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LESÕES FUNDAMENTAIS ODONTOLOGIA

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OB3 – Entender o que é lesão fundamental, tipos e 
conceitos. 
 
 As lesões fundamentais são alterações 
morfológicas que ocorrem na mucosa bucal, e 
assumem características próprias, individualizadas e 
padronizadas, a partir das quais, juntamente com outros 
dados clínicos, pode-se identificar uma patologia. Essas 
lesões são resultantes de processos patológicos básicos 
(inflamatórios, degenerativos, circulatórios, tumorais, 
metabólicos ou por defeitos de formação) que aparecem na 
mucosa bucal e na pele, sendo divididas em cinco tipos mais 
comuns de serem encontradas na mucosa bucal: 
 
•Lesões enegrecidas (mancha; mácula) 
•Lesões brancas (placa) 
•Perdas teciduais (erosão; úlcera) 
•Lesões vesicobolhosas (vesícula; bolha) 
•Lesões elevadas (pápulas, nódulos). 
As lesões elementares são frequentemente divididas em 
dois grupos: as primárias (primitivas) e as secundárias, 
sendo as primeiras caracterizadas por terem a forma inicial; 
as últimas resultam da evolução das primárias. 
Como exemplo, podemos citar uma bolha na mucosa 
bucal que, ao se romper, dará origem a uma úlcera; se 
detectada em sua forma primitiva, o raciocínio clínico seria 
direcionado para as doenças bolhosas, mas, se for 
encontrada em sua fase ulcerada, será mais difícil para o 
clínico determinar sua origem, a não ser que o paciente 
informe com absoluta clareza o desenvolvimento do 
processo ou que outros dados clínicos sugiram sua origem 
bolhosa. 
As lesões primárias são as lesões que se manifestam 
inicialmente, mas que ocasionalmente podem não conseguir 
conservar sua aparência inicial, podendo ser alteradas por 
traumatismos, mastigação, maceração, movimentos dos 
tecidos e pelo próprio tempo, por exemplo, manchas, 
pápulas, nódulos, vesículas, pústulas, bolhas etc. 
As lesões secundárias são decorrentes de modificações 
que se associam ou se desenvolvem nas lesões primárias 
previamente estabelecidas (aparecem consecutivamente às 
lesões primárias), por exemplo, erosões, fissuras, úlceras, 
pseudoplacas etc. 
Apenas a anotação da lesão não basta; ela deve ser 
descrita com riqueza de detalhes de modo que, ao ler a ficha 
clínica, outro profissional possa visualizá-la claramente. 
Para isso, alguns dados devem ser estudados. 
• Forma: representa a forma geométrica com a qual a 
lesão se assemelha: lentiforme, cordoniforme, circular, 
oval, linear, globosa, discoide, filiforme, lobulada 
• Localização: é a determinação da posição e da região 
anatômica em que se localiza a lesão 
• Limites: são demarcadas as estruturas anatômicas 
fronteiriças à lesão 
• Cor: é descrita a cor predominante da lesão: 
amarelada, enegrecida, esbranquiçada, acastanhada, 
azulada etc. 
• Tamanho: é descrito em milímetros, medindo o eixo 
de maior diâmetro ou extensão aproximada da lesão 
• Base: séssil, quando a base da lesão é maior que o 
equador (figurativamente lembra o formato de uma 
montanha). Pediculada, quando a base é menor que o 
equador da lesão (figurativamente lembra o formato de 
um cogumelo). 
• Consistência: é descrita a resistência da lesão frente à 
pressão, podendo ser fibrosa, borrachoide, esponjosa, 
branda, pétrea, elástica etc. 
• Textura: pode ser brilhante, opaca, globosa, 
verruciforme ou verrucosa, lisa, rugosa, áspera etc. 
• Contorno: pode ser nítido, difuso, regular ou irregular 
•Número: refere-se à quantidade de lesões semelhantes 
presentes; quando múltiplas anotamos a quantidade, se 
são simétricas, umas próximas às outras etc. 
Tipos de Lesões fundamentais: 
1. Mácula ou mancha (área focal de alteração de 
coloração, que não é elevada ou deprimida em relação 
aos tecidos vizinhos). 
2. Placa (lesão elevada, com superfície plana). 
3. Erosão (lesão superficial, normalmente derivada da 
ruptura de uma vesícula ou bolha, caracterizada por 
perda parcial ou total do epitélio superficial). 
4. Úlcera ou ulceração (lesão caracterizada pela perda 
do epitélio de superfície e frequentemente parte do 
tecido conjuntivo subjacente, geralmente apresenta-se 
afundada). 
5. Vesícula (bolha superficial, com 5 mm ou menos de 
diâmetro, frequentemente preenchida por fluido claro) e 
Bolha (vesícula grande, superior a 5 mm de diâmetro). 
6. Pápula (lesão sólida e elevada, inferior a 5 mm de 
diâmetro). 
7. Nódulo (lesão sólida e elevada, superior a 5 mm de 
diâmetro). 
8. Pústula (vesícula ou bolha com exsudato purulento). 
9. Fissura (pequena ulceração, semelhante a uma fenda 
ou sulco). 
10. Fístula (lesão ocasionada por conexão anormal 
entre órgãos). 
11. Pústula (crescimento ou tumor contendo 
supuração). 
12. Petéquia (área hemorrágica puntiforme e circular). 
13. Equimose (área de hemorragia não elevada, com 
tamanho superior à petéquia). 
14. Telangiectasia (lesão vascular ocasionada pela 
dilatação de pequenos vasos sanguíneos superficiais). 
 Outros termos de interesse: 
 Séssil (tumor ou crescimento cuja base é a 
região mais larga da lesão). 
 Pedunculado (tumor ou crescimento em que 
a base é mais estreita). 
 Papilar (tumor ou crescimento com 
numerosas projeções na superfície). 
 Verrucoso (tumor ou crescimento com 
superfície rugosa e verrucosa). 
 Unilocular (característica radiográfica de 
lesão radiolúcida com um único 
compartimento). 
 Multilocular (característica radiográfica de 
lesão radiolúcida com vários 
compartimentos). 
 
MANCHAS/MÁCULAS – 
LESÕES ENEGRECIDAS: 
Manchas ou máculas são 
modificações da coloração 
normal da mucosa bucal, 
sem que ocorra elevação ou 
depressão tecidual. Outrossim, podem surgir sobre outro 
tipo de lesão fundamental, como pápulas, nódulos, placas e 
outras, quando então se tem alteração 
de forma. As manchas apresentam 
cor, tamanho e forma bastante 
variados, podendo sua origem ser 
devida à presença de melanina ou 
outras causas. Assim, a pigmentação 
gengival racial deriva de maior 
quantidade de melanina, 
predominantemente na gengiva de indivíduos da raça negra. 
Contudo, quanto mais escura for a cor da pele, maior a 
possibilidade de ocorrência de manchas melânicas 
intrabucais. O vitiligo é de cor 
clara, devido à perda da 
pigmentação natural. Outras 
ocorrem por depósito de metais 
pesados como mercúrio, prata, 
chumbo etc. 
 (PLACA) - LESÕES BRANCAS: 
As placas constituem lesões bem características, 
fundamentalmente elevadas em relação ao tecido normal, 
sua altura é pequena em relação à extensão, consistentes à 
palpação e a superfície pode ser rugosa, verrucosa, 
ondulada, lisa ou apresentar diversas combinações desses 
aspectos. Provavelmente o exemplo mais clássico seja a 
leucoplasia. No entanto, certas formas clínicas de líquen 
plano (em placa e hipertrófico) e carcinomas epidermoides 
podem assumir aspectos bastante semelhantes. Associados 
às placas podem aparecer manchas, erosões, ulcerações, 
fissuras, nódulos etc. Essas combinações de lesões, com 
certa frequência, confundem o clínico, mas a evolução da 
lesão, isto é, sua história clínica obtida junto ao paciente 
pode, quase sempre, esclarecer qual o aspecto inicialmente 
predominante, bem como sua evolução, favorecendo a 
formulação de hipóteses diagnósticas. 
 (EROSÃO; ÚLCERA) - 
PERDAS TECIDUAIS: A 
erosão representa perda parcial 
do epitélio, sem exposição do 
tecido conjuntivo subjacente. 
Surge em decorrência de 
variados processos patológicos, 
predominantemente de origem 
sistêmica, que produzem atrofia da mucosa bucal, que se 
torna fina, plana e com aparência frágil. As lesões erosivas 
do líquen plano são exemplos bem característicos, bem 
como as da língua geográfica ou glossite migratória. 
 Úlcera e ulceração são lesões em que ocorre solução 
de continuidade do epitélio com exposição do tecido 
conjuntivo subjacente. Sampaio (2001) reserva a 
denominação úlcera para lesões de caráter crônico 
(persistem por semanas ou meses), como as decorrentes de 
tumoresmalignos, pênfigo vulgar, sífilis secundária etc. 
Ulcerações correspondem a lesões de curta duração, 
geralmente consequentes a doenças autolimitantes como 
afta vulgar, herpes recorrente, lesões traumáticas e outras. 
Grinspan (1970) classifica as úlceras e ulcerações como 
lesões secundárias, decorrentes da evolução de lesões 
primitivas como bolhas, vesículas, nódulos etc. Na 
realidade, essa divisão se justifica apenas se pudermos 
detectar a lesão primária, acompanhar sua evolução ou obter 
do paciente informação absolutamente segura desse 
comportamento. A afta vulgar (ou ulceração aftosa 
recorrente) é um exemplo típico de ulceração primitiva em 
função de não ser possível, clinicamente, observar-se 
previamente em sua instalação o desenvolvimento de 
nenhuma outra lesão 
 
 (VESÍCULA; BOLHA) - 
LESÕES VESICOBOLHOSAS: 
São elevações do epitélio contendo 
líquido no seu interior. A 
membrana de revestimento pode 
ser fina ou espessa, conforme a 
lesão esteja localizada de maneira 
sub ou intraepitelial. 
Consideraremos, de acordo com Grinspan (1970), que 
devido às particularidades estruturais da mucosa bucal, são 
vesículas as lesões que não ultrapassem 3 mm no seu maior 
diâmetro, sendo as demais bolhas. Por outro lado, as bolhas 
são formadas por uma única cavidade, enquanto as 
vesículas, por várias. Assim quando perfurarmos uma bolha 
com agulha fina, seu conteúdo esvaziará por completo, 
enquanto nas vesículas apenas parte desse conteúdo escoaria 
por punção. Na prática, tanto uma como a outra lesão 
raramente são encontradas íntegras na mucosa bucal, devido 
aos traumatismos funcionais ou não que ocorrem sobre as 
lesões, provocando seu rompimento precoce, 
particularmente quando sua implantação é intraepitelial, 
como nas vesículas simples e bolhas do pênfigo vulgar. 
Quando subepiteliais, por exemplo, no penfigoide benigno 
de mucosa, é maior a possibilidade de serem detectadas 
íntegras. 
 
 
(PÁPULAS, NÓDULOS) - 
LESÕES ELEVADAS: 
Pápulas são pequenas lesões 
sólidas, circunscritas, 
elevadas, cujo diâmetro não 
ultrapassa 5 mm. Podem ser 
únicas ou múltiplas; com 
superfície lisa, rugosa ou verrucosa; arredondadas ou ovais; 
pontiagudas ou achatadas. Quando aglomeradas, constituem 
a chamada placa papulosa. Diferenciam-se dos nódulos, 
particularmente quando são pápulas únicas, apenas pelo 
tamanho. Os nódulos têm mais de 5 mm. É importante notar 
que todo nódulo foi em determinada época de sua evolução 
uma pápula que, ao crescer, deu lugar a um nódulo. 
Alguns exemplos bastante característicos são os grânulos de 
Fordyce e as lesões papulares do líquen plano. Convém 
lembrar que o tipo de lesão fundamental, apesar de auxiliar 
na formulação de hipóteses diagnósticas, absolutamente não 
caracteriza determinada doença, e as pápulas são, 
provavelmente, um dos exemplos mais evidentes. 
Nódulos são lesões 
sólidas, circunscritas, com 
localização superficial ou 
profunda e formadas por tecido 
epitelial, conjuntivo ou misto. 
Podem ser pediculados, quando 
seu maior diâmetro é superior ao 
da base de implantação, ou sésseis, 
quando o da base é maior. Quando a 
origem é conjuntiva, a superfície da 
lesão geralmente é recoberta por 
epitélio com aspecto normal, a não 
ser em áreas de irritação ou trauma. 
Os nódulos de origem epitelial 
podem apresentar superfície papilar, 
verrucosa ou mesmo lisa como, respectivamente, nos 
papilomas, carcinoma verrucoso de Ackerman e hiperplasia 
epitelial. As lesões decorrentes de tumores de glândulas 
salivares menores geralmente apresentam superfície 
lobulada. A consistência à palpação é muito variada, 
dependendo do tecido que o compõe e tempo de duração. 
Assim, os lipomas são nódulos “macios”; os granulomas 
piogênicos, flácidos; e os fibromas consistentes, “duros”. 
A denominação tumor costuma ser utilizada para 
designar nódulos com diâmetro superior a 2 cm. Como essa 
terminologia caracteriza um grupo bem específico de 
entidades mórbidas, e apenas parte das lesões nodulares são 
na realidade tumores, preferimos não usar essa denominação 
e aplicar a palavra nódulo em sentido bem mais amplo, sem 
especificar limites baseados em dimensões da lesão. Dessa 
maneira, a um tumor maligno com mais de 8 cm chamamos 
massa nodular, da mesma forma que a uma grande lesão 
periférica de células gigantes (benigna). Com a mesma 
terminologia descrevemos um toro palatino e outros. Se 
utilizarmos a denominação tumor para designar grandes 
lesões, podemos confundir os iniciantes, que conotarão o 
nome com sua característica histológica 
FONTE: https://www.unioeste.br/portal/estomatologia-
na-web/estomatologia/conteudo-teorico/lesoes-
fundamentais 
 FONTE: Kignel, Sergio - Estomatologia: bases do 
diagnóstico para o clínico geral / Sergio Kignel. - 3. ed. - Rio 
de Janeiro: Santos, 2020. 
Diagnóstico em patologia bucal / Maria Helena 
Tommasi. – 4. ed. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2013

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