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Estudos epidemiológicos

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A epidemiologia estuda a ocorrência e distribuição de eventos relacionados à saúde de populações 
específicas para que possamos ter conhecimento para controlar os problemas de saúde. 
Principais tipos de estudos epidemiológicos 
 
Estudo Tipo de análise Referência temporal Investigador 
Ecológico Agregado 
Transversal ou série 
histórica 
Observacional 
Seccional Individual Transversal Observacional 
Caso-controle Individual Retrospectivo Observacional 
Coorte Individual 
Prospectivo ou 
retrospectivo 
Observacional 
Ensaio clínico Individual Prospectivo Experimental 
Comunitário Agregado Prospectivo Experimental 
Ecológico 
A unidade de análise desse estudo é a população e não o indivíduo. 
Exemplo: estudo sobre diversas cidades brasileiras para de correlacionar dados a mortalidade infantil de 
cada município com a renda per capita e índice de analfabetismo do local no sentido de encontrar 
evidências de que nível socioeconômico é um dos determinantes da mortalidade infantil. 
• Vantagens – fácil execução, baixo custo, simplicidade analítica e capacidade de gerar hipóteses 
• Desvantagens – baixo poder analítico, vulnerabilidade à falácia ecológica, impossibilidade de 
determinar o que ocorre primeiramente (causa ou efeito), pouca praticidade no estudo de doenças 
raras, medição possível apenas da prevalência. 
Seccional ou transversal 
Nesse estudo, cada indivíduo é avaliado para o fator de exposição e doença em determinado momento. 
Pode ser feito apenas com o objetivo descritivo, sem nenhuma hipótese para ser avaliada. 
Também é chamado de estudo de prevalência. 
• Vantagens – baixo custo, alto potencial descritivo (subsídio ao planejamento de saúde), simplicidade 
analítica, rapidez, objetividade na coleta dos dados, facilidade de obter amostra representativa da 
população, etc. 
• Desvantagens – vulnerabilidade a vieses de seleção, relação cronológica, não determinação de risco 
absoluto (incidência). 
Coorte 
Uma coorte é um grupo de indivíduos definido a partir de suas características pessoais (idade, sexo, etc.), 
nos quais se observa, mediante a exames repetidos, a aparição de uma enfermidade (ou outro desfecho) 
determinada. 
• Vantagens – boa utilidade para estudar doenças potencialmente fatais. Melhor método para estudar 
incidência e história natural das doenças. 
• Desvantagens – Alto custo, difícil reprodução, composição variável dos grupos (perda etc.), difícil 
execução para doenças raras. Nem todo estudo de coorte é prospectivo. Existem as chamadas coortes 
históricas ou não concorrentes. 
 
 
 
Estudos epidemiológicos 
BIANCA LOUVAIN 
 
 
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Caso controle 
Nos estudos de caso-controle avalia-se inicialmente quem tem (caso) ou não (controle) o evento de 
interesse. Um estudo de caso-controle para estudar a relação entre fumo e câncer de pulmão poderia 
começar pela seleção de 80 casos de câncer de pulmão e 100 controles (sem câncer de pulmão). Em 
seguida, os casos e controles seriam questionados para determinar quais deles eram fumantes, o tempo de 
exposição e a média de cigarros/dia. Então, seriam estabelecidas 4 categorias: a) fumantes com câncer, 
b) não fumantes com câncer, c) fumantes sem câncer e d) não fumantes sem câncer. Para, através de 
cálculos estatísticos, podermos estabelecer uma associação entre a doença e a exposição passada ao 
fator de risco. 
• Vantagens – fácil execução, baixo custo, curta duração, boa reprodutibilidade, boa utilidade para 
investigação de doenças raras. 
• Desvantagens – dificuldade para formar grupo-controle aceitável, sujeição a viés de seleção e 
esquecimento. 
Ensaio clínico 
• Vantagens – controle dos erros sistemáticos por meio da randomização e comparabilidade quanto ao 
prognóstico. 
• Desvantagens – complexidade, alto custo, demora, problemas sociais, legais e éticos e sujeição aos 
efeitos placebo e de Hawthorne (alteração do comportamento dos participantes pelo simples fato de 
estarem sendo acompanhados por um médico). Ensaio clínico randomizado duplo-cego é o método 
padrão para a avaliação de intervenções terapêuticas. 
Revisão sistemática com meta-análise 
• Vantagens – rapidez, baixo custo, fácil execução, capacidade de síntese da informação e possibilidade 
de analisar diferenças metodológicas e resultados. 
• Desvantagens – Viés de publicação. 
 Doentes Não doentes 
Expostos A B A + B 
Não expostos C D C + D 
 A + C 
(total de doentes) 
B + D 
(total de não doentes) 
A + B + C + D 
(amostra total) 
 
• Incidência nos expostos (IE): A/A+B 
• Incidência nos não expostos (INE): C/C+D 
• Incidência total (IT): A+C/A+B+C+D 
Medidas de associação na coorte 
Risco relativo (RR) 
• “Quantas vezes os expostos têm maior risco de ficarem doentes em relação aos não expostos?” 
• RR = IE/INE 
Risco Atribuível ou Risco Absoluto (RA) 
• “Quando exposto, qual o risco adicional de ficar doente?” 
• RA = IE – INE 
Risco Atribuível na População (RAP) 
• “Quanto da doença é atribuível unicamente à exposição?” (se não houver exposição, haverá uma 
redução de RAP% no número de casos) 
• RAP = (IT - INE)/IT 
Medidas de associação No Caso controle 
Odds Ratio (OR) 
• “Razão dos produtos cruzados” (quanto mais rara for a doença, mais o OR se aproximará do RR) 
• OR = (A x D)/(B x C) 
Risco Atribuível na População (RAP) 
• RAP = f* (OR - 1)/f* (OR -1) + 1 * 
• f = ocorrência do fator na população 
 
 
 
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Medidas de associação Nos estudos transversais 
Não é possível calcular a incidência, portanto se usa a prevalência. 
Razão de Prevalência (RP) 
• “Estima quantas vezes os expostos estão mais doentes em relação aos não expostos” 
• RP = PE/PNE 
Medidas de associação Nos ensaios clínicos 
Expostos 
• Pessoas com tratamento 
Não expostos 
• Pessoas sem tratamento (controle) 
Doentes 
• Não melhoraram com o tratamento ou morreram. 
Não doentes 
• Tiveram melhora ou cura após o tratamento. 
• RR = IE/INE 
Risco Relativo (RR) 
• Mesmo caso da coorte: RR = INE – IE 
Redução do Risco Absoluto (RRA) 
• O tratamento reduz em RRA% o risco de morrer. 
• RRA = 1 – RR 
Número Necessário ao Tratamento (NNT) 
• “Seria necessário tratar X pacientes para observação do efeito pretendido em apenas 1” (indica se o 
tratamento oferece benefício suficiente para retribuir o esforço em sua aquisição e implantação). 
• NNT = 1/RRA 
Valor Interpretação 
=1 Nulo (não associação) 
>1 Fator de risco 
<1 Fator de proteção 
Para avaliar a incerteza, é necessário calcular o intervalo de confiança. 
Intervalo de confiança 95% (IC95%) 
 Em vez de estimar o parâmetro por um único valor, é dado um intervalo de estimas prováveis, neste caso 
+/- 95% em torno do valor de interesse. Quanto mais estreito o intervalo, maior a confiança nos resultados 
(provavelmente a amostra foi maior). 
• 0,8 a 2,5 – não há associação ou nulo (pois o 1 está incluído) 
• 2,3 a 5,6 – ↑ da exposição contribui para ↑ do desfecho (fator de risco) 
• 0,1 a 0,7 – ↑ da exposição contribui para ↓ do desfecho (fator de proteção) 
 
 
Observação: o aumento da prevalência aumenta o VPP e diminui o VPN, sem alterar Sens e Esp. 
 
 
 
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Teste diagnóstico múltiplo 
• Série – aumento da especificidade. Triagem com testes muito sensíveis, resultando em muitos falsos 
positivos. A seguir, testes mais específicos para confirmar a doença. 
• Paralelo – aumento da sensibilidade. Triagem com diversos testes simultâneos. Indicação: doenças 
graves ou letais. 
Conceitos 
Eficácia 
• “Bom na teoria”. 
• Intervenção em condições ideais. 
Efetividade 
• “Bom na prática”. 
• Intervenção em condições habituais. 
Eficiência 
• “Bom, barato e seguro”. 
• Intervenção em condições habituais, levando em consideração custos e riscos. 
Referência: Medcel.

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