Caderno de Estratégia Organizacional
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Caderno de Estratégia Organizacional

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Performance Solutions. Sua educação inclui um grau de bacharel em ciência, educação,
psicologia social e do trabalho na Eastern Michigan University, e um extensivo nível de
mestrado na Universidade de Hartford. Ela pode ser alcançada pelo geryl.forbes@med.ge.com.

As maiores contribuições que as empresas podem dar ao planeta não são seus produtos e
serviços, mas a manutenção das condições de sustentabilidade do próprio planeta.

Atualmente, após séculos de descasos que a sociedade recebeu de empresas altamente poluentes,
aquela resolveu reagir, ainda que timidamente, à agressão sofrida e partir para restabelecer a
ordem natural:
- adquirindo produtos e serviços com qualidade socioambiental (mudança de comportamento);
- alterando conceitos de destruição indiscriminada para o desenvolvimento, de forma a
comportar uma nova ordem sócio/ambiental/cultural.

O conceito de Desenvolvimento Sustentável foi amplamente divulgado através do relatório
“Nosso Futuro Comum”, das Nações Unidas (1987), conhecido como Relatório Brundtland:
- “Desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente, sem
comprometer as necessidades das gerações futuras”.

O tratamento que tem sido dado ao assunto está correto?
A quebra do paradigma de que o desenvolvimento poderia se dar a qualquer custo, baseado no
Antropocentrismo, que coloca o homem no centro do universo, e a natureza à sua disposição
para servi-lo, vem a ser substituído pelo paradigma do Ecocentrismo, onde a natureza não está ao
dispor do homem, que não se encontra no centro do universo.

Essa alteração de paradigma traz à tona uma nova mentalidade na gestão empresarial,
considerando que as empresas são as maiores causadoras da situação em que se encontra o
planeta. Ora pela exploração de recursos indiscriminada, ora pelo conceito de ética que sustentou
tais atividades.

Para que o tratamento do assunto fosse adequado, as premissas a seguir estariam, portanto,
adequadas?
- O desenvolvimento sustentável deve buscar a melhoria da qualidade de vida para toda a
população mundial, sem com isto aumentar o uso dos recursos naturais além da capacidade de
suporte do planeta.
- Há a possibilidade de oferecer, a todos os habitantes do planeta, os mesmos padrões de
consumo dos países desenvolvidos.

O que têm a contribuir para o assunto Bertalanffy (BERTALANFFY, L.V. – Teoria Geral dos
Sistemas – Petrópolis, Editora Vozes, 1976.) e Capra (CAPRA, F. – O Ponto de Mutação – São
Paulo, Editora Cultrix, 1982, 1997.)?

O pai da teoria de sistemas, Bertalanffy, intuiu que os elementos do sistema interagem e o que
acontecer a um afetará ao restante (homeostase).

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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Estratégia Organizacional..................................................................)

Capra tem dito, com bastante clareza, que a sustentabilidade vem da harmonia entre o sim e o
não, basicamente de se utilizar o que chamou de “tunelamento quântico”, um conceito que se
contrapõe às leis da física newtoniana, da ação e da reação.

Ora, o tratamento dado ao problema não pode obedecer à lógica cartesiana.
Eliza Coral (Modelo de Planejamento Estratégico para a Sustentabilidade Empresarial – Tese de
Doutorado, UFSC, Florianópolis, 2003), na sua tese de doutorado em Engenharia de Produção -
“Modelo de Planejamento Estratégico para a Sustentabilidade Empresarial” - conduz o leitor, na
primeira parte da sua fundamentação teórica, a admitir que soluções dentro de um contexto
empresarial tenham que ser focadas nas intervenções em todos os níveis da economia mundial:
- no nível macro, promovendo parcerias e priorizando ações;
- no nível intermediário, planejando crescimento e regulamentando setores produtivos;
- no nível micro, criando novas tecnologias e ferramentas para minimizar o impacto ambiental.

POR QUE CERTAS SOLUÇÕES NÃO FUNCIONARÃO?
A prova que manter o status quo e alterar as políticas e diretrizes não funcionará está nos parcos
resultados obtidos da Agenda 21 (ECO 92) e do protocolo de Kioto.

A alteração nas políticas e nas diretrizes deve ser mais profunda, tendo como pano de fundo o
meio ambiente e o aspecto social.

Levando-se em conta que uma mentalidade estritamente capitalista não pode ser harmônica com
o que se deseja para o planeta, pode-se mencionar como exemplo o setor bancário no Brasil.

Este nunca obteve tanto lucro como em 2005 e 2006, enquanto a sua propaganda nunca foi tão
atrativa do ponto de vista sócio/ cultural/ ambiental.

Porém, a finalidade social não tem acontecido como a melhoria da vida do brasileiro médio,
porque prevalece o fato que:
- apoia-se a atividade financeira, sem considerar os seres humanos;
- há um preço a pagar que fere a ética;
- embora a aplicação financeira possa se considerar uma boa barganha, a perda é ampla para a
sociedade.

QUAL A PROPOSTA DE SOLUÇÃO APRESENTADA?
Para todos que chegaram até este ponto da leitura, tem-se que acrescentar algo que sirva para
reflexão.
Se o econômico se contrapõe ao social, então, algo está errado.
Um simples exemplo ajuda a entender um pouco mais a questão.

Comentários e Conclusão
Para gerar um emprego formal, evitando que um jovem possa vir a delinquir, precisa-se de três
pilares:
- a contribuição do governo atenuando os impostos (encargos sociais);
- a contribuição de alguém que “saiba fazer” (consultoria) para aumentar vendas;
- a contribuição do empresário para reduzir a “mais valia” sobre o funcionário.
Assim, daria para entender que, com menos encargos, mais conhecimento e menores margens de

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JULIO CESAR DE SOUZA
(Continuação do Caderno de Estratégia Organizacional..................................................................)

lucro, um emprego formal seria gerado.

A contribuição dentro do aspecto social estaria sendo forjada entre os agentes da sociedade e o
principal grupo de stakeholders: perfil de funcionário jovem e em busca de seu primeiro
emprego.

Assim, os jovens de comunidades menos favorecidas, que têm aspirações não muito diferentes
de outros jovens, não estariam mais excluídos do super sistema aqui retratado.

A ação social não pararia aí, porquanto não só a economia incorporaria um novo recurso
humano, mas a violência dos centros urbanos diminuiria.

Não há pesquisa, ainda, para comprovar esta hipótese de projetos de consultoria social, mas há
fortes indicativos que possa funcionar.

Imagine-se que este exemplo unitário pudesse ser multiplicado por milhões de jovens que ficam
à margem do mercado de trabalho a cada ano. O que aconteceria seria a contribuição dos jovens
para a economia e a diminuição das taxas de criminalidade.

Propõe-se, a quem lê, uma reflexão profunda sobre o assunto.

O presente trabalho demonstra que se entende porque, a partir do desconhecimento do tema, as
pessoas caem em velhas armadilhas ou vieses no que tange a projetos sociais, mas já existem
meios de se verificar a maior credibilidade de um projeto social. Trata ainda, do que se possa
chamar de UM PROJETO DE VIDA, que é um projeto social bem elaborado.

Acrescenta que “aprender com os habitantes locais, pois deles emergem as maiores lições de
vida” é o que se infere ser fonte de maior lição para os projetos sociais. Nota-se uma coerência
com a pesquisa de Pereira et al (2007), onde os valores associados aos interesses coletivos são
predominantes nos voluntários que aprendem mais e se valorizam no mercado de trabalho.

E que “tratar o tempo destinado ao voluntariado com seriedade, sem dedicar-se demais ou de
menos” é o que se infere ser a maior preocupação de quem lida com os projetos sociais.

Procura transmitir o conceito de que o desenvolvimento sustentável deve buscar a melhoria da
qualidade de vida para toda a população mundial, sem, com isto, aumentar o uso dos recursos
naturais além da capacidade de suporte do planeta. A construção