Apostila 20122
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Apostila 20122

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mais intensidade o padrão de família que

hoje conhecemos: a família moderna – ou seja, pai, mãe, filhos naturais e,
eventualmente, adotivos. Um dos fatores implicados com o surgimento desse novo

padrão de família é a “[...] degradação progressiva e lenta da situação da mulher no
lar. Ela perde o direito de substituir o marido ausente ou louco... Finalmente, no

século XVI, a mulher casada torna-se uma incapaz, e todos os atos que faz sem ser

autorizada pelo marido ou pela justiça tornam-se radicalmente nulos. Essa evolução

reforça os poderes do marido, que acaba por estabelecer uma espécie de monarquia

doméstica.” (1986, p.214)
Outro ponto importante que caracterizou o surgimento da família moderna foram as

mudanças de atitude das famílias em relação às crianças. Ariés postula que no

período medieval era costume que os filhos permanecessem com seus pais até por

volta dos sete a nove anos de idade. Atingidas essas idades eram cedidos a outras

casas ou organizações (ateliês de artes, oficinas, manufaturas, estalagens etc) por um

período que durava em média de oito a dez anos, para que lá trabalhassem de forma

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 Essas grandes grupos familiares são chamados, pela antropologia, de “famílias extensas”, ou seja, um grande grupo
familiar constituído por várias células familiares.

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dura em todos os serviços domésticos e profissionais. O objetivo desse costume era o

de aprendizagem: aprendizagem de boas maneiras bem como de uma determinada

profissão (a dos hospedeiros e mestres). Da mesma forma, as famílias que cediam

seus filhos, acolhiam os filhos de outras famílias com a mesma finalidade. “Era
através do serviço doméstico que o mestre transmitia a uma criança, não ao seu filho,

mas ao filho de outro homem, a bagagem de conhecimentos, a experiência prática e o

valor humano que pudesse possuir.” (1986, p. 228) “De modo geral, a transmissão do
conhecimento de uma geração a outra era garantida pela participação familiar das

crianças na vida dos adultos. [...] Em suma, em toda parte onde se trabalhava, e

também em toda parte onde se jogava ou brincava, mesmo nas tavernas mal-

afamadas, as crianças se misturavam aos adultos. [...] Nessas condições, a criança

desde muito cedo escapava a sua própria família, mesmo que voltasse a ele mais

tarde, depois de adulta, o que nem sempre ocorria. A família não podia, portanto,

nessa época, alimentar um sentimento existencial profundo entre pais e filhos. Isso

não significava que os pais não amassem seus filhos: eles se ocupavam de suas

crianças menos por elas mesmas, pelo apego que lhes tinham, do que pela

contribuição que essas crianças podiam trazer à obra comum, ao estabelecimento da

família. A família era uma realidade moral e social, mais do que sentimental.” (1986,
p. 230-231)

Foi somente a partir do século XV que os sentimentos familiares ganham maior

ênfase. Ariés postula que o principal fator a demonstrar tais mudanças foi a maior

frequência escolar das crianças. “Dessa época em diante, ao contrário, a educação
passou a ser fornecida cada vez mais pela escola. A escola deixou de ser reservada

aos clérigos para se tornar instrumento normal da iniciação social, da passagem do

estado da infância ao do adulto. [...] A substituição da aprendizagem pela escola

exprime também uma aproximação da família e das crianças, do sentimento da

família e do sentimento da infância, outrora separados. A família concentrou-se em

torno da criança. [...] O clima sentimental era agora diferente, mais próximo ao nosso,

como se a família moderna tivesse nascido ao mesmo tempo que a escola, ou, ao

menos, que o hábito geral de educar as crianças na escola. (1986, p. 231-232)

A FAMÍLIA NUCLEAR (ou, MODERNA)

Constituída por pai, mãe, filhos naturais e adotados residentes na

mesma casa e ausência de outros parentes.

A família nuclear está associada ao isolamento social e à falta de

contato com parentes e, como resultado, a uma grande variedade

de problemas, como a sobrecarga de papéis.

A família nuclear é fruto da influência dos princípios e

aspirações burguesas quais sejam, o valor à individualidade, o

direito à liberdade do indivíduo e o direito à vida privada.

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PRINCIPAIS MUDANÇAS NA FAMÍLIA NUCLEAR

O casamento a partir da livre escolha dos cônjuges (ênfase ao amor romântico entre o

casal);

A família enquanto núcleo de afeto e proteção;

A definição clara de papéis: o homem como provedor do lar (destinado ao espaço

público) e a mulher como cuidadora, encarregada da vida particular (destinada,

portanto, ao espaço particular).

AS FAMÍLIAS PÓS-MODERNAS

As famílias monoparentais.

As famílias homoafetivas (ou,

homossexuais
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)

INFORMAÇÕES

Quinta-feira, 05 de maio de 2011 – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Supremo reconhece união homoafetiva.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgarem a Ação Direta de

Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito

Fundamental (ADPF) 132, reconheceram a união estável para casais do mesmo sexo. As

ações foram ajuizadas na Corte, respectivamente, pela Procuradoria-Geral da República e

pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

O julgamento começou na tarde de ontem (4), quando o relator das ações, ministro Ayres

Britto, votou no sentido de dar interpretação conforme a Constituição Federal para excluir

qualquer significado do artigo 1.723 do Código Civil que impeça o reconhecimento da

união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.

O ministro Ayres Britto argumentou que o artigo 3º, inciso IV, da CF veda qualquer

discriminação em virtude de sexo, raça, cor e que, nesse sentido, ninguém pode ser

19 Para um maior aprofundamento sobre este tema, sugiro a leitura do seguinte texto: Configurações edípicas da
contemporaneidade: reflexões sobre as novas formas de filiação, de Paulo Roberto Ceccarelli. Disponível em <
http://www.editoraescuta.com.br/pulsional/161_07.pdf>.

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diminuído ou discriminado em função de sua preferência sexual. “O sexo das pessoas, salvo
disposição contrária, não se presta para desigualação jurídica”, observou o ministro, para
concluir que qualquer depreciação da união estável homoafetiva colide, portanto, com o

inciso IV do artigo 3º da CF. [...]

Ações

A ADI 4277 foi protocolada na Corte inicialmente como ADPF 178. A ação buscou a

declaração de reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade

familiar. Pediu, também, que os mesmos direitos e deveres dos companheiros nas uniões

estáveis fossem estendidos aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Já na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, o governo do

Estado do Rio de Janeiro (RJ) alegou que o não reconhecimento da união homoafetiva

contraria preceitos fundamentais como igualdade, liberdade (da qual decorre a autonomia da

vontade) e o princípio da dignidade da pessoa humana, todos da Constituição Federal. Com

esse argumento, pediu que o STF aplicasse o regime jurídico das uniões estáveis, previsto

no artigo 1.723 do Código Civil, às uniões homoafetivas de funcionários públicos civis do

Rio de Janeiro.

(Fonte: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=178931)

Terça-feira, 25 de Outubro de 2011 – SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
DECISÃO

Quarta Turma admite casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em decisão inédita, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria,

proveu recurso de duas mulheres que pediam para ser habilitadas ao casamento civil.

Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma concluiu que a

dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem

diminuída em razão do uso da sexualidade, e que