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Direito Processual Penal - Aula 02 - Princípios Constitucionais e gerais informadores do processo penal

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Direito Processual Penal Aplicado
Aula 02: Princípios Constitucionais e gerais informadores do processo penal.
A doutrina faz uma coisa que devemos considerar como péssima que é o seguinte, a doutrina lista os princípios ao invés de integrá-los.
Por que isso é importante?
Porque, na realidade, você não deve pensar nos princípios como se fossem compartimentos estanques. Muito pelo contrário. Os princípios, eles se integram. Um princípio, muitas vezes, é consequência ou é pressuposto de outro princípio.
Se falarmos em princípios processuais penais, tudo necessariamente, começa com o Devido Processo Legal, Art. 5º, LIV da CF/88.
Ninguém será despido dos seus bens, nem da sua liberdade, sem perpassar por um devido processo legal. Antes de mais nada, o devido processo legal admite duas abordagens. Uma estritamente formal, e a outra que é a que interessa, material.
Devido processo legal em sua concepção estritamente formal significa o que? 
Observância do procedimento previsto em lei. Ou seja, o devido processo legal será respeitado desde que seja observado o procedimento previsto em lei. Só que essa acepção apenas formal do devido processo legal, não mais se emprega, não mais se utiliza.
Hoje, se pensa não só em um devido processo legal, do ponto de vista formal, mas, sobretudo, do ponto de vista substancial ou material, como preferir. E aqui vamos pensar, veja só a terminologia, devido processo legal, isto é, um processo legal que não seja indevido, em suma, um processo legal que seja sinônimo de processo justo.
E isso é assente não só na jurisprudência pátria, doutrina pátria, mas também na doutrina e jurisprudência alienígenas, é claro isso, certo?
Enfim, devido processo legal, hoje, é um processo que não se mostra indevido, isto é, que seja sinônimo de um processo justo.
E o que vai garantir a justiça desse devido processo legal?
Máxima efetividade às garantias constitucionais, processuais. Portanto, um devido processo legal, enquanto sinônimo de processo justo, de processo que não seja indevido, é aquele no qual se dê máxima efetividade às garantias constitucionais, processuais. E, portanto, aqui vamos invocar os quatro pilares do garantismo no processo penal. Ou seja, o devido processo legal é um processo o quê? Garantista.
Esse último postulado foi positivado na reforma do Código de Processo Penal, no novo art. 201, modificado pela Lei. 11.690\08, que apresenta sensíveis preocupações com a vítima. Exatamente a preocupação de dar a ela um papel mais ativo no processo penal. Nesse sentido, destacamos o art. 201 (dentre outros) §§ 2º e 3º. São os dois mais expressivos.
Isso significa dizer então que, ao menos em princípio, qualquer medida cautelar restritiva de direitos tem que ter previsão onde?
Em lei, nesse devido processo legal.
Portanto, para que tenhamos um devido processo legal como sinônimo de um processo justo, precisamos garantir a paridade de armas entre as partes. Assim, precisamos dispensar às partes tratamento igual.
Ocorre, no entanto, que a relação processual penal é naturalmente desproporcional. Porque é um duelo que tem de um lado o Estado com todo um aparato repressivo e de outro lado, temos simplesmente o réu e o seu advogado. É bem verdade que, dependendo do réu, nós até possamos ter o desequilíbrio a favor da defesa, mas definitivamente isso é fora dos padrões.
Então, a relação processual penal é naturalmente desproporcional, desigual, porque reúne de um lado o Estado, com todo um aparato repressivo a sua disposição, e de outro lado, um réu, pessoa física e o seu advogado ou defensor. E assim sendo, a isonomia pede que os réus, que as partes, melhor dizendo, em situações jurídicas distintas, recebam um tratamento desigual.
Porque igualdade significa tratar desigualmente desiguais na proporção em que desigualam. Então, se a relação processual penal é naturalmente desigual, precisamos encontrar meios para, ao menos, minimizar essas desigualdades, e garantir, portanto, o equilíbrio do duelo, essa paridade de armas.
Favor Rei ou Favor Libertatis
Seguindo a nossa análise da isonomia passamos agora a falar em um subprincípio, que é o favor rei ou favor libertatis.
O próprio nome do princípio já é indicativo, favor rei, favor libertatis.
Favor rei porque remete ao quê?
à ideia de favor real. É o Estado soberano, através do poder Legislativo, confiando ao réu uma serie de benesses, uma série de favores processuais penais, a fim de diminuir a natural desigualdade, a natural desproporção que temos na relação processual penal entre Estado e acusado.
E favor libertatis por quê?
Porque são favores que têm como destinatário o réu, e, portanto, têm como destinatário a sua própria liberdade.
Esse princípio do favor rei ou do favor libertatis, ele não está expressamente anunciado na nossa legislação processual penal. É um princípio que se revela implícito. É um princípio que implicitamente em vários dispositivos acaba norteando a nossa legislação. Vamos ver um exemplo apenas para não nos estendermos.
O primeiro e o principal deles. Art. 386, VII do Código de Processo Penal:
É fundamento para uma sentença absolutória, não existir prova suficiente para a condenação. Na dúvida, não se condena. Na dúvida se absolve. Ou seja, se na dúvida absolve-se e não se condena, claramente o legislador aqui fez uma opção pró-acusado. Pró-réu. E, portanto, temos como principal manifestação do princípio do favor rei ou favor libertatis entre nós o art. 386, VII do CPP.
Enquanto sinônimo de processo justo, o primeiro ponto fundamental, que devemos ter é uma igualdade de partes, igualdade essa garantida através do subprincípio do favor rei ou do favor libertatis, pois como encontra amparo na própria isonomia, é constitucional. Mas não basta isso.
Eu preciso ter um contraditório. Art.5º, LV da CR. Ou seja, contraditório:
Exige ciência e participação efetivas das partes ao longo de todo o evolver processual, de sorte que a sentença final expressará não só o trabalho intelectivo do juiz, mas também das partes.
Atenção!!
Contraditório, ciência e participação efetivas das partes ao longo de todo evolver processual. Isso significa que as partes têm que participar ativamente do processo, de maneira tal que a sentença final vai refletir não só no trabalho intelectual desenvolvido pelo sentenciante, mas o trabalho desenvolvido pelas próprias partes. Isso é importante porque contraditório efetivo exige participação efetiva.
E aí, ao lado do contraditório, aliás antes disso, do contraditório e da efetiva participação das partes, quando falamos em contraditório, estamos anunciando uma garantia das partes. É garantia da acusação, e também da defesa, queremos deixar isso bem claro, porque o contraditório efetivo é a manifestação também do direito de ação.
Ou seja, como é que é exercido efetivamente o direito de ação?
Por meio de um contraditório efetivo.
Compreendeu?
Assim, para que a acusação possa deduzir com efetividade a sua pretensão condenatória, ela precisa participar ativamente de todo o processo, de todo evolver processual. Então, contraditório efetivo é sinônimo de um exercício efetivo também do direito de ação.
Como garantimos a efetividade nesse contraditório? 
Exigindo a motivação de todos os provimentos jurisdicionais e aí nós vamos ter livre convencimento motivado do juiz. Art. 93, IX da CRFB. É imprescindível que o juiz motive todas as suas decisões, porque se o juiz não fundamentar todas as suas decisões, o contraditório restou resvalado. Ou seja, decisão sem fundamentação é igual a contraditório esvaziado.
Logo, o juiz, ele é obrigado a fundamentar todos os seus provimentos, todas as suas manifestações exatamente para satisfazer, para dar uma satisfação aquele contraditório.
Agora atenção, lado a lado ao contraditório, nós temos a ampla defesa, também prevista no art. 5º, LV da CR. A ampla defesa também apresenta uma concepção formal e material. Afirmar que um réu está formalmente defendido significa tão somente que ele está regularmente assistido por um advogado ou por um defensor.

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