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Livro - Engenharia para Aquicultura e Desenho Técnico para Engenharia Aquicola

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inferior a 50 centíme-
tros (figura 9.2). Acamada superficial geralmente é de colora-
ção clara a avermelhada com pouco escurecimento. A textura
é muito variável, em geral apresenta pedregosidade na super-
ficie ou mesmo rochosidado. A camada mais profunda é de co-
loração mais escura do que a superficial, podendo apresentar
também pedregrosidade. Estão, geralmente, associado a área
de relevo forte, ondulado, montanhoso e escarpado, no entan-
to, são encontrados também em relevo até plano. A presença
desses solos numa bacia hidrográfica de drenagem é um fator
favorável para o escoamento. Esses solos apresentam um es-
coamento médio, mas, quando erodidos, o escoamento é mui-
to alto. São de boa qualidade para a construção de açudes e
viveiros quando não são pedregosos ou arenosos demais.
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Figura 9.2. Solo Litólico.
62 ~PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
Afloramentos de rochas:
Os afloramentos de rochas constituem um tipo de terre-
no com caracterísitcas físicas próprias. Correspondem a expo-
sições de diferentes tipos de rochas, brandas ou duras, nuas
ou com reduzidas porções de materiais detríticos geralmente
arenosos não classificáveis como solo.
O relevo em que ocorrem os afloramentos de rocha é mui-
to variável, podendo se apresentar desde superfícies planas ou
suaves onduladas, bem como, mas com maior freqüência, nas
encostas íngremes ou dorsos das elevações, onde dominam
relevos acidentados (forte ondulado a montanhoso).
Sobre os afloramentos de rocha de maior tamanho, de-
senvolve-se a vegetação rala, constituindo formações rupes-
tres. Pela qualidade do material deve-se evita-lo para constru-
ção de açudes e viveiros.
Podzólicos:
São solos geralmente profundos (mais de 150 centíme-
tros), mas podendo ser rasos e pouco profundos (figura 9.3).
A camada superficial é de textura arenosa ou média, escure-
cida pelo teor de matéria orgânica. A camada mais profunda
é de textura média a argilosa e coloração amarela, vermelha
ou acinzentada. Avariação de textura, geralmente muito mar-
cante, entre a camada superficial e a mais profunda é uma ca-
racterística que distingue os solos Podzólicos. São solos que
estão presentes em todas as situações de paisagem. Possuem
um escoamento superficial médio. Com relação a fertilidade,
na região semi-árida os podzólicos e podzolicos-vermelhos
são de baixa fertilidade enquanto os podzólicos-eutróficos,
cinzentos e amarelos apresentam fertilidade natural mais ele-
vada. São de boa qualidade para a construção de viveiros e
barragens quando não forem arenosos demais.
ENGENHARIA PARAAQUICULTURA ~ 63
Figura 9.3. Solo Podzólico.
Planossolo:
São solos com pouca profundidade não ultrapassando a
média dos 100 em (figura 9-4). Geralmente de textura areno-
sa ou média, e de consistência solta nesta camada. A camada
mais profunda é de textura média ou argilosa e muito dura
(presença de rochas degradadas no material argiloso, transi-
ção abrupta entre a camada arenosa superficial e a camada
argilosa que aparece antes da rocha alterada). São de áreas
que encharcam durante o período chuvoso. Os agricultores
dizem que são solos arenosos que apresentam um salão (im-
pedimento argiloso muito duro) sob a superfície. Apresentam
vegetação natural rala, plantados geralmente com capim,
ocorrem freqüentem ente na região do Agreste. O escoamento
superficial é bastante variável mas geralmente suficiente para
construção de açude. Quando os Planossolos da bacia hidro-
gráfica de drenagem (BHD) são solódicos, deve-se esperar
uma água salinizada. Não é um material recomendado para a
construção de açudes mais comuns.
64 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
9.4. Solo Planossolo.
Solonetz Solodizado:
São solos pouco espessos cuja profundida média dificil-
mente ultrapassa 100 centímetros (figura 9.5)· A camada su-
perficial de textura normalmente arenosa a média e tra?sição
abrupta para a camada mais profunda. A C~mada ma~spro-
funda de textura média ou argilosa, ondurecida, quase Imper-
meável e coloração acinzentada. Avegetação sobre estes solos
é muito rala, com espécies adaptadas a condições de alto teor
de sódio. O escoamento superficial variável com a espessura
da camada superficial, porém, de água salinizada. Impróprios
para a agricultura em virtude dos altos. te~res de ~ó.dio.e das
dificuldades de drenagem. No caso da PISCIculturae indispen-
sável se fazer análise química do solo.
ENGENHARIA PARA AQUICULTURA ~ 65
Figura 9.5. Solo Solonetz Solodizado.
Vertissolo:
São os solos conhecidos como massapê, cuja espessu-
ra varia entre 100 a 200 centímetros (figura 9.6). A camada
superficial e de textura argilosa, dura e coloração marrom,
vermelha ou cinzenta escura, apresentando fendas no perí-
odo seco. A Camada mais profunda é de textura muito argi-
losa, muito dura, fendilhada e com as mesmas colorações.
Geralmente apresentam-se cobertos de caatinga. Observa-se
também concentração de pinhões (arbusto ou erva comum
nos Vertissolos).
Quanto ao Escoamento superficial, são solos que apre-
sentam um escoamento fraco ou médio no início das chuvas,
período em que estão rachados, mas, quando saturados com
água, podem provocar um escoamento muito elevado.
As bacias hidrográficas com forte proporção de Vertisso-
los não são muito boas para construção de açudes.
66~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
São solos muito ricos (férteis) embora a textura seja ex-
cessivamente argilosa, dificultando o manejo de máquinas. A
drenagem é ruim, restringindo a irrigação para alguns culti-
vos. Devem ser descartados, para a construção de viveiros e
barragens, em razão das fendas e rachaduras que ocorrerão
durante o seu secamento.
Figura 9.6. Solo Vertissol.
Latossolo:
São solos com mais de 200 centímetros de profundidade
(figura 9.7). ACamada superficial pode ser de textura arenosa,
média ou argilosa, escurecida ou não em função da matéria
orgânica. A camada mais profunda é de textura média ou argi-
losa, apresentando coloração amarela, vermelha ou roxa, com
possíveis concreções ferruginosas de coloração vermelha, de-
nominadas de concreções lateríticas. São solos profundos que
não apresentam, praticamente, mudança de cor e de textura
desde a superfície até as camadas mais profundas. São de ori-
gem sedimentar podendo ser originados a partir de granitos.
ENGENHARIA PARA AQUICULTURA ~ 67
Ocorrem, em geral, em relevo plano e suave ondulado, tanto
nos sopés das chapadas, quanto no seu topo. Geralmente o es-
coamento é muito fraco. No caso dos solos de textura argilosa
ou Laterítico, o escoamento pode apresentar valores médios.
Ayresentam fertilidade baixa a média, e são aptos para irriga-
ç~o..Com relação a qualidade para construção de barragens e
viveiros podem ser permeáveis demais.
Figura 9.7. Solo Latossolo.
3.8. O que é o pH dos solos?
O pH é um índice (figura 10), que representa o potencial
(p) de hidrogênio (H), é uma medida de acidez, neutralidade
e alcalinidade chamada de reação do solo. O valor 7,0 repre-
senta pH neutro; menor que 7,0, pH ácido e maior que 7,0
pH alcalino. A concentração hidrogeniônica é um indicador
da aptidão do solo à prática da aquacultura.
68 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
-- 14 - -
13
12
- - 11
10
Maior
9
8.6alcalinld.de 8
Neutra 7
8.3
Maior acidez:
6
5
-- 4
3
2
1
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Figura 10. Escala de acidez, neutralidade e alcalinidade.
Os solos para serem usados na aquacultura precisam ter
um pH ideal. Por exemplo, para a piscicultura o pH dev.eráes-
tar entre 6,5 a 8,5. Se o pH é menor que 5,5 os solos são muito
ácidos; pH maior que 9,5 são demasiadamente alcalinos. So-
los com pH menor que 4,0 ou maior que 11,0 não apresentam
aptidão para a construção de diques e fundo de viveiros.
O aumento de acidez nos solos tropicais úmidos é devido
a substituição, pela lixiviação, das bases de troca Ca, Mg, K e
Na por íons de H e AIe uso de fertilizantes ácidos.
A acidez pode ainda se originar da retirada pelas plantas,
dos íons, cálcio e magnésio, ficando o hidrogênio; adubação
química com sulfato de amônia (NH4S03) ou nitrato de amô-

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