RESUMO PENAL - PARTE GERAL
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RESUMO PENAL - PARTE GERAL


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DIREITO PENAL I 
PROF. CARLOS EDUARDO A. JAPIASSÚ 
 
 
INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL E TERIA DA NORMA PENAL 
 
1.1. Introdução ao Direito Penal 
 
1.1.1. Conceito e denominação 
 
 Direito penal é o conjunto de normas jurídicas mediante as quais o Estado 
proíbe determinadas ações ou omissões, sob ameaça da pena. Fazem parte desse ramo 
do direito também as normas que estabelecem os princípios gerais e as condições ou 
pressupostos de aplicação da pena e das medidas de segurança, que igualmente podem 
ser impostas aos autores de fatos definidos como crime. 
 A sanção característica do direito penal é a pena, que é a principal 
consequência jurídica do crime. 
 A denominação direito penal surge justamente da sanção jurídica desse ramo 
do direito. Como o direito penal moderno contempla, ao lado da pena, igualmente, as 
medidas de segurança (que se destinam ao tratamento dos semi-imputáveis e 
inimputáveis), a denominação usual tem sido considerada inadequada por muitos 
autores. A denominação direito criminal é antiga e prevaleceu até o século XIX (o 
Código Imperial de 1830 chamava-se Código Criminal), como prevalece ainda nos 
Estados que seguem o modelo da common law (Reino Unido e Estados Unidos, entre 
outros). 
 O direito penal é ramo do direito público interno, pois o Estado detém o 
monopólio do direito de punir (jus puniendi), mesmo quando a acusação é promovida 
pelo ofendido (ação penal privada). O direito de punir estatal é o poder-dever que o 
estado tem de aplicar as normas estatais e, no âmbito penal, impor pena como 
consequência jurídica decorrente do fato de que o indivíduo violou regra de convívio 
social, pois praticou um crime. 
Frise-se que a tutela jurídica que o direito penal exerce refere-se sempre a 
interesses da coletividade, mesmo quando se trata de bens individuais, tais como a 
vida, o patrimônio e a honra. 
 
1.1.2. Pena 
 
 O direito se caracateriza pela previsão de comportamento e de sanção. Ou seja, 
o direito pretende regular a vida em sociedade. Para tanto, estabelece comportamentos 
permitidos e proibidos. Ao proibir uma conduta, o Estado o faz pela ameaça de uma 
sanção, o que ocorre em todos os ramos do direito. 
 Como ramo do ordenamento jurídico, o direto penal se distingue precisamente 
pelo meio de coação e tutela com que atua, que é a pena. Assim, a diferença entre o 
direito penal e os demais ramos do direito tem relação direta com a natureza da sanção 
prevista. Enquanto a sanção civil tem natureza de reparação, pois o que se pretende 
com ela é que se retorne ao status quo anterior ao fato que a originou, a sanção 
caracteriza-se pelo castigo. Ou seja, a sanção civil, denominada penalidade, constitui, 
em regra, uma reparação. Por sua vez a sanção penal caracteriza pela retribuição, pois 
a pena não consiste na execução coativa do preceito jurídico violado, mas na perda de 
um bem jurídico imposta ao autor do ilícito, ou seja, num mal infligido ao réu, em 
virtude de seu comportamento antijurídico. Daí o seu caráter retributivo. 
 Assim, pode-se definir pena como sendo a perda de um direito imposta pelo 
Estado em razão do cometimento de uma infração penal. 
 
1.1.3. Função da pena 
 
 A justificação da pena liga-se à função do direito penal, que é instrumento da 
política social do Estado. O Estado, como tutor e mantenedor da ordem jurídica, 
serve-se do direito penal, ou seja, da pena e das medidas de segurança, como meios 
destinados à consecução e à preservação do bem comum (controle social). 
A doutrina tem procurado explicar o fundamento da pena por meio das 
chamadas teorias absolutas, relativas e mistas ou unitárias. Essas teorias gravitam em 
torno de duas idéias fundamentais, a retribuição e a prevenção. 
Segundo as teorias absolutas, a pena é exigência de justiça. Quem pratica um 
mal deve sofrer um mal. A pena se funda na justa retribuição, é um fim em si mesma 
e não serve a qualquer outro propósito que não seja o de recompensar o mal com o 
mal. 
Por sua vez, as teorias relativas, partindo de uma concepção utilitária da pena, 
justificam-na por seus efeitos preventivos. Significa dizer que a finalidade da pena 
não seria punir todos os crimes, mas previnir todos os crimes. De alguma maneira, o 
que se quer dizer é que a sociedade ideal é aquela em que não ocorrem crimes e não 
aquela em que todos os crimes são punidos e é isso o que o Estado deve perseguir. 
Distingue-se aqui a prevenção geral e a prevenção especial. Prevenção geral é 
a intimidação que se supõe alcançar através da ameaça da pena e de sua efetiva 
imposição, atemorizando os possíveis infratores. A prevenção especial atua sobre o 
autor do crime, para que não volte a delinqüir. A prevenção especial opera por meio 
da emenda do condenado ou de sua intimidação, ou, ainda, da inocuização dos 
incorrigíveis. 
 Tanto a teoria da prevenção geral como a da prevenção especial deixam sem 
explicar os critérios mediante os quais deve o Estado recorrer à pena criminal. Como 
ocorre com as teorias absolutas, aqui também se pressupõe a necessidade da pena. A 
prevenção geral não estabelece os limites da reação punitiva e pode criar um direito 
penal do terror. A prevenção especial também não pode, por si só, constituir 
fundamento para a pena. Há delinquentes que não carecem de ressocialização 
alguma, em relação aos quais é possível fazer um seguro prognóstico de não 
reincidência. 
 Ainda, as teorias mistas ou unitárias combinam as teorias absolutas e as 
relativas. Partem do entendimento segundo o qual a pena é retribuição mas deve, por 
igual, perseguir os fins de prevenção geral e especial. 
As teorias mistas não foram suficientes para responder por completo ao 
problema da finalidade. Por isso, foi desenvolvida a ideia de que a prevenção pode ser 
positiva ou negativa. Uma conteria a ideia de que a previsão ou a aplicação das penas 
teria a função de prevenir delitos (prevenção negativa), e a outra reforçaria a validade 
das normas (prevenção positiva), que significa restabelecer a confiança institucional 
no ordenamento, quebrada com o cometimento do crime. 
 
1.1.4. As ciências penais 
 
 Várias são as disciplinas que se relacionam com o Direito Penal, com o crime e 
com o criminoso. Ao conjunto dessas disciplinas tem-se chamado de ciências penais. 
Aqui se optou por tratar de algumas delas: a dogmática jurídico-penal ou 
ciência do direito penal, que tem por objeto o estudo da norma penal; a criminologia, 
que estuda o crime em sua realidade fenomênica; e a política criminal, atividade do 
Estado no controle da criminalidade. 
 Ciências ou disciplinas auxiliares seriam a medicina legal, a psicologia 
judiciária e a criminalística. 
 
1.1.4.1. Ciência do direito penal ou dogmática jurídico-penal 
 
 A ciência do direito penal, também chamada dogmática jurídico-penal, é a 
disciplina estuda o crime como fato jurídico, para determinar as características do fato 
punível e suas formas especiais de aparecimento. A ciência do Direito Penal não se 
distingue das disciplinas jurídicas que estudam os outros ramos do direito, senão pela 
natureza das normas que lhe constituem o objeto. 
 A dogmática jurídico-penal realiza, em síntese, o estudo normativo ou jurídico 
do crime, para que se possa encontrar maneiras de interpretar as normas penais de 
maneira mais adequada. 
 
1.1.4.2. Política criminal 
 
É a atividade que tem por fim a pesquisa dos meios mais adequados para o 
controle da criminalidade, valendo-se dos resultados que proporciona a Criminologia, 
por meio da análise e crítica do sistema punitivo vigente. Pode-se dizer que política 
criminal não é ciência, mas apenas técnica, aproximando-se das disciplinas políticas, 
que são disciplinas de meios e fins. 
 
1.1.4.3. Criminologia 
 
Entende-se por Criminologia a ciência que estuda o crime como fato social, o 
delinquente e a delinquência, bem como, em geral, o
Ana
Ana fez um comentário
oi boa noite sou nova e nao sei como funciona algyem pode me ajudar porfavor
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Ana
Ana fez um comentário
oi boa noite sou nova e nao sei como funciona algyem pode me ajudar porfavor
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Sara
Sara fez um comentário
boa noite, você poderia disponibilizar este resumo por email? se sim, saraagomes08@gmail.com muito obrigada
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Janaína
Janaína fez um comentário
O Direito Penal não é absoluto, vai depender do caso concreto. O código em si é apenas uma bússola norteadora das interpretações dos hermenêutas. È um desafio que nos conduz a saber que não existe uma resposta pronta e certa no ordenamento jurídico, precisamos ver além dos dispositivos, uma visão panorâmica de cada caso inserido no cotidiano. Logo, o direito evolui juntamente com a sociedade e nós futuros doutores do saber não podemos estar engessados na letra da lei.... Veja mais
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