A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
27 pág.
Aleitamento Materno

Pré-visualização | Página 1 de 5

11
Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um processo que envolve interação 
profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade 
de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, e 
em sua saúde no longo prazo, além de ter implicações na saúde física e psíquica da mãe. 
Apesar de todas as evidências científicas provando a superioridade da amamentação sobre 
outras formas de alimentar a criança pequena, e apesar dos esforços de diversos organismos 
nacionais e internacionais, as prevalências de aleitamento materno no Brasil, em especial as de 
amamentação exclusiva, estão bastante aquém das recomendadas, e o profissional de saúde tem 
papel fundamental na reversão desse quadro. Mas para isso ele precisa estar preparado, pois, 
por mais competente que ele seja nos aspectos técnicos relacionados à lactação, o seu trabalho 
de promoção e apoio ao aleitamento materno não será bem sucedido se ele não tiver um olhar 
atento, abrangente, sempre levando em consideração os aspectos emocionais, a cultura familiar, a 
rede social de apoio à mulher, entre outros. Esse olhar necessariamente deve reconhecer a mulher 
como protagonista do seu processo de amamentar, valorizando-a, escutando-a e empoderando-a. 
Portanto, cabe ao profissional de saúde identificar e compreender o aleitamento materno no 
contexto sociocultural e familiar e, a partir dessa compreensão, cuidar tanto da dupla mãe/bebê 
como de sua família. É necessário que busque formas de interagir com a população para informá-
la sobre a importância de adotar práticas saudáveis de aleitamento materno. O profissional 
precisa estar preparado para prestar assistência eficaz, solidária, integral e contextualizada, que 
respeite o saber e a história de vida de cada mulher, e que a ajude a superar medos, dificuldades 
e inseguranças (CASTRO; ARAÚJO, 2006). 
Apesar de a maioria dos profissionais de saúde considerar-se favorável ao aleitamento 
materno, muitas mulheres se mostram insatisfeitas com o tipo de apoio recebido. Isso pode ser 
devido às discrepâncias entre percepções do que é apoio na amamentação. As mães que estão 
amamentando querem suporte ativo (inclusive emocional), bem como informações precisas, para 
se sentirem confiantes, mas o suporte oferecido pelos profissionais costuma ser mais passivo e 
reativo. Se o profissional de saúde realmente quer apoiar o aleitamento materno, ele precisa 
entender que tipo de apoio, informação e interação as mães desejam, precisam ou esperam dele.
1Aleitamento Materno
13
2
É muito importante conhecer e utilizar as definições de aleitamento materno adotadas 
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e reconhecidas no mundo inteiro (WORLD HEALTH 
ORGANIZATION, 2007). Assim, o aleitamento materno costuma ser classificado em:
• Aleitamento materno exclusivo – quando a criança recebe somente leite materno, direto 
da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos, 
com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos 
minerais ou medicamentos.
• Aleitamento materno predominante – quando a criança recebe, além do leite materno, 
água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás, infusões), sucos de frutas e fluidos 
rituais1.
• Aleitamento materno – quando a criança recebe leite materno (direto da mama ou 
ordenhado), independentemente de receber ou não outros alimentos.
• Aleitamento materno complementado – quando a criança recebe, além do leite materno, 
qualquer alimento sólido ou semissólido com a finalidade de complementá-lo, e não de 
substituí-lo. 
• Aleitamento materno misto ou parcial – quando a criança recebe leite materno e outros 
tipos de leite.
1Embora a OMS não reconheça os fluidos rituais (poções, líquidos ou misturas utilizadas em ritos místicos ou religiosos) como exceção possível 
inserida na definição de aleitamento materno exclusivo, o Ministério da Saúde, considerando a possibilidade do uso de fluidos rituais com finali-
dade de cura dentro de um contexto intercultural e valorizando as diversas práticas integrativas e complementares, apoia a inclusão de fluidos ri-
tuais na definição de aleitamento materno exclusivo, desde que utilizados em volumes reduzidos, de forma a não concorrer com o leite materno.
Tipos de Aleitamento 
Materno
15
3Duração da amamentação
Vários estudos sugerem que a duração da amamentação na espécie humana seja, em média, 
de dois a três anos, idade em que costuma ocorrer o desmame naturalmente (KENNEDY, 2005).
A OMS, endossada pelo Ministério da Saúde do Brasil, recomenda aleitamento materno por 
dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. Não há vantagens em se iniciar os 
alimentos complementares antes dos seis meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da 
criança, pois a introdução precoce de outros alimentos está associada a:
• Maior número de episódios de diarréia;
• Maior número de hospitalizações por doença respiratória;
• Risco de desnutrição se os alimentos introduzidos forem nutricionalmente inferiores ao 
leite materno, como, por exemplo, quando os alimentos são muito diluídos;
• Menor absorção de nutrientes importantes do leite materno, como o ferro e o zinco;
• Menor eficácia da amamentação como método anticoncepcional;
• Menor duração do aleitamento materno.
No segundo ano de vida, o leite materno continua sendo importante fonte de nutrientes. 
Estima-se que dois copos (500 mL) de leite materno no segundo ano de vida fornecem 95% 
das necessidades de vitamina C, 45% das de vitamina A, 38% das de proteína e 31% do total 
de energia. Além disso, o leite materno continua protegendo contra doenças infecciosas. Uma 
análise de estudos realizados em três continentes concluiu que quando as crianças não eram 
amamentadas no segundo ano de vida elas tinham uma chance quase duas vezes maior de 
morrer por doença infecciosa quando comparadas com crianças amamentadas (WORLD HEALTH 
ORGANIZATION, 2000).
17
4
Já está devidamente comprovada, por estudos científicos, a superioridade do leite materno 
sobre os leites de outras espécies. São vários os argumentos em favor do aleitamento materno.
4.1 Evita mortes infantis
Graças aos inúmeros fatores existentes no leite materno que protegem contra infecções, 
ocorrem menos mortes entre as crianças amamentadas. Estima-se que o aleitamento materno 
poderia evitar 13% das mortes em crianças menores de 5 anos em todo o mundo, por causas 
preveníveis (JONES, 2003). Segundo estudo de avaliação de risco, no mundo em desenvolvimento 
poderiam ser salvas 1,47 milhões de vidas por ano se a recomendação de aleitamento materno 
exclusivo por seis meses e complementado por dois anos ou mais fosse cumprida. Atribui-se ao 
aleitamento subótimo, conforme classificação da OMS (Tabela 1), 55% das mortes por doença 
diarreica e 53% das causadas por infecção do trato respiratório inferior em crianças dos 0 aos 
6 meses, 20% e 18% dos 7 aos 12 meses, respectivamente, e 20% de todas as causas de morte 
no segundo ano de vida (LAUER, 2006). Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto 
que a amamentação tem na redução das mortes de crianças menores de 5 anos. No Brasil, em 
14 municípios da Grande São Paulo, a estimativa média de impacto da amamentação sobre o 
Coeficiente de Mortalidade Infantil foi de 9,3%, com variações entre os municípios de 3,6% a 
13% (ESCUDER; VENÂNCIO; PEREIRA, 2003). 
A proteção do leite materno contra mortes infantis é maior quanto menor é a criança. Assim, 
a mortalidade por doenças infecciosas é seis vezes maior em crianças menores de 2 meses não 
amamentadas, diminuindo à medida que a criança cresce, porém ainda é o dobro no segundo 
ano de vida (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2000). É importante ressaltar que, enquanto a 
proteção contra mortes por diarréia diminui com a idade, a proteção contra mortes por infecções 
Importância do 
aleitamento materno
18
Ministério da

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.