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Aula 03 - Éticas e normas

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Éticas e normas
É evidente que o homem, como um ser social e político, não vive sozinho. Ao estabelecer sua vida 
em grupo, por necessidade de segurança e por estímulos de sobrevivência, busca garantir o bem-estar 
individual e coletivo.
Como um ser social, o homem está sempre aprendendo a melhor maneira de conviver com seus 
semelhantes e isso significa considerar seu próximo como ele é, com todas suas qualidades, defeitos e 
outras características pessoais. No contato com os outros, o homem deve buscar sempre compartilhar 
experiências, exercitar a confiança e a tolerância. 
Como um ser político, o homem é, segundo as palavras de Aristóteles, “um animal político”, isto 
é, destinado a viver na pólis (cidade), onde se realiza como cidadão. Por isso, os aspectos referentes à 
vida em sociedade são considerados políticos. Nela, o homem e seus pares organizam-se em forma de 
comunidades e desenvolvem a noção de governo, de poder, de liberdade e de igualdade. 
Para o estabelecimento de uma vida coletiva harmoniosa, o homem passou a constituir normas, 
padrões de condutas, regras e leis com a finalidade de regular a vida coletiva. Afinal, para que a harmo-
nia seja instaurada em uma dada comunidade, seus membros devem respeitar uns aos outros, guiados 
por limites preestabelecidos que, como uma linha imaginária, têm a função de orientar os impulsos, 
dominar os instintos e, assim, tornar harmoniosa a convivência coletiva. 
Evolução das normas
O costume de escrever as normas vem de milênios, data dos tempos anteriores à Era Cristã. As 
normas, como visto, passaram a existir como forma efetiva de garantir o equilíbrio entre as relações 
humanas, nas sociedades organizadas. Geralmente, os sistemas dessas normas são voltados à proteção 
do homem e à disciplina do seu comportamento. 
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., 
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Antiguidade
Nesta época, as pessoas viviam em um ambiente em que todos os fenômenos maléficos eram 
vistos como resultantes das forças divinas. Para conter aquilo que acreditavam ser a “ira dos deuses”, 
criaram várias proibições que, quando não obedecidas, resultavam em castigo. Das desobediências, sur-
giram os crimes e as penas. Muitas vezes os castigos eram cumpridos com oferendas aos deuses ou com 
o sacrifício da própria vida. O castigo não era algo feito para ofender ou humilhar o castigado. Acima de 
tudo, a prática do castigo tinha um caráter moralizador e corretivo. 
Pode-se afirmar que os homens na Antiguidade limitavam-se a proteger a vida, a integridade 
física, a honra e a propriedade. São algumas das leis escritas dessa época:
Código de Hammurabi (séc. XVII a.C.) 
Hammurabi (1728-1686 a.C.) foi considerado o maior rei da Mesopotâmia Antiga, o verdadeiro 
consolidador do Império Babilônico, que era composto por uma grande heterogeneidade de povos. Ele 
foi também um exímio administrador público. Uma de suas primeiras preocupações foi a implantação 
do direito e da ordem na sociedade da época, fundamento da unidade interna do seu reino. O código 
proposto instituiu 282 parágrafos com matéria processual, penal, patrimonial, obrigacional e contratual, 
família, sucessão, regulamenta profissões, preços e remuneração de serviços. Eis alguns exemplos: 
Se um inquilino paga ao dono da casa a inteira soma do seu aluguel por um ano e o proprietário, antes de decorrido 
o termo do aluguel, ordena ao inquilino mudar-se de sua casa antes de passado o prazo, deverá restituir uma quota 
proporcional à soma que o inquilino lhe deu. (EDUCATERRA, 2007)
As penas adotadas pelo legislador Hammurabi eram severas, principalmente para os crimes de 
lesão corporal e homicídios. Suas leis embasavam-se no princípio de Talião1, cuja premissa era a do 
“olho por olho, dente por dente”. Esse código chegava ao extremo de determinar que, caso um homem 
matasse o filho de outro, a pena seria paga com a vida do filho do homicida. 
Segundo Costa (1992, p. 23), sobre esse código: 
O autor de roubo por arrombamento deveria ser morto e enterrado em frente ao local do fato. (...) As penas eram cruéis: 
jogar no fogo (roubo em um incêndio), cravar em uma estaca (homicídio praticado contra o cônjuge), mutilações cor-
porais, cortar a língua, cortar o seio, cortar a orelha, cortar as mãos, arrancar os olhos e tirar os dentes.
Lei Mosaica (séc. XIII a.C.) 
Sua autoria é atribuída ao profeta Moisés e é encontrada nos primeiros livros da Bíblia cujo con-
junto leva o título de Pentateuco. O judeus os chamam também de Torá. É considerado um dos códigos 
mais importantes da Antiguidade e se divide nos seguintes livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e 
Deuteronômio. Tem como fundamento as leis divinas. Apesar de também considerar o princípio 
de Talião, essa lei possui um caráter mais humanitário, ou seja, concebe o indivíduo com maior digni-
dade, visto que lhe reserva um dia de descanso e, com isso, poupa-lhe do trabalho escravo. Além disso, 
trata a relação social de forma mais igualitária.
1 O termo Talião vem do Latim talis, que significa igual ou semelhante. A lei tem esse nome justamente porque determina que o criminoso 
sofra tal qual fez sua vítima sofrer.
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O Código de Manu (séc. II a.C.) 
Este conjunto de leis da Índia Antiga é composto de 12 livros. Protege em especial a posse 
individual de bens, a propriedade privada, a honra pessoal, a vida, a integridade física e o clã, já que 
exigia do homem do casal comportamento digno com relação à mulher e à família. Punia o adultério 
e admitia a separação de casais. Entre suas mais altas penas estava a de morte, o exílio e o confisco 
de bens.
Esse código não teve a mesma projeção do de Hammurabi, no entanto seus escritos se expandi-
ram pelas regiões da Assíria, Judeia e Grécia. Essas leis são consideradas uma obra-prima de organiza-
ção geral da sociedade, com fortes motivações políticas e religiosas.
Nesse código, há uma série de ideias sobre valores, tais como verdade, justiça e respeito. Versa 
sobre a credibilidade dos testemunhos, atribui diferente validade à palavra dos homens, conforme a 
casta que pertencem. 
Lei das XII Tábuas (452 a.C.) 
A repercussão desta lei foi maior que qualquer outro código antigo, pois serviu de alicerce para a 
legislação romana.
É um dos maiores monumentos jurídicos de todos os tempos e é considerado fonte do direito 
universal. Decorridos mais de 2 000 anos, suas palavras estão em legislações de muitos povos, ainda que 
transformadas pelo tempo e adaptadas às novas condições sociais.
Alcorão (Corão) 
Datado do início do século VII d. C., é o livro religioso e jurídico dos muçulmanos. Os seus segui-
dores acreditam que foi ditado por Alá (Deus) através do arcanjo Gabriel e, portanto, não foi redigido 
por Maomé, que não sabia escrever. Por meio de recursos sociológicos e lógicos, muitas complemen-
tações foram feitas ao longo do tempo até os dias atuais, mas sem perder a força dos ditames de Alá 
ao profeta Maomé.
Ainda em vigor em alguns Estados, como Arábia Saudita e Irã, o Alcorão estabelece severas pena-
lidades em relação ao jogo, bebida e roubo, além de considerar a mulher inferior ao homem.
Idade Média
A Idade Média caracterizou-se por ser uma época de batalhas sangrentas, intolerância religiosa, 
perseguições e torturas. Além da frequência com que era aplicada a pena de morte, era executada com 
requintes de crueldade (fogueira, afogamento, soterramento, enforcamento), como forma de intimida-
ção e atemorização e com o objetivo de dar exemplo. As sanções penais eram desiguais, dependendo 
da condição social e política do réu, sendo comum o confisco, a mutilação, os açoites, a tortura e as pe-
nas infamantes. As leis medievais puniam o suicida com o confisco de bens quando consumado o crime, 
que acabava punindo injustamente os filhos pelo “erro” do pai.
Nessa época, a Igreja Católica deixou uma considerável