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AULA 2 - SEMIOLOGIA PSIQUIÁTRICA

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Antonio Henrique Riquelme
 Aula 2 - SEMIOLOGIA PSIQUIÁTRICA
SEMIOLOGIA PSIQUIÁTRICA
A Psiquiatria é uma especialidade médica que emprega conhecimento das ciências naturais e das ciências humanas, e é isto que diferencia das demais especialidades. 
HISTÓRIA CLÍNICA PSIQUIÁTRICA
É a história de vida do paciente, descrevendo os sinais e sintomas apresentados.
- Muitas vezes, também inclui informações obtidas de outras fontes, como os pais, cônjuges, policiais e socorristas.
Características do entrevistador, como suas cresças, valores, sensibilidade, estado emocional no momento da entrevista e outras, podem interferir nos fenômenos observados. 
No decorrer da entrevista é importante atentar-se não apenas no que o paciente diz, mas também à forma como se expressa e a que faz enquanto fala. 
ANAMNESE
1) Danos da identidade do paciente: 
Nome, idade, gênero, estado civil, situação conjugal, naturalidade, procedência, ocupação, renda pessoal e familiar, escolaridade e religião.
2) Queixa principal – origem e motivo do encaminhamento.
O que aconteceu nas últimas semanas que determinou a procura do tratamento ou internação hospitalar; houve algum evento ou problema que desencadeou a crise; abordagens da situação ou tratamento já realizados.
3) História da moléstia atual
a) Episódio atual -> Descrição detalhada dos sintomas apresentados pelo paciente no atual episódio e como começaram; alterações do comportamento, do humor, do pensamento ou outras alterações mentais.
Alterações nas funções fisiológica (sono, alimentação e sexualidade). 
Avaliar as ideias ou plano de suicídio, comportamento agressivo ou outros comportamentos de risco; interferência na vida diária, nas relações interpessoais e familiares, na vida social e afetiva ou no trabalho.
Estressores (eventos vitais, problemas situacionais) relacionados ao início do atual episódio).
Resultado de exames já realizados. 
b) Episódios anteriores da doença atual:
- Idade de início dos sintomas e períodos de agravamento; estressores, eventos vitais ou situacionais relacionados a crise.
- Tratamento já realizados; psicofarmacos (dose, tempo de uso), psicoterapia e respostas, internações psiquiátricas prévias e motivo.
4) Antecedentes – História Médica e Psiquiátrica
Descrever a ordem cronológica, as doenças, as cirurgias e internações hospitalares.
Observar o estado atual de saúde, as mudanças recentes de peso, de sono, hábitos intestinais e problemas menstruais. 
Anotar medicamentos em uso, dose e profissional que prescreveu.
Verificar uso de drogas e álcool.
Importante avaliar episódios de TCE, doenças neurológicas, tumores, transtornos convulsivos, HIV, sífilis e hipotireoidismo.
Avaliar transtornos psicossomáticos como rinite, asma, artrite reumática, colite ulcerosa, hipertireoidismo, resfriados recorrentes, problemas gastrointestinais e de pele. 
QUADRO CLÍNICO
A história clínica é importante já que por exemplo endocrinopatias como hipotireoidismo pode manifestar como depressão.
O tratamento com corticoides pode precipitar sintomas maníacos e psicóticos.
Coexistência de doenças físicas pode resultar em sintomas psiquiátricos secundários.
5) Antecedentes – História pessoal:
a) História pré-natal/ nascimento
- Informações sobre a gestação, o parte e as condições do nascimento, incluindo: peso, anoxia, icterícia, distúrbios metabólicos. 
b) Infância e desenvolvimento
- Descrever: as condições de saúde, os comportamentos e hábitos com relação ao sono, alimentação, as aquisições de habilidades, incluindo desenvolvimento moto, da linguagem e o controle esfincteriano.
- A vida escolar, abrangendo idade de início da aprendizagem, o ajustamento, o temperamento, medos o relacionamento e a interação social.
C) Adolescência
- Descrever: os interesses, as aquisições quando à vida escola, a profissionalização ou trabalho.
- Avaliar as interações e o relacionamento com familiares e colegas, a sexualidade incluindo a menarca, namoros, a primeira relação sexual, uso de drogas ou álcool.
D) Idade adulta 
· História ocupacional
· História de relacionamento e conjugal
· História militar
· História educacional
· Religião
· Atividade social
· Atual situação de vida
· História legal
· História sexual
· Fantasias e sonhos
· Valores 
6) Antecedentes – História Familiar
- Presença do transtorno ou da síndrome em familiares
- Observar história de suicídio e de violação de lei ou padrões sociais
- O ambiente familiar: o nível de interações, os padrões de relacionamento dos pais entre si, com os filhos e destes entre si, constitui-se numa informação importante.
7) Personalidade pré-mórbida
- Compreende o conjunto de atitudes e padrões habituai de comportamento do indivíduo
- A descrição deve abarcar o modo de ser habitual do paciente, independente da sua situação de doença. 
8) Exame físico
- Deve ser feito de rotina, visando verificar se os sinais e sintomas estão associados a condições orgânicas ou psiquiátricas
** Atenção especial ao exame neurológico **
EXAME DO ESTADO MENTAL
É uma avaliação do funcionamento mental do paciente, no momento do exame, com base nas observações que forem feitas durante a anamnese. 
	TABELA: MODELO DE EXAME DO ESTADO MENTAL
	1 -Aparência 
	2- Fala
	3- Humor
	a) Subjetivo
	b) Objetivo
	4) Pensamento
	a) Forma
	b) Conteúdo
	5- Percepções
	6- Sensório
	a) Atenção
	b) Orientação (pessoa, lugar, tempo)
	c) Concentração
	d) Memória (imediata, recente, longa duração)
	e) Cálculos
	f) Cabedal de conhecimento
	g) Raciocínio abstrato
	7- Insight
	8- Discernimento
1- APARÊNCIA
- Trata-se de uma descrição da impressão geral advinda da aparência física, da atitude e conduta do paciente na interação com o entrevistador. 
- Cuidados higiênicos e estéticos relativos ao corpo (incluindo cabelos, barba, unhas, dentes), roupas, maquiagem e adereços (brincos, colares, pulseiras etc.). Em geral, a aparência é o primeiro elemento observado no paciente, e o seu exame oferece indicações sobre o estado de diversas funções mentais.
- Uma outra forma de classificar a aparência seria em: adequada, bizarra (ou extravagante, ou excêntrica) e exibicionista. Denomina-se bizarra a aparência destoante do usual no ambiente do indivíduo, qualitativamente diferente ou apenas exagerada em relação ao padrão da maioria das pessoas. Já a aparência exibicionista caracteriza-se pela excessiva exposição do corpo, sendo apresentada por pacientes com aumento da libido ou comportamento sedutor.
■ Depressão, esquizofrenia: Descuidado
■ Demência: Apraxia (perda da capacidade de realizar movimentos voluntários), frequentemente a aparência esta descuidada.
■ Mania: Mulheres maníacas costuma ter roupa chamativas, excesso de maquiagem, perfume em excesso, muito enfeites. As vezes curtas e decotas (aparência exibicionista). Alguns pacientes maníacos, contudo, pode aparentar descuidada em função de uma intensa agitação.
2- ATITUDE
Quase não há termos técnicos para descrever as formas de atitude, sendo usadas basicamente palavras de uso corriqueiro. Alguns comportamentos por parte dos pacientes são considerados desejáveis, no sentido de contribuírem positivamente para a realização da avaliação psiquiátrica:
atitude cooperante, atitude amistosa, atitude de confiança, atitude interessada. Essas atitudes desejáveis em geral estão relacionadas a uma plena consciência de morbidade.
· Atitude não cooperante: dizer que o paciente não é cooperante é muito vago, já que há diversas formas de não cooperar
· Atitude de oposição (ou negativista): o paciente se recusa a participar da entrevista
· Atitude hostil: o paciente ofende, ameaça ou agride fisicamente o examinador
· Atitude de fuga: reflete o medo por parte do paciente
· Atitude suspicaz (ou de desconfiança): “Você é mesmo médico?”, “Há microfones escondidos aqui?” e “Por que o senhor está perguntando sobre isso?” são perguntas formuladas pelos pacientes que apresentam esse tipo de atitude, a qual costuma estar relacionada a uma atividade delirante
· Atitude querelante: o paciente discute ou briga com o examinador, por