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RESPONSABILIDADE CIVIL UNIDADE 1

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RESPONSABILIDADE CIVIL
HISTÓRICO E CONCEITO DA 
RESPONSABILIDADE CIVIL
Bruna Souza da Silva
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Olá!
Você está na unidade . Nesta unidade, você vai aprender o queHistórico e conceito da responsabilidade civil
significa a expressão “responsabilidade civil”, bem como as subdivisões deste instituto jurídico que possuem
interface com outros ramos do Direito, além do Direito Civil, como por exemplo: Direito Penal, Direito
Constitucional e Direito Administrativo.
Bons estudos!
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1. Histórico e conceito da responsabilidade civil
O conceito de atualmente adotado pelo Direito brasileiro se originou no Código Civilresponsabilidade civil
francês, outorgado por Napoleão em 1804. Ele está relacionado à existência de culpa de um agente por ter
praticado algo ato danoso a alguém, que deverá ser reparado. O dispositivo pode ser facilmente traduzido pela
expressão: aquele que causar dano a outrem fica obrigado a repará-lo. Ao contrário do que acontece no Direito
Penal, não há nesse caso a necessidade de que se estabeleça de forma prévia qual tipo de dano enseja reparação,
e nem há medida de reparação previamente estabelecida. Veja a seguir os amparos da responsabilidade civil no
Direito Romano:
Amparos da responsabilidade civil no Direito Romano
Viver honestamente ( );honestae vivere
Dar a cada um o que é seu ( ).suum cuique tribuere
Assista aí
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/9d5309ef5e033526fbdf94391623bfa9
Segundo Stoco (2011,p. 35), a responsabilidade civil é mais uma consequência do que uma obrigação original:
A ninguém se permite lesar outra pessoa sem a consequência de imposição de sanção. No âmbito
penal a sanção atende a um anseio da sociedade e busca resguardá-la. No âmbito civil o dever de
reparar assegura que o lesado, enquanto pessoa individualizada, tenha o seu patrimônio – material
ou moral – reconstituído ao , mediante a .statu quo ante restitutiu in integrum
Para se caracterizar a responsabilidade civil, são necessários dois elementos de natureza fática (conduta do
agente e o resultado danoso) e um elemento chamado de lógico-normativo que é o nexo causal. Dentre os
elementos necessários para caracterizar a responsabilidade civil, podemos citar:
Ato ilícito, omissivo ou comissivo, doloso ou culposo;
Dano;
Nexo de casualidade.
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Figura 1 - Justiça e danos materiais
Fonte: Alexstr, Shutterstock, 2020
#PraCegoVer: Vemos na imagem o martelo de um juiz e, ao lado, dois carros que bateram um contra o outro,
causando um dano material.
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1.1 Responsabilidade civil subjetiva, objetiva e culpa presumida
O conceito de responsabilidade civil predominante no nosso ordenamento jurídico foi diretamente influenciado
pelo Código Napoleão, em que a responsabilização civil pelo ato ilícito está diretamente ligada à existência de
culpa do agente que praticou a conduta (comissiva ou omissiva) antijurídica. Desse modo, a responsabilidade
civil cujos elementos caracterizadores requerem a existência da culpa (esta identificada por meio da negligência,
imprudência ou imperícia) caracteriza-se como , pois, além dos elementos ato ilícito, dano, e nexo desubjetiva
causalidade, é necessário demonstrar e comprovar o elemento subjetivo do agente para que passe a existir a
obrigação de reparação civil.
A no nosso ordenamento aparece, de certa forma, como regra, sendo que a responsabilidade subjetiva
 (que independente de culpa) acontece somente em hipóteses legalmente previstas.responsabilidade objetiva
No entanto, dentro da doutrina da responsabilidade subjetiva, constatou-se que na prática, e por vezes, a
necessidade de que o lesado demonstrasse a existência de culpa do agente e o nexo de causalidade acabava por
inviabilizar a reparação. Isso em decorrência de algum desequilíbrio na relação como, por exemplo, desigualdade
econômico-financeira, níveis diferentes de organização empresarial. Tal situação em boa parte das vezes não se
via resolvida nem por meio da , fazendo com que o lesado permanecesse sem ainversão do ônus da prova
devida reparação, embora tenha se reconhecido o dano sofrido em seu patrimônio jurídico.
Diante desse quadro, muitos doutrinadores foram sentindo, ao longo dos anos, insuficiência da teoria da
responsabilidade subjetiva – baseada na culpa –, para reparação dos danos o que levou ao paulatino alargamento
da teoria da responsabilidade, como, por exemplo, através do desenvolvimento da chamada “teoria da culpa
”. Segundo Stoco (2011, 182):presumida
Assista aí
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/41cff126fea716ee047ea399154bd081
Trata-se de uma espécie de solução transacional ou escala intermédia, em que se considera não
perder a culpa a condição de suporte da responsabilidade civil, embora aí já se deparem indícios de
sua degradação como elemento etiológico fundamental da reparação e aflorem fatores de
consideração da vítima como centro da estrutura ressarcitória, para atentar diretamente para as
condições do lesado e a necessidade de ser indenizado
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Tratam-se, portanto, de casos em que se abandona a necessidade de que o lesado comprove a culpa do agente,
para se passar ao paradigma de que tal culpa será presumida, cabendo ao agente provar a sua inocência para
eximir-se do dever de indenizar. Tal presunção de culpa pode ser informada por disposição de lei ou também
pelo posicionamento da jurisprudência. No entanto, o Código Civil brasileiro não adota a teoria da culpa
presumida, assumindo como regra a responsabilidade subjetiva e informando expressamente a existência de
responsabilidade objetiva nos casos em que a elegeu, como por exemplo:
i. atividades perigosas, conforme art. 927, parágrafo único;
ii. responsabilidade de menores inimputáveis, art. 928;
iii. responsabilidade objetiva de pais, tutores e curadores, empregadores e donos de hotéis (art. 932);
iv. responsabilidade do dono ou detentor de animal (art. 936)
v. e responsabilidade do habitante do prédio de onde caem ou são lançadas coisas (art. 938), conforme rol citado
por Rui Stoco (2011).
O desenvolvimento da “teoria da culpa presumida” foi um passo importante em direção à elaboração da “teoria
”. Em razão da insatisfação da doutrina e jurisprudência com a teoria dada responsabilidade objetiva
responsabilidade civil atrelada à culpa, que nem sempre atendia aos anseios da sociedade e restaurava a
situação de justiça, foi-se caminhando para a construção da teoria da responsabilidade sem culpa, ou
responsabilidade objetiva, que surge unicamente da ocorrência do fato danoso.
Como aponta Eugenio Facchini Neto (apud STOCO, 2011), a teoria da responsabilidade atrelada à culpa
funcionou bem durante o século XIX quando, ao final deste, viu surgir seu declínio. Uma das circunstâncias que
favoreceram esse declínio e a necessidade de evolução das teorias decorreu justamente da Revolução Industrial,
quando pessoas necessitadas de emprego e sustento passavam excessivas horas trabalhando nas fábricas e
indústrias, sendo vítimas de danos que na maioria das vezes decorriam da atividade empresarial, na qual a
vítima não teria condições de comprovar a culpa, mas também não poderia ficar desamparada, por não ter ela –
vítima – também culpa pelo dano sofrido. Dessa forma, passa-se a admitir como indenizável o ato que gera dano
a outrem, independentemente de que seja culpável. Passa-se a admitir, portanto, a responsabilidade civil é
objetiva, que prescinde de culpa do agente.