Apostila 20122
84 pág.

Apostila 20122

Disciplina:Psicologia Aplicada Ao Direito1.812 materiais32.913 seguidores
Pré-visualização21 páginas
a orientação sexual não pode servir de

pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento. [...]

“Por consequência, o mesmo raciocínio utilizado, tanto pelo STJ quanto pelo Supremo
Tribunal Federal (STF), para conceder aos pares homoafetivos os direitos decorrentes da

união estável, deve ser utilizado para lhes franquear a via do casamento civil, mesmo porque

é a própria Constituição Federal que determina a facilitação da conversão da união estável

em casamento”, concluiu Salomão.
Em seu voto-vista, o ministro Marco Buzzi destacou que a união homoafetiva é reconhecida

como família. Se o fundamento de existência das normas de família consiste precisamente

em gerar proteção jurídica ao núcleo familiar, e se o casamento é o principal instrumento

para essa opção, seria despropositado concluir que esse elemento não pode alcançar os

casais homoafetivos. Segundo ele, tolerância e preconceito não se mostram admissíveis no

atual estágio do desenvolvimento humano. [...]

O recurso foi interposto por duas cidadãs residentes no Rio Grande do Sul, que já vivem em

união estável e tiveram o pedido de habilitação para o casamento negado em primeira e

segunda instância. A decisão do tribunal gaúcho afirmou não haver possibilidade jurídica

para o pedido, pois só o Poder Legislativo teria competência para insituir o casamento

homoafetivo. No recurso especial dirigido ao STJ, elas sustentaram não existir impedimento

no ordenamento jurídico para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Afirmaram,

também, que deveria ser aplicada ao caso a regra de direito privado segundo a qual é

permitido o que não é expressamente proibido.

(Fonte: STJ, 25/10/2011)

49

CRITÉRIOS PARA O ESTABELECIMENTO DA PATERNIDADE NO

DIREITO BRASILEIRO

CONCEITO

PATERNIDADE – “Condição do pai em relação aos filhos, quanto aos direitos e
obrigações. Obs.: O vocábulo é comum tanto ao pai como à mãe, dado que o

feminino etimológico maternidade tem outro sentido.” (DICIONÁRIO JURÍDICO)

CRITÉRIOS

1º) Presunção legal – Somente para os filhos havidos no casamento. Por
esse critério excluíam-se os chamados “filhos bastardos”, ou seja, os
havidos fora do casamento.

2º) Biológico – Critério que estabelece a paternidade a partir da
constatação científica (via exames de DNA, p.ex.) da descendência

biológica, ou, laço consanguíneo.

3º) Socioafetivo – Critério que poderá estabelecer a paternidade a partir
dos vínculos de afinidade e afetividade, independentemente de qualquer

laço consanguíneo.

Obs.: No direito brasileiro estão positivados somente os dois primeiros critérios

(quais sejam, o legal e o biológico). Porém, em processos de adoção, por exemplo, o

critério afetivo é largamente aceito.

DÚVIDA

Os vínculos de paternidade, uma vez estabelecidos legalmente, são inextinguíveis.

Porém, discute-se atualmente no direito a seguinte questão: Caso o vínculo legal de

paternidade tenha sido estabelecido a partir do critério afetivo (p. ex., numa adoção),

extinta essa afetividade e afinidade entre “pais” e “filhos”, pelo motivo que for, deve
também o vínculo legal de paternidade ser extinto? JUSTIFIQUE:

50

ALIENAÇÃO PARENTAL e SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL

A Síndrome de Alienação Parental (SAP) é um distúrbio

psicológico de crianças e adolescentes que aparece quase

exclusivamente no contexto de disputas de custódia quando em

processos de separação (importante não confundir com

Alienação Parental, pura e simplesmente, que caracteriza as

ações caluniadoras e difamatórias do genitor alienador em

relação ao genitor alienado).

Sua manifestação preliminar é a campanha denegritória contra

um dos genitores, uma campanha feita pelo próprio filho e que

não tenha nenhuma justificação. Resulta da combinação das instruções de um genitor

(o que faz a “lavagem cerebral, programação, doutrinação”) e contribuições do
próprio filho para caluniar o genitor-alvo. Importante: quando o abuso e/ou a

negligência parentais verdadeiros estão presentes, a animosidade da criança pode ser

justificada, e assim a explicação de SAP para a hostilidade do filho não é aplicável

SAP – PRINCIPAIS SINTOMAS

Sintomas Característica

Campanha de descrédito Esta campanha se manifesta verbalmente e nas atitudes.

Justificativas fúteis
O filho dá pretextos fúteis, com pouca credibilidade ou absurdos,

para justificar a atitude.

Situações fingidas
O filho conta casos que manifestadamente não viveu, ou que

ouviu contar (“memória implantada”).

Ausência de

ambivalência

O filho está absolutamente seguro de si, e seu sentimento

exprimido pelo genitor alienado é maquinal e sem equívoco: é o

ódio.

Ausência de culpa
O filho não sente nenhuma culpa por denegrir ou explorar o

genitor alienado.

Fenômeno de

independência

O filho afirma que ninguém o influenciou e que chegou sozinho

a esta conclusão.

Sustentação

deliberada.

O filho adota, de uma forma racional, a defesa do genitor

alienador no conflito.

Generalização a outros

membros da família do

alienado.

O filho estende sua animosidade para a família e amigos do

genitor alienado.

51

SAP - CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS PARA OS FILHOS

Os efeitos nos jovens vítimas da SAP podem ser uma depressão crônica,

incapacidade de adaptação em ambiente psicossocial normal, desespero,

sentimento incontrolável de culpa, sentimento de isolamento,

comportamento hostil, falta de organização, dupla personalidade e às

vezes suicídio. Esses jovens podem tornar-se mentirosos e

manipuladores, como os genitores de que foram

vítimas. Isto porque desde muito cedo são treinados

para falar apenas uma parte da verdade. Estudos têm mostrado

que, quando adultas, as vítimas da Alienação Parental têm

inclinação ao álcool e às drogas, e apresentam outros sintomas de

profundo mal-estar.

DICA CINEMATOGRÁFICA

Assista o documentário “A morte inventada:
alienação parental”, direção de Alan Minas.

(www.amorteinventada.com.br)

DICA DE PESQUISA

1. Para maiores informações sobre Alienação Parental visite o site
www.alienacaoparental.com.br;

2. Faça uma leitura da LEI Nº 12.318, de 26/08/2010 que dispõe sobre a
alienação parental e altera o art. 236 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

52

GUARDA COMPARTILHADA

LEI Nº 11.698, de 13/06/08

Altera os arts. 1.583 e 1.584 da Lei no 10.406, de 10 de

janeiro de 2002 – Código Civil, para instituir e
disciplinar a guarda compartilhada.

Art. 1
o
 Os arts. 1.583 e 1.584 da Lei n

o
 10.406, de 10 de

janeiro de 2002 – Código Civil, passam a vigorar com a
seguinte redação:

Art. 1.583. A guarda será unilateral ou compartilhada.

§ 1
o
 Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a

alguém que o substitua (art. 1.584, § 5
o
) e, por guarda compartilhada a

responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que

não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns.

§ 2
o
 A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para

exercê-la e, objetivamente, mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores:

I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar;
II – saúde e segurança;
III – educação.
§ 3

o
 A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os

interesses dos filhos.

Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser:

§ 2
o
 Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho,

será aplicada, sempre que possível, a guarda compartilhada.

§ 3
o
 Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob

guarda compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público,

poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar.

DISCUSSÃO

O instituto da Guarda Compartilhada poderá