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PORTUGUÊS – EXERCÍCIOS 1. Leia o texto para responder à questão. O sertanejo, assoberbado de reveses, dobra-se, afinal. Passa, certo dia, à sua porta, a primeira turma de “retirantes”. Vê-a, assombrado, atravessar o terreiro, miseranda, desaparecendo adiante numa nuvem de poeira, na curva do caminho... No outro dia, outra. E outras. É o sertão que se esvazia. Não resiste mais. Amatula-se num daqueles bandos, que lá se vão caminho em fora, debruando de ossadas as veredas, e lá se vai ele no êxodo penosíssimo para a costa, para as serras distantes, para quaisquer lugares onde o não mate o elemento primordial da vida. Atinge-os. Salva-se. Passam-se meses. Acaba-se o flagelo. Ei-lo de volta. Vence-o saudade do sertão. Remigra. E torna feliz, revigorado, cantando; esquecido de infortúnios, buscando as mesmas horas passageiras da ventura perdidiça e instável, os mesmos dias longos de transes e provações demoradas. (Euclides da Cunha. Os Sertões). Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal. a) Vai-se o sertanejo no êxodo para a costa, para as serras distantes – esvazia-se o sertão, ainda que a saudade acompanhe o retirante. b) Quando acaba-se o flagelo, é como se todos os problemas fossem esquecidos, e tudo se reestabelecesse como antes. c) Por fim, o sertanejo se dobra e, depois de tantos retirantes à sua porta, rapidamente amatula-se em um daqueles bandos. d) Ainda que o flagelo tenha ameaçado-o, o sertanejo volta ao sertão, movido pela saudade por estar meses longe de sua casa. e) Se vê, com assombro, a primeira turma de retirantes atravessar o terreiro, e depois outras seguem-se nos dias posteriores. 2. Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o padrão formal da Língua Portuguesa, saber adequar o uso da linguagem ao contexto discursivo. Para exemplificar este fato, seu professor de Língua Portuguesa convida-o a ler o texto “Aí, Galera”, de Luís Fernando Veríssimo. “Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não? -- Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. -- Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. -- Como é? -- Aí, galera. -- Quais são as instruções do técnico? -- Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. -- Ahn? -- É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. -- Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? -- Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas? -- Pode. -- Uma saudação para a minha genitora. -- Como é? -- Alô, mamãe! -- Estou vendo que você é um, um... -- Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? -- Estereoquê? -- Um chato? -- Isso.” No texto, o autor brinca com situações de discurso oral que fogem à expectativa do ouvinte. A expressão “pegá eles sem calça” poderia ser substituída, sem comprometimento de sentido, em língua culta, formal, por a) Pegá-los na mentira b) Pegá-los desprevenidos c) Pegá-los em flagrante d) Pegá-los rapidamente e) Pegá-los momentaneamente 3. Com mais de 50 anos de escrevinhação nas costas, descobri algumas ideias que muita gente faz da vida de um escritor. Por exemplo, tem quem ache que os escritores, notadamente entre eles mesmos, só falam difícil, uma proparoxítona para abrir, uma mesóclise para dar classe e um tetrassílabo para arrematar. "Em teu parecer, meu impertérrito amigo", perguntaria eu ao Rubem Fonseca, durante nosso almoço periódico, "abater-se-á hoje, sobre a nossa urbe, uma formidanda intempérie?" Ao que o Zé Rubem reagiria com uma anástrofe, um mais-que-perfeito fazendo as vezes do imperfeito do subjuntivo e uma aliteração final show de bola, coisa de craque mesmo. "Augure do tempo fora eu, pressagiá-lo-ia libentissimamente", responderia ele. "Todavia, de tal não me trato." E assim iríamos almoço afora, discutindo elevadíssimos assuntos, em linguagem só compreensível por indivíduos especiais. (João Ubaldo Ribeiro, O Estado de São Paulo, 03/07/2011). Ao comentar a suposta sofisticação presente nas falas dos escritores, João Ubaldo Ribeiro faz menção a vários fenômenos de linguagem. A respeito deles, está correto o que se afirma em: a) Os tetrassílabos ocorrem quando as palavras contêm um grupo de duas letras que representam um único fonema. b) A mesóclise, exemplificada em formas como “abater-se-á”, é uma construção que determina a colocação do pronome em relação ao verbo. c) A anástrofe consiste em estabelecer a concordância ideológica, isto é, de acordo com a ideia e não com as palavras que efetivamente aparecem na oração. d) O pretérito mais que perfeito e o imperfeito do subjuntivo expressam um processo verbal indicativo de exortação e advertência. e) A aliteração, empregada pelo autor em “libentissimamente”, exprime o auge da intensificação de uma qualidade. 4. Leia a charge abaixo para responder a questão a seguir. No que diz respeito à forma verbal “roubaram”, no segundo balão da charge, podemos dizer que a) Possui um sujeito indeterminado, por isso, o verbo está na terceira pessoa do plural. b) Faz parte de uma oração sem sujeito" uma vez que o verbo é impessoal. c) tem como núcleo de seu sujeito simples a palavra "giz". d) possui sujeito simples que, no caso, é o termo "professora". e) seu sujeito è a palavra "ética", em negrito no balão anterior. 5. S.O.S. Português Por que os pronomes oblíquos têm esse nome e quais as regras para utilizá-los? As expressões “pronome oblíquo” e “pronome reto” são oriundas do latim (casus obliquus e casus rectus). Elas eram usadas para classificar as palavras de acordo com a função sintática. Quando estavam como sujeito, pertenciam ao caso reto. Se exerciam outra função (exceto a de vocativo), eram relacionadas ao caso oblíquo, pois um dos sentidos da palavra oblíquo é “não é direito ou reto”. Os pronomes pessoais da língua portuguesa seguem o mesmo padrão: os que desempenham a função de sujeito (eu, tu, ele, nós, vós e eles) são os pessoais do caso reto; e os que normalmente têm a função de complementos verbais (me, mim, comigo, te, ti, contigo, o, os, a, as, lhe, lhes, se, si, consigo, nos, conosco, vos e convosco) são os do caso oblíquo. NOVA ESCOLA. Coluna “Na dúvida”, dez. 2008, p. 20. Na descrição dos pronomes, estão implícitas regras de utilização adequadas para situações que exigem linguagem formal. A estrutura que está de acordo com as regras apresentadas no texto é: a) Eu observei ela. b) Eu a vi no quarto. c) Traga a tinta para eu. d) Traga tinta para mim pintar. e) Esse acordo é entre eu e você. 6. Fazer 70 anos: Fazer 70 anos não é simples. A vida exige, para o conseguirmos, perdas e perdas no íntimo do ser, como, em volta do ser, mil outras perdas. Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião! Nós o conseguimos...E sorrimos de uma vitória comprada por que preço? Quem jamais o saberá? ANDRADE, C. D. Amar se aprende amando. São Paulo: Círculo do Livro, 1992 (fragmento)||. O pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, garante a progressão temática e o encadeamento textual, recuperando o segmento a) “Ó José Carlos”. b) “perdas e perdas”. c) “Avidaexige”. d) “Fazer 70 anos”. e) “irmão-em-Escorpião”. 7. Considere o seguinte texto e as lacunas: “__________ muito a respeito da profissão corretaa escolher. Para __________, é preciso paciência e informações. O jovem deve pautar sua escolha nas disciplinas que __________.” Levando em consideração o uso e a colocação pronominal, de acordo norma-padrão da Língua Portuguesa, os termos que melhor preenchem, respectivamente, as lacunas acima são: a) Se pensa – encontra-la – agradem-lhe b) Pensa-se - encontrar-na - o agradem c) Pensa-se - encontrá-la - lhe agradem d) Se pensa - encontrar- lha - agradem-no e) Pensa-se – encontra-lá – no agradem 8. Analise o texto abaixo. “O pai da Fernanda virá __________ mais cedo hoje. Devo __________ a respeito da nota em sua última avaliação? É melhor que __________ informemos o quanto antes, para que haja tempo hábil para ___________.” Levando em consideração o uso e a colocação pronominal, de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa, os termos que melhor preenchem, respectivamente, as lacunas são: a) buscar-lhe – conta-lo – o – ajudá-la b) buscar-lhe – contar-lhe – lhe – ajudar-lhe c) buscá-lhe – conta-lhe – lhe – ajuda-lhe d) buscar-lhe – conta-lo – o – ajuda-lhe e) buscá-la – contar-lhe – o – ajudá-la 9. Leia o texto. A respeito do texto lido, assinale a alternativa correta. a) O humor se deve ao fato de o personagem corrigir a fala do outro, enfatizando a correta colocação pronominal. b) O humor da tira advém da oportunidade dada ao pássaro de sobreviver à execução caso dissesse algo inusitado. c) A expressão “Me decapita logo” está de acordo com o que prescreve a gramática normativa. d) A tira critica o uso incorreto da língua portuguesa ao apontar, no último quadrinho, um erro no que concerne ao uso do pronome pessoal. e) O texto critica os falantes da língua portuguesa pela desvalorização do próprio idioma, o que levaria à morte da língua. 10. "O que há entre a vida e a morte?" a) O sujeito do verbo haver é o pronome interrogativo QUE b) Tem-se uma oração sem sujeito c) O sujeito está oculto d) O sujeito é indeterminado e) O sujeito é “uma curta ponte” GABARITO QUESTÃO 01 A QUESTÃO 02 B QUESTÃO 03 B QUESTÃO 04 A QUESTÃO 05 B QUESTÃO 06 D QUESTÃO 07 C QUESTÃO 08 E QUESTÃO 09 A QUESTÃO 10 B