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22 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 23 www.ulbra.br/ead Por Prof(a). Ellen Plumer Neste capítulo serão estudadas as teorias clássicas sobre o objeto de estudo das Ciências Sociais, a partir das concep- ções de Weber, Durkheim e Marx. São chamados teóricos clássicos das Ciên- cias Sociais (Marx, Durkheim, Weber) porque discutiram e analisaram com profundidade estas questões; e, devido às suas contribuições, ser- vem até hoje de inspiração para os sociólogos contemporâneos e outros cientistas sociais. As CIÊNCIAS SOCIAIS, por apresentarem diferentes abordagens, métodos, instrumentos, conceitos para estudar a mesma realidade social (sociedade capitalista); por haverem discordân- cias entre os mesmos quanto à objetividade cien- tífica aplicada no conhecimento da vida social; quanto à natureza da sociedade (sua origem e problemas); os fenômenos sociais (observáveis ou não) que devem ser estudados; têm três res- postas clássicas para estas questões. Mas, antes de aprofundarmos você sabe o que é objeto de uma ciência? Toda ciência possui um objeto de estudo. Objeto de estudo, significa a área ou campo do saber e/ou de estudo a que as ciências se dedi- cam. No caso das Ciências Sociais, sua área de estudo explica as razões que tornaram possível os homens (com seus diferentes sistemas polí- ticos, econômicos, crenças, valores, formas de agir, pensar e sentir) viverem em sociedade. A concepção do objeto das ciências so- ciais depende da resposta que se dá à questão sobre: o que torna possível a organização social das relações entre os homens em sociedade? Objeto de estudo: Ciências Sociais? A resposta a pergunta: o que torna possível a organização social das relações entre os homens na sociedade, delimita o objeto de estudo e de explicação das Ciências Sociais. CONCEPÇÕES TEÓRICAS CLÁSSICAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: WEBER, DURKHEIM E MARX Você sabia que foi a partir dos clássicos das Ciências Sociais que foi possível conhecer a sociedade capitalista? Fo nt e 1 : A rq ui vo U lb ra Ea d /W ik ip ed ia Fo nt e 2 : A rq ui vo U lb ra Ea d C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 24 www.ulbra.br/ead A teoria Funcionalista: Émile Durkheim Sua Obra e história. Descendia de uma família de rabinos. Ele mesmo começou seus estudos para con-verter-se em rabino, mas, na adolescên- cia, rechaçou sua herança e tornou-se agnóstico. Desde então, seu interesse pela religião era mais acadêmico do que religioso. Esforçou-se para ad- quirir conhecimentos científicos para contribuir na direção moral da sociedade. Embora tenha se interessado pela sociologia científica, na sua época não existia um campo para esta disciplina. Em 1893, publicou sua tese de doutorado A Divisão do Trabalho Social; em 1895, As regras do método sociológico, e; em 1902, passou a dar aulas na famosa Universidade francesa Sorbon- ne. Ele exerceu uma forte influência no desenvol- vimento da sociedade. Na revista Lánnée Sociolo- gique, fundada por ele, publicou vários escritos no campo da antropologia, história e da lingüística. Os pressupostos básicos da TEORIA FUNCIONALISTA Neste texto, desenvolveremos os pressupos- tos básicos da Teoria Funcionalista, enfatizando o trabalho sociológico escrito por Durkheim. Sua obra marcou a etapa mais decisiva na consolidação acadêmica da sociologia; contri- buindo para emancipá-la das demais ciências e definindo com precisão o objeto, o método e aplicação desta nova ciência. Durkheim determinou como objeto da socio- logia o “fato social”, definindo o mesmo como: “Toda maneira de agir; pensar e sentir, fixada ou não susceptível de exercer so- bre o indivíduo uma coerção exterior: ou então, que é geral no âmbito de uma dada sociedade, tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente de suas manifestações individuais. “(DURKHEIM, 1984: 39). Afirmava que nem tudo o que acontece na sociedade é fato social, pois se assim fosse, a so- ciologia não teria objeto próprio e o seu domínio viria a se confundir com o da história, antropolo- gia e psicologia. Para um acontecimento social se formali- zar como fato social, segundo Durkheim, seria necessário: Ser a. EXTERIOR AO INDIVÍDUO, (exterioridade) ou seja, quando os fatos sociais existem e atuam sobre os indivíduos independente de sua vonta- de ou adesão consciente. (Costa, 1991, p.51). Isto significa que apesar dos ho- mens elaborarem as maneiras de fazer vigentes na sociedade, estas nos são legadas pelas gerações anteriores, de modo que as encontramos já prontas (GALLIANO, 1986: 60). Émile Durkheim, nascido em 1858, na França. Durkheim faleceu em Paris no dia 15 de novembro de 1917. Fo nt e 3 : A rq ui vo U lb ra Ea d/ W ik ip ed ia 24 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 25 www.ulbra.br/ead Exercer uma b. COERÇÃO SOBRE OS INDIVÍDUOS, levando-os a confor- marem-se com as regras já existentes. Nestas regras, o indivíduo não parti- cipa de sua elaboração e, caso não as cumpra, receberá as sanções corres- pondentes. O papel da coerção é fixar e instituir certas maneiras de agir e certos julgamentos que, independente de nossa vontade ou adesão conscien- te, não somos capazes de modificá-las. (GALLIANO, 1986: 52). Por último, c. SER GERAL, caracterís- tica que determina que para ser um fato social é preciso repetir-se em todos os indivíduos ou pelo menos, na grande maioria. São gerais porque são coleti- vos e têm como referência o conjunto da coletividade. Fato social possui EXTERIORIDADE, COERÇÃO e GENERALIDADE. Durkheim e a neutralidade da ciência Durkheim, para analisar o social, usou o método positivista, onde a objetividade e a neu- tralidade do cientista social são requisitos essen- ciais. Para garantir esta objetividade, deve o cien- tista social olhar o fato como se fosse um objeto, uma coisa. Esta postura neutra e apolítica do sociólo- go, frente ao fato social; dá à análise do mesmo, a garantia de objetividade e qualidade necessá- rias para resguardar o sucesso da avaliação de- sejada. Segundo ele a consciência coletiva serve de regulador moral de uma sociedade. É evidente que a mesma representa a fonte de canalização das aspirações individuais. Portanto para pre- servar a harmonia, a sociedade deve assegurar acima de tudo, a subordinação da consciência individual à consciência coletiva, que é o pon- to alto de integração social. Por isso, a função primordial da punição é manter intacta a coesão social, mantendo toda a vitalidade da consciên- cia comum. Durkheim, em seu livro A Divisão Social do Trabalho, analisou as relações entre os indi- víduos e a coletividade, buscando as razões da solidariedade entre os mesmos em sociedade. Sua intenção, ao abordar A QUESTÃO DA SO- LIDARIEDADE, era descobrir o que mantém unida a sociedade. Para Durkheim, nas sociedades primitivas ou pré-capitalistas, os indivíduos ocupavam posições muitos gerais, realizavam uma ampla variedade de tarefas e mantinham um grande número de responsabilidades. As sociedades pré-capitalistas são caracterizadas pela SOLI- DARIEDADE MECÂNICA, apresentando Durkheim assegura à consciência coletiva a responsabilidade pela organização social. O casamento é um fato social Este esquema vai nos facilitar Fo nt e 4 : S to ck .X ch ng ® C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 26 www.ulbra.br/ead uma estrutura social indiferenciada, com pouca ou nenhumadivisão de trabalho. Uma socieda- de caracterizada pela solidariedade mecânica mantém-se unidade em função da totalidade de seus membros terem aptidões e conhecimentos semelhantes, os mesmos sentimentos, valores, crenças, religião. A sociedade se mantém coesa por que os indivíduos ainda não se diferenciam (Ritzer, 1993:210; Aron, 1990: 297; Costa, 1987: 55). As sociedades modernas são caracterizadas pela SOLIDARIEDADE ORGÂNICA, onde a união dos indivíduos ocorre em função das di- ferentes tarefas e responsabilidades. Este tipo de sociedade apresenta especialização das funções. O consenso se realiza porque cada indivíduo, com sua função ou trabalho próprio, é igualmen- te necessário para a sociedade. Conforme Ritzer (1993: 213), na sociedade moderna, uma família para sobreviver, necessi- ta do trabalho do verdureiro, do padeiro, do me- cânico, do professor, do agente policial. E estas A vida urbana nas cidades se mantém coesa em função da especialização do trabalho dos indivíduos e da necessidade que têm do trabalho um do outro. pessoas, por sua vez, necessitam do trabalho de outras pessoas. Portanto, para Durkheim, a socie- dade se mantém coesa em função da especializa- ção do trabalho dos indivíduos e da necessidade que tem do trabalho um do outro. Podemos afirmar também que, enquanto a solidariedade mecânica é a integração social ba- seada nas semelhanças; a solidariedade orgânica é a integração realizada a partir da diferenciação entre indivíduos e grupos no interior da socie- dade. Quando a divisão do trabalho é pouco de- senvolvida e todos fazem de tudo, há uma ne- cessidade menor de uns para com os outros, sa- lientando-se aí, a importância e a necessidade da consciência coletiva. Segundo Durkheim, a consciência coletiva ajuda manter os indivíduos integrados, forman- do a sociedade e vencendo assim, a tendência ao isolamento. Havendo o desenvolvimento da divisão do trabalho social, rompe-se a auto-suficiência dos grupos, dando lugar a uma relação de dependên- cia mútua. Enquanto a solidariedade mecânica é tanto mais forte quanto mais a consciência individual é recoberta pela consciência coletiva; a solidarie- dade orgânica só se fortalece quando “cada um tem uma esfera de ação que lhe é própria” e pode, assim, afirmar sua individualidade. Importante é observar que a solidariedade orgânica de atinge seu auge nas sociedades mo- dernas, tendo em vista quer estas favorecem as especializações dos indivíduos e grupos, inte- grando-os numa cadeia de dependência mútua. Esta pode gerar uma relação de cooperação e so- lidariedade entre os homens. A anomia Os indivíduos se encontram em situação de anomia, quando carecem de um conceito claro sobre o que é uma conduta apropriada, aceitá- vel; quando as regras, as normas, os valores de comportamento não estão claramente definidos. Ou seja, a anomia é a ausência de regras clara- Fo nt e 5 : S to ck .X ch ng ® 26 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 27 www.ulbra.br/ead mente definidas, que regulem o comportamento dos indivíduos em sociedade (MARTINS, 1991: 48). O conceito de anomia se encontra na obra A divisão do trabalho social , mas também em O suicídio ( Durkheim, 2004:97;103-123). Durkheim considera a anomia como uma das principais causas do suicídio. O suicídio anômico se produz devido ao enfraquecimento da moral coletiva e da ausência de uma legis- lação forte que regre as paixões causadas pela sociedade moderna. Sociedade esta tão cheia de carências e dificuldades e com uma moral nada rígida. Este tipo de suicídio aumenta quando as for- ças reguladoras da sociedade deixam de atuar. Durkheim considera a anomia como uma das principais causas do suicídio. O suicídio anômico se produz devido ao en- fraquecimento da moral coletiva e da ausência de uma legislação forte que regre as paixões causa- das pela sociedade moderna. Durkheim possuia uma visão otimista sobre o futuro da sociedade. Acreditava que o progres- so desencadeado pelo capitalismo, levaria ao au- mento generalizado da divisão do trabalho social e por conseqüência da solidariedade orgânica; a ponto de fazer com que a sociedade chegasse a um estágio sem conflitos. A sociedade é boa, di- zia ele, sendo necessário apenas “curar as suas doenças”. Durkheim defendia a idéia que os pro- blemas sociais não se resolveriam ja- mais dentro de uma luta, e sim através da ciência. Compreendendo o funcionamento da so- ciedade capitalista, observando cientificamente suas leis sociais, descobrindo as que são falhas e substituindo-as por outras mais eficientes, res- peitando sempre a época e a situação vigente, seria possível estabelecer a HARMONIA SO- CIAL. Durkheim acreditava que a causa dos pro- blemas sociais, não se localizavam na economia; mas sim, no não cumprimento das leis, que ele chamava de crise moral. Quando a sociedade atingia um estágio de não cumprimento de suas leis, estava-se diante do que ele chamava de caso patológico. Nesta situação, deve a sociedade com ur- gência, buscar auxilio na ciência (sociologia), detectando as causas que levaram a crise moral; a fim de evitar à anomia, que é “a ausência total de leis”, e buscar através da moral social a solu- ção para resolver estes problemas, que tanto mal causava a sociedade. Durkheim colocava na “instituição Esta- do”, um papel relevante, afirmava que o mesmo era considerado o cérebro e também o executor dessa nova moral, tanto que ele defendia a idéia de que o sociólogo deveria ter uma participação direta dentro do Estado, para facilitar e impulsio- nar a realização das mudanças sociais necessá- rias para atingir a solução dos problemas. Afirmava também que a sociedade moderna caracteriza-se pela redução da eficácia de deter- minadas instituições integradoras, como a família e a religião, que tinham grande influência sobre a vida privada, e a profissão, que assume cada vez mais importância na vida social, tornando- se a herdeira da família (QUINTANEIRO, 1991: 19-20). Há remédios para problemas sociais? Durkheim acreditava que estas “patologias” poderiam receber “remédios” através de reformas estruturais. A reforma estrutural que ele propôs para aliviar as patologias sociais foi o desenvol- vimento das associações profissionais. Para so- lucionar o problema de desintegração social, se- ria necessário uma disciplina que só a sociedade poderia impor, através da organização de grupos profissionais que favoreçeriam a integração dos indivíduos na coletividade (Aron, 1990: 308). As corporações profissionais que Durkheim propunha, era superiores e diferente dos tipos de associações, como os sindicatos e associações de Durkheim considera a anomia como uma das principais causas do suicídio. C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 28 www.ulbra.br/ead Revisão Émile Durkheim – Teoria Funcionalista Objeto de Estudo: Fatos Sociais. Organização Social: somente é possível graças à consciência coletiva, que é a combinação das consciências individuais. Definição de Sociologia: - é a ciência que estuda as instituições, sua gênese e sua funcio- nalidade; estudo do Fato Social, dos fenômenos regulares da sociedade, do que se repete, dos ele- ♦ mentos que garantam a coesão social – Sociologia do Consenso, da ordem social. Definição de Sociedade: um todo harmônico, composto de partes que tendem ao equilíbrio e a coesão, cada parte existe em função do todo. Objetividade do Cientista Social: Para dar objetividade aos “Fatos Sociais”, Durkheim estabelece como um dos princípios ♦ metodológicos básicos para a investigação sociológica, considerá-los como “coisas”; Os Fatos Sociais são coisas”, isto é, uma realidade objetiva e passível de ser observada;♦ Para Durkheim, uma explicação só seria científica, se o pesquisador mantivesse certa ♦ neutralidade e distância em relação aos Fatos Sociais, mantendo a objetividade de sua análise; Para obter objetividade na análise, o sociólogo deveria deixar suas pré-noções, isto é, ♦ seus valores e sentimentos pessoais, em relação aos acontecimentos a serem estudados. empresários, que, segundo ele, serviam apenas para diferenciar empregadores de empregados. Relações entre as classes sociais Para Durkheim, não haviam conflitos de in- teresses entre trabalhadores e proprietários. Nes- ta questão, Durkheim tem uma postura comple- tamente oposta à Marx, que defendia a existência de interesses antagônicos entre proprietários e trabalhadores, e também, a revolução. Foi consi- derado um reformador, pois preocupava-se com melhorias para o funcionamento da sociedade; defendia a união dos trabalhadores e empresários por grupos, formando as associações profissio- nais ou corporações. Defendia a criação destas corporações, com o objetivo de restaurar a moralidade coletiva que Para Durkheim a corporação é o único grupo social ca- paz de favorecer a integração do indivíduo na coletividade. era uma constante nas sociedades complexas; e também, acreditava que dessa forma, seria possí- vel corrigir certas patologias comuns na divisão social do trabalho. Durkheim nunca abandonou a convicção de que “a sociedade ocidental de seu tempo, atravessa- va uma grande crise; e a causa desta crise centrava- se na relação patológica da autoridade moral sobre a vida dos indivíduos” (DURKHEIM, 1984: 192). 28 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 29 www.ulbra.br/ead Teoria Materialista Científica: Karl Marx: Marx nasceu no dia 5 de maio de 1818, na Prússia. Seu pai era advogado, ambos (pai/ mãe) eram de classe média, descendiam de uma família de rabinos. Em 1841, doutorou-se em filosofia pela Uni- versidade de Berlim. Em 1843, casou-se e mudou-se para Paris, onde estudou o socialismo francês e a eco- nomia política inglesa. Sua obra e história Marx em Paris, num famoso café, co-nheceu Friedrich Engels (1820-1895), que seria seu amigo por toda a sua vida pessoal, acadêmica e intelectual. Engels, filho de um fabricante de tecidos, criticava as condições de vida da classe trabalhadora. Marx e Engels compartilhavam a mesma orientação te- órica, o que lhes possibilitou produzirem juntos vários livros, artigos e a trabalharem unidos em organizações radicais. Embora defendessem a transformação radi- cal da sociedade, que acabasse com a opressão, miséria, exploração das condições miseráveis em que viviam a classe trabalhadora, ambos Marx e Engels eram humanistas e sentiam-se profunda- mente feridos pelo sofrimento destes. Estes intelectuais também fazem parte do clássicos das Ciências Sociais. Esta concepção te- órica elabora uma crítica radical ao sistema capita- lista e a classe burguesa (capitalista/dominante). Karl Marx e Friederich Engels Friedrich Engels A vida e obra de Karl Marx está ligada a de seu companheiro intelectual e amigo, Friedrich Engels, com quem escreveu “A Sagrada Famí- lia”, “A ideologia Alemã” e o “Manifesto do Partido Comunista”, referências importantes na produção marxista. Após a morte de Marx, Engels tomou a si a tarefa de organizar, interpre- tar e divulgar os manuscritos deixados por Marx, por ocasião de sua morte. A teoria Materialista-histórica-dialética foi escrita por Karl Marx (1818-1883) e Friedri- ch Engels (1820-1903). É uma teoria, um método de análise da sociedade, que parte da realidade concreta (sociedade dividida em duas classes so- ciais, antagônicas: trabalhadores X capitalistas) e, da perspectiva da classe trabalhadora (classe que vende sua força de trabalho para garantir a sobrevivência). Para Marx, a busca da verdade (razão de ser da ciência), é sempre verdade para uma ou ou- Friedrich Engels Nasceu em 28 de novembro de 1820 e morreu em 5 de agosto de 1895. Fo nt e 6 : W iki pe di a Fo nt e 5 : W iki pe di a C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 30 www.ulbra.br/ead tra classe social. O capitalismo na Europa, nesta época, apresentava crises e conflitos. A explora- ção dos trabalhadores e a conseqüente miséria em que viviam, levou-os a organizarem-se e a utilizar a greve como instrumento de luta. Como já vimos anteriormente que para os FUNCIONALISTAS a grave crise econômica que ocorria na Europa era atribuída à crise mo- ral pela qual a sociedade européia passava. Esta crise era entendida como um descompasso entre a velocidade das transformações geradas pela in- dustrialização e as regras, normas, leis que de- viam pautar o comportamento dos indivíduos. As regras, leis que deviam reger as relações so- ciais estabelecidas entre os homens, não acompa- nhavam as mudanças ocorridas no setor econô- mico, gerando um situação de anomia (ausência de regras claras e definidas, que servissem para orientar o comportamento dos indivíduos em so- ciedade). Agora vamos ver que para MARX E EN- GELS a razão das crises sociais não são as mes- mas dos funcionalistas... Os pressupostos básicos da teoria Marxista O determinismo econômico de Marx e Engels Para Marx/Engels a crise tinha origem eco- nômica. Localizava-se na forma de organizar a produção, que irradiava para todas as outras esferas (sociais, políticas, culturais) da socieda- de, um sistema injusto, alienante, onde os indi- víduos que produziam as mercadorias, riquezas desta sociedade eram impedidos de se apropriar do que produziam (trabalhadores). E os indiví- duos (classe capitalista), proprietários dos meios de produção que não produziam as mercadorias, destas se apropriavam. Segundo eles, para resolver a crise que a Eu- ropa experimentava, seria necessário proceder modificações nas formas da propriedade privada e na distribuição da riqueza. A concepção teórica marxista contribuiu de forma grandiosa para o desenvolvimento da ciên- cia; e mostrou um caminho possível, para a trans- formação política, econômica e social do sistema capitalista, que seria comandada pela classe tra- balhadora. Segundo Marx, para compreendermos como funciona e se organiza uma sociedade, é necessá- rio partirmos da base que sustenta a mesma. Ora, uma sociedade, para existir, compõe-se de indi- víduos que estabelecem relações e que produzem mercadorias necessárias à sua existência. Para os homens produzirem mercadorias, são necessários objetos de trabalho e instru- mentos de trabalho. Marx define como objetos de trabalho as matérias primas (árvores, manga- nês, cobre) que extraímos da natureza. Ao irmos à natureza, extrair as matérias primas, necessi- tamos de determinados instrumentos de trabalho que são: as ferramentas (serra, pá, enxada) e má- quinas (moto-serra, retro-escavadeira). Os objetos mais os instrumentos de tra- balho são denominados de meios de produção. Mas instrumentos e objetos de trabalho não se colocam em movimento autonomamente. É ne- cessário o trabalho humano, ou seja, a força de trabalho do homem. Estes três elementos, são as condições naturais e históricas, da atividade pro- dutiva organizada pelos homens, em todos tipos de sociedade já existentes. Os objetos de traba- lho mais os instrumentos de trabalho, somados a força de trabalho do homem, são chamadas de Forças Produtivas. Os indivíduos, ao organizarem-se para pro- duzir as mercadorias necessárias à sua existên- cia, estabelecem determinadas relações sociais. Para Marx neste tipo de sociedade (capitalista) os homens não são iguais. Na base da sociedade, os ho- mens se apresentam para produzir mercadorias e aqui se evidenciam suas diferenças: uns são proprietários (classe capitalista) e outros não,tendo nada de seu (classe trabalhadora), vendem sua força de trabalho. Fo nt e 7 : S to ck .X ch ng ® 30 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 31 www.ulbra.br/ead Estas relações sociais determinam a forma como os homens se apropriam e distribuem: as merca- dorias, os meios de produção, e a própria força de trabalho do homem. Na sociedade capitalista, os meios de produ- ção são propriedade dos capitalistas. Para estes, produzirem as mercadorias que irão vender no mercado, necessitam contratar a força de tra- balho dos trabalhadores. Os trabalhadores não sendo proprietários, e necessitando de mercado- rias para sua sobrevivência, vendem sua força de trabalho para o capitalista. Estas são resumida- mente, as relações sociais, que os homens esta- belecem na sociedade capitalista, para produzir mercadorias. Os indivíduos que produzem, não são proprietários, não se apropriam das mer- cadorias que produzem, não possuem riquezas (casa própria, automóvel, educação, saúde). Neste tipo de sociedade (capitalista) os homens não são iguais. Na base da socieda- de, os homens se apresentam para produzir mercadorias e aqui se evidenciam suas dife- renças: uns são proprietários (classe capita- lista) e outros não tendo nada de seu (classe trabalhadora), vendem sua força de trabalho. A infra-estrutura e a super-estrutura Marx chama de infra-estrutura a base eco- nômica que são os alicerces da sociedade, as re- lações sociais que os homens estabelecem para produzir as mercadorias necessárias à sua exis- tência. Essa relação desigual entre os homens na sociedade capitalista reflete-se na super-estrutu- ra (base jurídica, política, filosófica). A super-estrutura são os modos de agir, pensar, sentir dos indivíduos na sociedade que são reflexo e determinados pela posição que ocu- pam na base econômica (ser ou não proprietá- rio ou trabalhador). Ou seja, as leis, a educação, acesso à saúde, os direitos do cidadão, os valores sociais vão refletir as relações sociais que os ho- mens estabelecem para produzir as mercadorias necessárias a sua existência. Ora, no modo de produção capitalista, os indivíduos pertencem à duas classes sociais distintas: classe trabalhadora ou classe capitalista. Esta relação desigual na base econômica (infra-estrutura) irá se refletir nas leis, no acesso à saúde, à educação, à moradia, nos transportes, nos direitos e deveres do cidadão. Ou seja, Sabemos que não! Para Marx, as desigual- O tipo de escola, moradia, saúde, partidos políticos, dos tra- balhadores são os mesmos dos ca- pitalistas? As leis que deveriam ser iguais para todos - princípio da democracia - são aplicadas igual- mente ao infratores, tanto da clas- se trabalhadora como da classe capitalista? Para MARX os objetos mais os instrumentos de trabalho são denominados de meios de produção. Os meios de produção são propriedade dos capitalistas. dades sociais são as bases da formação das clas- ses sociais no sistema capitalista. Este sistema gera a alienação, exploração e a opressão dos trabalhadores. A alienação A alienação econômica A alienação econômica para Marx significa que no sistema capitalista, o trabalhador encon- tra-se alienado (separado) das mercadorias que ele próprio produz. A alienação está presente, também, na trajetória social que as mercadorias percorrem. Na produção, as relações se estabe- lecem entre materiais e máquinas. O produto do trabalho (as mercadorias) é múltiplo, impessoal, seriado. A marca do humano, o jeito e o traço do C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 32 www.ulbra.br/ead trabalhador que caracterizariam sua individuali- dade, inexistem nas mercadorias que produz. A percepção da exclusão da marca humana, no pro- cesso de produção, é uma questão central na obra de Marx e no seu estudo da economia burguesa. As máquinas que revolucionaram a produ- ção de mercadorias (Revolução Industrial) esta- beleceram a separação entre o trabalhador e o resultado de seu trabalho. O processo de pro- dução de mercadorias, no sistema Capitalista, re- tirou a dimensão humana do que é produzido. Na esfera da produção, o humano se ausenta, é onde o trabalhador encontra-se alienado (SEPARA- DO). Pois são os trabalhadores que se adaptam às máquinas, as quais recebem indiferentemente qualquer trabalhador, que acompanha o ritmo das mesmas. O controle do produto final não está ao alcance de nenhum trabalhador; mas, na organi- zação dos meios de produção e no capital, que pertencem à classe capitalista. Esta separação do trabalhador das mercado- rias que produz, chama-se alienação econômica. satisfazer as suas necessidades. Ao fazer isto, o homem adquire novos conhecimentos e se orga- niza socialmente. Esta organização em grupos é necessária; pois sem ela, o homem não consegui- ria realizar essa adaptação (transformar a nature- za em objetos/mercadorias que necessitam para sobreviver). O trabalhador, ao produzir mercadorias, exterioriza sua subjetividade na matéria (objeto) que transforma. Este objeto (merca- doria) transformado pela mão do trabalhador torna-se “humanizado”, porque contém a es- sência genérica do ser humano (realização de um projeto). Quando um outro homem (capita- lista) separa o trabalhador dos (objetos ) mer- cadorias que ele produziu, este outro HOMEM (capitalista) alienou, separou o trabalhador daquilo que ele criou, ou seja, de si mesmo. A Alienação Política A alienação política refere-se a fragmenta- ção e a falsa representação política do trabalha- dor, do cidadão, criada na sociedade. Para Marx, na sociedade capitalista, criou-se uma falsa idéia do princípio de representatividade. A burguesia criou uma falsa idéia, sobre o Estado, de ser um órgão político imparcial, capaz de represen- tar toda a sociedade através do poder delegado pelos indivíduos. Para Marx, o Estado é o co- mitê executivo da burguesia; serve para gerir os planos econômicos da mesma. A idéia de repre- sentatividade é falsa porque, na realidade, não representa todos os cidadãos (trabalhadores e burguesia), e sim somente a classe capitalista. Essa falsa representatividade apresenta-se também na forma de dominação da classe bur- guesa sobre a trabalhadora. Significa que a classe capitalista, através do poder econômico, conse- gue exercer seu poder sobre os trabalhadores, pois estes precisam vender sua força de trabalho para comprar as mercadorias que necessitam para sobreviver. São obrigados a vender sua força de trabalho, pelo valor que a burguesia organi- zadamente determina. Exemplo: salário mínimo é nacionalmente determinado, com pequenas va- riações entre os Estados brasileiros. Por outro lado, se os trabalhadores resolve- Fo nt e 8 : M od er n T im es . I m db Cena do filme TEMPOS MODERNOS de Charles Chaplin. Este filme faz uma análise e uma crítica à sociedade moderna, industrial, capitalista. A Alienação Filosófica A Alienação filosófica refere-se ao traba- lhador ser separado da mercadoria que ele mes- mo produz; portanto, passa a ser fragmentado e produz-se uma falsa generalidade sobre sua hu- manidade e a sociedade: o Homem, o Cidadão, o trabalhador. De acordo com Marx, o homem, quando transforma a natureza em objetos (mer- cadorias), procura adaptar estes objetos para 32 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 33 www.ulbra.br/ead rem organizar-se politicamente, para fazer suas exigências através das greves, serão reprimidos pela força através dos aparelhos repressivos do Estado: a polícia e o exército. O Estado existe para defender os interesses de todos os cidadãos. Mas na sociedade capitalista, o Estado defendea propriedade privada e a integridade física/mo- ral apenas da classe burguesa, escreveu Marx. A burguesia organiza-se, internacionalmente, para defender seus interesses. Mas os trabalhadores são proibidos de reunirem-se, até no pátio da fábrica, no horário de descanso. Dessa forma, a classe capitalista exerce sua dominação política sobre os trabalhadores. Marx observou que os ideais da Revolução Francesa, igualdade política e jurídica, direitos inalienáveis de todo cidadão, são incompatíveis na sociedade capitalista. Pois as relações estabe- lecidas entre homens, por pertencerem às classes sociais distintas, são de exploração, antagonismo e complementaridade. A posse dos meios de produção, propriedade legal e privada da burguesia, leva os trabalhado- res a venderem sua força de trabalho ao capitalis- ta, para sobreviverem. Os capitalistas, de posse dos meios de produção, determinam o valor do trabalho e das mercadorias. Os trabalhadores se vêem obrigados a vender sua força de trabalho pelo preço que os capitalistas pagam. É, portan- to, uma relação de exploração. A burguesia domina culturalmente, tam- bém, a classe trabalhadora através dos meios de comunicação. Como detém o poder econômico, consegue influenciar o que e como serão divul- gadas as informações. Selecionando programas, horários, através dos quais passam seus valores, crenças, gostos, planos econômicos para a classe trabalhadora. Relações entre as classes sociais As relações entre as classes sociais são, também, antagônicas, porque seus interesses são opostos. Enquanto a burguesia deseja manter a posse privada dos meios de produção, aumentar a jor- nada de trabalho e diminuir os salários, a classe trabalhadora busca diminuir a jornada de traba- lho, participação nos lucros e melhores salários. Por último, existe uma relação de comple- mentaridade entre as classes sociais, uma só existe em relação à outra. Os trabalhadores ven- dem sua força de trabalho porque precisam so- breviver, e a outra classe se apropriou dos meios de produção. A burguesia detém a posse dos meios produção, porque existe a classe trabalha- dora destituída da posse dos mesmos; caso con- trário, a burguesia não teria mão-de-obra para desenvolver seus negócios. Quais são os caminhos, meios que Marx apresenta para transformar a sociedade? A Práxis Política Segundo Marx, para a classe trabalhadora romper sua dominação/alienação e recuperar sua condição humana, precisa se organizar politica- mente, elaborar uma crítica radical ao sistema econômico e filosófico, que os excluíram da par- ticipação efetiva na sociedade. Esta crítica só se realiza na prática através de uma ação política consciente e transformado- ra; Marx chama de práxis. Isto quer dizer que não basta apenas criticar o sistema capitalista; é necessário apontar cami- nhos e assumi-los concretamente através da par- ticipação política consciente. Essa participação política consciente seria possível na medida em que a classe trabalhadora conhecesse a realidade. Segundo Marx, para a reali- Dominação cultural Fo nt e 9 : A rq ui vo U lb ra Ea d C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 34 www.ulbra.br/ead dade ser apreendida em toda sua complexidade, seria necessário conhecê-la, através do método dialético. O método dialético Marx parte da dialética hegeliana, que afir- ma a contradição, o conflito como a essência da realidade, a qual se supera num processo inces- sante de negação, conservação e síntese. Aplicada aos fenômenos historicamente pro- duzidos, a dialética aponta as contradições cons- titutivas da vida social que resultam na negação de uma determinada ordem. Marx inverte total- mente o método hegeliano. Segundo Marx, reconhecer o movimento dialético não é suficiente. É necessário, subme- ter o fenômeno social à crítica, para suas poten- cialidades serem reveladas e atualizadas de outra Revisão Teoria Marxista: Karl Marx e Friedrich Engels Objeto de Estudo: - Relações de Classe ou - Relações Sociais de Produção. Organização Social: depende da dinâmica das relações de classe, que possuem interesses diferentes e conflitantes, é um sistema em equilíbrio necessariamente precário. Definição de Sociologia: ciência que estuda as relações sociais e os fatores que contri- buem para a transformação social – Sociologia do Conflito – da mudança social. Definição de Sociedade: um todo que se ergue a partir do modo de se produzir a vida material, composto por classes que tendem ao conflito e que está em constante transfor- mação. Objetividade do Cientista Social: Para Marx, a ciência não dependia da objetividade, mas de uma consciência crítica; • ao invés de sugerir soluções para uma sociedade em conflito, propunha um caminho prático de ação política e um objetivo a ser atingido: a transformação social; Para Marx , a objetividade científica não está vinculada à análises elaboradas • acima das classes sociais; pois, a busca da verdade, é verdade sempre para uma classe social; Nega que o sociólogo ou cientistas, possam ser politicamente neutros; os que se ale-• gam “neutros” são porta-vozes da ideologia burguesa ou estão fazendo seu jogo; Aqueles que se dizem “neutros” estão defendendo o “Status Quo” vigente; ou seja, • a sociedade com seu poder constituído. forma mais evoluída. Para Marx a sociedade é resultado da ação humana, por isso, é possível transformá-la. A transformação da sociedade se daria atra- vés da atividade revolucionária ou crítico-prática. Essa crítica da sociedade capitalista seria realiza- da pelos trabalhadores (através da práxis); única classe capaz de promover a superação dessa for- ma histórica de sociedade, ou seja, acabar com a exploração do homem pelo homem. Para ocorrer essa transformação é necessário partir dos in- divíduos reais, de sua ação e de suas condições materiais de existência. A relação entre as con- dições materiais de existência dos indivíduos e suas forma de pensar, agir e sentir, é o que Marx chamou de materialismo histórico. O pensamen- to e a consciência são, em última instância, resul- tado do modo como se organizam para produzir as mercadorias necessárias à sua sobrevivência. 34 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 35 www.ulbra.br/ead Sua obra e história Sua carreira acadêmica foi muito bem su-cedida. Formou-se em direito e econo-mia, nas universidades de Berlim e de Heidelberg, respectivamente. Profissionalmente, destacou-se como professor nas universidades de Berlim (1893), Heidelberg (1897), Munique (1919); e como professor visitante lecionou em Viena (1917). A partir deste texto, passaremos a conhecer a história de um homem que marcou seu espaço na galeria de pensadores clássicos. Nascido em Erfurt, a 21 de abril de 1864, Max Weber apresenta-se como um dos sociólo- gos e economistas políticos mais importantes da Alemanha, nos séculos dezenove e vinte. Weber era de uma família que possuía uma situação eco- nômica bastante favorável na época. Tinha um carinho muito especial por sua mãe (calvinista devota), e não se relacionava muito bem com o seu pai (que se entregava aos prazeres munda- nos). Weber, no auge de sua carreira, foi acome- tido por uma doença de fundo nervoso, que obrigou-o a um afastamento pelo período de sete anos. Ao retornar conseguiu dar continuidade ao seu trabalho. Foi um estudioso extremamente preocupado em apresentar um trabalho com qua- lidade ímpar, caracterizando-se pelo rigor cientí- fico de suas análises e pela riqueza de detalhes. Weber, embora fosse um homem preocupado com o seu tempo e com a questão social, jamais ocupou cargos políticos. Ao lado de Sombart, dirigiu o Arquivo de Ciência Política e Social, revista de grande destaque. Apesar de tercomo pressupostos filosóficos o racionalismo e o idealismo, preocupava-se com o perigo da racionalização total que o mundo se dirigia. Buscava incessantemente chamar a atenção para o grande perigo da Burocracia e com isso buscava caminhos para que o homem se liber- tasse. Weber discordava das idéias de Marx sobre o determinismo econômico. Defendia a existên- cia de outros fatores como a ética, a religião, as crenças, influenciando e determinando, de ma- neira contundente, o desenvolvimento social, político e econômico da sociedade. Acreditava que os valores introjetados pela religião, cultura refletiam de maneira muito forte e real na prática dos indivíduos. Religião e capitalismo Em sua obra A Ética Protestante e o Es- pírito do Capitalismo, estudo científico que realizou sobre a influência da religião no com- portamento do indivíduo, constatou que um dos fatores que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo na Alemanha, foi a religião. Seu estudo demonstra, claramente, que nos países com religião protestante o capitalismo é desenvolvido e nos países com religião católica há um desenvolvimento mais lento. Constatou também que a maioria dos empresários alemães bem sucedidos e a mão de obra qualificada eram de homens, cuja religião era protestante. Este desenvolvimento mais lento dos países A Teoria Compreensiva de Max Weber Max Weber. Sua obra e sua vida foi de tal importância, que ultrapassou seu tem- po e ele tornou-se um clássico, chegan- do suas idéias com muita consistência, até os dias atuais. Fo nt e 1 0: W ik ip ed ia C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 36 www.ulbra.br/ead católicos Weber atribuía à atitude mais contem- plativa dos católicos. Evidentemente que esta diferença não resulta apenas deste fator, mas o mesmo teve uma grande influência no desenvol- vimento do capitalismo na Alemanha. Os alemães protestantes viviam para o traba- lho, eram disciplinados, não gastavam com frivo- lidades; ao contrário, poupavam e (re)investiam seus salários , lucros na atividade produtiva, pois assim, gerava-se mais emprego, mais trabalho e outros protestantes podiam servir a Deus. Neste sentido, o comportamento econômico dos ale- mães protestantes era determinado por sua ética religiosa. Weber elaborou sua obra no momento em que a Alemanha se desenvolvia rapidamente. Mas este crescimento era tardio, pois a industria- lização da Alemanha ocorreu muito depois dos processos ocorridos na Inglaterra e na França. (Martins, 1994: 64). Segundo Martins (1994, p. 63) outro fato peculiar, referente ao desenvolvimento do capita- lismo na Alemanha, é o fato da burguesia deter o poder econômico, mas não o poder político. Este era exercido pela nobreza, através do Estado; per- mitindo a burocracia (funcionários prussianos) impor a toda a sociedade suas opções políticas, exercendo verdadeiro despotismo. Neste contex- to, Weber afirmava que sua preocupação não era a “Ditadura do Proletariado” (referindo- se a Marx) e sim, a “Ditadura do Funcioná- rio” (burocracia). O papel da sociologia Weber, ao desenvolver suas idéias, buscou compreender as formas de interação entre o indi- víduo e meio social. A sociologia, segundo ele, deveria investigar o indivíduo e sua ação; ou seja, compreender o motivo da ação dos indivídu- os. Compreender a ação humana, para Weber, é captar seu sentido subjetivo. Portanto, compre- ensão não é um processo exclusivo do conheci- mento científico. Para Weber, as pessoas passam boa parte do seu cotidiano tentando, com maior ou menor su- cesso, compreender as ações de outras pessoas, embora nem sempre percebam que fazem isso. Weber apresenta dois tipos de compreensão: a atual e a explicativa. A compreensão atual é a captação de senti- do, que decorre diretamente do curso observável da ação. Por exemplo: quando chegamos em casa, ao meio-dia, e encontramos nossa mãe mexendo com panelas no fogão, como faz todos os dias, o sentido da ação nos é evidente: ela está fazendo o almoço. Na compreensão de explicativa se dá quan- do se chegamos em casa, como todos os dias e, em vez de estar na cozinha, ela está no quarto arrumando as malas, não nos detemos no sentido aparente da ação, mas apelamos para seus mo- tivos subjacentes: pode ser que vai visitar uma irmã; pode ser que alguém esteja doente; vai pas- sear ou que brigou com nosso pai e vai embora. Weber chama este tipo de compreensão de expli- cativa. Nos dois casos, uma ação é considerada como compreendida quando seu sentido parece evidente para quem o investiga. Assim, compre- ender é captar a evidência do sentido da ação, independente de qualquer investigação científica. Weber aponta que há graus de compreensão das evidências. O grau máximo de evidência de sen- tido de uma ação, segundo ele, é aquela obtida pela razão. ( Weber, 1982). Weber, ao investigar a Ética Protestante, des- cobriu que para os pro- testantes a vocação e o dever com o trabalho era a forma de servir a Deus aqui na terra. Fonte 11: Wikipedia 36 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 37 www.ulbra.br/ead O Objeto de estudo de Weber Para Weber, o objeto de estudo da sociologia é ação social. Ou seja, conduta humana dotada de sentido. Segundo Weber, “cada sujeito age levado por um motivo que é orientado pela tradição, por interesses racionais ou pela emotividade”, neste sentido, “(...)as normas sociais só se tornam con- cretas quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma de motivação” (1982, p. 26-7). Segundo Weber, nossas ações se orientam pela conduta alheia, ou seja, cada indivíduo age levando em conta a resposta ou reação dos outros indivíduos. E diz que, nossas ações estão deli- mitadas, mais ou menos, dentro de quatro cate- gorias de ação social , por seu sentido subjetivo, implícito ou explícito na nossa conduta. Tipologia geral da ação social Weber constrói conceitos sociológicos bási- cos, a partir de uma tipologia geral da ação so- cial, que são: A AÇÃO RACIONAL COM RELA- 1. ÇÃO A FINS – é toda ação racional, em que o indivíduo avalia os “fins e meios” necessários para alcançar seus objetivos; racionalmente avaliados e perseguidos. A AÇÃO RACIONAL COM RELA- 2. ÇÃO A VALORES – quando os indi- víduos agem determinados pela crença num valor – ético, estético ou religioso – próprio e absoluto de determinada conduta; agindo de acordo com ou a serviço de suas próprias convicções. Não leva em conta as conseqüências É preciso compreender o que moti- va os indivíduos a se submeterem às leis, às regras, às normas sociais. Ou dito de outra forma, Weber sa- lienta a necessidade de se compre- enderem as intenções e motivações dos indivíduos que vivenciam estas situações sociais. Lembrem-se que a ação social explica, segundo Weber, o que torna possível a or- ganização social dos homens, defi- nindo, assim o objeto de estudo da Sociologia Weberiana. A ação social ocorre quando um indivíduo age em relação a outro indivíduo, tem um motivo ou intenção; independente da ação ou reação que ele (o outro indi- víduo) possa ter. Fo nt e 1 2: A rq ui vo U lb ra Ea d Para o autor, o objetivo que transparece na ação social permite desvendar o seu “sentido”, que é social na medida em que cada indivíduo age levando em conta a resposta ou reação do(s) outro(s) indivíduo(s). O essencial a fixar é que, de acordo com Weber, é social a ação cujo sentido possui um significado atribuído pelos indivíduos e é orien- tada pelas ações de outros indivíduos. A ação social ocorre, por exemplo: quando pergunto às horas para alguém; quando ao cami- nhar esbarro em alguém e peço desculpas; um aperto de mão, são exemplos de ação social, se- gundo Weber. Em todasessas ações há um indivíduo agindo em relação a outro indivíduo; sua ação tem um sen- tido, motivo (perguntar as horas, pedir desculpas, apresentar-se à alguém) e refere-se a outra pessoa (pode ser também outras pessoas), independente da ação ou reação (responder e dar ou não as horas; não ou desculpar; ignorar ou cumprimentar). São os aspectos subjetivos e simbólicos das relações so- ciais que cabe ao sociólogo investigar. C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 38 www.ulbra.br/ead de sua ação, mas exclusivamente sua fidelidade aos valores inspiradores de sua conduta, tais como: justiça, honra, honestidade, fidelidade, beleza. A ação racional com relação a valores: O indivíduo age cumprindo um dever, um imperativo ou exigência ditado pela sua dignidade, suas crenças religiosas, políticas, morais ou estéticas. A ação racional com relação a valores se dá por exemplo: pessoas que por convicções religiosas não permitem transfusão de sangue, mesmo correndo risco de vida; mulheres que engravidam como resultado de um estupro e não re- alizam o aborto por convicções morais ou religiosas; pessoas que preferem perder o emprego à trair um colega ou chefe por questões éticas; mulheres que se submetem a uma alimentação frugal por questões estéticas. AÇÃO AFETIVA 3. – especialmente emotiva, determinada por afetos e esta- dos sentimentais. É a ação social que, muitas vezes, cor- responde à expressão imediata e irre- fletida de emoções fortes, tais como: raiva, desespero, orgulho, medo, ciú- me, inveja, paixão. Não leva em con- sideração as conseqüencias previsíveis da sua ação irrefletida. Exemplo: uma cena de ciúme; a compra do carro ou roupa que comprometa o orçamento do mês; medo de baratas. AÇÃO TRADICIONAL 4. - é determi- nada por um hábito arraigado. Quando hábitos e costumes arraigados leva o sujeito a agir em função deles, como sempre se fez. Por exemplo: in- divíduos que ao passar na frente de uma igreja ou cemitério imediatamen- te fazem o sinal da cruz. Weber, ao construir a tipologia da ação social, chama a atenção para a diferen- ça entre ação e conduta puramente reativa, ou seja, comportamento auto- mático que implica um processo não pensado. Tal comportamento não é do interesse do sociólogo. AÇÃO TRADICIONAL: batizado de crian- ças na igreja católica em que os pais e a famí- lia são pouco comprometidos com a religião. A ação racional com relação a fins: Segundo Weber, esta relação é a que geral- mente proporciona ao pesquisador o grau máximo de evidência interpretativa. Exem- plo: estudar para passar no vestibular; pou- par para comprar um apartamento. A ação racional com relação a valores: O indivíduo age cumprindo um dever, um impera- tivo ou exigência ditado pela sua dignidade, suas crenças religiosas, políticas, morais ou estéticas. Ação afetiva determinada por efeitos e sentimentos. É a ação social que, muitas vezes, corresponde à expressão imediata e irrefletida de emoções fortes, tais como raiva, desespero, orgulho, medo, ciúme, inveja, paixão. Fo nt e 1 3: A rq ui vo U lb ra Ea d Fo nt e 1 4: A rq ui vo U lb ra Ea d Fo nt e 1 5: A rq ui vo U lb ra Ea d Fo nt e 1 6: A rq ui vo U lb ra Ea d 38 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 39 www.ulbra.br/ead Para a teoria Weberiana, interessa ao sociólogo o que os indivíduos fazem e por que fazem, seus motivos subjetivos. Por exemplo: os indivíduos que participam de um quebra-quebra após uma partida de fu- tebol; ou abrir um guarda-sol para se proteger do sol. Essas ações são chamadas de reativas por que, no primeiro caso, os indivíduos agiram condicionados pelos outros (“pela massa”); no segundo caso, o indivíduo age em relação a um objeto material (sol), não em relação à outra pes- soa. Portanto, são ações desprovidas de intenção; de um sentido ou motivo de um indivíduo, em re- lação a outro(s) indivíduo(s), sem caráter social. Outro tipo de ação com sentido, que ocorre em sociedade, a qual Weber conceituou, é a rela- ção social. Para que esta seja estabelecida, é pre- ciso que os indivíduos compartilhem o sentido, motivo da ação. Por exemplo: a amizade é uma relação social, por que os indivíduos comparti- lham o conteúdo ou sentido da ação, orientando e regulamentando a ação de cada indivíduo. Se não compartilho o conteúdo (valores que envol- vem uma amizade) não estabeleço uma relação social. O tipo ideal Ao estabelecer uma tipologia da ação social, Weber construiu um instrumento de análise, o qual viria chamar de tipo ideal. Ele defendia que era responsabilidade do sociólogo, criar instrumentos conceituais que pudessem ser utilizados e que fossem de grande ajuda para a investigação empírica e para se en- tender o mundo social. O tipo ideal são hipóteses de interpretação, que devem ser confirmadas ou não, pela infe- rência causal ou pela observação estatística. Os tipos ideais construídos devem ser considerados um instrumento limitado e provisório, pois é uma construção abstrata, intelectual, os tipos so- ciológicos só existem no plano das idéias (ideal) e não na realidade. O sociólogo, ao construir o tipo ideal, sele- ciona os aspectos da ação humana, que considera culturalmente relevantes para o estudo, e o faz de acordo com seus próprios valores. Mas após de- terminar que aspectos da realidade deseja inves- tigar, cabe ao cientista social buscar dar consis- tência lógica a esses aspectos, relacionando-os com uma precisão que não se observa na reali- dade. Embora ao analisar a realidade, o cientista social dará uma explicação parcial, qualquer que seja a perspectiva por ele adotada. Pois, defendia Weber, um fenômeno social pode ter causas eco- nômicas, políticas, culturais, religiosas. Costa, em seu livro de Sociologia (1993), ao descrever a tarefa do cientista, a partir de Weber; escreve: “(...)O que a garante a cientificidade de uma explicação é o método da reflexão, não a objetividade pura dos fatos. Weber relembra (...) que, embora os aconteci- mentos sociais possam ser quantificáveis, a análise do social envolve sempre uma questão de qualidade, interpretação, sub- jetividade e compreensão”(1993, p.64). Indagava-se sobre a possibilidade de se isolar a interferência dos valores subjetivos, no estudo científico dos fenômenos sociais. Um fenômeno social pode ter causas econômicas, políticas, culturais, religiosas. Weber ao defender estás idéias, em relação a objetividade da ciência, utiliza-ás como um re- curso na luta pela liberdade intelectual e auto- nomia da sociologia; em face da burocracia e do Estado Alemão da época. Pretendia oferecer as pesquisas desenvolvi- das, pelos cientistas sociais, tanto as instituições C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 40 www.ulbra.br/ead públicas como privadas (Martins,1994, p. 62). Outro tema de sua obra, que buscou respon- der, refere-se ao que torna possível a permanên- cia ou continuidade das relações sociais. Segun- do ele, é a crença dos indivíduos no poder e numa ordem legítima. Para Weber, a sociedade não se apresenta como um todo organizado, mas como um palco onde há “uma luta incessante, entre indivíduos orientados por valores distintos e equivalentes, cuja coesão ocorre em situações sempre cam- biantes de interesses e dominação”. (Weber, 1982,p.127). Weber definia a dominação como a probabi- lidade de encontrar obediência dentro de um gru- po determinado de mandatos específicos . Esta dominação, pode dar-se em bases legítimas ou ilegítimas. As formas legítimas de dominação, constituem a autoridade, que se legitima diantedos seguidores; explicando sua obediência. Uma tipologia dos três tipos e dominação Ao analisar as formas de dominação social, Weber, criou uma tipologia dos três tipos de do- minação legitima: a legal, a tradicional e a caris- mática. A DOMINAÇÃO LEGAL 1. - represen- tada pelo direito, o qual significa um conjunto de normas e regras de caráter normativo, estas garantem ao cidadão uma certa proteção dos interesses so- ciais. É a autoridade legitimada sobre fundamentos racionais, apóia-se na crença da legalidade das ordens insti- tuídas, em estatutos, contratos, decre- tos, leis. Por exemplo: a burocracia, é o tipo mais puro, do exercício da auto- ridade legal sobre os seres humanos. Na burocracia, deve-se fidelidade e obediência as normas promulgadas e ao chefe que atua em nome dessas normas. Entende Weber, que uma sociedade quanto mais burocratizada, mais será facilmente dominada. A DOMINAÇÃO TRADICIONAL 2. – é baseada na tradição representada pela hierarquia que está presente no patriar- calismo, patrimonialismo, sultanismo. A autoridade se legitima sobre funda- mentos tradicionais, apoiando-se na crença cotidiana da santidade da tra- dições imemoriáveis e na legitimidade dos escolhidos por essa tradição, para exercer a autoridade. A dominação não é um fenômeno exclusivo da esfera política, mas um elemento essencial, que está presente em todas as instâncias da vida social. A dominação tradicional. Exemplo: gerontocracia im- plica nos governos dos mais velhos; no patriarcalismo os líderes herdam suas po- sições; no patrimonialismo há uma administração e uma força militar que são instrumentos pessoais do senhor que comanda. 40 C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 41 www.ulbra.br/ead A DOMINAÇÃO CARISMÁTICA 3. – para existir depende mais do grupo de seguidores e do modo como definem seu líder carismático; assim é possível converter-se em líder carismático in- dependentemente de se possuir ou não qualidades extraordinárias. A ascenção de um líder carismático pode representar uma ameaça para o sistema, pois o pensamento e a ações da pessoas mudam de forma dramática. São exemplos de líderes carismáticos: um demagogo, um herói militar, um di- tador, líder religioso ou revolucionário. Finalizando, para Weber, a dominação não é um fenômeno exclusivo da esfera política, mas um elemento essencial, que está presente em to- das as instâncias da vida social. A dominação carismática: para Weber, o importan- te é o processo pelo qual o líder se distingue da maioria das pessoas e é tratado como se estivesse dotado de poderes sobre- naturais, excepcionais, ou de qualidades que não são acessíveis para a maioria das pessoas. Fo nt e 1 7: A rq ui vo U lb ra Ea d C on ce pç õe s T eó ric as C lá ss ic as d as C iê nc ia s S oc ia is : W eb er , D ur kh ei m e M ar x Sociedade e Contemporaneidade 42 www.ulbra.br/ead Revisão Max Weber - Teoria Compreensiva Objeto de Estudo: Ação Social. Organização Social: as características da ação social, são o fundamento da organização das relações sociais. Definição de Sociologia: é a ciência que pretende compreender, interpretando à ação so- cial; para desse modo, chegar a explicação causal do seu desenvolvimento e de seus efei- tos. Definição de Sociedade: um todo composto por indivíduos em constante interação. Não apresenta nenhuma tendência inerente, seja à transformação ou à conservação – Sociolo- gia Compreensiva. Objetividade do Cientista Social: Para Weber, o cientista social é guiado por suas preocupações com os problemas sociais, • sendo-lhe impossível separar-se de suas pré-noções; Para Weber, as preocupações do cientistas orientam a seleção e a relação entre os ele-• mentos da realidade a ser analisada. Mas, o cientista social ao iniciar o estudo, deve se conduzir pela busca neutra da verdade possível dos acontecimentos; A realização da tarefa científica, não deve ser dificultada pela defesa das crenças e idéias • pessoais do cientista. Qualquer que seja a perspectiva adotada pelo cientista , resultará numa explicação parcial. A cientificidade de uma explicação é garantida pelo método de reflexão utilizado, não • pela objetividade pura dos fatos; Para Weber, embora os acontecimentos sociais possam ser quantificáveis, a análise do • social envolve sempre uma questão de qualidade, interpretação, subjetividade e compre- ensão.