Apostila 20122
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Apostila 20122

Disciplina:Psicologia Aplicada Ao Direito1.813 materiais32.913 seguidores
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na Resolução CFP nº 015/96. (Res. que

regulamenta a concessão de Atestado Psicológico para tratamento de saúde por

problemas psicológicos).

b) Relatório (ou, Laudo Psicológico)
O relatório ou laudo psicológico é uma apresentação descritiva acerca de situações

e/ou condições psicológicas e suas determinações históricas, sociais, políticas e

culturais, pesquisadas no processo de avaliação psicológica. Como todo documento,

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deve ser subsidiado em dados colhidos e analisados, à luz de um instrumental técnico

(entrevistas, dinâmicas, testes psicológicos, observação, exame psíquico, intervenção

verbal), consubstanciado em referencial técnico-filosófico e científico adotado pelo

psicólogo.

A finalidade do relatório psicológico será a de apresentar os procedimentos e

conclusões gerados pelo processo da avaliação psicológica, relatando sobre o

encaminhamento, as intervenções, o diagnóstico, o prognóstico e evolução do caso,

orientação e sugestão de projeto terapêutico, bem como, caso necessário, solicitação

de acompanhamento psicológico, limitando-se a fornecer somente as informações

necessárias relacionadas à demanda, solicitação ou petição.

c) Parecer psicológico
Parecer é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do

campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo.

O parecer tem como finalidade apresentar resposta esclarecedora, no campo do

conhecimento psicológico, através de uma avaliação especializada, de uma “questão-
problema”, visando a dirimir dúvidas que estão interferindo na decisão, sendo,
portanto, uma resposta a uma consulta, que exige de quem responde competência no

assunto.

O psicólogo parecerista deve fazer a análise do problema apresentado, destacando os

aspectos relevantes e opinar a respeito, considerando os quesitos apontados e com

fundamento em referencial teórico-científico.

Havendo quesitos, o psicólogo deve respondê-los de forma sintética e convincente,

não deixando nenhum quesito sem resposta. Quando não houver dados para a

resposta ou quando o psicólogo não puder ser categórico, deve-se utilizar a expressão

“sem elementos de convicção”. Se o quesito estiver mal formulado, pode-se afirmar
“prejudicado”, “sem elementos” ou “aguarda evolução”.

d) Declarações
É um documento que visa a informar a ocorrência de fatos ou situações objetivas

relacionados ao atendimento psicológico, com a finalidade de declarar:

a) Comparecimentos do atendido e/ou do seu acompanhante, quando necessário;

b) Acompanhamento psicológico do atendido;

c) Informações sobre as condições do atendimento (tempo de acompanhamento, dias

ou horários).

Neste documento não deve ser feito o registro de sintomas, situações ou estados

psicológicos.

Obs.: Os Atestados e os Laudos são documentos exarados a partir de Avaliações

Psicológicas. Já os Pareceres e as Declarações, não. Um Parecer, p.ex., pode ser

exarado a partir de uma consulta sobre alguma questão pontual, o que não implica,

necessariamente, a realização de uma Avaliação Psicológica.

(4)VIDE AS ATIVIDADES PROPOSTAS PARA ESSES CONTEÚDOS!

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A FAMÍLIA

Família – do latim “famulus”, que significa um conjunto de
servos e dependentes de um chefe ou senhor.

Família = Instituição Social = Funções: 1. proteger as novas

gerações; 2. reproduzir os “status quo17” social a partir dos
processos de socialização.

DÚVIDA!

As mudanças internas na constituição das famílias promoveriam mudanças sociais

posteriores, ou são as mudanças sociais (valores, costumes etc) que promoveriam

mudanças nas famílias? Justifique.

 e FAMÍLIA

“Do ponto de vista psicológico, podemos dizer que a
família humana é uma estrutura de cuidado. E cuidar não

se limita a alimentar e proteger; implica também

socializar, permitir que alguém se desenvolva como um

membro do seu grupo social. A função do cuidador

consiste primeiro em estar disponível e pronto a atender

quando solicitado e, segundo, intervir quando aquele a

quem se cuida parece estar prestes a se meter em apuros,

além de impor também limites e normas de convivência social e familiar. (LASTA,

S. 2003)

17 Status quo – Expressão latina. Significa o estado em que se achava anteriormente certa questão. (AURÉLIO)

Família e Sociedade

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RECORDAÇÃO

PERÍODOS DA HISTÓRIA

Pré-história

(até 4. 000 a.C.)

Compreende os períodos Paleolítico (até

10.000 a.C.) quando os homens viviam da

caça e da coleta, eram nômades (não tinham

habitação fixa) e viviam coletivamente; e o

período Neolítico (10.000 - 4.000 a.C.):

quando ocorre a revolução agrária: o homem

tornou-se sedentário (tem habitação fixa).

Teve início a transição do coletivismo para o

individualismo. Agrupados em comunidade,

firmaram os rudimentos (primeiras noções)

das trocas, da propriedade e da urbanidade.

Idade Antiga

(de 4.000 a.C. – 476 d.C.)

Abrange o desenvolvimento das antigas

civilizações orientais e clássicas (egípcia,

mesopotâmica, hebraica, persa, grega, romana

etc.) terminando na queda do Império Romano

do Ocidente (476 d.C.)

Idade Média

(de 476 d.C. – 1453)

Compreendida entre a queda do Império

Romano do Ocidente e a

tomada de Constantinopla
pelos turcos (1453).

Sistema econômico

feudal.

Século XI – Surgimento
da classe burguesa (Ideias

de “Individualidade,
Liberdade e Privacidade”).

Idade Moderna

(1453 – 1789)

Que principia com a queda de Constantinopla

e termina com a Revolução Francesa de 1789.

“Liberdade, Igualdade e Fraternidade.”
Século XVI (31/10/1517) Reforma

Protestante: Lutero afixou 95 teses na Catedral

de Wittenberg na Alemanha contra diversos

pontos da doutrina católica. “O justo viverá da
fé” – Rom. 1:17; Gal. 3:11; Heb. 10:38 (Bíblia
Sagrada) –“Sola Fide, Sola Gratia, Sola
Scriptura, Solus Christus, Soli Deo Gloria.”

Idade Contemporânea

(1789 – até os dias atuais)

Na transição do século XVII para o século

XVIII, a Revolução Industrial, na Inglaterra, o

desenvolvimento da Ciência e das

Tecnologias.

(Martinho Lutero – 1483-1546)

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TEXTO DE APOIO

A família no ocidente

Philippe Ariès (1914-1984) foi um dos mais importantes historiadores

europeus da atualidade. Em seu livro “História Social da Criança e da
Família” (1986) postula que o sentimento de família era desconhecido
na Idade Média (período histórico que vai do ano 476 d.C. até 1453) à

semelhança do que ocorria quando do período romano. Na Idade Média

as pessoas de posse e os nobres percebiam-se solidariamente como oriundos de uma

mesma linhagem, linhagem essa determinada pelo vínculo sanguíneo entre elas. Tal

percepção servia, principalmente, a preservação e a indivisão do patrimônio dessas

linhagens. Seus laços intrafamiliares não eram estreitos pois desfrutavam das

proteções e licenciosidades das instituições públicas de poder (os Estados). De forma

diversa, quando uma família se constituía essa não se estendia a toda linhagem

(“compreendia, entre os membros que residiam juntos, vários elementos, e, às vezes,
vários casais, que viviam numa propriedade que eles se haviam recusado dividir,

segundo um tipo de posse chamado frereche ou fraternitas. A frereche agrupava em

torno dos pais os filhos que não tinham bens próprios, os sobrinhos ou os primos

solteiros.” - 1986, p. 211) Segundo Ariès, as fraternitas tendiam a não passar das
segundas gerações.

Os aldeões, no entanto, despossuídos que eram de

riquezas e das benesses dos Estados organizavam-se

solidaria e cooperativamente em comunidades maiores

onde viviam não só com parentes
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, mas também

amigos, vizinhos etc. Tais aldeias atendiam tanto as

necessidades de sobrevivência como de segurança

daqueles aldeões.

A partir do século XIV desenvolve-se com