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aula 01 de Doeças Císticas e Litíase,Prof Julie, patologia-BBPM V

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Gabriela Bordignon – UFMS CPTL (T5) 
 
 PATOLOGIA, Prof. Julie – BBPM V 
 
 
É importante que se faça uma breve contextualização de 
alguns conceitos relacionados ao sistema urinário (SU) 
antes da abordagem das patologias propriamente ditas. 
Desse modo, sabe-se que o SU é composto por dois rins, 
dois ureteres, bexiga e uretra. 
FUNÇÕES DO SISTEMA URINÁRIO: 
1. Filtrar o sangue 
2. Reabsorver substâncias boas para o organismo 
3. Excretar substâncias nocivas ao organismo 
Além dessas funções, os 
rins desempenham outros 
importantes papéis, tais 
como: 
- Controle da pressão 
arterial, através da ativação 
do sistema renina-
angiotensina-aldosterona. 
- Manutenção do pH 
sanguíneo, ao passo que realizam a excreção de radicais 
ácidos e fazem uma tentativa de conservação dos 
componentes básicos, desse modo, nos túbulos renais há 
uma secreção tubular aumentada de hidrogênio e amônia, 
o que leva a uma tentativa de reabsorção do bicarbonato. 
- Regulação do balanço hidroeletrolítico, situação na qual 
os rins poderão reabsorver mais ou menos água de acordo 
com as necessidades do indivíduo, ou seja, se o indivíduo 
estiver desidratado, os rins irão reabsorver mais na 
tentativa de não perder mais líquido, já no caso de hiper-
hidratação, os rins irão eliminar muito mais líquido do que 
eliminariam em condições normais. 
- Papel endócrino, por meio da síntese de hormônios e 
substâncias vasoativas (como a renina, que ajuda no 
controle da pressão arterial, prostaglandinas, cininas, e da 
eritropoietina que irá auxiliar na produção das hemácias). 
Caso os rins percam sua função excretória por algum 
motivo, como uma falência, o paciente não consegue 
sobreviver a um período superior a 4-5 semanas. 
 
 
Esse período é tão curto pois, cada vez mais, haverá uma 
retenção no organismo de substâncias tóxicas que 
deveriam ser eliminadas pelos filtros do corpo, ou seja, os 
rins. 
Quando o papel endócrino e metabólico dos rins é 
comprometido, mas há uma manutenção no papel 
excretório desses órgãos, o paciente pode viver por muitos 
anos com a realização do processo de diálise. 
ESTRUTURA DO RIM: 
 
Apenas para título de revisão, tem-se que anatomicamente, 
o rim é um órgão capsular, sendo que logo abaixo da 
cápsula há a região cortical chamada de córtex, na qual 
encontram-se as estruturas filtrantes do rim (glomérulos e 
túbulos contorcidos). Existem também as pirâmides renais 
que configuram agrupamentos de ductos que coletam a 
urina formada nos néfrons, essa urina irá passar para os 
cálices menores que desembocarão na região da pelve 
renal. Uma vez que a pelve renal coleta essa urina irá fluir 
para o ureter, cair na bexiga e ser expelida para o meio 
externo através da uretra. 
Na imagem em sequência, pode-se observar um aumento 
da região entre córtex e medula. Na região de córtex 
representada pela cor laranja podem ser visualizados os 
néfrons corticais, sendo que na região de medula que 
compreende as pirâmides renais, há um agrupamento de 
ductos coletores. 
e litíase 
 
Gabriela Bordignon – UFMS CPTL (T5) 
 
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Os néfrons que estão localizados na região entre córtex e 
medula são chamados de justaglomerulares, enquanto que 
aqueles presentes apenas no córtex são chamados de 
corticais. 
 
Existem inúmeras patologias que podem acometer o 
sistema renal, dentre elas, existem aquelas que acometem 
componentes do rim, tais quais o glomérulo, os túbulos, 
interstício ou os vasos sanguíneos relacionados à irrigação 
local ou ao transporte de sangue que será filtrado para a 
formação da urina. 
 
 
De acordo com o exposto no esquema acima, tem-se que 
quando os glomérulos são afetados, normalmente, irá 
ocorrer uma patogênese imunologicamente mediada. São 
exemplos, nesse caso, as glomerulonefrites, a síndrome 
nefrítica (maior presença de hemácias na urina) e a 
síndrome nefrótica (maior presença de proteínas na urina). 
Já as lesões observadas nos túbulos e no interstício 
costumam aparecer em conjunto, motivo pelo qual algumas 
referências utilizam o termo “tubulointersticial” descrevendo 
as patologias que acometem a essas estruturas como 
distúrbios tubulointersticiais. Os principais agentes 
causadores de danos nessa região do rim são os agentes 
tóxicos ou infecciosos, os quais podem levar ao 
desenvolvimento de quadros como lesão tubular isquêmica 
ou tóxica e nefrites tubulointersticiais. 
Há também, em algumas situações, o comprometimento 
dos vasos sanguíneos, como em casos de nefrosclerose, 
estenose de artéria renal (o “estrangulamento” da artéria 
renal, além de causar um processo isquêmico no órgão, 
também afetará a filtração, sendo esta diminuída e podendo 
acarretar em outras patologias renais de caráter secundário 
a esse processo) e microangiopatias trombóticas (a 
formação de trombos pode levar a obstrução total ou parcial 
de determinados locais, o que por sua vez também pode 
comprometer a função renal). 
 
Além do acometimento dessas estruturas renais, podem 
ocorrer anomalias congênitas que atingem cerca de 10% da 
população e normalmente são anomalias estruturais, como 
agenesia do rim (o indivíduo nasce sem um dos rins, sendo 
o outro capaz de manter a vida por muito tempo, ele terá 
uma hipertrofia compensatória em decorrência de uma 
questão de adaptação desse órgão para filtrar uma grande 
quantidade de sangue), hipoplasia (ocorre quando no 
processo embrionário o rim não consegue se desenvolver 
no tamanho ideal, logo, fica menor, o que acaba interferindo 
na filtração, prejudicando a função renal, sendo que, em 
casos de hipoplasia bilateral, há uma evolução do quadro 
para uma insuficiência renal ainda na infância, em 
contrapartida, uma hipoplasia unilateral não apresenta risco 
a sobrevivência do paciente), rins ectópicos e rim em 
ferradura. 
Ademais, existem as doenças císticas renais e a obstrução 
do trato urinário (uropatia obstrutiva), temas que configuram 
o enfoque dessa aula – parte 01 e 02. Além dessas 
patologias supracitadas, deve-se lembrar que, pensando 
em doenças ligadas ao SU, também pode haver a 
incidência de neoplasias que acometam os rins. 
 
Gabriela Bordignon – UFMS CPTL (T5) 
 
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As doenças císticas são caracterizadas como distúrbios 
heterogêneos, já que compreendem tanto as formas 
hereditárias, quanto desenvolvimentais e adquiridas. Sendo 
importantes objeto de estudo ao passo que são muito 
comuns e, algumas dessas doenças císticas, podem 
acarretar em doença renal crônica, que por sua vez, pode 
levar a um quadro de falência do órgão que põe em risco a 
vida do indivíduo. 
 
Uma vez que esses cistos surgem nos rins, devem ser 
investigados, pois podem ser confundidos com tumores. 
Do ponto de vista anatomopatológico, as doenças císticas 
são consideradas DISPLASIAS, porém, do ponto de vista 
prático, elas podem ter DIAGNÓSTICO, TERAPIA e 
PROGNÓSTICOS variados. 
Por que? Dependendo do cisto e do agente causal para a 
sua respectiva formação, existem diferentes manifestações 
e complicações, e isso leva a necessidade de tratamentos 
diferentes que sejam adequados a cada caso. Além disso, 
o prognóstico também varia, já que, por exemplo, em 
quadros de cistos simples, o indivíduo não terá 
repercussões sérias, já em casos hereditários que podem 
acometer uma criança ou um neonato, dependendo da 
doença, a gravidade clínica é tamanha que pode ser fatal. 
Em suma, pode-se destacar as doenças císticas sendo 
comuns, apresentando problemas diagnósticos (clínicos, 
radiologistas e patologistas), também o fato de algumas 
formas causarem doença renal crônica e a possibilidade de 
serem, ocasionalmente, confundidas com tumores 
malignos. 
Dentre as doenças definidas como císticas podem ser 
englobados casos de cistos renais simples, cistos renais, 
complexos, doença renal policística (tem um caráter