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Filtração Glomerular e Fluxo Sanguíneo Renal - FISIOLOGIA

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FISIOLOGIA: SISTEMA URINÁRIO 
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Filtração glomerular e Fluxo 
Sanguíneo renal 
 A primeira etapa para a formação da urina é a 
filtração glomerular (FG), ou seja, a filtração de 
grandes quantidades de líquidos através dos 
capilares glomerulares para dentro da cápsula de 
Bowman (180 L ao dia). 
 
Composição do filtrado glomerular 
 Os capilares glomerulares são relativamente 
impermeáveis às proteínas, assim, o filtrado 
glomerular é livre dessas macromoléculas. 
 A maior parte dos sais e moléculas orgânicas são 
similares às concentrações plasmáticas. Algumas 
exceções são: cálcio e ácidos graxos, pois estão 
geralmente ligados às proteínas plasmáticas e, 
portanto, não são filtrados com efetividade. A tabela 
a seguir demonstra a capacidade de filtrabilidade de 
alguns componentes sanguíneos, que vai de 1 à 0. 
Note que as proteínas de maior peso molecular são 
as menos filtradas. 
 
Membrana capilar glomerular ou barreira de filtração 
 A membrana capilar glomerular, ou também 
chamada de barreira de filtração, é a estrutura que 
filtra o plasma sanguíneo. Essa barreira é formada 
por: 
• Endotélio capilar → é fenestrado, mas as proteínas 
das células endoteliais são dotadas de cargas 
negativas, repelindo proteínas plasmáticas de 
carga negativa e macromoléculas 
• Membrana basal do endotélio e dos podócitos → 
trata-se da fusão da membrana endotelial com a 
membrana basal dos podócitos; consiste em uma 
trama de colágeno e fibrilas proteoglicanas (cargas 
negativas) com grande espaços, pelos quais 
grande quantidade de água e de pequenos 
solutos podem ser filtrados, além de impedir a 
passagem de macromoléculas. 
• Camada de células epiteliais (podócitos) → 
emitem prolongamento primários e secundários 
que envolvem o capilar sanguíneo; entre os 
prolongamento 2ª existem espaços, chamados de 
fendas de filtração, por onde o filtrado glomerular 
se desloca. As células epiteliais também 
apresentam cargas negativas que repelem 
proteínas. 
 Portanto, apesar de ser mais espessa que a 
maioria dos outros capilares, a membrana capilar 
glomerular é muito mais porosa, filtrando líquidos 
com mais intensidade. Todavia, essa filtragem é feita 
de maneira seletiva, com base no seu tamanho e em 
sua carga elétrica. 
 
OBS! Substâncias de mesmo peso molecular, mas 
com carga elétricas diferentes, apresentam 
diferentes taxas de filtração; por exemplo, 
substâncias com cargas elétricas negativas vão ser 
muito menos filtradas do que cargas elétricas 
positivas, devido à trama de proteoglicanos da 
membrana basal e de substâncias negativas do 
endotélio vascular. 
 
 
Deterinantes da FG 
 A filtração glomerular é determinada pelo 
seguintes processos: 
• Balanço de forças hidrostáticas e coloidosmótica 
→ pressão efetiva de filtração. As pressões 
existentes são: 
o PG → Pressão hidrostática nos capilares 
glomerulares, que promovem filtração (60 
mmHg) 
o PB → pressão hidrostática na cápsula de 
Bowman, se opõe a filtração (18 mmHg) 
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o πG → pressão coloidosmótica das proteínas 
plasmáticas, se opõe à filtração (32 mmHg). 
Essa pressão é tida pela média entre a pressão 
coloidosmótica das Aa. aferentes (28 mmHG) e 
a pressão coloidosmótica das Aa. eferentes (36 
mmHg); essa diferença de pressão entre as 
artérias se deve pela diminuição do plasma 
sanguíneo que ocorre entre elas e a maior 
concentração proteica consequente, já que o 
conteúdo das Aa. eferentes é as Aa. aferentes 
menos o plasma sanguíneo filtrado na cápsula. 
o πB → pressão coloidosmótica das proteínas na 
cápsula de Bowman, promove a filtração; a 
concentração de proteínas na cápsula é tão 
baixa, que essa pressão é considerada nula (0 
mmHg) 
• Coeficiente de filtração capilar (Kf) → é o produto 
da permeabilidade e da área de superfície de 
filtração capilar 
 Portanto, os capilares glomerulares apresentam 
alta taxa de filtração devido à  pressão hidrostática 
aliado ao  Kf. Então, cerca de 20% de todo o plasma 
que flui pelos rins é filtrado. Assim, tem-se o conceito 
de fração de filtração (FF), que consiste no tanto de 
fluxo plasmático que chega à cápsula de Bowman em 
relação ao tanto que é efetivamente filtrado, tendo 
como fórmula: FF = FG/Fluxo plasmático renal total; 
essa relação, como já demonstrado, tem valor de 0,2, 
ou seja, 20%. 
 
 
 Dessa forma, a FG = Kf x Pressão efetiva de 
filtração.; de maneira mais completa, é tido pela 
seguinte expressão: 
FG = Kf x (PG – PB – πG + πB) 
 
 Já o Kf é tido pela expressão inversa dá analisada: 
Kf = FG (125 ml/min)/Pressão efetiva de filtração 
(10mmHg) 
 Logo, o Kf é igual 12,5 mL/mim/mmHg de 
pressão de filtração. Se comparado com o peso renal 
de 100 gramas, o Kf fica igual a 4,2 mL/min/ mmHg, 
o Kf de outros tecidos é de cerca de 0,1 por 100 
gramas, o que demonstra a  permeabilidade e  
área de superfície para filtração dos rins, devido aos 
glomérulos. 
 
OBS! Dessa forma, sabendo os componentes que 
fazem parte do cálculo da FG, temos a fisiopatologia 
de diversas condições que atuam nos rins que 
alteram a FG; ex: 
• Hipertensão crônica e DM reduzem o Kf pelo 
aumento da espessura da barreira de filtração,  
a FG 
• Cálculos que se alojam no trato urinário e 
impedem a passagem da urina  a pressão na 
cápsula de Bowman,  a FG 
• O  da fração de filtração (pela  do fluxo 
plasmático renal) causa hipertonicidade proteica 
no sangue glomerular, isso causa  da pressão 
coloidosmótica glomerular e, logo,  FG 
• Já a  da fração de filtração (pelo  do fluxo 
plasmático renal), causa o efeito inverso do citado 
e, assim,  FG 
 
 FPR --> Fluxo Plasmático Renal total; FG --> filtrado glomerular; REAB --
> Reabsorção Tubular. Note que o FG é cerca de 20% do FPR. 
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• A pressão hidrostática glomerular é determinada 
por 3 variáveis: pressão arterial, resistência 
arteriolar aferente e resistência arteriolar eferente 
o Aumento da pressão arterial tende a  a 
pressão hidrostática glomerular e  a FG, mas 
existem mecanismos autorregulatórios que 
mantêm esse nível constante 
o O  da resistência das arteríolas aferentes  a 
pressão hidrostática,  a FG; o oposto também 
é verdadeiro 
o O  da resistência das arteríolas eferentes  
pressão hidrostática glomerular,  a FG; o 
oposto também é verdadeiro. Todavia, com o 
aumento da constrição das arteríolas eferentes, 
a filtração vai aumentando, o que também 
causa uma maior concentração de proteínas no 
plasma sanguíneo, levando a um  da pressão 
coloidosmótica glomerular; assim, o  da 
pressão coloidosmótica glomerular excede o 
aumento da pressão hidrostática, o que  FG. 
Ou seja, uma constrição arteriolar eferente mais 
leve causa um  da FG, já uma contrição forte, 
causa  da FG. 
 
 
 
 
 
 
 
 
FLUXO SANGUÍNEO RENAL 
 O fluxo sanguíneo renal e muito elevado 
comparado a outros órgãos (cerca de 22% do débito 
cardíaco); esse grande fluxo é importante para 
permitir, além da nutrição e remoção de resíduos 
metabólicos dos rins, a efetiva filtração do plasma 
sanguíneo com altos volumes de plasma. 
 
Consumo de Oxigênio 
Aumento na pressão coloidosmótica no plasma que flui através dos 
capilares glomerulares. Normalmente, cerca de um quinto do líquido 
dos capilares glomerulares filtra para o interior da cápsula de Bowman, 
dessa forma, concentrando as proteínas plasmáticas que não são 
filtradas. Aumentos na fração de filtração (taxa de filtração 
glomerular/fluxo plasmático renal → linha azul) elevam a taxa com a 
qual a pressão coloidosmótica do plasma sobe ao longo dos capilares 
glomerulares; diminuições na fração de filtração têm o efeito oposto 
(linha verde) 
No gráfico demonstra-se os diferentes efeitos do aumento da resistência 
das arteríolas eferentes ou aferentes. 
No primeiro gráfico, temos que o  da resistência arteriolar eferente vai 
causar, em um primeiro momento, o aumento da taxa de filtração 
glomerular (linha vermelha), devido ao consequente aumento da pressão 
hidrostática

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