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DIREITO CIVIL
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO CIVIL, PESSOA NATURAL
Livro Eletrônico
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Roberta Queiroz
Aspectos Introdutórios do Direito Civil, Pessoa Natural
DIREITO CIVIL
Aspectos Introdutórios do Direito Civil, Pessoa Natural .................................................3
1. Introdução ..................................................................................................................3
2. Pessoa Natural ......................................................................................................... 18
Resumo ....................................................................................................................... 50
Questões de Concurso ..................................................................................................55
Gabarito .......................................................................................................................62
Gabarito Comentado .....................................................................................................63
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Aspectos Introdutórios do Direito Civil, Pessoa Natural
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ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO 
CIVIL, PESSOA NATURAL
1. Introdução
Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Vamos iniciar nossa primeira aula? Empolgação total, hein?!
Quero começar hoje, nessa introdução, conversando sobre alguns pontos iniciais que irão 
facilitar a compreensão de temas que serão abordados futuramente.
Bom, para iniciar, você lembra que o Código Civil que vamos estudar entrou em vigência 
no ano de 2003?
Pois é, o Código Civil anterior era de 1916, o qual chamo carinhosamente de Código de 
Bebé. (Clóvis Bevilaqua, olha ele aqui...)
Esse Código, revogado, era composto por um sistema extremamente cuidadoso com 
questões patrimoniais.
Algumas figuras específicas eram a “preocupação” desse diploma, dentre elas:
• o homem – que tomava as decisões nas relações familiares, fixava domicílio conjugal, 
autorizava a esposa a trabalhar, administrando-lhe o salário, detinha o pátrio poder 
(isso mesmo, pátrio poder!) sob os filhos, entre outros...;
• o testador – que nas relações sucessórias poderia dispor livremente e da forma que 
melhor lhe aprouvesse os seus bens;
• os contratantes – que poderiam contratar da forma que melhor lhe conviessem e sem 
possibilidade de revisão contratual (salvo a questão do fortuito ou força maior, não 
existia teoria da imprevisão);
• os proprietários – que poderiam utilizar a propriedade da maneira que pretendia sem 
preocupação com viés social.
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Hoje tais figuras ainda existem, mas estão alinhadas com ditames constitucionais, mais 
precisamente a Dignidade da Pessoa Humana.
Mas, professora, como isso aconteceu?
Talvez, por essa nossa conversa, você pense que foi uma transição rápida. Porém, foi algo 
paulatino, bem devagar, que acompanhou todo o movimento histórico e político do país e do 
mundo.
Não foi algo tão simples, decorreu de muitos movimentos que aconteceram ainda na vi-
gência do “Código de Bebé” (1916 a 2003).
Resumindo: durante uma boa parte desse momento tínhamos uma relação entre o direito 
público e direito privado marcada por uma verdadeira dicotomia, ou seja, um não se relacio-
nava com o outro.
O direito público era pensado para reger as relações, tão somente, de direito público, ou 
seja, as relações do Estado. Estavam em sentido totalmente opostos e não se comunicavam.
Por sua vez, o direito privado, para reger as relações privadas, dos particulares, somente. 
Tal dicotomia refere-se à chamada summa divisio clássica.
Hoje, decorrente dos movimentos de preocupação com a pessoa humana e não mais com 
o patrimônio, é que, atualmente, verifica-se a existência de uma summa divisio constituciona-
lizada que se expressa na aproximação do direito público com o direito privado.
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Contudo, é importante que você saiba que nosso Código Civil não é tão novo assim. Sua 
redação começou na década de 70 e, lembre-se que o Brasil vivia, à época, a ditadura militar.
Neste mesmo período, iniciou-se a elaboração do projeto do Código Civil de 2002, ou seja, 
nosso atual sistema foi pensado, redigido e elaborado em regime militar.
Esse projeto tramitou no legislativo e, após emendas, foi promulgado e publicado em 2002.
Então, você já sabe que o Código Civil de 2002 não é de 2002. Na verdade, esse Código já 
nasceu idoso, velho, e, até mesmo, um pouco desatualizado.
Por conta disso, é que, hoje, nos deparamos com alguns dispositivos que não estão de 
acordo com a nossa realidade.
A exemplo disso, podemos mencionar a declaração do STF sobre a inconstitucionalidade 
artigo 1.790 do Código Civil que tratava a sucessão do companheiro de maneira detrimentosa 
em relação à sucessão do cônjuge, tradada pelo artigo 1.829 do mesmo Código.1 Mas isso é 
só para ilustrar, vamos estudar na parte de sucessões.
Professora, como assim década de 70? demorou muito...
Pois é, eu também achei bastante demorado, mas desde o período dos anos 70, até che-
garmos efetivamente na publicação do nosso Código Civil de 2002, o qual teve o período de 
vacatio legis de um ano, houve diversas alterações, reformas e emendas nas Casas Legisla-
tivas até sua aprovação.
O NCC passou então a ter vigência em 2003, olha só esse print do do finalzinho da lei:
1 Vide Recurso Extraordinário n. 646.721 e Recurso Extraordinário n. 878.694.
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Assim, hoje, a preocupação do momento é a dignidade da pessoa humana – essa é a res-
ponsável pela forma de estrutura do atual sistema civil. É a responsável pela aproximação do 
direito público e do direito privado.
No “mundo privado”, verifica-se, portanto, uma humanização do Direito Civil, uma consti-
tucionalização do Direito Civil.
Segundo o professor Cristiano Chaves de Farias2, temos uma consciência das transfor-
mações do direito, que evolui a cada dia, concomitantemente, à evolução da sociedade. Ve-
rifica-se, além da releitura dos institutos já mencionados, a partir da dignidade humana, o 
compromisso ético que conduz a uma sociedade justa e digna.
HUMANIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL
consciência das transformações + releitura dos institutos + compromisso ético
=
SOCIEDADE MAIS JUSTA E DIGNA
fundamentos e princípios básicos da república saem do papel
Assim, observe que, embora o nosso Código Civil realmente tenha sido um Código que