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Análise do papel do centro de Acolhimento Menino Jesus da Manhiça no processo de reintegração social das raparigas de 18 anos de idade às famílias em 2020 a 2021

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seis (6) famílias correspondentes a 50% das seleccionadas são 
provenientes de Inhambane, três (3) correspondentes a 25% são provenientes de Gaza e apenas 
três (3) igualmente correspondentes a 25% são de Maputo. As doze (12) famílias 
correspondentes a 100% pertencem a igreja católica. As idades variam entre 48 a 85 anos. O 
quadro a seguir mostra os agregados de cada família. 
Tabela 4. Agregados de cada família. 
Agregado Familiar 1 a 3 4 a 6 7 a 9 10 a 12 Nenhum 
Número 3 8 1 ---- ---- 
Adaptado pela autora 
Assim como se pode ver na tabela 4, que oito (8) famílias correspondentes a 67% representam 
uma média de 5 AF’s, três (3) correspondentes a 25% tem uma média de 2 AF’s e por fim uma 
(1) correspondente a 8% com 7 agregados familiares. Das nove (9) famílias correspondentes a 
75% que não são de Maputo, respondem que chegaram a Maputo a procura de melhores 
condições de vida já que nas zonas urbanas é onde se concentram as oportunidades. Relativo ao 
tempo de estadia varia de família para outra, três (3) famílias correspondentes a 25% estão em 
Maputo desde 1992 praticamente a 28 anos e uma percentagem igual a essa está a 27 anos, uma 
(1) correspondente 8% está a 30 anos e uma percentagem igual a essa, está a 35 anos, quatro (4) 
correspondentes a 33% estão a 33 anos. 
 
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Quanto a escolaridade das famílias, oito (8) correspondentes a 67%, respondem apenas 
terminaram a 7ª classe sabendo apenas o básico da leitura e escrita, duas (2) famílias 
correspondentes a 17% tem a 9ª classe concluída e uma percentagem igual a essa já tem o 
primeiro ciclo de ensino secundário feito. 
Aferimos igualmente sobre a renda mensal e a trabalho das famílias, cinco (5) correspondentes a 
42% trabalham por conta própria vendendo produtos da primeira necessidade, quatro (4) 
correspondentes a 33% são professores médios e três (3) correspondentes a 25% são domésticas. 
Quanto a renda mensal quatro (4) correspondentes a 33%, respondem que não passam de dois 
salários mínimos, cinco (5) correspondentes a 42% apenas conseguem metade de salário mínimo, 
e três (3) correspondentes a 25% não conseguem chegar nem na metade de um salário mínimo. 
Relativo a ajuda de cuidado da casa três (3) das famílias correspondentes a 25% referem que 
antes não tinham alguém que pudesse, mas agora que a rapariga trabalha ajuda nas despesas da 
casa e nove (9) correspondentes a 75% respondem que cuidam pessoalmente e ninguém as ajuda. 
 
3.5.Razões por detrás do acolhimento das raparigas 
Foi possível também aferir as razões por detrás do acolhimento das raparigas através dos 
depoimentos dados pelas famílias abarcadas no âmbito desta pesquisa, as razões variam desde a 
incapacidade financeira, responsáveis alcoólatras e familiares idosos: “[…] quando procuramos 
pelo centro nos já éramos idosos, pouco podíamos dar a criança, talvez não pudéssemos dar a 
educação escolar que ela tem hoje. Hoje dependemos dela para algumas necessidades da casa 
uma vez que o centro a ajudou a se formar e a colocá-la em um emprego” F01, F08, F05; “[…] a 
mãe dela acabava de falecer e o pai nunca deu a cara e, nós dependíamos da mãe dela, por isso 
tivemos que procurar uma família ou um centro que a pudesse cuidar” F02; “[…] eu sempre tive 
problemas de perna e, quando fiquei sozinho com ela vi que não seria capaz de cuidá-la, dai 
procurei o centro” F04; “[…] nos somos idosos sim e conseguimos vender algumas verduras, 
mas isso simplesmente a garantiria o alimento e não a escola, por isso arranjamos um sitio que 
melhor a pudesse dar uma educação” F03, F06. 
Ainda relativamente a essa questão: “[…] temos muitos filhos, nem mesmo os nossos 
conseguimos cuidar da sua educação, por isso quando vimos a sobrinha a ficar sem mãe 
 
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tomamos a iniciativa de leva-la para um centro de acolhimento para que tivesse educação” F07, 
F09; “[…] quando perdemos a nossa mãe ela ainda era pequena que não podíamos cuidar dela, e 
nós também estudávamos e ficava difícil para nos, por isso procuramos o centro” F10, F11; “[…] 
nos bebemos muto as vezes o pais dela me batia na presença dela, por isso eu decidi que ela não 
devia crescer no nosso ambiente, ainda o centro tentou nos sensibilizar mas infelizmente o 
álcool já esta no nosso sangue e ele faz parte do nosso dia-a-dia” F12. 
 
3.6.A relação da família com a rapariga 
Dado que a maior parte das raparigas são de família de idosos que dificilmente tem a facilidade 
da mobilidade, simplesmente elas é que visitam com o mecanismo de um final de semana em 
cada 15 dias, falamos relativamente de sete (7) correspondentes a 58,3%, uma (1) correspondente 
8,3% os pais são alcoólatras por isso também a rapariga é quem deve visitá-los, mas nem sempre 
tem vontade de visitá-los por conta da violência que se vive entre os seus pais depois da bebida. 
Para quatro (4) raparigas correspondentes a 33,3% o sistema de visita tem sido recíproco. 
Todos os familiares das raparigas a 100% mostram-se satisfeitos quanto ao processo de 
acolhimento, “[…] eu agradeço muito o centro porque se não tivesse sido por ele a nossa 
rapariga não teria se formado, uma vez que nos somos idosos e sem forças para gerar alguma 
renda que a pudesse ajudar a estudar como o centro fez” F06; “[…] se ela estivesse nesse nosso 
ambiente de bebedeira e pancadaria não teria enveredado pelo caminho de formação e nem sei 
dizer o que ela teria se tornado” F12. Quanto a simplicidade das agentes que trabalham no centro 
de acolhimento aos olhos dos familiares são como segundas mães, “[…] nós até já recebemos 
aconselhamento vindo das monitoras do centro… isso significa que elas se preocupam com o 
bem-estar das raparigas” F12. Significando que as famílias a 100% louvam o tratamento que as 
raparigas têm tido com as monitoras. 
Para compreendermos se as famílias se preocupam com as raparigas e acompanham a vida social 
delas procuramos saber se conhecem as amizades, “[…] ela sempre que viesse nos visitar, vinha 
com amigas do centro, e entre elas dava para notar que estão entre irmãs” F03; “[…] conheço a 
volta de 4 das suas amigas do centro, mas nas apresentações elas sempre se referia a elas como 
 
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irmãs então deu para perceber que há harmonia entre elas” F08, entre várias manifestações das 
famílias que deram a entender que conhecem as amizades das raparigas. 
Em relação ao interesse das famílias aos rendimentos escolares, em dez (10) famílias 
correspondentes a 83%, constatou-se que pouco procuravam saber do desempenho, bastava o 
relatório das raparigas e apenas dois (2) correspondentes a 17%, procurava saber do desempenho 
das raparigas. As famílias a 100% respondem que a mudança vem sendo feita pelas monitoras 
através de programas de mobilização e sensibilização sobre direitos da criança, mas também para 
mudanças comportamentais para casos de pais alcoólatras e ou violentos. Igualmente as famílias 
avançam que a atmosfera entre os outros membros da família com as raparigas tem sido das 
melhores. 
Muitas das famílias referem que as raparigas sentem-se bem quando estão com as famílias, 
portanto esse é um sinal de que quando voltarem ao convívio familiar com certeza se sentirão 
bem, excepto uma (1) que é correspondente a 8,3%, “[…] o ambiente de pancadaria que tenho 
vivido como o meu marido só eu posso suportar, por isso eu nunca aconselhei a ela a voltar a 
este convívio” F12. Quanto a questão das raparigas serem boas para as famílias após o processo 
de acolhimento referem que não há duvida que serão, “[…] sempre que veio nos visitar mostrou-
se ser boa menina e o centro também a ajudo a se tornar uma pessoa melhor, por isso não há 
duvida de que será uma boa menina” F08. Ainda quase a 100% se referem que a vinda da 
rapariga ee uma satisfação e realização de algo maior, excepto uma família que acredita que a 
volta da rapariga é boa tanto quanto não boa, “[…] porque se nos vivemos em ambiente hostil de 
pancadaria,

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