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Livro - Engenharia para Aquicultura e Desenho Técnico para Engenharia Aquicola

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A (aluvial) é um horizonte mineral, com acu-
mulação de matéria mumificada (húmus) associada à partícu-
las minerais, de máxima atividade biológica, apresenta perdas
de argila, ferro e alumínio, conseqüentemente, concentração
de quartzo e outros minerais.
Ohorizonte B se apresenta com concentração iluvial pro-
venientes de horizontes suprajacentes, tais como argilas, ses-
quióxidos de ferro, carbonatos e alumínio ou de húmus, com
estrutura diferente do A e C. No B a quantidade de húmus é
reduzida e com textura mais pesada que o A.
O horizonte C se apresenta de forma não consolidada, a
partir do qual se desenvolve o solo. Presume-se seja de composi-
ção química, físicaemineralógica similar às do material superior
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onde se desenvolveu o solo. Chama-se material parental (VIEI-
RA, 1975). Este material é a matéria prima da formação do solo.
A rocha R se apresenta inalterada. Este horizonte é de
maior importância para a geologia. É uma camada que po-
derá conter fissuras, no entanto, são pequenas para o des-
involvimento de raízes vegetais.
Verifica-se, pela descrição, mesmo simplificada, das ca-
madas ou horizontes do perfil de um solo, ser de fundamen-
tal importância o conhecimento de sua origem, propriedades
químicas e físicas, à edificação de barragens, canais adutores
, viveiros para fazendas aquáticas.
3.6. Levantamento de solos para aquacultura
O levantamento dos solos para empreendimentos aquá-
licos envolve a representação, em planta, da área de localiza-
ção de coleta de amostras, em glebas de 0,5 a 1,0 ha (figura 5)
para a realização, em campo ou em laboratório, das análises
físico-químicas dos solos.
3.6.1. Métodos de coleta de amostras de solo
As amostras de solo, para as análises já mencionadas,
poderão ser coletadas ao longo do seu perfil, em todos os ho-
rizontes, a uma profundidade de 0,15 a 1,5 m. Em termos de
Engenharia para a Aquicultura, deve-se, pelo menos, amos-
trar o solo até a profundidade onde ficará o fundo do viveiro.
O técnico deve dispor de um mapa da área, ou elaborar
um "croqui" para anotações sobre as formações geológicas e
petrográficas dominantes da vegetação, do relevo, delimitan-
do também as áreas de mata, de capoeira, de pastos e outras
formas de uso da terra.
No "croqui", em zigue-zague da figura 5, vê-se os pon-
tos de coleta das amostras, os quais serão materializados em
plantas de futuros projetos
ENGENHARIA PARA AQUICUlTURA ~ 55
Figura 5. Pontos para coleta de amostras de solo.
Na coleta das amostras do solo podem ser utilizados os mé-
todos da trincheira (figura 6), do trado oco ou holandês (figura 7)
do trado helicoidal (figura 8) e das escavadeiras (figura 9).
RegiA<>de coleta de amostras
Figura 6. Trincheira destinada à coleta de amostras de solo.
56 ~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
Figura 7. Trado oco ou holandês.
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Figura 8. Trado helicoidal.
ENGENHARIA PARA AQUICULTURA ~ 57
Figura 9. Escavadeiras.
. ~ amostras coletadas serão de dois tipos: para análises
mais simples - alteradas. Estas não representam o solo no
seu estado natural, e, para análises mais complexas - não al-
teradas. As não alteradas representam com mais realidade a
natureza do solo. Na Engenharia Aquática o primeiro tipo de
coleta é o mais utilizado.
Alguns cuidados devem ser tomados pelo técnico na co-
let~ de am~s:ras de solo para que elas possam responder com
maior precisao e credibilidade, às análises físicas e químicas:
Tom,a~ amostras de todos os horizontes, quando ne-
cessano e separá-Ias quando se desejar compará-Ias'
C~locar as amostras em sacos plásticos, devidament~
etIquetadas, para o envio ao laboratório'
A etiqueta das amostras deve conter o local da amos-
tr~gem, o município, data e profundidade da coleta,
numero do projeto, segundo o "croqui".
58~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
Quando as amostras forem para análise química
deverão ter pelo menos 2 kg, exceção para os solos
cascalhentos, que deverão apresentar, após peneira-
mento, 100g de terra fina seca ao ar (TFSA - diâme-
tro das partículas menores que 2 mm);
Evitar a mistura com solo de outros horizontes e reti-
rar pedras ou fragmentos grandes de matéria orgâni-
ca como folhas, raízes e pedaços de caules de plantas
3.6.1.1. Método da trincheira
o método da trincheira permite examinar todo o perfil
10solo em seu estado natural, possibilitando estudar a estru-
tura do solo, a cor, a textura, a permeabilidade, etc.
A trincheira da figura 6 é uma escavação comum no solo
.om as dimensões de 2 m (comprimento) x 1 m (largura), x 2
m (profundidade), devendo possuir, pelo menos, uma parede
reta, dirigida para a luz, com a finalidade de facilitar as obser-
vações de campo, no perfil.
3.6.1.2. Método dos trados de sondagem
Este método tem a capacidade de colher amostras em di-
ferentes profundidades. O trado oco (figura 7) é composto de
um cilindro de metal de ± 16 em de comprimento e 8 a 10 em
de diâmetro, com folha cortante na parte inferior para que lhe
facilite a penetração no solo, podendo ser usado para coletar
amostras para análises físicas e químicas. É de difícil uso em
solos argilosos, arenosos e cascalhentos. A profundidade má-
xima que alcança é de im ou mais desde que use extensão.
Pelo método do trado oco, este deve ser introduzido no
solo de 10 a 15 em cada vez, retirando-o lentamente para man-
ter a amostra em seu interior. As amostras podem ser coloca-
das sobre manta plástica, uma após a outra, quando se desejar
proceder observações sobre os horizontes.
ENGENHARIA PARA AQUICULTURA ~ 59
o trado helicoidal (figura 8) tem mais ou menos 30 em
de comprimento e 4cm de diâmetro. Por este método a amos-
tra de solo fica alterada, não sendo eficaz em solos arenosos e
cascalhentos e é de difícil uso em argila dura. Por isso, pouco
utilizado atualmente.
3.7. Alguns tipos de solos
3.7.1. Tipos de solos de acordo com sua origem
Os solos são denominados de acordo com a sua origem,
em: residuais, sedimentares e orgânicos. Existem os solos que
recebem denominações de acordo com os seus elementos fun-
damentais. Por exemplo, os solos ácidos sulfáticos ou tiomór-
ficos, são solos de grande acidez, com pH menor que 3,5, pre-
sença de manchas amarelas (sulfato de ferro), formadas pela
oxidação do ar e ação bacteriana a partir de um mineral que
contenha ferro e pirita sulfurosa. Estes solos se encontram em
zonas salinas de mangues, ou em zonas de água doce. Estes
solos devem ser cuidadosamente verificados quando do seu
uso para a aquacultura. Esse tipo de solo, durante a constru-
ção dos diques, ficando exposto ao ar, se acidifica, acidifican-
do também a água do viveiro.
A identificação de um solo ácido-sulfático pode ser feita
conforme aconselha Coche (1985):
Tomar uma amostra de solo e umedecê-Ia se estiver seca'
Amassar a amostra até formar uma torta de t.ocm de
espessura;
Introduzir a torta úmida em uma bolsa plástica e
fechá-Ia;
30 dias depois, medir o pH. Se for menor que 4,0, o
solo é ácido sulfático potencial.
60~ PEDRO NOBERTO DE OLIVEIRA
Ressalta-se, que o solo deve ser mantido úmido para
lima maior atividade bacteriana e uma acidificação rápida.
Nas amostras secas, o pH mínimo não se obterá até que se
lranscorra vários meses.
3.7.2. Descrição resumida sobre os principais tipos de solos
Segundo Molle e Cadier (1992) os principais tipos de so-
los, são assim descritos:
Bruno não Cálcico:
É um solo cuja espessura varia de 50 a 100 em (figura 9.1).
A camada superficial é de coloração marrom-escura, textura
argilosa a média. A camada mais profunda apresenta coloração
mais avermelhada e textura argilosa. São solos de boa fertilida-
de e excelente material para construção de viveiros e barragens.
Costumam apresentar pedregosidade na superfície, sendo mui-
to comum a presença de sulcos de erosão, principalmente na
beira das estradas. Ocorrem geralmente em relevo suave ondu-
lado e ondulado com encostas não muito acidentadas.
Figura 9.1. Solo Bruno não Cálcico.
ENGENHARIA PARA AQU/CUlTURA ~ 61
Solos Litólicos:
São solos rasos com profundidade

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