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Análise do papel do centro de Acolhimento Menino Jesus da Manhiça no processo de reintegração social das raparigas de 18 anos de idade às famílias em 2020 a 2021

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claro que ele pode esquecer todos os princípios que pregavam no centro” F12. Por 
fim as famílias referem que os outros membros da família gostam das raparigas, mas não se sabe 
o certo se essa harmonia que se mantem seja por a rapariga apenas ter tido pouco tempo em casa 
e mais tempo no centro. 
3.7.Explicar o processo de reintegração familiar das raparigas acolhidas pelo Centro de 
Acolhimento Menino Jesus da Manhiça 
Nem sempre as reinserções ocorrem da melhor forma, podem ser bem e mal sucedidas por vários 
factores. O Grupo interagência de reintegração infantil (2016), em seu documento de diretrizes 
para reintegração familiar de crianças e adolescentes refere que assim que os pais ou outros 
 
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membros da família forem localizados, uma avaliação da família deve ocorrer. A família deve 
ser tratada com dignidade e respeito e considerar os pontos fortes e fracos tanto da família 
nuclear quanto da família extensa da criança e adolescente. Um modelo básico inclui uma 
avaliação preliminar: 
 dos factores de risco que afectam a segurança e o bem-estar da criança e as mudanças que 
precisam ser feitas; 
 das forças e da resiliência da família, inclusive dos irmãos; 
 da visão dos membros da família sobre as razões da separação e outros problemas; 
 do nível de disponibilidade/capacidade de mudança da família; 
 da capacidade da família de cuidar da criança/adolescente; 
 da situação económica da família. 
Portanto com os dispostos acima, a pesquisa também procurou entender nas monitoras do Centro 
Menino Jesus, como e tratado o processo de reintegração das raparigas. Portanto, não restaram 
dúvidas de que a reintegração familiar está intimamente ligada aos princípios que regem a 
legislações Moçambicanas no que diz respeito aos direitos da criança e do adolescente. São 
várias formas de retornar as raparigas ao convívio familiar: “[…] às vezes o retorno ao convívio 
familiar promovemos assim que a família apresentar condições favoráveis para o retorno da 
rapariga principalmente quando se trata de superação de problemas de alcoolismo o condições 
económicas e, nem sempre esperamos que ela atinja os 18 anos para o retorno obrigatório 
preconizado pelas autoridades” M01; “[…] temos situações em que os pais só assumem a 
paternidade mais tarde enquanto a rapariga já está nos cuidados do centro e, alguns deles 
preferem começar com os cuidados retirando-as do lar de acolhimento, assim o centro faz uma 
avaliação das condições dos pais para ver se podem ser seguras para integração da menina” M02. 
3.7.1. Manutenção do vínculo familiar 
Em relação de como e que o corre o processo de reintegração das raparigas as famílias de origem 
uma das mentoras refere que, “[…] desde o primeiro dia que o centro acolhe uma criança é 
estabelecida uma regra em relação as visitas com as famílias de origem, caso seja difícil 
identificar a família o centro sempre procura até encontrar para estabelecer datas e horários de 
visita para que a rapariga não se esqueça da sua família” M03; assim como a outra refere que 
 
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“[…] o centro concede as raparigas visitas aos familiares de duas em duas semanas, mas a 
mesma regra na se aplica a criança com menos de 12 anos, porem levamos a sua ficha e entrar 
em contacto com os familiares para recorda-los a não se desmembrarem da menina” M01; “[…] 
em todos os eventos culturais que acontecem dentro do centro os familiares são convidados a 
participarem, assim como também autorizamos os familiares a buscarem as raparigas sempre que 
na família houver algum programa de carácter cultural para ela ficar a par da vida social dos 
familiares” M02. 
3.7.2. Preparação da rapariga para uma vida autónoma 
Desde a entrada do centro as raparigas aprendem a fazer muita coisa extra para além da educação 
escolar que o centro proporciona, “[…] aqui as meninas aprendem a decorar chinelos, 
empreendedorismo como fazer bolos entre outras actividades que futuramente podem ser úteis o 
seu auto-sustento e incentivamos formações vocacionais as raparigas para permitir com que elas 
tenham emprego com facilidade”M01; “[…] nem sempre as raparigas tem familiares com quem 
contar, outros morrem por HIV-SIDA ou mesmo por questões naturais, quando isso acontece 
entramos em contacto com as autoridades para dar informe e continuamos com a menina até que 
ela consiga ter emprego para ter uma vida autónoma” M02. 
3.7.3. Pré-avaliação da família das raparigas 
As raparigas antes de serem reintegradas às famílias de origem, deve passar por um processo de 
avaliação para que o ambiente para a meninas não seja hostil, “[…] treinamos as famílias em 
relação aos direitos da criança e procuráramos desenvolver os pontos fortes dentro das famílias, 
identificando e reforçando atitudes e comportamentos positivos” M03; “[…] cuidadosamente 
precisamos estudar se a família está disposta e comprometida a levar a criança de volta e assumir 
a responsabilidade de trabalhar para enfrentar os problemas ; entendem o que aconteceu à criança 
e como isso afectou o seu bem-estar e comportamento; são capazes de pensar na criança e se 
preocupam com ela; são capazes de atender às necessidades básicas da criança; o ambiente 
doméstico é seguro; a família é capaz de reconhecer as necessidades e os direitos da criança; um 
espaço físico foi preparado para a criança (quarto etc.) ” M02. Feitos todos esses processos, 
pode-se decidir se a rapariga volta ou não para a família de origem. 
 
 
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CAPÍTULO IV. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 
4.1.Conclusões 
As instituições de acolhimento assumem lugar central na vida das raparigas acolhidas, 
promovendo e garantindo os direitos fundamentais como segurança e protecção. O Centro de 
Acolhimento Menino Jesus tem um papel importante na vida das raparigas nos desejos de 
realizações profissionais, apreensão quanto a formas de sustento e obtenção de sucesso no 
futuro. 
A reintegração social das raparigas as famílias de origem começa desde o acolhimento da 
rapariga através de uma série de procedimentos como: inserção da rapariga em todos os 
eventos culturais na família e a qualquer que seja acção familiar, educação vocacional das 
raparigas para que sozinhas consigam uma vida de auto-sustento. E como vimos no capítulo 
passado nem todas as reinserções têm dado certo, isso acorre por vários motivos como: 
familiares alcoólatras, violência no convívio da família, perda dos membros directos, estes 
são factores que impossibilitam o sucesso na reintegração das raparigas. 
As raparigas que por lá passam na maioria dos casos saem com formação profissional, 
trabalho da mão garantido (conta própria), portanto, o centro permite com que as raparigas e 
as suas práticas permitam trabalhar questões que favorecem desenvolver a resiliência 
procurando reconstruírem suas próprias histórias. O centro estimula as habilidades de cada 
uma criando situações em que uma aprenda o ofício da outra. O relacionamento entre as 
monitoras e as raparigas tem sido muito melhor que até quando chega o momento da 
reintegração a família de origem tem sido um momento difícil. 
As famílias igualmente têm sido unânimes quanto ao louvável tratamento e educação que as 
raparigas recebem no centro. Ao mesmo tempo as famílias também louvam o vínculo que 
tem sido reforçado entre as raparigas e as famílias para além de que na preparação do retorno 
da rapariga ao convívio familiar, elas beneficiam de sensibilizações e pequenas formações 
sobre direitos da criança e outros aspectos que podem deixar o ambiente familiar seguro para 
as raparigas. 
 
 
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4.2.Recomendações 
Feito o estudo e as conclusões que marcaram a pesquisa, recomendamos que: 
 Que o centro fortifique um pouco mais a preparação das raparigas para serem mais 
resilientes, principalmente as que ficam praticamente sem com quem contar; 
 Ainda o centro que não se canse ou mesmo adoptar outros métodos de sensibilização

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