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Disciplina:CIÊNCIA POLÍTICA8.440 materiais254.189 seguidores
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Tema: O conceito de nação. Os anseios identitários. O conceito de multiculturalismo.  

Compreender categorias e conceitos fundamentais ao fenômeno jurídico-político.
Analisar as estruturas e as articulações do discurso político na pós modernidade pelas categorias e conceitos de nação, multiculturalismo, Direitos Humanos e globalização.
Estimular a utilização de raciocínio jurídico-político, de argumentação, de persuasão e de reflexão crítica, elementos essenciais à construção do perfil do profissional do Direito.

13. As categorias do campo político: nação, multiculturalismo, Direitos Humanos e globalização.
 

13.1. O conceito de nação. 
 

Nação é uma realidade sociológica. Ela significa um grupamento humano que divida os mesmos valores étnicos, linguísticos, religiosos, de consciência social, de costumes etc.

 

13.2. Os anseios identitários.
 

Paulo RANGEL situa as sociedades contemporâneas, principalmente as ocidentais, como fruto da globalização e da medievalização do poder. Esse novo quadro político mundial marca “a nova coisa política (...) pela pluralidade, heterogeneidade e alta diferenciação dos actores políticos, com um nítido e acentuado enfraquecimento — uma relativização — dos poderes estaduais (aquilo a que, por vezes, se tem chamado, tant bien que mal, a ‘medievalização do poder’). Sobre o enfraquecimento do poder estatal: “Essa diferenciação de forças políticas e o tecido resultante da sua imbricação recordam inapelavelmente o mundo político medieval, a sua estrutural diversidade e a sua condição radicalmente interdependente”. RANGEL, Paulo de Castro. Diversidade, Solidariedade e Segurança (notas em redor de um novo programa constitucional). Disponível em www.ao.pt/genericos/detalheArtigo.asp Novembro de 2003.  Acesso em 22 de novembro de 2004.

 

13.3. O conceito de multiculturalismo.
 

“O pluralismo de opiniões, organizações e partidos, na mídia, para a composição de vários órgãos que exercitam a supervisão de funções, desde há muito parecia constituir uma condição tanto necessária quanto suficiente para gerar resultados normativos cuja realização pudesse ser aceita como bem comum. (...) Mas, no contexto de novas demandas de diversidade, não mais direcionadas à síntese de um (todo) universal, e sim, ao invés, à possibilidade de coexistência de uma multiplicidade de particularidades freqüentemente incompatíveis, essas pressuposições não mais obtêm efetividade, ou, no mínimo, esta se encontra profundamente minada.” DENNINGER, Erhard. Segurança, Diversidade e Solidariedade ao invés de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. In Revista Brasileira de Estudos Políticos, vol.88, dezembro de 2003, p.32.

Caso Concreto
 

Tema: Igualdade e Multiculturalismo
 

Leia o texto a seguir, atentamente, e faça uma dissertação associando os conceitos de igualdade, multiculturalismo e identidades.
 

Tema: Igualdade, multiculturalismo e identidades.
 

Supremo Tribunal Federal e Sociedade Brasileira: legitimando a desigualdade jurídica ou a diferença?
Profª. Drª. Fernanda Duarte
A pesquisa explora a hipótese de que as desigualdades que marcam a cultura brasileira também se reproduzem no ordenamento jurídico. Tal se evidencia na tentativa de aproximar duas lógicas paradoxais: a que regula a desigualdade social e a que regula a igualdade jurídica. No Brasil, no plano do discurso jurídico, as desigualdades jurídicas não são admitidas, porém se tornam objeto de discursos "naturalizados", quando acompanhadas de justificativas que remetam à idéia de diferença, disputando legitimação no campo jurídico. A pesquisa buscará explicitar o significado das categorias igualdade e diferença, no contexto de decisões do Supremo Tribunal Federal, chamando atenção para dois aspectos: 1) ausência de consenso mínimo sobre o reconhecimento dos elementos justificadores do tratamento diferenciado - o que implica desigualdade " retoricamente atualizada" em diferença; 2) o paradoxo gerado pela lógica do contraditório que controla as decisões judiciais. Utiliza-se o levantamento jurisprudencial das decisões, no sítio do STF, por intermédio de filtros de refinamento de busca, para posterior análise dos casos concretos. Pretende-se oferecer outros elementos que ajudem na compreensão da problemática das relações entre este tribunal maior - guardião da Constituição - e a sociedade brasileira.
 	
1.      A IDÉIA DE IGUALDADE E SEUS IMPASSES POLÍTICO-FILOSÓFICOS
 

A questão da igualdade ou de sua falta  tem atormentado o homem, desde tempos muito antigos. O problema das desigualdades internas, inerentes ao ser humano, bem como o problema das desigualdades externas têm fornecido material para reflexão e investigação, nas mais diversas áreas do conhecimento humano. E, inclusive, gerado visões de mundo da mesma forma diferentes, que repercutem em organização social e sistemas políticos distintos.
Muitas são as questões teóricas e práticas  suscitadas pela temática[1]. À guisa de exemplo, pode-se arrolar: a dificuldade conceitual; a necessidade de um juízo de comparação para a compreensão de seu significado; as relações entre igualdade e diferença; o papel desempenhado pela igualdade no Estado Democrático de Direito, entre outros mais.
No que toca ao problema conceitual, percebe-se que a igualdade não apresenta uma definição clara de seu conteúdo. Carecendo de uma dimensão substantiva, sua negação não implica necessariamente violação[2], e muitas vezes ela própria é confundida com outros valores, como a justiça e a liberdade, daí resulta a multiplicidade de classificações da igualdade, conforme os valores dos quais se aproxime[3].
Essa imprecisão conceitual se potencializa quando a  inteligibilidade da igualdade se veicula em um juízo de comparação[4]. Desta forma, precisar a noção de igualdade pressupõe o enfrentamento de três questionamentos básicos: “igualdade para quem?; igualdade para quê?;  igualdade de quê?”. Essas indagações, ao definir seu conteúdo e  alcance, permitem uma avaliação do quanto de eficácia/concretização se dispensa ao valor. Assim, percebe-se que a questão também é essencialmente relacional já que a igualdade só pode ser compreendida em comparação intersubjetiva - o que lhe acrescenta novos desafios. Nesse sentido Amartya Sem[5] adverte que para se falar sobre a igualdade deve-se de plano definir os critérios (aos quais denomina “variável focal”) que informam a comparação.
Já a problemática da igualdade e da diferença se traduz, especialmente, no debate multiculturalista[6]. E remete a outras indagações, que partem desde posições radicais antagônicas (nas quais os valores praticamente se excluem, sendo necessária a opção por um deles em detrimento do outro) até posições de conciliação (que pretendem articular  ambos os valores). Boaventura de Souza Santos  bem evidencia essa tensão: “temos direito a reivindicar a igualdade sempre que a diferença nos inferioriza e temos direito de reivindicar a diferença sempre que a igualdade nos descaracteriza”[7].
Por outro lado, a igualdade é considerada como o elemento central do Estado Democrático de Direito, funcionando como um eixo da própria legitimidade do direito e como requisito essencial para uma prática jurídica discursiva[8].
Enfim, a transposição da problemática da igualdade para o  universo jurídico também revela esses embates. Porém, pode-se pretender uma sistematização de algumas das questões postas pela comunidade jurídica, a fim de se estabelecer elementos que facilitem uma melhor  compreensão do problema.
 

2.      O PRINCÍPIO DA IGUALDADE NA ESFERA JURÍDICA
 

2.1 Origem histórica
 

É na Revolução Francesa que se formaliza a idéia jurídica de igualdade (também conhecida por isonomia), inserta no art. 1° da Declaração  dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789[9]. Posteriormente, com o movimento constitucionalista que grassou o mundo, modelado pela Constituição Norte-Americana de 1791[10], o ideal de igualdade tomou lugar cativo nas Constituições modernas.
Na visão de Castro, com o ideário francês revolucionário, nascia no plano jurídico-positivo