Prát V_Aula 12
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Prát V_Aula 12

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AULA 12

Em janeiro de 2007, Daniel Gonçalves, acessou o Mercado X, um site de compras pela internet, para efetuar a compra de uma câmera fotográfica. Entre as formas de pagamento oferecidas, ele escolheu o “mercado pago” (na qual o dinheiro é creditado ao site e este só repassa o valor para o vendedor depois que o comprador confirma que recebeu o produto).
Entretanto, antes de concluir a compra, Daniel desistiu do negócio. Mesmo sem a transação se concretizar, a administradora do cartão de crédito recebeu do site informação de débito e cadastrou a compra, emitindo posteriormente faturas de cobrança. Daniel afirmou que o banco chegou a reconhecer a insubsistência do débito, mas condicionou o estorno do valor pago à apresentação de uma documentação que o Mercado X não quis liberar. Daniel pagou o valor e ingressou no com Ação de Defesa do Consumidor, no 4ª Vara Cível da Comarca da Capital.
Em sua defesa, a empresa alegou que não teve culpa nenhuma, pois o usuário do site iniciou a compra, mas não a concluiu e que em nenhum momento ele procurou o site para pedir o estorno da operação em seu cartão de crédito. Alegou, ainda, que na avaliação disponibilizada no site para informar se os usuários são bons vendedores e compradores, ele recebeu qualificação negativa, pois já havia iniciado outras negociações e não honrou seu compromisso e que não há qualquer responsabilidade em relação ao valor pago, uma vez que foi o banco administrador do cartão de crédito quem errou ao cobrá-lo indevidamente.
O juízo da 4ª Vara Cível da Comarca da Capital julgou improcedente o pedido de Daniel quanto à restituição do valor pago de R$ 600,00 (seiscentos reais) e ao dano moral de R$4.000,00 (quatro mil reais), sob os argumentos de que a empresa apenas atua como intermediadora nas compras e vendas dos produtos anunciados e, ainda, em razão de entender que quem deu causa a cobrança indevida foi o próprio consumidor.
Elabore o recurso processual cabível para defender os interesses de Daniel.

- Daniel >> Compra pela internet do site Mercado X
- Antes de concluir a compra, desistiu do negócio >> Mesmo assim, o Mercado X comunicou à Administradora do cartão de crédito que a compra fora efetuada
- Daniel pagou a fatura do cartão
- A Administradora de cartão de crédito condicionou o estorno dos valores pagos à apresentação de uma declaração emitida pelo Mercado X de que a compra não fora efetuada
- “Ação de Defesa do Consumidor” (está entre “” porque o profº considera um nomen iuris horrível. Ideal seria colocar “ação indenizatória”) >> 4ª vara Cível
- Defesa: Não teve culpa e, ainda que se fale em culpa, a culpa é da administradora de cartão
- Improcedência: R$ 600,00 (restituição) e dano moral

- Alegações da sentença de improcedência:
O Mercado X é apenas o intermediário >> Errado. Inconteste que estamos diante de uma relação consumerista
O próprio consumidor foi quem deu causa >> Há dispositivo no CDC que possibilita ao consumidor se arrepender (direito de arrependimento – art. 49, CDC). Se há dispositivo que autoriza o arrependimento quando o consumidor compra, ainda mais quando ele não compra

* Não esquecer:
- Colocar a qualificação completa das partes por ser exigência do art. 514, I, CPC
 - 3 pontos que sempre devem ser mencionados:
Razões seguem em anexo
Preparo
Efeitos: no caso concreto, efeitos devolutivo e suspensivo (não deixando de mencionar “na forma do art. 520, 1ª parte, CPC”)

PEÇA DE INTERPOSIÇÃO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA CÍVEL DA COMARCA DA CAPITAL
Processo nº ....	

Daniel Gonçalves, nacionalidade, estado civil, profissão, CI, CPF, endereço, por seu advogado, com endereço profissional, nos autos da AÇÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, que tramita pelo rito sumário [art. 275, I, CPC] e que move em face de MERCADO X, inscrita no CNPJ sob o nº ....., estabelecida no endereço ...., inconformado com a respeitável sentença de folhas ____, vem a este juízo, tempestivamente, interpor recurso de
APELAÇÃO
ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado ..., apresentando as razões em anexo, assim como o comprovante de recolhimento das custas  relativas ao preparo do recurso.
 
         Diante do exposto, requer a este juízo, se digne em receber o presente recurso no efeito  ___________, nos termos do art. ____, remetendo os autos à Superior Instância.
 
Pede deferimento

DAS RAZÕES DE APELAÇÃO
[profº coloca “Das Razões de Apelação” centralizado]

Apelante: Daniel Gonçalves
Apelado: Mercado X
Ação: Defesa do Consumidor
Processo nº: (...)
[Tudo em caixa alta e em negrito] 

EGRÉGIA [ou Colenda] CÂMARA,
 
Merece reforma a sentença recorrida em razão da má apreciação das questões de fato e de direito, como irá demonstrar o apelante.
[Reforma = pois houve ERRO NO JULGAMENTO] 

DA TEMPESTIVIDADE
- Falar sobre o prazo do recurso em espécie (apelação - art. 508, CPC)
- Falar de uma forma geral sobre a contagem do prazo recursal (art. 184, CPC) >> Mencionar (1) data da publicação, (2) data em que se iniciou a contagem do prazo e (3) data em que se finalizou o prazo recursal

DOS FATOS
- Sinopse processual = resumo do processo; finalizar falando com a sentença. Às vezes o profº transcreve trecho da sentença.
* Obs: Na prática, quando o profº opõe AGRAVO DE INSTRUMENTO, coloca uma legenda no canto superior direito de cada uma das cópias que instruem o recurso pois isso facilita a visualização para quem lê. Muitas vezes os Desembargadores consideram que o agravo
 
DOS FUNDAMENTOS

DA INEGÁVEL APLICAÇÃO DO CDC AO CASO EM VOGA
1) Configura de um lado o consumidor e, de outro, o fornecedor. Mencionar art. 2º, 3º
2) Estamos diante de um vício ou fato do serviço?
 Qual a relevância de se fazer tal distinção? Solidariedade:
Quando se fala em VÍCIO, a cadeia de solidariedade entre os fornecedores é muito maior
Quando se fala em FATO, a cadeia de solidariedade entre os fornecedores é mais restrita
 Aqui não se questiona CULPA!
Vício do produto / serviço é aquilo que atinge meramente a esfera patrimonial do consumidor. Ex: Consumidor comprou produto que não funciona. Art. 18 a 20, CDC. Mesmo quando apenas ocorre o vício, é possível que o consumidor pleiteie DANOS MORAIS.
FATO DO PRODUTO / SERVIÇO é mais grave pois além de atingir a esfera patrimonial, atinge a esfera psíquica e física do consumidor. Arts. 12 a 14, CDC.
 O FATO abraça o VÍCIO mas o contrário não é verdadeiro.

 Falar sobre o vício do serviço, sua previsão legal (art. 20) e o tipo de responsabilidade (RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA).

3) Falar sobre a RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (se o Mercado X entender que é o caso, ele que entre com ação em face da Administradora de Cartão de Crédito) – art. 7º, CDC
4) Quanto à alegação na sentença de que foi “o próprio consumidor quem deu causa ao que ocorreu”, falar sobre o DIREITO DE ARREPENDIMENTO (art. 49, CDC)

* Obs: Será que Daniel poderia ter pedido a restituição em dobro?
 Sim. Só que não vamos desenvolver isso pois o enunciado em momento nenhum fala da restituição em dobro.

DO PEDIDO
 	Em razão de todo o exposto, requer a este Egrégio Tribunal:
1) Seja conhecido e provido o presente recurso para reformar integralmente a sentença, condenando o apelado a restituir o valor de R$ 600,00 (seiscentos reais), relativos aos danos materiais sofridos e a pagar a quantia de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), a título de danos morais;
2) A intimação do apelado para, querendo, oferecer suas contra-razões
3) A condenação do apelado ao ônus da sucumbência.