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RESUMO PARA A APRESENTAÇÃO Sinopse: PRÉ ADOÇÃO: História de Saaro irá começar com a perda de sua família, em que o menino vagará em um trem por três dias até chegar em uma região que não falam sua língua, esse é o primeiro sinal que será utilizado para falar da situação de exílio em que o menino se encontra. Em fuga constante dos males que aquele lugar está lhe proporcionando, Saaro se vê destituído da cultura e fora do laço social, não conseguindo criar qualquer tipo de vínculo onde se encontra. Até que se encontra com uma mulher que fala híndi, que o leva para casa dela, prometendo ajuda-lo a achar sua casa, cuidando dele durante um dia. Essa não era a intenção dela, e ao se deparar com um homem suspeito, que iria entrega-lo para o tráfico de crianças, Saaro enfrenta o excesso de algo não-familiar naquele momento, lembrando, o menino se via totalmente desamparado e sensível devido ao contexto traumático por qual passou, portanto, chocado com essa estranheza, com o toque do homem, com a bondade excessiva da mulher, o menino foge e fica perdido por dois meses, até que para em uma casa de adoção. Casa de adoção que supostamente não o ajudaria elaborar a perda de sua casa visto que o ambiente era extremamente hostil, com guardas, porretes e celas. Pode-se comparar a elaboração da perda com a metáfora do carretel, para que ocorra a elaboração, deve haver o movimento completo de jogar e trazer devolta, se Saaro, como exilado, se não havia possibilidade de voltar a sua casa, visto que o ambiente que se encontrava parecia um presídio, como realizar toda a elaboração? Os efeitos disso se revelarão no futuro. Enfim, o menino faz uma amizade que ajuda a se conformar com seu futuro, uma família na Austrália teria a intensão de adota-lo. Quando o amigo de Saaro vê a foto da família, ele diz que ele terá um bom lar. Esse encontro dos dois sujeitos, com características próprias, excedia a subjetividade de Saaro, que até então se via relutante quanto a adoção, mas a relação no “entre”, nesse novo espaço criado a partir do encontro, produziu um acontecimento que mudaria o menino e facilitaria sua adoção e adaptação. PÓS ADOÇÃO: Existem várias problemáticas que se podem pensar quanto ao processo de adoção de Saaro. As várias perdas do menino, como a família, a língua, o país e a cultura. As expectativas com a nova família, fantasias de novas perdas, as situações traumáticas pelas quais passou, quase indo parar no tráfico de crianças ao acreditar em uma pessoa. Pois bem, tudo indicava para uma adoção problemática, que não foi o caso, o menino se adaptou rápido, a família foi muito carinhosa, como é possível ver em uma cena que a mãe da banho no menino, investindo-o de libido, em questão de um ano, já sabia falar inglês. Enfim, tudo ocorrendo bem, até que chega seu irmão, também indiano, Mantosh. Nesse momento a adoção de fato foi problemática, o menino não conseguiu elaborar a situação e chegou sofrendo muito, golpeando a própria cabeça, e agora, mais do que nunca, Sue e John precisariam ser os pais terapeutas preconizados por Winnicott. Depois que o furacão passa, Saaro encontra sua mãe chorando na cozinha, tomando para si as dores que ela poderia estar sentindo, frustração, decepção, talvez até arrependimento da adoção, porque o cenário idealizado (e correspondido na adoção de Saaro) não estaria ocorrendo. Alguns anos se passam, Saaro está indo morar fora de sua casa, e os efeitos da dinâmica familiar que se estabeleceu entre os 4 integrantes começa a ser percebido. Para mostra-los, 3 cenas podem ser ressaltadas. A primeira é o almoço antes de Saaro sair de casa. O pai, a mãe e o primeiro filho estavam presentes, mas quanto a Mantosh, apenas a sua falta estava lá, e não deixou de estar pois quando o garçom pede para tirar o prato restante, Sue e Saaro entram em conflito. A mãe nunca teria desistido do segundo filho, enquanto Saaro, ainda guardando as dores que a mãe sente, não reconhece o outro jovem como irmão. Porém, logo após o fim do almoço, o primeiro filho vai até a casa de Mantosh para se despedir, em uma conversa ríspida, Saaro acusa o irmão do sofrimento que causara a mãe, que responde “por que você acha que eu saí de casa?”, declarando sua posição na família de filho sintoma. A segunda cena seria um jantar em família, quando Saaro faz uma visita a sua casa durante as férias, junto a sua namorada, Lucy. Importante contextualizar, nesse momento, o primeiro filho estava em uma empreitada para reencontrar a sua casa na Índia, passando noites em claro para isso. Tudo ocorreu após algumas reminiscências de seu passado surgirem ao se deparar com um doce do dia em que se perdeu. Saaro não queria contar isso aos pais pois tinha medo de faze-los sofrer. Quanto ao sofrimento familiar, vale destacar também, quanto mais mergulhado em sua busca estava Saaro, mais deixava de lado seu emprego E Lucy, estando totalmente preso a seu passado, as suas perdas, a todas as questões que não foram possíveis elaborar. Dessa forma, em certo momento, o protagonista despeja em Lucy o fato de que ele tem vivido sua vida pensando que há uma família procurando ele desde o dia em que sumiu, declarando o sofrimento que causara a eles, pode-se fazer um paralelo com Mantosh, que Saaro tanto culpava por causar sofrimento a família adotiva. Contextualizado, voltamos ao jantar. Lucy pede para que Saaro conte a sua família o que tem feito (a busca pela origem), que prontamente nega, mas segue sendo pressionado pela mãe. Nesse momento, assim como no almoço, era possível notar a falta de Mantosh, mas ela não dura, pois o jovem aparece, e é recusado de imediato por Saaro, que pergunta o que ele está fazendo ali, que ele não é seu irmão. Como filho sintoma, Mantosh desempenha seu papel de encobrir todos os conflitos latentes e começa a bater na própria cabeça, assim como fazia quando criança. Os pais saem da cozinha para acalma-lo, amordaçando o segredo que estava sendo mantido ali. A necessidade de Saaro por buscar sua origem, o sofrimento que ele causara a sua família e que poderia causar a família adotiva, o motivo dos ataques que faz a Mantosh, e inclusive, o motivo da adoção, que os filhos não sabem até então, talvez pelo fato da mãe querer manter a idealização desse ato, que será comentado na terceira cena. Enfim, a família começa a se desestruturar totalmente. Quanto mais fundo Saaro ia em busca da origem, mais as coisas ficavam instáveis, a mãe adoece, Mantosh começa a usar drogas, Saaro larga o emprego e o namoro, mas enfim, encontra sua casa. A possibilidade de encontrar sua origem e encerrar o exílio foi grande demais para manter consigo mesmo, então ele finalmente decide contar a mãe. O jovem esperava um encontro desastroso, mas o que ocorre é o contrário, é um momento de grande alivio familiar, que desencadeia uma série de desenlaçar dos nós dessa trama toda. Ao contar suas intenções para sua mãe, de rever sua casa e dizer lamentar por ela não ter tido filhos biológicos por alguma incapacidade, a mãe conta que nunca houve incapacidade, para ela e seu marido, já existiam crianças demais no mundo, não havia motivo para colocar mais uma se ela poderia ajudar alguém. Uma ideia que por si só já é bastante idealizada, então ela conta o que motivou isso, em sua infância, sofria maus tratos do pai, que bebia muito, em um sonho ela escapava disso, mas acabou sendo engolida pela terra ao fugir, nesse momento, um menino indiano pega a sua mão, passando um choque por todo o seu corpo, dando um propósito a ela. Toda essa ideia de querer salvar uma criança indiana pode remeter ao fato de suprir a necessidade de ser salva. Na teoria, isso poderia ser desastroso caso não fosse bem elaborado antes da adoção, na prática, não foi, no final das contas, John e Sue exerceram a condição de pais terapeutas, fazendo o que estava a seu alcance tanto para Mantosh quanto para Saaro, inclusive apoiando ele a buscar sua família biológica. Após esse momento, e antes de ir para índia, Saaro vai visitar Mantosh mais uma vez, encontra ele dormindo, em uma cenapacífica. Apesar de tanto acusar o irmão por machucar a mãe, Saaro percebeu que a mãe não era frágil como pensava, e também que não podia se responsabilizar pelos cuidados dela, mas sim, apenas pela própria história. Embarca para a Índia. Ao final do filme, o jovem, que nem sequer falava híndi, reencontrou sua mãe e irmã, mas o irmão teria morrido no dia em que se perdeu, descobriu que seu verdadeiro nome na verdade era Sheru, e adotou o mesmo. Ligou para seus pais para relatar a emoção, e a felicidade por ter duas famílias, ele voltaria a Austrália, agora com o movimento do carretel completo, além do encontro entre as duas culturas podendo ser realizado. Ele poderia escolher o que manteria de cada uma, e constituindo sua identidade, poderia exercer sua liberdade criativa para continuar a ser um sujeito livre para ser quem quiser.