A AÇÃO RACIONAL COM RELA- 1. 
ÇÃO A FINS – é toda ação racional, 
em que o indivíduo avalia os “fins e 
meios” necessários para alcançar seus 
objetivos; racionalmente avaliados e 
perseguidos. 
A AÇÃO RACIONAL COM RELA- 2. 
ÇÃO A VALORES – quando os indi-
víduos agem determinados pela crença 
num valor – ético, estético ou religioso 
– próprio e absoluto de determinada 
conduta; agindo de acordo com ou a 
serviço de suas próprias convicções. 
Não leva em conta as conseqüências 
É preciso compreender o que moti-
va os indivíduos a se submeterem às 
leis, às regras, às normas sociais. 
Ou dito de outra forma, Weber sa-
lienta a necessidade de se compre-
enderem as intenções e motivações 
dos indivíduos que vivenciam estas 
situações sociais. Lembrem-se que 
a ação social explica, segundo 
Weber, o que torna possível a or-
ganização social dos homens, defi-
nindo, assim o objeto de estudo da 
Sociologia Weberiana.
A ação social ocorre quando um indivíduo age em 
relação a outro indivíduo, tem um motivo ou intenção; 
independente da ação ou reação que ele (o outro indi-
víduo) possa ter. 
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Para o autor, o objetivo que transparece na 
ação social permite desvendar o seu “sentido”, 
que é social na medida em que cada indivíduo 
age levando em conta a resposta ou reação do(s) 
outro(s) indivíduo(s). 
O essencial a fixar é que, de acordo com 
Weber, é social a ação cujo sentido possui um 
significado atribuído pelos indivíduos e é orien-
tada pelas ações de outros indivíduos. 
A ação social ocorre, por exemplo: quando 
pergunto às horas para alguém; quando ao cami-
nhar esbarro em alguém e peço desculpas; um 
aperto de mão, são exemplos de ação social, se-
gundo Weber. 
Em todasessas ações há um indivíduo agindo 
em relação a outro indivíduo; sua ação tem um sen-
tido, motivo (perguntar as horas, pedir desculpas, 
apresentar-se à alguém) e refere-se a outra pessoa 
(pode ser também outras pessoas), independente da 
ação ou reação (responder e dar ou não as horas; 
não ou desculpar; ignorar ou cumprimentar). São 
os aspectos subjetivos e simbólicos das relações so-
ciais que cabe ao sociólogo investigar. 
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de sua ação, mas exclusivamente sua 
fidelidade aos valores inspiradores de 
sua conduta, tais como: justiça, honra, 
honestidade, fidelidade, beleza. 
A ação racional com relação a valores: 
O indivíduo age cumprindo um dever, 
um imperativo ou exigência ditado pela 
sua dignidade, suas crenças religiosas, 
políticas, morais ou estéticas. 
A ação racional com relação a valores 
se dá por exemplo: pessoas que por 
convicções religiosas não permitem 
transfusão de sangue, mesmo correndo 
risco de vida; mulheres que engravidam 
como resultado de um estupro e não re-
alizam o aborto por convicções morais 
ou religiosas; pessoas que preferem 
perder o emprego à trair um colega ou 
chefe por questões éticas; mulheres que 
se submetem a uma alimentação frugal 
por questões estéticas. 
AÇÃO AFETIVA 3. – especialmente 
emotiva, determinada por afetos e esta-
dos sentimentais. 
É a ação social que, muitas vezes, cor-
responde à expressão imediata e irre-
fletida de emoções fortes, tais como: 
raiva, desespero, orgulho, medo, ciú-
me, inveja, paixão. Não leva em con-
sideração as conseqüencias previsíveis 
da sua ação irrefletida. Exemplo: uma 
cena de ciúme; a compra do carro ou 
roupa que comprometa o orçamento 
do mês; medo de baratas.
AÇÃO TRADICIONAL 4. - é determi-
nada por um hábito arraigado.
Quando hábitos e costumes arraigados 
leva o sujeito a agir em função deles, 
como sempre se fez. Por exemplo: in-
divíduos que ao passar na frente de 
uma igreja ou cemitério imediatamen-
te fazem o sinal da cruz. 
Weber, ao construir a tipologia da ação 
social, chama a atenção para a diferen-
ça entre ação e conduta puramente 
reativa, ou seja, comportamento auto-
mático que implica um processo não 
pensado. Tal comportamento não é do 
interesse do sociólogo. 
AÇÃO TRADICIONAL: batizado de crian-
ças na igreja católica em que os pais e a famí-
lia são pouco comprometidos com a religião.
A ação racional com relação a fins: 
Segundo Weber, esta relação é a que geral-
mente proporciona ao pesquisador o grau 
máximo de evidência interpretativa. Exem-
plo: estudar para passar no vestibular; pou-
par para comprar um apartamento.
A ação racional com relação a valores: O 
indivíduo age cumprindo um dever, um impera-
tivo ou exigência ditado pela sua dignidade, suas 
crenças religiosas, políticas, morais ou estéticas.
Ação afetiva determinada por efeitos e 
sentimentos. É a ação social que, muitas vezes, 
corresponde à expressão imediata e irrefletida 
de emoções fortes, tais como raiva, desespero, 
orgulho, medo, ciúme, inveja, paixão.
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Para a teoria Weberiana, 
interessa ao sociólogo o 
que os indivíduos fazem e 
por que fazem, seus motivos 
subjetivos. 
Por exemplo: os indivíduos que participam 
de um quebra-quebra após uma partida de fu-
tebol; ou abrir um guarda-sol para se proteger 
do sol. Essas ações são chamadas de reativas 
por que, no primeiro caso, os indivíduos agiram 
condicionados pelos outros (“pela massa”); no 
segundo caso, o indivíduo age em relação a um 
objeto material (sol), não em relação à outra pes-
soa. Portanto, são ações desprovidas de intenção; 
de um sentido ou motivo de um indivíduo, em re-
lação a outro(s) indivíduo(s), sem caráter social. 
Outro tipo de ação com sentido, que ocorre 
em sociedade, a qual Weber conceituou, é a rela-
ção social. Para que esta seja estabelecida, é pre-
ciso que os indivíduos compartilhem o sentido, 
motivo da ação. Por exemplo: a amizade é uma 
relação social, por que os indivíduos comparti-
lham o conteúdo ou sentido da ação, orientando 
e regulamentando a ação de cada indivíduo. Se 
não compartilho o conteúdo (valores que envol-
vem uma amizade) não estabeleço uma relação 
social. 
O tipo ideal
Ao estabelecer uma tipologia da ação social, 
Weber construiu um instrumento de análise, o 
qual viria chamar de tipo ideal. 
Ele defendia que era responsabilidade do 
sociólogo, criar instrumentos conceituais que 
pudessem ser utilizados e que fossem de grande 
ajuda para a investigação empírica e para se en-
tender o mundo social. 
O tipo ideal são hipóteses de interpretação, 
que devem ser confirmadas ou não, pela infe-
rência causal ou pela observação estatística. Os 
tipos ideais construídos devem ser considerados 
um instrumento limitado e provisório, pois é 
uma construção abstrata, intelectual, os tipos so-
ciológicos só existem no plano das idéias (ideal) 
e não na realidade. 
O sociólogo, ao construir o tipo ideal, sele-
ciona os aspectos da ação humana, que considera 
culturalmente relevantes para o estudo, e o faz de 
acordo com seus próprios valores. Mas após de-
terminar que aspectos da realidade deseja inves-
tigar, cabe ao cientista social buscar dar consis-
tência lógica a esses aspectos, relacionando-os 
com uma precisão que não se observa na reali-
dade. Embora ao analisar a realidade, o cientista 
social dará uma explicação parcial, qualquer que 
seja a perspectiva por ele adotada. Pois, defendia 
Weber, um fenômeno social pode ter causas eco-
nômicas, políticas, culturais, religiosas. 
Costa, em seu livro de Sociologia (1993), ao 
descrever a tarefa do cientista, a partir de Weber; 
escreve: 
“(...)O que a garante a cientificidade de 
uma explicação é o método da reflexão, 
não a objetividade pura dos fatos. Weber 
relembra (...) que, embora os aconteci-
mentos sociais possam ser quantificáveis, 
a análise do social envolve sempre uma 
questão de qualidade, interpretação, sub-
jetividade e compreensão”(1993, p.64). 
Indagava-se sobre a possibilidade de se 
isolar a interferência dos valores subjetivos, 
no estudo científico dos fenômenos sociais. 
Um fenômeno social pode 
ter causas econômicas, 
políticas, culturais, 
religiosas. 
 
Weber ao defender estás idéias, em relação 
a objetividade da ciência, utiliza-ás como um re-
curso na luta pela liberdade intelectual e auto-
nomia da sociologia; em face da burocracia e do 
Estado Alemão da época. 
Pretendia oferecer as pesquisas desenvolvi-
das, pelos cientistas sociais, tanto as instituições 
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públicas como privadas (Martins,1994, p. 62). 
Outro tema de sua obra, que buscou respon-
der, refere-se ao que torna possível a permanên-
cia ou continuidade das relações sociais. Segun-
do ele, é a crença dos indivíduos no poder e numa 
ordem legítima. 
Para Weber, a sociedade não se apresenta 
como um todo organizado, mas como um palco 
onde há “uma luta incessante, entre indivíduos 
orientados por valores distintos e equivalentes, 
cuja coesão ocorre em situações sempre cam-
biantes de interesses e dominação”. (Weber, 
1982,p.127). 
Weber definia a dominação como a probabi-
lidade de encontrar obediência dentro de um gru-
po determinado de mandatos específicos . Esta 
dominação, pode dar-se em bases legítimas ou 
ilegítimas. As formas legítimas de dominação, 
constituem a autoridade, que se legitima diantedos seguidores; explicando sua obediência. 
Uma tipologia dos três 
tipos e dominação
Ao analisar as formas de dominação social, 
Weber, criou uma tipologia dos três tipos de do-
minação legitima: a legal, a tradicional e a caris-
mática.
A DOMINAÇÃO LEGAL 1. - represen-
tada pelo direito, o qual significa um 
conjunto de normas e regras de caráter 
normativo, estas garantem ao cidadão 
uma certa proteção dos interesses so-
ciais. É a autoridade legitimada sobre 
fundamentos racionais, apóia-se na 
crença da legalidade das ordens insti-
tuídas, em estatutos, contratos, decre-
tos, leis. Por exemplo: a burocracia, é 
o tipo mais puro, do exercício da auto-
ridade legal sobre os seres humanos. 
Na burocracia, deve-se fidelidade e 
obediência as normas promulgadas e ao 
chefe que atua em nome dessas normas. 
Entende Weber, que 
uma sociedade quanto 
mais burocratizada, 
mais será facilmente 
dominada. 
A DOMINAÇÃO TRADICIONAL 2. – 
é baseada na tradição representada pela 
hierarquia que está presente no patriar-
calismo, patrimonialismo, sultanismo. 
A autoridade se legitima sobre funda-
mentos tradicionais, apoiando-se na 
crença cotidiana da santidade da tra-
dições imemoriáveis e na legitimidade 
dos escolhidos por essa tradição, para 
exercer a autoridade. 
A dominação não é um 
fenômeno exclusivo da 
esfera política, mas um 
elemento essencial, que 
está presente em todas as 
instâncias da vida social. 
A dominação tradicional. 
Exemplo: gerontocracia im-
plica nos governos dos mais 
velhos; no patriarcalismo 
os líderes herdam suas po-
sições; no patrimonialismo 
há uma administração e 
uma força militar que são 
instrumentos pessoais do 
senhor que comanda.
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A DOMINAÇÃO CARISMÁTICA 3. – 
para existir depende mais do grupo de 
seguidores e do modo como definem 
seu líder carismático; assim é possível 
converter-se em líder carismático in-
dependentemente de se possuir ou não 
qualidades extraordinárias. 
A ascenção de um líder carismático 
pode representar uma ameaça para o 
sistema, pois o pensamento e a ações 
da pessoas mudam de forma dramática. 
São exemplos de líderes carismáticos: 
um demagogo, um herói militar, um di-
tador, líder religioso ou revolucionário. 
Finalizando, para Weber, a dominação não 
é um fenômeno exclusivo da esfera política, mas 
um elemento essencial, que está presente em to-
das as instâncias da vida social. 
A dominação carismática: 
para Weber, o importan-
te é o processo pelo qual 
o líder se distingue da 
maioria das pessoas e é 
tratado como se estivesse 
dotado de poderes sobre-
naturais, excepcionais, 
ou de qualidades que 
não são acessíveis para a 
maioria das pessoas.
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Revisão
Max Weber - Teoria Compreensiva 
Objeto de Estudo: Ação Social. 
Organização Social: as características da ação social, são o fundamento da organização 
das relações sociais. 
Definição de Sociologia: é a ciência que pretende compreender, interpretando à ação so-
cial; para desse modo, chegar a explicação causal do seu desenvolvimento e de seus efei-
tos. 
Definição de Sociedade: um todo composto por indivíduos em constante interação. Não 
apresenta nenhuma tendência inerente, seja à transformação ou à conservação – Sociolo-
gia Compreensiva. 
Objetividade do Cientista Social: 
Para Weber, o cientista social é guiado por suas preocupações com os problemas sociais, •	
sendo-lhe impossível separar-se de suas pré-noções; 
Para Weber, as preocupações do cientistas orientam a seleção e a relação entre os ele-•	
mentos da realidade a ser analisada. Mas, o cientista social ao iniciar o estudo, deve se 
conduzir pela busca neutra da verdade possível dos acontecimentos; 
A realização da tarefa científica, não deve ser dificultada pela defesa das crenças e idéias •	
pessoais do cientista. Qualquer que seja a perspectiva adotada pelo cientista , resultará 
numa explicação parcial. 
A cientificidade de uma explicação é garantida pelo método de reflexão utilizado, não •	
pela objetividade pura dos fatos; 
Para Weber, embora os acontecimentos sociais possam ser quantificáveis, a análise do •	
social envolve sempre uma questão de qualidade, interpretação, subjetividade e compre-
ensão.

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