Prát V_Aula 9_Introdução Recursos
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Prát V_Aula 9_Introdução Recursos

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PRÁTICA SIMULADA – AV2

I - TEORIA GERAL DOS RECURSOS

1. INTRODUÇÃO

Art. 162. Os atos do juiz consistirão em SENTENÇAS, DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS e DESPACHOS.
§ 1o SENTENÇA é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei.
§ 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte, a cujo respeito a lei não estabelece outra forma.
§ 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessários.

SENTENÇA: Põe termo ao processo, seja com mérito, seja sem mérito. Cabe APELAÇÃO da sentença
DECISÃO INTERLOCUTÓRIA: Decide um PONTO CONTROVERTIDO DO PROCESSO
Em regra, cabe recurso (porque as decisões interlocutórias são IRRECORRÍVEIS).
DESPACHO: IMPULSIONA o processo. “Dos despachos não cabe recurso” (art. 504).
 Pela leitura do art. 504, pode parecer que não caiba recurso do despacho. Mas cuidado porque posso ter um despacho que venha a causar um grande embaraço processual ou até mesmo um prejuízo para uma das partes, podendo ser possível, então, que esta ingresse com RECLAMAÇÃO ou CORREIÇÃO PARCIAL, cujas características são:
Espécie de recurso interposta pela parte prejudicada
Pouco utilizado na prática
Competência para apreciar: ora é o Conselho Superior da Magistratura, ora é a Câmara Cìvel (caso se trate de processo cível, é claro)
Muito semelhante ao agravo de instrumento pois ambos são interpostos perante órgão hierarquicamente superior

2. CONCEITO DE RECURSO
RECURSO é um ato de vontade idôneo a ensejar, dentro do processo, a REFORMA, ANULAÇÃO, ESCLARECIMENTO ou INTEGRAÇÃO da decisão judicial que se impugna.
(Barbosa Moreira)

 Por “decisão judicial”, compreenda-se: SENTENÇA e DECISÃO INTERLOCUTÓRIA

a) REFORMA
- Pede-se a reforma da decisão, se estivermos diante do ERROR IN IUDICANDO (erro no julgamento) >> A decisão do Tribunal substitui, ou não, a decisão do juiz a quo.
- Ocorre um ERROR IN IUDICANDO toda vez que um juiz enfrenta mal (julga mal) uma questão a ele colocada, seja de direito processual, seja de direito material (do ponto de vista da parte prejudicada). Tecnicamente, devemos pedir a reforma da decisão.

Pode ocorrer error in iudicando =>> reforma da decisão em razão da má apreciação da questão de direito e/ou da questão de fato
Pode ocorrer error in procedendo =>> invalidação da decisão por VÍCIO de atividade.

b) ANULAÇÃO
- Pede-se a anulação se estivermos diante de um ERROR IN PROCEDENDO (erro no procedimento). Quando o juiz viola o procedimento (ou seja, questão meramente processual).
- Ex: Autor mora em Duque de Caxias e o ré (cia. de ônibus) tem sede em Nova Iguaçu (isto é, Comarcas distintas) >> A ação indenizatória está sendo movida em razão de um acidente de trânsito ocorrido em Duque de Caxias >> Como a ação é indenizatória decorrente de acidente de trânsito, aplica-se o art. 100 § único, sendo competente o juiz da Vara Cível do (1) foro do domicílio do Autor ou do (2) local de fato >> Ingressou-se com a ação em Caxias >> O Réu recebeu a citação mas não contestou, limitando-se a apresentar uma exceção de competência (alegou que o de Nova Iguaçu era o competente) >> O juiz pegou essa exceção e, sem ouvir a parte autora, declinou para Nova Iguaçu >> Está errado pois o juiz tem que ouvir a outra parte. Violou o procedimento da exceção de incompetência. Error in procedendo. É obrigatório que, 1x apresentada a exceção de incompetência, a outra parte tem que se manifestar (violação ao contraditório, ampla defesa)

Art. 307. O excipiente argüirá a incompetência em petição fundamentada e devidamente instruída, indicando o juízo para o qual declina.
Art. 308. Conclusos os autos, o juiz mandará processar a exceção, ouvindo o excepto dentro em 10 dias e decidindo em igual prazo.
Art. 309. Havendo necessidade de prova testemunhal, o juiz designará audiência de instrução, decidindo dentro de 10 (dez) dias.

c) ESCLARECIMENTO
- Ocorre quando a decisão é obscura ou contraditória. Fala-se em obscuridade e contradição, e não em OMISSÃO (caso em que o objetivo deverá ser INTEGRAÇÃO)
 Sentença obscura: O juiz diz e não diz
 Sentença omissa: O autor pediu danos morais e materiais mas o juiz só se manifestou acerca dos danos materiais
- Muita gente diz que embargos de declaração são recurso (profº também acha; os embargos estão na parte dos recursos no CPC) mas alguns dizem que não é.

d) INTEGRAÇÃO
- Visa suprir uma LACUNA no julgado.

* O esclarecimento e a integração ficarão de fora de acordo com o programa de Prática Simulada V.

3. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE e JUÍZO DE MÉRITO

3.1. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE

- Verificação das condições impostas pela lei para que se possa apreciar o conteúdo da postulação (o juízo de admissibilidade é preliminar ao de mérito).
Com o resultado positivo, o recurso é ADMISSÍVEL e o Tribunal dele CONHECE.
Quando o órgão a quem compete julgar o recurso o declara inadmissível, diz-se que ele NÃO CONHECE DO RECURSO.

- Não se consegue interpor o recurso se os requisitos de admissibilidade não forem preenchidos
- Quem faz o 1º juízo de admissibilidade?
Apelação: O próprio JUIZ A QUO
Agravo de Instrumento: Como o recurso vai diretamente para o Tribunal (o que
o juiz pode é exercer a retratação), é este que fará o 1º juízo de admissibilidade

3.1.1. Requisitos de admissibilidade

 - Legitimação para recorrer
INTRÍNSECOS 	 - Interesse em recorrer
			 - Inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer.

			- Tempestividade
EXTRÍNSECOS 	- Regularidade formal
			- Preparo.

3.1.1.1. REQUISITOS INTRÍNSECOS

a) LEGITIMAÇÃO PARA RECORRER

b) INTERESSE EM RECORRER
- Ligado à:
NECESSIDADE DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO.
ADEQUAÇÃO DO RECURSO >> Daí surge o princípio da adequação (na esfera recursal, significa para todo tipo de decisão existe um recurso adequado)

- Princípio da adequação x princípio da fungibilidade (possibilidade de se aceitar um recurso no lugar de outro): não estariam em total rota de colisão?
 Opinião do profº: Contra a fungibilidade dos recursos. No entanto, concorda com a fungibilidade dentro das ações possessórias, em razão da repentina e brusca mudança do quadro fático nas hipóteses de perda de propriedade / posse >> Ex: Pessoas ameaçam X, alertando-o que irão invadir o seu terreno de X >> X contata imediatamente seu advogado e sinaliza a ele esse perigo >> Repentinamente, deixa de ser ameaça para ser turbação: os invasores se reúnem na frente do imóvel de X e começam a chacoalhar seu portão >> X telefona para seu advogado e relata o fato >> 5 min depois, X volta a ligar e diz que perdeu a posse: o que era uma iminência passou a turbação e depois perda da posse

- Voltando ao exemplo citado no tópico de “anulação” da decisão judicial:
O ato do juiz que era competente mas que entendeu ser incompetente era que tipo de decisão judicial?
DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. Ele não poderia julgar porque a sentença proferida por juiz incompetente é nula.
- Para a prova da OAB, considerar que não existe fungibilidade
- A fungibilidade tem sido aceita por doutrinadores, inclusive pelo STF, desde que observados, pelo menos, 2 requisitos:
I) Não ocorrência da PRECLUSÃO POR ESGOTAMENTO DO PRAZO DO RECURSO CORRETO
II) Não seja O ERRO GROSSEIRO
- Grosseiro é trocar o agravo pela apelação, ou vice-versa

c) Inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer.

3.1.1.2. REQUISITOS EXTRÍNSECOS

a) TEMPESTIVIDADE

- Prazo do recurso
Art. 500. Cada parte interporá o recurso, independentemente, no prazo e observadas as exigências legais (...)
- Regra: art. 508 >> 15 dias
Art. 508. Na apelação, nos embargos infringentes, no recurso ordinário, no recurso especial, no recurso extraordinário e nos embargos de divergência, o prazo para interpor e para responder é de 15 (quinze) dias.
- Exceções: 5 dias, 10 dias
- O prazo de 15 dias tem algumas variações:
Art. 188, CPC (prazo da Fazenda Pública)
Art. 191