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Livro - Engenharia para Aquicultura e Desenho Técnico para Engenharia Aquicola

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muito bem ao abastecimento de vi-
veiros destinados à criação de peixe, camarão, rã, etc.
ENGENHARIA PARAAQUICUlTURA ~ 37
Nas águas de rios, devido a correnteza, o oxigênio dis-
solvido é normalmente alto, o pH e o conteúdo de minerais
dissolvidos dependem da topografia, tipo do substrato através
do qual o rio corre e de sua atividade biológica.
Um dos problemas do uso da água de rios é a impossibili-
dade no controle total dos predadores e competidores. A redu-
ção destes se faz com o uso de filtros específicos. Estes, quando
mal dimensionados, não reduz com eficiência a contaminação.
Rio contaminado é fonte de água pobre, pois, o teor de
oxigênio dissolvido é reduzido devido ao consumo de oxigênio
utilizado pelas bactérias aeróbicas durante a decomposição
dos poluentes.
As águas de lagos são semelhantes às de rios e a concen-
tração de oxigênio é ligeiramente menor que aquelas. O risco
de enfermidades nessas águas são maiores devido a que são
mais ou menos paradas.
As águas de estuários (salobra) e do mar apresentam fato-
res limitantes à aquacultura. "A água do mar é muito corrosiva
e, como conseqüência, deve-se utilizar materiais especiais para
tubos, tanques, bombas e outros aparelhos e equipamentos que
estão em contato com ela. A maioria dos plásticos, resinas epó-
xicas e compostos galvanizados suportam bem a água do mar.
Outro problema do uso da água salgada nos empreendimen-
tos aquáticos, por exemplo, em estruturas flutuantes, é a deposi-
ção de "fouling" (incrustação de organismos às redes submersas).
A água potável apresenta vantagens para a população
nas cidades, mas, infelizmente é tóxica para peixes devido
a grandes quantidades de cloro. Esse tipo de água poderá
ser tratado para correção, porém, seu uso tornar-se-ia caro
na aquacultura.
2.2.2. Águas subterrâneas
São aquelas que ocupam os espaços vazios dos extratos
geológicos, sendo as mais importantes para obras de enge-
38 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
nharia, irrigação e abastecimento. No entanto, com um bom
manejo, principalmente de aeração, tornam-se excelentes sua
utilização na aquacultura. Em capítulo posterior iremos ana-
lisar melhor o uso desse tipo de água quando estivermos estu-
dando os tanques pré-moldados.
2.2.2.1. Origem das águas subterrâneas
A teoria mais moderna sobre a origem das águas sub-
I rrâneas é a da infiltração das águas de chuva e superficiais,
que podem dirigir-se diretamente através do perfil do solo até
juntar-se às águas mais profundas ou cair diretamente sobre
li águas superficiais e, em seguida, percolar dos álveos flu-
viais para o subsolo.
As águas se infiltrando vão oçupar os espaços vazios dos
ixtratos geológicos, que podem ser uma zona saturada d'água
ou de aeração (ar + água). A água contida na zona saturada, .
pelo seu volume, suas características físico-químicas são as
mais importantes para as obras de engenharia, principalmen-
te, da Engenharia Aquática (figura 1).
TInIR!
f
Figura 1. Aquíferos confinados e não confinados.
ENGENHARIA PARA AQUICULTURA ~ 39
2.2.2.2. Qualidade das águas subterrâneas
A qualidade das águas subterrâneas é tão importante
quanto a sua quantidade e ela depende do seu objetivo. Assim,
uma água potável para abastecimento humano, irrigação, in-
dústrias (rurais e urbanas) e para os cultivos aquáticos (de
peixe, camarão, algas, rãs, etc.), apresentam características
diferenciais. Para estabelecer a qualidade da água, aos cul-
tivos aquáticos, é preciso medir seus constituintes químicos,
físicos e biológicos.
Todas as águas subterrâneas contêm sais em dissolução,em
quantidades maiores que as superficiais, "devido à maior exposi-
ção dos extratos geológicosaos materiais solúveis(TODD,1967).
Os sais são adicionais às águas subterrâneas por produ-
tos solúveis do intemperismo do solo e da erosão proveniente
das chuvas e do escoamento.
Encontram-se elevadas salinidades em solos e águas
subterrâneas de climas áridos, em que a lixiviação pela água
da chuva não é eficiente na diluição das soluções salinas. As
áreas mal drenadas também contêm elevada salinidade.
As águas subterrâneas são geralmente livres de contami-
nação, todavia, podem conter gases tóxicos aos organismos
aquáticos. Os mais comuns são: o ácido sulfídrico (H
2
S) e o
metano (CH4) ou gás dos "pântanos".
Em áreas calcáreas as águas subterrâneas são duras,
com grandes quantidades de carbonato de cálcio dissolvido.
Esta substância se incrusta nas paredes das tubulações, mas,
é pouco corrosiva. "Nas áreas com formação de granito, são
deficientes em minerais dissolvidos, relativamente alta em di-
óxido de carbono e são altamente corrosivas".
A temperatura das águas subterrâneas é mais ou menos
constante durante o ano. Em poços rasos (poços amazonas, ca-
cimbões e cacimbas) é próxima do meio ambiente. "Abaixo de
40 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
50 pés (15,24m), a temperatura da água aumenta aproximada-
mente 1°Cpor cada 32 m de profundidade (WHEATON1977)·
2.2.2.3. Fontes de águas subterrâneas
As fontes de águas subterrâneas são as nascentes, as
depressões abaixo do nível freático e os poços (figura 2). As
nascentes ou mananciais ocorrem quando um aquífero (for-
mações geológicas que contém e transmitem águas subterrâ-
neas) é exposto na superfície do solo ou quando ocorre uma
rutura nas capas superiores de confinamento.
As águas de depressões, abaixo do nível freático, são boas
para aquacultura, contudo, apresentam baixas taxas de oxigê-
nio pela pouca circulação de correntes. A disponibilidade des-
sas bacias pode contribuir à faltá de água durante os períodos
ecos do ano. Neste caso, o bombeamento é indispensável.
Os poços são, talvez, a melhor fonte de água para aqua-
cultura. Apresentam o inconveniente de exigir bombeamento,
podem apresentar gases indesejáveis como ácido sulfídrico ou
compostos químicos dissolvidos (altas concentrações de ferro
e enxofre). O oxigênio é baixo, mas, a água poderá ser aerada.
Existem dois tipos de lençóis mais comuns: os de nível
freático e os artesianos (figura 2)
O lençol de nível freático está sobre camada impermeável e
não submetido a pressão. Este lençol se origina da infiltração de
águas superficiais, até encontrar uma camada menos permeável.
A água será, pois, aproveitada com a escavação de poços ordiná-
rios ou comuns. São de grandes diâmetros (2 a 4 m) e profundi-
dade que varia de 2 a 30m. O rendimento desses poços depende
da espessura vertical do aquífero e de sua permeabilidade.
Os lençóis ou aquíferos artesianos estão compreendi-
dos entre duas camadas impermeáveis, estando submetidos
à pressão (figura 2). A água sob pressão subirá em um poço
ENGENHARIA PARA AQUlCUlTURA ~ 41
aberto até atingir a linha piezométrica ou de pressão. (linha
imaginária que, estando a água retida entre duas camadas im-
permeáveis, existindo piezómetros, ela subirá em decorrên-
cia da pressão interna). "Para que a água fique sob pressão
é necessário a existência de duas camadas impermeáveis ou
de muito pouca permeabilidade e, de uma camada permeável,
entre as duas, por onde a água circula" (DAKER, 1969).
R.carga do aqutfero
Lençol fre.tlco
Camada ImperTneáve' conflnante
Figura 2. Fontes de águas subterrâneas.
. S: a linha de pressão passar acima do terreno a água
Jorrara, dando origem ao poço artesiano ou surgente. A água
des.ses lençóis .provém de infiltrações distantes e de regiões
mais altas (brejos, lagos, rios, encostas, etc.).
2.3. Abastecimento d'ógua para aquacultura
Na aquacultura é indispensável um bom abastecimento
de água. Qualquer empreendimento aquático é, indiscutivel-
mente, dependente da quantidade e qualidade da água. Sendo
mal calculadas conduzirá, com certeza, ao fracasso de qual-
quer empresa de aquacultura. Subestimar resultados de fluxo
e qualidade de água é um dos erros mais sérios em projetos
de aquáticos.
42 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
2.3.1.Quantidade de ógua
A água doce ou salgada, em viveiros, apresenta perdas
por evaporação e infiltração. As perdas por evaporação são
proporcionais a temperatura do ar e da própria

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