Apostila 20122
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Apostila 20122

Disciplina:Psicologia Aplicada Ao Direito1.809 materiais32.912 seguidores
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tendo como finalidade primordial à proteção das qualidades e dos atributos essenciais

da pessoa humana, de forma a salvaguardar sua dignidade e a impedir apropriações e

agressões de particulares ou mesmo do poder público.” (NOCOLODI, 2003)

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DANO PSICOLÓGICO (OU, PSÍQUICO)

Por definição, o Dano Psíquico seria “uma Doença Psíquica nova na
biografia de uma pessoa, relacionada causalmente com um evento

traumático (acidente, doença, delito), que tenha resultado em um

prejuízo das aptidões psíquicas prévias e que tenha caráter irreversível

ou, ao menos durante longo tempo”.
No direito penal o Dano Psíquico corresponde às “lesões graves que
resultaram em prejuízo emocional provavelmente ou certamente

incurável ou, menos drasticamente, em doença que incapacita por

mais de trinta dias.”
Em princípio, todo prejuízo emocional ocasionado por um acontecimento expressivo,

seja uma doença profissional, acidente, delito, ou injúria emocional onde haja um

responsável legal, pode ser susceptível de ressarcimento pecuniário (indenização).

No dano psíquico há que se verificar o nexo causal entre o fato ocorrido e as

alterações na personalidade do sujeito. Tal verificação se fará através de exame

pericial (psiquiátrico ou psicológico). Neste caso, deverá ser verificado pela perícia se

em função do ocorrido o sujeito tornou-se incapaz para 1. desempenhar suas tarefas

habituais; 2. para trabalhar; 3. para ganhar dinheiro; 4. para relacionar-se; 5. para ser

feliz. (adaptado de www.psiqweb.med.br) Analise o esquema abaixo:

EVENTO

TRAUMÁTICO

PERSONALIDADE

ANTES DO EVENTO

TRAUMÁTICO

PERSONALIDADE

APÓS O EVENTO

TRAUMÁTICO

NEXO CAUSAL

ALTERAÇÃO PREJUDICAL DA PERSONALIDADE

PERÍCIA PSIQUIÁTRICA OU PSICOLÓGICA NO DANO PSÍQUICO

(3)VIDE AS ATIVIDADES PROPOSTAS PARA ESSES CONTEÚDOS!

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O PROCESSO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO JUDICIÁRIO

A avaliação psicológica é entendida como o processo

técnico-científico de coleta de dados, estudos e

interpretação de informações a respeito dos fenômenos

psicológicos, que são resultantes da relação do indivíduo

com a sociedade, utilizando-se, para tanto, de estratégias

psicológicas – métodos, técnicas e instrumentos.
Os psicólogos, ao realizarem avaliações psicológicas,

devem se basear exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas, testes,

observações, dinâmicas de grupo, escuta, intervenções verbais) que se configuram

como métodos e técnicas psicológicas para a coleta de dados, estudos e interpretações

de informações a respeito da pessoa ou grupo atendidos. Esses instrumentais técnicos

devem obedecer às condições mínimas requeridas de qualidade e de uso, devendo ser

adequados ao que se propõem a investigar.

A avaliação psicológica no judiciário

“Ao psicólogo perito cabe fornecer um laudo [ou
parecer] psicológico com informações pertinentes ao

processo judicial e à problemática diagnosticada,

visando auxiliar o magistrado na formação de seu

convencimento sobre a decisão judicial a ser tomada,

como forma de realização do direito objetivo das partes

em oposição.[...]

Para tanto, o psicólogo estabelece um planejamento de

avaliação dos aspectos psicológicos implicados no caso atendido, com base no

estudo dos autos, isto é, de todos os documentos e provas que compõem o processo

judicial. Os instrumentos utilizados para fins de diagnósticos são escolhidos com base

no conhecimento técnico sobre técnicas de exame psicológico, na formação teórica,

nas condições institucionais para a realização do trabalho e na situação emocional dos

implicados no processo judicial. Considera-se a especificidade da situação judicial,

em que as pessoas não escolheram a intervenção do psicólogo e estão numa posição

defensiva, procurando fazer prevalecer seus interesses sobre terceiros, com quem, em

geral, mantém vínculos afetivos conflituosos.[...]

Na atuação judiciária, a adequação dos instrumentos está relacionada à natureza do

processo judicial (verificatório, contencioso), da natureza e gravidade das questões

tratadas no processo (criança e adolescentes em situação de risco), do tempo

institucional (urgência, data de audiência já fixada, número de casos agendados) e da

livre escolha do profissional, conforme seu referencial técnico, filosófico e

científico.[...]

(BERNARDES In: CRUZ, MACIEL, RAMIREZ, 2005, p.71-80)

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Testes psicológicos

“Testes psicológicos são uma medida padronizada de uma amostra
do comportamento de uma pessoa. Eles são instrumentos de

mensuração utilizados para medir as diferenças individuais entre

as pessoas com relação a capacidades, aptidões, interesses e

aspectos da personalidade.” (WEITEN, 2002, p. 251)
Quanto à finalidade, os testes podem ser: testes de capacidade mental ou escalas de

personalidade (escalas e não testes, pois nessas últimas não há uma resposta certa).

Analise o gráfico a seguir:

Resolução CFP Nº 002/2003 – “Art. 1º - Os Testes Psicológicos são instrumentos de
avaliação ou mensuração de características psicológicas, constituindo-se um método

ou uma técnica de uso privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o § 1º do

Art. 13 da Lei nº 4.119/62.”

No Brasil, os Testes Psicológicos são regidos pela Res. Nº 002/2003, do Conselho

Federal de Psicologia. Nessa Resolução são definidos critérios científicos rígidos à

elaboração desses instrumentos de avaliação. O CFP mantém, inclusive, um Sistema

de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), sistema esse que submete os vários

testes psicológicos disponíveis no mercado brasileiro a uma rigorosa avaliação

científica. No site do CFP é publicada e atualizada constantemente a relação dos

testes aprovados (= permitidos) e rejeitados (= proibidos) pelo SATEPSI.

Por fim, há que se ter clareza sobre o seguinte ponto: um teste psicológico, por ser

ater a uma amostra do comportamento, tal amostra pode não ser representativa,

naquele momento, do comportamento característico de uma pessoa. Lembremo-nos,

neste sentido, dos estados psicológicos. “Muitos testes psicológicos são mecanismos
precisos de mensuração. No entanto, devido ao eterno problema da amostragem, os

seus resultados não devem ser considerados como a palavra definitiva sobre a

personalidade e as capacidades de uma pessoa.” (WEITEN, 2002, p. 251)

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Perícia psicológica

O exame pericial psicológico é uma espécie de avaliação

psicológica “com a finalidade de elucidar fatos do interesse de
autoridade judiciária, policial, administrativa ou,

eventualmente, particular. Constitui-se, pois, em meio de

prova, devendo o examinador proceder com permanente

cautela devido a essa singularíssima condição.” (TABORDA,
2004, p.43).

“Conceitua-se perícia, pois, como o conjunto de procedimentos técnicos que tenha
como finalidade o esclarecimento de um fato de interesse da Justiça; e, perito, o

técnico incumbido pela autoridade de esclarecer fato da causa, auxiliando, assim, na

formação de convencimento do juiz.

Cabe ao psicólogo, portanto, enquanto perito, elaborar relatórios (Res. CFP nº 08/10)

sobre os aspectos psicológicos dos jurisdicionados, os quais deverão ser apresentados

à autoridade judicial.

Perícia e dinâmica psicológica

DOCUMENTOS EXARADOS PELOS  JURÍDICOS
(De acordo com a Res. CFP nº 07/03)

a) Atestado
É um documento expedido pelo psicólogo que certifica uma determinada situação ou

estado psicológico, tendo como finalidade afirmar sobre as condições psicológicas de

quem, por requerimento, o solicita, com fins de:

a) Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante;

b) Justificar estar apto ou não para atividades específicas, após realização de um

processo de avaliação psicológica, dentro do rigor técnico e ético que subscreve esta

Resolução;

c) Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante, subsidiado na afirmação

atestada do fato, em acordo com o disposto