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Resumo - A Ciência do Concreto

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RESUMO 
A Ciência do Concreto 
 
 O livro O Pensamento Selvagem, de Lévi-Strauss, é subdividido em 9 capítulos 
instaurando uma nova perspectiva de análise dos mitos e sistemas de classificações de 
objetos, plantas, animais dos povos considerados primitivos. Segundo o próprio autor, 
esse é um livro que se contrapõe às clássicas definições do totemismo em etnologia. O 
primeiro capítulo do livro chama-se A Ciência do Concreto, sendo este abordado aqui 
neste trabalho. 
 Aqui, na Ciência do Concreto, o autor aproxima a ciência da magia, da arte e da 
filosofia, relacionando estas a um único eixo de pensamento humano. Isto é realizado 
através do aprofundamento da organização do meio social e natural indígena, e o 
rompimento pela alteridade da suposta hierarquização entre o primitivo e o científico 
moderno. Há também a comparação do pensamento dos “selvagens” com o científico 
moderno. Para o autor, o pensamento dos povos tribais é algo mais “concreto”, 
enquanto o pensamento científico é baseado em conceitos mais abstratos. 
O autor inicia o capítulo resgatando a noção entre linguística e antropologia, cara 
ao estruturalismo. Boas é então mencionado, afirmando a construção sintática como 
diferenciação discursiva na língua chinuque, do noroeste da América do Norte. 
Lévi-Strauss perpassa exemplos e etnografias sobre o vocabulário indígena, 
atribuindo ênfase ao léxico e a importância associada aquele grupo social. Algo 
estranhado inicialmente por uma pesquisadora é o ponto culminante do argumento do 
autor: é naturalizado a esse povo ensinar através da botânica, pois é ela um ponto 
fundamental da sua sociedade. Por fim, Lévi-Strauss realiza uma inversão: “de tais 
exemplos, que se poderiam retirar de todas as regiões do mundo, concluir-se-ia, de bom 
grado, que as espécies animais e vegetais não são conhecidas porque são úteis; elas são 
consideradas úteis ou interessantes porque são primeiro conhecidos. ” 
Ele se volta à ordenação científica e a estipulação de um número finito de 
estruturas para definir a estruturação como uma prática intrínseca e múltipla: “a 
estruturação possuiria então uma eficácia intrínseca, quaisquer que fossem os princípios 
e os métodos nos quais ela se inspirasse. ” Isso é feito para pensar uma interseção entre 
campos distintos, afinal a química dos alimentos e a sensação olfatória estariam 
interligados. Dessa maneira, o método científico e a estrutura poderiam se aproximar de 
um estudo da magia, ou até mesmo de uma ordenação não-científica, como a linguística 
indígena. 
A partir dessas constatações, Lévi-Strauss passa a explorar a ciência do concreto. 
A fabricação de ferramentas e materiais, desde o período neolítico e o cultivo da 
sensibilidade são afirmados como conhecimentos científicos, prévios ao seu 
determinismo. “Essa ciência do concreto devia ser, por essência, limitada a outros 
resultados além dos prometidos às ciências exatas e naturais, mas ela não foi menos 
científica, e seus resultados não foram menos reais. Assegurados dez mil anos antes dos 
outros, são sempre o substrato de nossa civilização. ” Esse argumento é reforçado pela 
ideia de signo e a intermediação entre imagem e conceito, formação de significante e 
significado. Contraposto ao conceito, o signo possui um escopo limitado – seu campo 
de abstração reside no visual/imaginário e no intermédio. Somente ao conceito é 
possível a extrapolação. No entanto, ele se demonstra essencial à reflexão mítica – 
situado como método de interpretação no meio-caminho entre percepção e conceito. 
Agora é inserida a ideia de classificação, sendo essa superior ao caos, e mesmo 
uma classificação no nível das propriedades sensíveis é unia etapa em direção a uma 
ordem racional, ao correr dos tempos, muitas palavras mudam de significado, se 
transformam, e comparações são feitas e acabam por dar sentido a estas alterações. O 
autor cita como exemplo a origem do termo bricolagem, de algo brilhante a descrição de 
serviços manuais em jardins. Existe um intermediário entre a imagem e o conceito: é o 
signo, desde que sempre se pode defini-lo da forma inaugurada por Saussure a respeito 
dessa categoria particular que formam os signos linguísticos, como um elo entre uma 
imagem e um conceito, que, na união assim estabelecida, desempenham 
respectivamente os papéis de significante e significado. A imagem não pode ser a ideia, 
mas ela pode desempenhar o papel de signo ou, mais exatamente, coabitar com a ideia 
no interior de um signo. 
Ao encerrar o capítulo, Lévi-Strauss explica suas analogias e coloca a relação de 
ciência com artes em plano prático como um jogo, logo, este tem suas regras. O jogo 
aparece, portanto, como disjuntivo: ele resulta na criação de uma divisão diferencial 
entre os jogadores individuais ou das equipes, que nada indicaria, previamente, como 
desiguais. Entretanto, no fim da partida, eles se distinguirão em ganhadores e 
perdedores. 
 
REFERÊNCIAS 
LÉVI-STRAUSS, Claude. A Ciência do Concreto. In: O Pensamento Selvagem. São 
Paulo: EDUSP, 1970

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