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QUEIMADURAS

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Queimaduras 
{Sabiston, Cartilha para tratamento de emergências das queimaduras – Ministério da Saúde (2012)} 
 
CAUSAS 
Não há nenhum trauma maior do que uma grande queimadura, que pode ser classificado de acordo com suas diferentes causas e 
profundidades. De todos os casos 4.000 pessoas morrem das complicações relacionadas com lesões térmicas. Como em todas as 
mortes relacionadas com trauma, os óbitos por queimaduras geralmente ocorrer imediatamente após a lesão ou semanas mais 
tarde em consequência de falência múltipla de órgãos. De todas as queimaduras, 66% ocorrem em casa e os óbitos são 
predominantes nos extremos de idade, crianças e idosos. As causas mais comuns são as chamas e escaldaduras. As escaldaduras 
são mais comuns em vítimas de até 5 anos de idade. Uma porcentagem significativa de queimaduras em crianças é causada pelo 
abuso infantil. Existem vários fatores de risco vinculados às queimaduras – especificamente idade, localização, demografia e baixo 
nível socioeconômico. 
 
Localização desempenha um papel importante no risco e tratamento da queimadura. Os recursos disponíveis em uma determinada 
comunidade influenciam a morbidade e mortalidade. O tratamento ideal para queimaduras requer a colaboração de cirurgiões, 
anestesistas, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, terapeutas de reabilitação e assistentes sociais 
para acomodar as necessidades básicas de um sobrevivente de grande queimadura. 
 
FISIOPATOLOGIA DAS QUEIMADURAS 
Alterações locais 
Localmente, a lesão térmica causa necrose 
coagulativa da epiderme e dos tecidos 
subjacentes, com a profundidade da lesão 
dependendo da temperatura à qual a pele 
foi exposta, do calor específico do agente 
causal e da duração da exposição. 
As queimaduras são classificadas em 5 
categorias diferentes de causa e 
profundidade da lesão. As causas incluem 
lesão por chama (fogo), líquidos quentes 
(escaldadura), contato com objetos quentes 
ou frios, exposição química e/ou condução de eletricidade. As três primeiras causam dano celular pela transferência de energia, 
que leva à necrose de coagulação. Queimaduras químicas e queimaduras elétricas causam lesão direta às membranas celulares, 
além da transferência de calor, e podem causar necrose coagulativa ou coliquativa (liquefativa). 
 
A pele, que é o maior órgão do corpo humano, fornece forte 
barreira à transferência de energia para os tecidos mais 
profundos, confinando, assim, grande parte da lesão nesta 
camada. Uma vez removido o foco desencadeador da 
queimadura, no entanto, a resposta dos tecidos locais pode 
levar à lesão nas camadas mais profundas. A área de lesão 
cutânea foi dividida em 3 zonas (de coagulação, de estase e 
de hiperemia). A área necrótica da queimadura onde as 
células foram destruídas é denominada zona de coagulação. 
Esse tecido é danificado irreversivelmente no momento em que 
ocorre a lesão. A área imediatamente adjacente à zona 
necrótica tem um grau de lesão moderado, com perfusão tissular reduzida. Essa área é chamada de zona de estase e, dependendo 
das condições da ferida, pode sobreviver ou evoluir para necrose coagulativa. A zona de estase está associada a dano vascular 
com extravasamento de fluidos. O tromboxano A2, um vasoconstritor potente, está presente em altas concentrações nas feridas de 
queimaduras, e a aplicação local de inibidores melhora o fluxo sanguíneo e diminui a zona de estase. Antioxidantes, antagonistas 
da bradicinina e pressões subatmosféricas na ferida também melhoram o fluxo sanguíneo e afetam a profundidade da lesão. 
Interações endoteliais locais com neutrófilos medeiam algumas das respostas inflamatórias locais associadas à zona de estase. 
Tratamento direcionado para o controle da inflamação local, imediatamente após a queimadura pode preservar a zona de estase. 
A última zona é denominada zona de hiperemia, caracterizada pela vasodilatação em razão da inflamação cincunjacente à 
queimadura. Essa região contém o tecido claramente viável do qual se inicia o processo de cicatrização e, geralmente, não tem 
risco de necrose adicional. 
 
Profundidade da queimadura 
A profundidade da queimadura é classificada em grau de lesão 
na epiderme, derme, tecido adiposo subcutâneo e estruturas 
subjacentes. 
→ Queimaduras de primeiro grau são, por definição, lesões 
confinadas à epiderme. Queimaduras de primeiro grau são 
dolorosas, eritematosas e empalidecem ao toque, com uma 
barreia epidérmica intacta. Exemplos incluem queimaduras 
solares ou uma pequena escaldadura de um acidente na 
cozinha. Estas queimaduras não resultam em cicatrizes e o 
tratamento visão ao conforto com uso tópico de pomadas 
emolientes, com ou sem aloé, e AINEs orais. 
→ Queimaduras de segundo grau são divididas em dois tipos: 
superficiais e profundas. Todas as queimaduras de segundo 
grau têm algum grau de dano térmico, por definição, e a 
divisão é baseada na profundidade da lesão na derme. Queimaduras dérmicas superficiais são eritematosas, dolorosas e 
empalidecem ao toque e frequentemente formam bolhas. Essas feridas reepitelizam espontaneamente por estruturas 
epidérmicas retidas nas cristas dermoepidérmicas, folículos pilosos e glândulas sudoríparas em uma a duas semanas. Após a 
cicatrização, essas queimaduras podem ter leve descoloração cutânea a longo prazo. Queimaduras dérmicas profundas na 
derme reticular mostram-se mais pálidas e mosqueadas, não empalidecem mais ao toque, mas permanecem dolorosas aos 
estímulos táteis. Essas queimaduras cicatrizam em duas a cinco semanas por reepitelização a partir de ceratinócitos dos folículos 
pilosos e das glândulas sudoríparas, muitas vezes formando cicatrizes graves devido à perda da derme. 
→ Queimaduras de terceiro grau são de espessura total da derme e epiderme e se caracterizam por uma escara dura, semelhante 
ao couro, indolor e preta, branca ou cor de cereja nenhum apêndice epidérmico ou epidérmico resta. Desta forma, essas 
queimaduras devem reepitelizar-se a partir das bordas cutâneas. Queimaduras dérmicas profundas e de espessura total 
requerem enxertos de pele do paciente para cicatrizarem em tempo hábil. 
→ Queimaduras de quarto grau envolvem outros órgãos abaixo da pele, como músculos, ossos e cérebro. 
 
A determinação precisa da profundidade é fundamental para a cicatrização, pois as feridas que vão cicatrizar com tratamento 
local são tratadas diferentemente daquelas que requerem intervenção cirúrgica. 
 
Novas tecnologias, como a dopplerfluxometria a laser multissensível, trazem a promessa de determinar, de forma quantitativa, a 
profundidade da queimadura. Vários estudos têm afirmado a superioridade desta nova tecnologia sobre o julgamento clínico na 
determinação das feridas que necessitam de enxerto de pele. 
 
 
Tamanho da queimadura 
O tamanho da queimadura estima a extensão da lesão. O tamanho da queimadura é geralmente avaliado pela regra dos noves. Em 
adultos, cada membro superior e a cabeça correspondem a 9% da área da superfície corporal total (ASCT), extremidades inferiores 
e troncos anterior e posterior correspondem a 18% cada e o períneo e genitália são considerados 1%. Outro método de estimar 
queimaduras menores é igualar a mão aberta do paciente (incluindo-se aí a 
palma e os dedos estendidos) a aproximadamente 1% 
 
As crianças têm comparativamente uma maior área da superfície corpórea 
na cabeça e no pescoço, que é compensada por um superfície relativamente 
menor nas extremidades inferiores. As crianças têm 21% da ASCT no somatório 
da cabeça e do pescoço e 13% em cada perna, que se aproximam 
gradualmente das proporções adultas com o aumentar da idade. A fórmula 
de Berkow é utilizada para determinar com precisão o tamanho das 
Queimaduras em crianças 
 
 
TRATAMENTO 
Tratamento básico 
Tratamento pré-hospitalar 
Antes de serem submetidos a qualquer tratamento específico, os pacientes 
queimados devem ser removidos do cenário do trauma, e o processo lesivo, 
interrompido. Lesão por inalação

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