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Análise do papel do centro de Acolhimento Menino Jesus da Manhiça no processo de reintegração social das raparigas de 18 anos de idade às famílias em 2020 a 2021

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que esta pesquisa 
 
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produzirá através de não divulgação para outros fins que não sejam académicos através dos 
seguintes instrumentos: 
 Declaração de conflito de interesse do pesquisador e 
 Termo de compromisso do investigador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Capítulo III. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE DADOS 
Para salvaguardar a imagem e integridade dos entrevistados deste estudo, ao longo deste capítulo 
pode-se encontrar M01… para as mentoras R01…, para as raparigas e F01…, para as famílias, 
estas são as designações que encontramos para não ter que divulgar os seus nomes ou mesmo 
quem disse o quê para não comprometer a sua imagem levando em consideração que algumas 
declarações podem ser comprometedoras. 
3.1.Perfil dos entrevistados 
Tendo em conta que apenas pautou-se pelas raparigas com 18 anos, portanto as idades variam de 
18 a 21 anos, isto é, dez (10) raparigas correspondentes a 83% tem 18 anos e duas (2) 
correspondentes a 17% tem 21 anos de idade. Considerando que estamos a falar de raparigas que 
foram acolhidas pelo centro em decorrências de vários motivos que variam de uma rapariga para 
outra, podemos, no quadro a seguir verificar o perfil de cada uma em relação aos membros com 
quem viviam antes do centro, os que estiveram em contacto durante o tempo de acolhimento e 
para quais foram reintegradas. 
Tabela 1. Perfil das raparigas entrevistadas 
Descrição Pai/Mãe Irmão/a Tio/a Primo/a Avo Total 
Com quem vivia antes do centro 1 2 2 -------- 7 12 
Membro de contacto desde o início 1 2 2 ------- 7 12 
A família para qual foi reintegrada 1 2 2 ------- 7 12 
Adaptada pela autora 2021 
Como se pode ver no quadro acima, sete (7) raparigas das doze (12) que fizeram parte da 
amostra desta pesquisa, correspondentes a 58%, antes do centro vivia com os avós, os mesmos 
mantinham contacto desde o início do processo de acolhimento e, igualmente são as famílias 
para quais as raparigas foram reintegradas. Duas (2) correspondentes a 17% viviam com os tios, 
uma percentagem igual com os irmãos, por fim uma (1) correspondente correspondente a 8%, 
com os pais cujos mesmos mantinham contacto desde o início do processo de acolhimento e, 
igualmente são as famílias, para as quais foram reintegradas. 
 
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Frisando que as raparigas durante o processo de acolhimento são submetidas a vários tipos de 
aprendizagens, desde o ensino primário até superior ou profissional, algumas acabam 
encontrando emprego dentro ou depois do processo de acolhimento. Portanto, na tabela a seguir 
apresentamos a ocupação de cada uma das 12 raparigas que fizeram parte do estudo. 
 
Tabela 2. Perfil ocupacional e educacional das raparigas 
Descrição Ocupação Educação 
Ajudante 4 
Logística 3 
Secretaria 1 
Activista social 2 
Professora 2 
10ª Classe ----- 
12ª Classe 4 
Formação profissional 4 
Ensino superior 4 
Adaptada pela autora 2021 
Como se pode contemplar na tabela acima, das doze (12) raparigas abarcadas no âmbito da 
pesquisa, correspondentes a 100% nenhuma esta sem emprego e sem educação. Começando pela 
ocupação encontramos distribuídas em várias áreas de actividades de acordo com a formação de 
cada uma, quatro (4) correspondentes a 33% são ajudantes do centro e, três (3) correspondentes a 
25% trabalham como logísticas, isto é, o centro quando tem algumas vagas tem feito uma 
contratação interna especialmente para as raparigas em acolhimento. Uma (1) correspondente a 
8% trabalha como secretaria de uma escola secundaria. Duas (2) correspondentes a 17% 
trabalham como activistas sociais em projectos de intervenção social e, uma percentagem igual a 
essa trabalha como professora. Quanto ao perfil educacional, quatro (4) raparigas 
correspondentes a 33,3% já tem o nível médio feito igualmente quatro (4) correspondentes a 
33,3% têm uma formação profissional e, uma percentagem igual a anterior já tem o nível 
superior feito. 
Dentro do perfil não podia ficar de fora com qual idade cada uma das raparigas foi acolhida, 
referente a essa informação tivemos aos dados a seguir. 
 
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Tabela 3. Idade com que as raparigas foram acolhidas 
Anos 4 a 5 6 a 7 8 a 9 10 a 11 12 a 13 14 a 15 16 a 18 
Frequência 2 3 ---- 7 ---- ---- ----- 
Adaptada pela autora 2021 
Assim como mostra a tabela, a instituição começa a acolher aos 4 anos de idade até aos 18, nessa 
onda duas (2) raparigas correspondentes a 17% forma acolhidas quando tinham 4 anos de idade, 
três (3) correspondentes a 25% forma acolhidas com 6 anos de idade e por fim sete (7) 
correspondentes a 58% com 9 anos. 
3.2.Satisfação da rapariga pela sua estadia no centro de acolhimento 
Assim como se referiu no primeiro capítulo deste trabalho que o estudo se baseia na psicologia 
humanista de Abraham Maslow (1908-1970), que acreditava na tendência individual da pessoa 
para se tornar auto-realizadora, sendo este o nível mais alto da existência humana, que explicou 
usando a sua pirâmide da escala de necessidades a serem satisfeitas e, que a cada conquista, nova 
necessidade se apresenta. Nos baseamos na sua ideia de que os centros de acolhimento 
acompanham o crescimento e educação das raparigas, proporcionando assim, a satisfação de 
algumas necessidades e que automaticamente isso serve como impulso na busca de novas 
necessidades para a sua auto-realização como ilustra a figura abaixo. 
Figua 1. Pirâmide da escala das necessidades do Maslow 
 
Machado, 2006. 
 
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O centro nesse caso pauta pela satisfação de algumas necessidades que se podem encontrar na 
primeira e segunda camada da base da pirâmide como a disponibilidade da comida e 
proporcionar segurança para as crianças. 
No entanto, buscou-se nas raparigas perceber quanto a sua satisfação da sua estadia no centro, ou 
seja, se serviu de algum impulso para as usas vidas. Ligada a essa questão as raparigas a 100% 
respondem que valeu a pena terem estado neste centro assim como podemos ver o seguinte 
depoimento. 
Nasci aos 10 de Maio de 1999 na província de Tete, sou a quarta filha das 6 
irmãs, e órfã dos pais, perdi a minha mãe em 2006 aos 7 anos de idade na mesma 
província sem nenhum familiar por perto após ter perdido a minha mãe a Acção 
Social se responsabilizou em procurar a família materna enquanto isso aguardava 
no Centro de acolhimento de SOS da mesma província, 6 meses depois 
localizaram a família, fui levada junto a eles em Maputo em 200. Chegado a 
Maputo a família não tinha condições para uma boa educação. Entretanto o meu 
avô procurou um abrigo para que pudesse ter uma boa educação, e conseguiu no 
Centro Menino Jesus da Manhiça na responsabilidade das Irmãs Franciscanas, ai 
inicia uma nova etapa da minha vida, onde dei continuidade dos meus estudos na 
escola primaria de Manhiça sede, conclui a 12ª na Escola Secundaria de 
Manhiça, após ter terminado fiquei alguns meses sem fazer nada, porque as irmãs 
já não tinham condições para continuar com os estudos e, mas em seguida 
conseguiram doadores que se prontificaram a custear os estudos, em 4 anos, 
assim terminei os meus estudos, e as irmãs ajudaram me a ter uma colocação de 
emprego, hoje sou uma mulher formada graças a existência deste Centro de 
Colhimento, (R07). 
Esta é uma prova do impulso que o centro dá às raparigas para se sentirem realizadas e a inserção 
social que elas necessitam para sentirem-se úteis na comunidade. Segundo as raparigas “[…] nos 
divertimos bem aqui no centro e cada uma de nós constituí família cá dentro, razão pela qual 
quando chega a hora de sair não tem sido fácil para as que ficam” R12, R10, 09. Algumas das 
raparigas não manifestam algum interesse em voltar para o convívio familiar, “[…] os meus 
encarregados bebem muito e não mostram nenhuma mudança de comportamento mesmo com a 
intervenção das monitoras do centro, por isso para mim voltar para a minha família

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