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aula 01 de Doeças Císticas e Litíase,Prof Julie, patologia-BBPM V

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que ocorrem durante a vida e 
características do estilo de vida próprio do paciente, tais 
quais exposição à radiação, hábitos alimentares com 
muitos industrializados, doença de base que estimule a 
mutação, etc., ter uma mutação somática no alelo 
anteriormente normal de algumas células tubulares. 
Logo, nesses casos, o alelo que antes estava funcionante e 
compensava a mutação herdada passa a não exercer mais 
esse papel, por esse motivo o complexo PC1/PC2 não irá 
funcionar adequadamente como antes, levando a um 
descontrole das vias de proliferação celular. 
 Por exemplo, eu tenho uma célula tubular que sofreu esse 
processo de mutação e ela não foi corrigida, logo, essa 
célula está incapacitada de fazer a regulação da sua 
proliferação, por esse motivo ela passa a sofrer diversas 
divisões e a formar várias cópias dela mesma. Com esse 
processo há uma concentração de células que se 
“amontoam” na região. Esse concentrado de células, 
conforme recebe secreção em seu interior forma um cisto. 
Mas, de onde vem essa secreção? 
Como já foi dito, o distúrbio de cálcio prejudica as vias 
intracelulares, uma delas é a via da PKA que está estimula 
diretamente o canal de cloreto, ou seja, ela promove a sua 
abertura e consequentemente a saída do cloreto. Com a 
grande saída do cloreto para o lúmen, inicia-se um acúmulo, 
gerando a secreção transepitelial de fluido. 
Logicamente, todo esse processo demora anos para 
ocorrer, então, no início não há tanta significância clínica, 
mas a partir do momento em que há um crescimento em 
número e tamanho de cistos, há um comprometimento do 
parênquima renal. 
Lembrando que os cistos aparecem de forma difusa devido 
ao fato de as células mutadas não possuírem um padrão 
 
Gabriela Bordignon – UFMS CPTL (T5) 
 
 PATOLOGIA, Prof. Julie – BBPM V 
específico, ou seja, a mutação no segundo alelo, antes 
normal, acontece de forma aleatória. 
 
Em algum momento, esse crescimento celular será tão 
grande que o cisto irá se desprender do túbulo de origem, 
já com o conteúdo de fluido retido em seu interior, bem 
como pode ser visualizado na imagem acima. Quanto as 
células que restaram e não tiveram seu funcionamento 
afetado haverá a tentativa da manutenção da função do 
complexo PC1/PC2. 
 
Existe uma teoria, na qual em algumas situações as quais 
o indivíduo pode ser exposto, como por exemplo, a 
hipertensão e a isquemia, que culminam na aceleração do 
processo de formação dos cistos no parênquima renal. 
A explicação de como isso acontece ainda não é definida, 
porém, isso foi observado em modelos experimentais in-
vitro e in-vivo que mostraram que a isquemia, por exemplo, 
acelera o processo de expansão cística, gerando uma 
variabilidade clínica com diferenças de tamanhos entre os 
cistos, já que são fatores que variam conforme o 
contexto/ambiente no qual ocorreu a cistogênese. 
Lembrando que, além do rim com cistos ficar maior em 
questão de tamanho, o seu peso também aumenta, em 
decorrência do acúmulo de líquido no interior dos cistos. 
Nesse contexto, já foram diagnosticados pacientes 
portadores da DRPAD com rins de até 4 kg. 
 
O esquema acima representa um resumo da patogênese 
da DRPADC. 
Nesse sentido, a patogênese se baseia em mutações na 
policistina1,2, o que faz com que a sensibilidade dos rins 
referente a mecanossensação, feita através da flexão dos 
cílios tubulares e que atua como sinalizador das vias 
intracelulares, seja modificada, alterando, por 
consequência, o fluxo de cálcio fica alterado, pois a 
sensibilidade do complexo PC1/PC2 fica comprometida. 
Isso, por sua vez, acarreta na diferenciação e crescimento 
epiteliais tubulares alterados (lembrando que esse 
processo se dá apenas nas células que apresentam 
mutação do segundo alelo, ou seja, isso não ocorre em 
todas as células do epitélio de uma só vez, o processo tem 
um desenrolar difuso e que acontece conforme ocorrem as 
mutações no alelo), como resultado disso há maior 
proliferação celular, matriz extracelular anormal e secreção 
de fluido que culminam na formação do cisto. 
Lembrando que, essa é apenas uma hipótese de 
patogênese que, apesar de fazer muito sentido, ainda não 
foi comprovada, visto que existem muitos mecanismos 
dessa doença que ainda são desconhecidos. 
 
Gabriela Bordignon – UFMS CPTL (T5) 
 
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Na imagem acima é possível observar a representação do 
rim de um indivíduo que possui a DRPAD, no qual os cistos 
formados acabam sendo bem visíveis na superfície do 
órgão que, vale ressaltar, encontra-se aumentado. 
Além disso, pode-se ver no esquema A a formação do 
lúmen de forma controlada (tubulogênense) devido a 
policistina funcionante. Já quando há cistogênese 
(formação do lúmen descontrolada) isso se deve ao fato de 
que em algumas das células desse epitélio haverá mutação 
em ambos os alelos responsáveis pela expressão de 
policistina. 
Destaca-se também que a DRPAD é caracterizada pela 
formação extrarrenal de cistos, portanto, esses cistos 
podem estar presentes fígado (mais comum), pâncreas, 
coração, ovários, pulmão, baço, cérebro (principalmente em 
aneurismas) e em divertículos. 
Clinicamente, essa informação é muito importante, visto 
que um indivíduo que apresente DRPAD com cisto 
extrarrenal, por exemplo, no coração, pode vir a óbito em 
decorrência do desenvolvimento de uma doença 
coronariana cardíaca e não necessariamente do cisto. Pois, 
pensando nos cistos formados nos rins, a insuficiência renal 
irá se estabelecer em meados da sexta ou sétima década 
de vida, e por meio da diálise, esse paciente conseguirá 
prolongar a sua sobrevivência, enquanto que o 
acometimento grave de outros órgãos por vezes não 
possuem tratamentos que permitam prolongar a vida do 
paciente. 
Lembrando que, muitos pacientes só descobrirão que tem 
a DRPAD quando houver uma insuficiência renal, já que os 
cistos, de modo geral, não geram um processo doloroso, 
por exemplo. Obviamente, com o avanço da doença há um 
comprometimento da filtração glomerular e a manifestação 
de alguns sinais e sintomas. 
Ou seja, pacientes acometidos pela DRPAD costumam ser 
assintomáticos até o momento em que o parênquima renal 
se encontra muito comprometido, caracterizando o início de 
um quadro de insuficiência renal. Os sintomas inicias que 
podem anunciar essa doença são hematúria, proteinúria e 
azotemia. 
 
Na imagem anterior podem ser observados exemplos de 
imagens de órgãos acometidos em indivíduos com DRPAD, 
sendo A uma vista superficial que evidencia a presença de 
cistos visíveis exteriormente, em B vista corte que mostra a 
formação de cistos tanto na região cortical, quanto medular 
do rim, comprometendo de forma progressiva a função 
renal, em C há uma DRPAD recessiva jovem (cistos são 
menores e os canais são dilatados em ângulo reto em 
relação à superfície cortical) – essa doença será explicada 
posteriormente, e, por último, cistos no fígado da DRPAD 
em um adulto. 
Abaixo pode-se ter uma noção do tamanho que o rim de um 
indivíduo com DRPAD pode atingir, sendo, inclusive, 
comparado à dimensão de uma bola de futebol americano. 
 
 
 
Gabriela Bordignon – UFMS CPTL (T5) 
 
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Partindo para a doença policística renal recessiva, tem-se 
que ela depende muito da época a qual acomete a criança. 
Lembrando que essa doença, assim como a DRPAD, 
possui caráter hereditário. Pode acometer crianças tanto no 
período perinatal, quanto neonatal, infantil e até mesmo 
juvenil. 
 
A perinatal configura-se por uma manifestação que ocorre, 
aproximadamente, a partir 22 semana de gestação até a 
primeira semana pós-parto. 
Quando a doença se manifesta até os 28 dias de vida extra-
uterina, ou seja, 28 dias após o nascimento, ela será 
classificada como doença policística renal recessiva 
neonatal. 
Já nos casos nos quais a doença é manifestada

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