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04 - Const - Poder Constituinte e Fênomeno Constitucional Intertemporal

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ou desconstituir os institutos do 
ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito 
adquirido, a nova Constituição deve ser expressa. 
Em nome da segurança jurídica, a nova Constituição 
deve assegurar dois fenômenos: 
a) a recepção de toda a legislação que não a 
contrarie materialmente (questões formais são 
irrelevantes); 
b) a recepção de todo ato jurídico perfeito, coisa 
julgada ou direito adquirido que não a contrarie. 
Embora não haja limites jurídicos, a Assembleia 
Nacional Constituinte tem limites metajurídicos 
(sociologia, história, cultura etc.). 
A positivação da Constituição pode ser por: 
a) Outorga (ato de força do poder totalitário); 
b) Promulgação (último ato da Assembleia 
Constituinte); 
c) Referendo (aprovação posterior pelo povo). 
A Constituição promulgada é mais legítima que a 
Constituição que foi outorgada. Será mais legítima, 
quanto mais atender aos procedimentos da Assembleia 
Constituinte. 
Legitimidade é diferente de legalidade. 
O ato revolucionário é ILEGAL (por sua natureza), mas 
NÃO é ilegítimo. 
LEGAL E ILEGÍTIMO (poder conquistado segundo as 
regras vigentes, mas desvirtuado por aquele que o 
exerce) X ILEGAL E LEGÍTIMO (movimentos 
revolucionários que traduzam os anseios populares). 
A participação do povo legitima a Constituição, quanto 
maior a participação, maior a legitimidade. 
A Constituição pode começar legítima e depois 
deixar de ser, quando passe a ser instrumento de 
exercício de poder da classe dominante (e pode 
ocorrer o contrário também). 
PODER CONSTITUINTE DERIVADO OU 
SECUNDÁRIO: 
CF/1988 
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada 
mediante proposta: 
I – de um terço, no mínimo, dos membros da 
Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; 
II – do Presidente da República; 
III – de mais da metade das Assembleias 
Legislativas das unidades da Federação, 
manifestando-se, cada uma delas, pela maioria 
relativa de seus membros. 
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na 
vigência de intervenção federal, de estado de 
defesa ou de estado de sítio. 
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada 
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, 
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, 
três quintos dos votos dos respectivos membros. 
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada 
pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do 
Senado Federal, com o respectivo número de 
ordem. 
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de 
emenda tendente a abolir: 
I – a forma federativa de Estado; 
II – o voto direto, secreto, universal e periódico; 
III – a separação dos Poderes; 
Direito Constitucional 
IV – os direitos e garantias individuais. 
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda 
rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser 
objeto de nova proposta na mesma sessão 
legislativa. 
A emenda serve como garantia de maior durabilidade 
de uma CF (possibilidade de atualização evita a 
necessidade de ruptura). 
Princípio da imutabilidade relativa (não são eternas, 
mas, por outro lado, não podem ser modificadas de 
forma contumaz). 
As alterações podem ser: 
a) Formais: via emenda (revisão pontual), revisão 
(revisão total) e tratados equivalentes à emenda 
(EC/45); 
b) Informais: via interpretação evolutiva, 
jurisprudência, doutrina e aplicação de conceitos 
jurídicos indeterminados (modificam a CF sem 
alterar o seu texto); (ex. compreensão do conceito de 
família) Essas alterações informais são chamadas de 
mutação constitucional ou “Poder Constituinte 
Difuso”. 
O Poder Constituinte DERIVADO tem como 
características o fato de ser: 
a) Derivado (decorre do Poder Constituinte Originário 
e da Constituição); 
b) Subordinado (está hierarquicamente em plano 
inferior ao Poder Constituinte Originário); 
c) Condicionado ou Limitado (além das limitações 
metajurídicas, também precisa respeitar as limitações 
jurídicas impostas no texto constitucional). 
São espécies do Poder Constituinte DERIVADO: 
a) Reformador ou de Revisão (altera a própria 
Constituição);  revisão  foi estabelecido de forma 
temporal, 5 anos da promulgação  1993 deixou de 
existir poder revisor 
b) Decorrente (estabelece uma nova Constituição 
em um segundo nível – Estadual). 
ADCT 
Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes 
constituintes, elaborará a Constituição do Estado, 
no prazo de um ano, contado da promulgação da 
Constituição Federal, obedecidos os princípios 
desta. 
Parágrafo único. Promulgada a Constituição do 
Estado, caberá à Câmara Municipal, no prazo de 
seis meses, votar a Lei Orgânica respectiva, em 
dois turnos de discussão e votação, respeitado o 
disposto na Constituição Federal e na Constituição 
Estadual. 
 
**lei orgânica municipal – é uma espécie de poder 
decorrente? Divergência doutrinária. 
As normas derivadas do poder decorrente podem ser 
normas próprias (são as imaginadas e discutidas 
pelo Poder Decorrente dentro de sua competência) ou 
normas repetidas (há correspondente na 
Constituição Federal). 
As normas repetidas dividem-se em: 
a) Normas de repetição obrigatória (integram o 
ordenamento jurídico dos Estados-membros 
independente de repetição dessas normas na 
Constituição dos Estados-membros, cabendo ao Poder 
Constituinte Decorrente apenas complementar a obra 
do Constituinte Federal); 
b) Normas de repetição facultativa (o legislador 
estadual ou municipal pode repetir ou não, mas, se 
repetir deve obedecer à simetria – ex.: 
estabelecimento de medida provisória). 
A distinção entre norma de repetição obrigatória e 
facultativa desperta interesse em sede de controle de 
constitucionalidade de leis estaduais. 
Se a norma impugnada em sede de ADI Estadual for 
de repetição obrigatória há a possibilidade de 
interposição de recurso extraordinário para o STF. 
Seria uma espécie de transformação de controle 
concreto para abstrato, que é a regra em sede de ADI 
(à exceção de ADI interventiva, onde se constata um 
controle concentrado e concreto). 
LIMITES DO PODER CONSTITUINTE 
REFORMADOR (ART. 60 DA CF/1988): 
a) Temporal (a CF/1988 não estipulou prazo, como 
existia na CF do Império); 
b) Circunstancial (estado de defesa, estado de sítio 
e intervenção federal – Sistema Constitucional de 
Crises – § 1º); 
c) Material: 
1. Expressos (cláusulas de intangibilidade ou 
cláusulas pétreas – § 4º); 
2. Implícitos (decorrem do próprio sistema de 
proteção – tentativa de redução das cláusulas 
pétreas, mudança da titularidade do Poder 
Constituinte, impedir ou alterar o processo de emenda 
etc.); 
Direito Constitucional 
d) Formal (apresentação da proposta, quóruns, 
votações etc.); 
Desrespeito aos limites pode ensejar o excepcional 
controle preventivo de constitucionalidade via MS 
(impetrado por parlamentar perante o STF). 
O voto obrigatório não constitui cláusula pétrea 
(logo, pode ser abandonado por emenda). 
Existem cláusulas pétreas fora do art. 5º da CF/1988 
(caso da anterioridade do IPMF). 
Os DIREITOS FUNDAMENTAIS são cláusulas 
pétreas, sejam individuais, coletivos, difusos ou 
sociais. 
Prevalece o entendimento de que hoje não seria 
possível impor uma nova revisão como a de 1993 
(quórum e regras diferenciadas de votação). 
Também é forte a corrente que defende o 
entendimento de que, por força do resultado do 
plebiscito, em tese, teríamos uma limitação 
implícita impedindo a mudança da forma de Estado 
(República) e sistema de governo 
(Presidencialismo). 
FENÔMENO DO DIREITO 
CONSTITUCIONAL 
INTERTEMPORAL: 
RECEPÇÃO: 
Utopicamente, o ideal era que todo o ordenamento 
jurídico fosse refeito, mas, pragmaticamente, isso NÃO 
é possível. 
A nova Constituição recebe a legislação inferior, 
que não lhe é materialmente ofensiva (matéria). 
Do ponto de vista formal, não há que se indagar se a 
lei anterior é ou não conforme a nova Constituição 
(procedimento legislativo). 
Em termos formais, importa confrontar o procedimento 
com as regras constitucionais vigentes na época da sua 
edição (a CF/1988 não admitiu os decretos-lei, mas, 
eles foram recepcionados,