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Disciplina:Psicologia Aplicada Ao Direito1.812 materiais32.913 seguidores
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psicanalítica é a da existência de processos inconscientes na mente. O inconsciente, segundo Freud, estaria dissociado da realidade e seria regido pelo que ele chamou de princípio do prazer. Em 1900, em seu livro A interpretação do sonho, Freud propôs a sua primeira teoria (ou, tópica) sobre a estrutura da mente. Nela a mente foi dividida em três sistemas: o inconsciente (como já dito, regido pelo princípio do prazer) o pré-consciente e a consciência (estes últimos regidos pelo princípio da realidade). Entre esses sistemas, as censuras que impediriam que conteúdos indesejados do inconsciente e do pré-consciente chegassem à consciência. Analise a figura abaixo:

1ª Tópica do aparelho psíquico de Freud (1900)

Em 1920, Freud propôs um aperfeiçoamento de sua primeira teoria, incluindo processos dinâmicos da mente: o id, o ego e o superego. Analise a figura abaixo:

2ª Tópica do aparelho psíquico de Freud (1920)

“[...] o id, pólo pulsional(10) da personalidade, o ego, instância que se situa como representante dos interesses da totalidade da pessoa e que como tal é investido de libido(11) narcísica(12), e, por fim, o superego, instância que julga e critica, constituída por interiorização das exigências e das interdições parentais.” (LAPLANCHE & PONTALIS, 1986, p.660)

Para Freud a consciência seria largamente influenciada pelas pressões oriundas do inconsciente.

“Ela [a psicanálise] nos ensinou, ainda, que nosso intelecto é algo débil e dependente, um joguete e um instrumento de nossos instintos e afetos, e que todos nós somos compelidos a nos comportar inteligente ou estupidamente, de acordo com as ordens de nossas atitudes [emocionais] e resistências internas.” (FREUD, 1914)

Defenderá a tese de que a personalidade será moldada pelas primeiras experiências de vida, a partir de fases do desenvolvimento da sexualidade (ou, desenvolvimento psicossexual). O termo sexualidade em Freud “não designa apenas as atividades e o prazer que dependem do funcionamento do aparelho genital, mas toda uma série de excitações e de atividades presentes desde a infância” (LAPLANCHE & PONTALIS, 1986, p´. 619). Desta forma, então, a libido (ou, “pressão sexual”), ao longo da vida, investiria uma série de objetos (pessoas, situações, coisas etc.) que representassem possibilidades de descarga da tensão por ela gerada, em face o seu acúmulo. Tais descargas possibilitariam ao sujeito a sensação de prazer. Um mecanismo cíclico do prazer, portanto, estaria criado. Analise a figurar abaixo:

Os ciclos do prazer

A personalidade, portanto, se organizaria segundo as formas regulares de investimentos da libido (investimentos construtivos ou destrutivos, tanto para o próprio sujeito quanto para o mundo externo com o qual ele lida). Tais formas de investimentos da libido se estruturariam, principalmente, enfatizo, durante a infância e se “atualizariam”, se “repetiriam”, inconscientemente, ao longo de toda a vida.

Concluindo, a psicologia enquanto um vasto campo de possibilidades e desafios ao conhecimento humano existe segundo dois sentidos: a vida e o Homem; e, segundo dois propósitos: a paz e o bem. Nenhum outro conhecimento talvez seja mais polêmico e complexo quanto o psicológico. Porém, com o passar do tempo, e com o desenvolvimento das pesquisas e das teorias, novos tijolos são lentamente colocados nessa que talvez seja a mais arrojada das empreitadas humanas: o conhecimento de si mesmo.

Bibliografia

CHALMERS, A.F. O que é ciência, afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

DAVIDOFF, L.L. Introdução à psicologia. 3 ed. São Paulo: Makron Books, 2001.

FREUD, S. Carta a Frederik Van Eeden. In: _____. Edição eletrônica brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. XIV. Rio de Janeiro: Imago, [200?].

LUNGARZO, C. O que é ciência. 5 ed. São Paulo: Brasiliense, 1993.

MORRIS, C.G.; MAISTO, A. A. Introdução à psicologia. 6 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004.

MYERS, D.G. Psicologia social. 6 ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2000.

POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1993.

WEITEN, W. Introdução à psicologia: temas e variações. São Paulo: Pioneira Thomson, 2002.

1Psicólogo; professor do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá.

2 Este segundo pressuposto é, de fato, o principal: o que vai diferenciar o conhecimento científico das outras formas, não científicas, de saber.

3 O autor deste ensaio alinha-se às correntes epistemológicas que defendem que as ciências (inclusive as físicas) só são capazes de construir leis probabilísticas e não determinísticas. A este respeito sugiro o exame de RODRIGUES, A.A pesquisa experimental em psicologia e educação. Petrópolis(RJ): Vozes, 1976, p. 14.

4 Os modelos explicativos em ciência também são chamados de paradigmas científicos.

5Essas inferências de processos mentais a partir da observação do comportamento são chamadas de constructos (ou, construções) psicológicos. Trato deste assunto com mais detalhes no parágrafo seguinte.

6 Epistemologia ou Filosofia do conhecimento – caracteriza-se por ser uma reflexão filosófica da ciência.

7Outros preferirão chamá-la de “Ciências psicológicas”.

8Não obstante as consistentes críticas epistemológicas em relação ao objeto e à metodologia de pesquisa psicanalítica, este autor considera a psicanálise como um setor de pesquisas e proposições psicológicas ainda não-científicas. Uso a expressão “ainda”, pois aceito que as ciências não são capazes, ainda, de uma compreensão plena de todos os fenômenos (físicos e psicológicos) por ela estudados. Destarte, concebo a psicologia como que setorizada em dois grandes campos: um científico e outro, ainda, não-científico.

9 O constructo aprendizagem, caro ao pensamento e à pesquisa behaviorista, será definido, grosso modo, como sendo o resultado de uma nova e regular associação entre um determinado estímulo e uma resposta comportamental experimentada como a mais adequada a esse mesmo estímulo. O aprendizado, contudo, só poderá ser afirmado se for observada a mudança regular no comportamento do sujeito após sucessivas apresentações desse mesmo estímulo que antes não eliciava a resposta comportamental agora a ele associada.

10 O conceito de pulsão na teoria psicanalítica (do original alemão “trieb”) denotaria uma força impelidora ou uma pressão inconsciente. Estaria nas pulsões a origem de nossas vontades, impulsos e desejos. Tais forças, que teriam suas origens nos processos biológicos, produziriam necessidades (tensões) a serem realizadas (descarregadas). Na consciência tais pressões se associariam, por algum motivo histórico, a representações (objetos) que possibilitassem sua real ou imaginária descarga (e, a partir daí, as sensações de prazer). Obs.: Nota acrescida pelo autor do ensaio.

11 Libido corresponderia, grosso modo, a um tipo de energia oriunda das transformações das pulsões sexuais. Obs.: Nota acrescida pelo autor do ensaio.

12 O conceito de narcisismo em psicanálise corresponderia aos investimentos libidinosos que um indivíduo faria em si próprio e ao seu próprio corpo. Ou seja, a posição narcísica pressupõe como objetos da libido o próprio sujeito e seu corpo. Obs.: Nota acrescida pelo autor do ensaio.

	

	

	

	

	

	

	

	

	

	

	

	

	

	

	PRODUTO/RESULTADO:

	QUESTÃO 1
Marque a alternativa CORRETA:

São os objetos de estudo das ciências psicológicas bem como seus respectivos recursos de pesquisa:

a. ( ) O comportamento através de constructos psicológicos e os processos mentais pela observação direta;

b. ( ) O comportamento e os processos mentais através, unicamente, da observação direta;

c. ( ) O comportamento pela observação direta e os processos mentais através de constructos psicológicos;

d. ( ) O comportamento e os processos mentais através, unicamente, de seus constructos psicológicos.

QUESTÃO 2

O pressuposto de que o comportamento compõe-se de elementos de resposta e pode ser cuidadosamente analisado por métodos científicos, naturais e objetivos é característica da seguinte teoria da Psicologia:

(a)