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Práticas educativas em saúde

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educandos, os que seguem a prescrição (FREIRE, 2005, p. 68).
· O educador é o que atua; os educandos, os que têm a ilusão de que atuam.
· O educador escolhe o conteúdo programático; os educandos, jamais ouvidos nesta escolha, se acomodam a ele.
· O educador identifica a autoridade do saber com sua autoridade funcional, que opõe antagonicamente à liberdade dos educandos; estes devem adaptar‐se às determinações daquele.
· O educador, finalmente, é o sujeito do processo; os educandos, meros objetos. (FREIRE, 2005, p. 68).
Pedagogia de participação
· “[...] tomar parte; assumir o que é seu de direito; ser sujeito e ator; assumir o controle social”
· Finalidade da educação em saúde é a transformação, o que contribui firmemente para a consolidação dos princípios e diretrizes do SUS: universalidade, integralidade, equidade, descentralização, participação e controle social.
· Respeitando‐se ambos os saberes, científico e popular, que permanentemente se reconstroem (Funasa, 2007).
· Libertação da situação opressora: respeito, confiança, solidariedade e responsabilidade (DAMASCENO; SAID, 2008).
Promoção da saúde X Educação em saúde
· A educação em saúde representa um dos principais pilares da promoção da saúde e uma maneira de cuidado que leva ao desenvolvimento da consciência crítica e reflexiva para a emancipação dos sujeitos ao possibilitar a produção de um saber que leva as pessoas a cuidarem melhor de si e de seus familiares (SANTOS; PENNA, 2009).
· A educação tem o papel de conscientizar, objetivando a modificação de uma realidade indesejada, utilizando‐se da liberdade e do diálogo para se passar de uma visão ingênua a uma consciência crítica. (CHAGAS et al., 2009; FREIRE, 2005).
Não há docência sem discência, ensinar exige:
· Rigorosidade metódica; pesquisa; respeito aos saberes dos educandos.
· Criticidade; estética e ética; a corporificação das palavras pelo exemplo; risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.
· Reflexão crítica sobre a prática; o reconhecimento e a assunção da identidade cultural.
Ensinar não é transferir conhecimento, ensinar exige:
· Consciência do inacabamento.
· Reconhecimento de ser condicionado.
· Respeito à autonomia do ser educando.
· Bom senso; curiosidade; apreensão da realidade.
· Alegria e esperança; convicção de que a mudança é possível.
· Humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores.
Ensinar é uma especificidade humana, ensinar exige: 
· Competência profissional e generosidade. Comprometimento.
· Compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo; liberdade e autoridade.
· Tomada consciente de decisões; saber escutar.
· Reconhecer que a educação é ideológica.
· Disponibilidade para o diálogo.
· Querer bem aos educandos.
Interatividade 4
Opção A
UNIDADE III
Planejamento e execução de uma ação educativa
· A ação educativa ocorre freqüentemente a partir de uma situação-problema. 
· A ação educativa faz parte da prática do profissional de saúde em todo momento e em todo lugar.
Qual a situação ou agravo de saúde que, no momento, mais preocupa os profissionais de saúde e a população? Por quê? 
Qual a temática a ser abordada?
· Quando apenas as equipes de saúde pensam e decidem o que deve ser feito, isto é um planejamento centralizado.
· Ele é mais rápido, permite o controle pelo gestor de saúde e atende às necessidades de natureza epidemiológica, mas frequentemente não reflete as necessidades mais sentidas da população e nem sempre permite a participação social no controle e fiscalização das ações.
· O planejamento participativo ocorre onde a população, junto com a equipe de saúde, discute seus problemas e encontra as soluções para as suas reais necessidades.
· Uma ação educativa problematizadora e participativa, numa perspectiva de mudança, pressupõe que a população compartilhe de forma real de todos os passos da ação: planejamento, execução e avaliação.
· A população deverá participar “tomando parte” nas decisões, assumindo as responsabilidades que lhe cabem, compreendendo as ações de caráter técnico realizadas ou indicadas.
· Neste processo, as respostas aos problemas não são preparadas e decididas pelos profissionais, mas são buscadas a partir da análise e reflexão entre técnicos e população sobre a realidade concreta, seus problemas, suas necessidades e interesses na área da saúde.
· Esta ação conjunta pressupõe um processo dialógico, bidirecional e democrático, que favorecerá não só a transformação da realidade, mas também dos próprios profissionais e da população.
· Um dos princípios do planejamento participativo é a flexibilidade, que permite a reformulação das ações planejadas durante sua execução.
Elaboração de um projeto educativo
· Planejamento é um processo ordenado que necessita de etapas estabelecidas em uma ordem lógica.
Diagnóstico
· Coleta de dados;
· Discussão;
· Análise e interpretação dos dados;
· Estabelecimento de prioridades.
Coleta dos dados
· Analítico‐descritiva: na qual não há diálogo, equivale a uma fotografia de determinado momento; normalmente não identifica as reais necessidades da população.
· Participativa: é realizada a partir de observações dos participantes e reuniões comunitárias; nesse caso, a coleta de dados não é separada da intervenção. Um risco que se corre nessa situação é o imobilismo, uma vez que não se podem resolver todos os problemas que envolvem questões sociais e econômicas.
· O diagnóstico de uma situação na área da saúde implica no conhecimento dos fatores de caráter demográfico, epidemiológico, de organização dos serviços de saúde, das instituições da comunidade, bem como de aspectos socioeconômicos e de infraestrutura da localidade/município.
· Estes dados permitem a identificação dos problemas de saúde dentro de um contexto de saúde coletiva.
· Sua identificação e análise crítica irão sugerir caminhos para o planejamento das ações de saúde. 
· Diagnóstico situacional precisa ser transformado em diagnóstico educacional, considerando os envolvidos e o contexto da situação.
· Descrever o problema.
· Caracterizar a população-alvo e/ou a instituição estudada.
· Descrever os dados levantados, com análise dos resultados ou situações identificadas.
· Apresentar propostas ou sugestões para resolução dos problemas de natureza pedagógica.
Exemplo:
Situação/problema de saúde: dengue
· Coleta de dados analítico‐descritiva.
· Coleta de dados participativa.
· Analítico‐descritiva: fotografia instantânea, retratando uma situação num determinado momento. Não há diálogo na relação profissional de saúde e população.
· Participativa: população e profissionais interagem em um trabalho conjunto, buscando e identificando os problemas e suas causas e discutindo soluções alternativas. É um trabalho educativo, com troca de experiências, valorização do conhecimento técnico-científico e popular. A vivência de cada participante é levada em conta e todos, em um trabalho conjunto, contribuem para mudanças na situação, visando à saúde coletiva.
· Coleta de dados;
· Discussão;
· Análise e interpretação dos dados; 
· Estabelecimento de prioridades.
Plano de ação
· Título/tema do trabalho;
· Descrição do problema;
· Característica geral do município, instituição e da população-alvo;
· Diagnóstico educativo; apresentação e análise dos dados;
· Projeto educativo;
· Justificativa;
· Objetivos: geral; específicos;
· Conteúdo programático;
· População-alvo;
· Metodologia;
· Avaliação;
· Recursos: humanos; materiais; financeiros;
· Cronograma/quadro de atividades.
Diagnóstico educativo
· Esta etapa corresponde à organização, análise e apresentação dos dados coletados para identificação dos problemas de natureza pedagógica, incluindo propostas e/ou sugestões para a sua resolução.
· Ainda pode indicar sugestões para encaminhamento dos problemas de organização de serviços e outros que possam interferir na operacionalização das ações educativas.
Projeto educativo
· O primeiro passo é justificar o porquê da necessidade de ações

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